sexta-feira, 11 de março de 2011

Políticos iniciam briga por 2012

Apesar de faltar mais de um ano para as eleições municipais, cresce o interesse dos políticos de variadas agremiações baianas pela disputa da prefeitura da terceira maior capital do país. Além dos petistas,
peemedebistas, democratas, socialistas, comunistas e verdes que já demonstraram publicamente a cobiça pelo Palácio Thomé de Souza, o PR, do ex-senador César Borges, já confirmou que pode ser mais um partido a entrar na briga por 2012, tendo como possíveis postulantes os deputados federais Maurício Trindade e João Carlos Bacelar.

No cordão dos pretendentes ainda é cogitado para a disputa o nome da primeira-dama do Estado, Fátima Mendonça, filiada ao PV, que não tem autorização judicial para integrar a corrida. O certo é que, passada a folia de Momo, os partidos já começam a pensar nas estratégias eleitorais para o próximo ano. Muitos pré-candidatos já sinalizaram muita disposição para discutir o assunto. O PT, por exemplo, já tem debatido a questão em mesa-redonda com os partidos que formam a aliança no estado.
Na ala do PR, o recado já foi dado pelo deputado estadual Elmar Nascimento, membro da executiva do partido na Bahia. Questionado a respeito do assunto, o deputado Maurício Trindade não descartou.
 “A eleição ainda está muito longe, mas pensamos sobre isso”, confirmou. O parlamentar atribui o “terceiro maior tempo de televisão” e o fato de “ter um trabalho forte nas comunidades carentes da capital baiana” como argumentos que fortalecem o partido para a disputa.
Outros nomes têm sido ratificados na disputa pelo Palácio Thomé de Souza. O vice-prefeito, Edvaldo Brito (PTB), que tem se distanciado politicamente do prefeito João Henrique (PP), já constrói o próprio caminho a fim de entrar no páreo. Ele teria aproveitado a folia para usar de sua performance mais popular entre os foliões.
Na ala do PCdoB, o assunto também tem sido discutido. A vereadora Olívia Santana, que no Carnaval chegou a ser sondada sobre o assunto, confessou que o tema eleições 2012 tem sido questão de interesse dentro do partido. “Mas estou fora.
 Serei candidata a vereadora. Nesse debate interno, os nomes mais citados são do próprio Daniel Almeida (deputado federal) e o da deputada (federal) Alice Portugal”, afirmou.
Entre os peemedebistas, a disputa por 2012 deve ser uma das prioridades no debate interno deste ano. Citados como supostos prefeituráveis aparecem o ex-ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, o ex-secretário Fábio Mota e o deputado estadual Alan Sanches.
No DEM, os nomes mais citados são o do ex-deputado José Carlos Aleluia e do deputado federal ACM Neto. Entretanto, consta que Neto estaria a articular uma união com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), de olho nas eleições presidenciais de 2014.

PP desconversa sobre sucessão

O ingresso do prefeito João Henrique no PP provocou especulações em torno de um protagonismo da sigla para o próximo pleito, tendo o novo chefe da Casa Civil, João Leão, como o mais citado. No entanto, comandantes do partido negam o fato. “Ninguém está entrando nessa seara. A premissa não é  disputar.
Queremos é contribuir com a administração da cidade”, descartou o secretário geral, Jabes Ribeiro. Já o PT tem liderado uma frente de conversas entre os partidos que compõem a aliança com o governo, já com o olhar nas eleições.
Segundo o presidente Jonas Paulo, o foco é “construir um só projeto” em pelo menos 20 municípios com cerca de 50 mil habitantes. Entre os pré-candidatos aparecem o deputado federal Nelson Pellegrino e o senador Walter Pinheiro. (lilian Machado -TB)

Ato marca filiação de João Henrique ao PP

Enquanto a maioria dos partidos rascunha as eleições de 2012, o prefeito João Henrique traça agora um novo caminho político-administrativo no ninho que oficialmente irá abrigá-lo a partir do próximo sábado.
O ato que marcará a filiação do alcaide ao PP, do ministro das Cidades, Mário Negromonte, acontece a partir das 10h, no auditório do Hotel Mercure, Rua Fonte do Boi, no Rio Vermelho. A previsão é de que o evento seja concorrido, com a presença de deputados estaduais, federais, prefeitos e autoridades do partido.
Ontem, o secretário geral do partido, Jabes Ribeiro, disse que o clima é de mobilização para o evento. “Estamos convidando todos os nossos companheiros a estarem presentes e evidentemente também aqueles que integram os partidos da base aliada ao governo estadual, na medida em que entendemos que se trata da filiação do prefeito de uma grande capital”, destacou.
Segundo ele, o PP ingressa na administração municipal com o objetivo somente de contribuir e melhorar a situação da cidade. O membro da executiva estadual também fez questão de lembrar que o ingresso do prefeito não foi feito de forma isolada. (LM)

Maioria no PSB apoia fusão com novo partido de Kassab

A maioria dos deputados e senadores do PSB apoia a fusão do partido com a nova legenda que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pretende criar. A Folha ouviu 32 dos 34 congressistas da sigla e 29 deles, ou 90%, defendem a fusão rápida ou veem com simpatia a ideia. Apenas três são contrários.
O principal argumento dos favoráveis é que a articulação fortalecerá o PSB e dará mais condições para que o presidente nacional da sigla, o governador Eduardo Campos (PE), dispute a Presidência da República. “É muito importante a vinda dele [Kassab]. A gente vai se estruturar mais na região Sudeste”, afirma o deputado Gonzaga Patriota (PE). “Nenhum partido sobrevive sem ambição de poder”, diz Ribamar Alves (MA).
Dos 29 favoráveis, 21 defendem abertamente a ida de Kassab para o PSB. Outros oito congressistas, mesmo declarando estarem em “dúvida”, demonstram simpatia ao democrata. “O que eu posso dizer é que um prefeito da cidade do porte de São Paulo amplia qualquer partido”, afirma a senadora Lídice da Mata (BA).
A diferença de identidade entre Kassab, hoje em um partido de direita (DEM), e o PSB, um partido com ideais socialistas, é a principal preocupação dos três parlamentares que são contra a fusão. A ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina ameaça, inclusive, deixar o partido caso a ideia se concretize.
“Pela incompatibilidade, incoerência que isso representaria. Eu seria uma estranha no ninho”, explica. Favorável à ida do prefeito para o PSB, o senador Rodrigo Rollemberg (DF) minimiza a diferença entre as bandeiras partidárias. “Os eleitores do Brasil hoje são de centro. O importante é se o político é bom administrador, não se o partido é de direita ou de esquerda.” (TB)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Manuela d'Ávila não vê mistério nas polêmicas sobre direitos humanos

A gaúcha Manuela d’Ávila é a primeira comunista a assumir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Credenciada por uma reeleição com quase meio milhão de votos e, pela segunda vez seguida, sendo a deputada mais votada do Rio Grande do Sul, a parlamentar terá assuntos polêmicos para administrar, incluindo projetos relacionados aos direitos dos homossexuais e à instalação da Comissão da Verdade, que investigará crimes da época em que o Brasil vivia sob o comando dos militares.

Além disso, receberá questões ligadas ao Plano Nacional de Direitos Humanos, um dos principais alvos de críticas durante a campanha presidencial da então candidata Dilma Rousseff.

O comando da comissão, no entanto, não é o único desafio que Manuela terá de enfrentar. Workaholic assumida, a integrante do PCdoB lidera a Frente da Liberdade da Internet, comanda a bancada gaúcha na Casa e, mesmo afirmando que a prioridade são as atividades parlamentares, aspira ocupar a cadeira de prefeita de Porto Alegre nas eleições municipais do próximo ano.

“Sou uma mulher comum, que tem sonhos, como qualquer outra pessoa. Mas não entrei na política por um objetivo pessoal. Desde que disputei a prefeitura, em 2008, desenvolvi um sentimento forte de ajudar o estado lá, em questões regionais, mas vivo um momento de cada vez. Agora, sou deputada federal”, afirma a jovem de 29 anos, apontada, desde o primeiro mandato, como musa do Congresso. O assunto, porém, tira Manuela do sério. A atuação na legislatura passada e a corroboração dos eleitores nas urnas conferem à gaúcha status de uma das deputadas mais influentes da Casa.

Em entrevista ao Correio Braziliense, ela fala sobre a estratégia para garantir uma tramitação menos complicada a projetos polêmicos, sobre a dificuldade em discutir determinados assuntos no Congresso e sobre a relação entre o grande volume de trabalho e os planos futuros.

Correio Braziliense: A senhora vai presidir uma das comissões mais complicadas desta legislatura.Manuela d´Ávila: Por que complicada?

Correio Braziliense: Porque há temas espinhosos lá. O deputado Jean Wyllys (PSol-RJ) falou sobre o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que garante o direito dos homossexuais ao casamento civil. A presidente Dilma Rousseff já mostrou que fará força para que a Comissão da Verdade seja aprovada. Há ainda o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH). Não são temas polêmicos?MA: Primeiro, temos de separar o que são polêmicas de um grupo pequeno de parlamentares e polêmicas na sociedade. Por exemplo, o tema da união civil entre homossexuais estabelece uma polêmica com um setor da Câmara que é legitimamente organizado. No entanto, esse grupo não dialoga com a maior parte da população brasileira, que, na minha opinião, não é homofóbica. Tenho convicção de que, se consultarmos cada um dos 513 deputados, a maioria se posicionará favorável ou dirá que não vê problema em duas pessoas do mesmo sexo viverem juntas. Então, qual é a dimensão real dessa polêmica? Alguns grupos ou pessoas ganham destaque maior do que realmente têm, de fato, aqui na Câmara e passam uma imagem de que a Casa é mais conservadora do que é de fato.

Correio Braziliense: Mas vários desses temas entraram na pauta das últimas eleições, inclusive na campanha da então candidata Dilma Rousseff, e muitos políticos recuaram ou deram uma amenizada no discurso. A senhora acha que será fácil discutir esses projetos com parlamentares?MA: Só acho que temos de saber exatamente qual é a real dimensão da polêmica, mesmo na sociedade. Quando alguns grupos organizados de alguns segmentos se posicionaram fortemente contra os direitos dos homossexuais na campanha, a sociedade brasileira reagiu. Por isso, não julgo o nosso povo tão conservador como esse segmento. Isso não significa que essa parte mais conservadora não tenha uma dimensão, um peso aqui dentro do Congresso.

Correio Braziliense: Quais serão suas estratégias, então, para que esses projetos tenham trâmites menos complicados?
MA: Acho que teremos dificuldades porque as regras no Congresso permitem que minorias obstruam o trâmite. Embora não caiba só a mim, como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, a estratégia é envolver a sociedade. Precisamos fazer com que o povo entenda o que estamos discutindo. Não dá para só um segmento minoritário organizado mobilizar as bases contra determinados temas. A sociedade também precisa perceber e se mobilizar. Essa é a única estratégia que pode fazer avançar temas como os que envolvem relações homossexuais.

Correio Braziliense: Há outros projetos que a senhora imagina que vão causar tanta olêmica como os que tratam dos direitos dos homossexuais e dos crimes cometidos na época da ditadura?MA: Esses dois assuntos, realmente, devem ser os mais polêmicos. Há também o Plano Nacional de Direitos Humanos, mas que deve chegar em forma de projetos fatiados.

Correio Braziliense: A senhora presidirá a Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara, lidera a bancada gaúcha de deputados, integra outras frentes e tem planos de concorrer à prefeitura de Porto Alegre. Dá tempo de fazer tudo isso?MA: Mas o que é tudo isso? Eu coordeno a bancada de deputados do meu estado até maio. É uma dinâmica de trabalho bem enxuta porque não é um órgão, é algo que acontece de acordo com a demanda concreta. Em relação às frentes, abri mão e dividi com outros colegas várias frentes que presidi. A dos Esportes deve ser comandada pelo deputado Acelino Popó. A Frente pela Libertação Sexual o Jean Wyllys assumiu. Então, justamente por achar que é impossível fazer tudo e dar conta de tudo, já dividi esse trabalho. A frente que estou construindo é a da Liberdade da Internet. Se dá tempo? Acho que dá. Quando temos dedicação intensa ao trabalho, como tenho, acho que sim. Se é ideal? Não é. Mas, na vida, batemos escanteio e corremos para cabecear a bola.

Correio Braziliense: E 2012?
MA: Bom, 2012 é 2012. Não estou envolvida nisso agora. Estou envolvida no meu trabalho parlamentar, que, até maio, é coordenar a bancada gaúcha e, até o fim do ano, presidir a comissão. Felizmente, um ano acontece de cada vez.

Fonte: Correio Braziliense

Dalai Lama anuncia que abandonará funções políticas

AFP
Líder tibetano anunciou que transmitirá funções a uma pessoa eleita
O líder espiritual do Tibete, Dalai Lama, anunciou nesta quinta-feira que abandonará suas responsabilidades políticas à frente do governo tibetano no exílio, que ficarão a cargo de um político eleito.
Durante pronunciamento que marcou os 52 anos do levante do Tibete contra a China, o líder espiritual anunciou que dará início ao processo de deixar suas funções políticas em uma sessão do Parlamento tibetano no exílio, que começa na próxima segunda-feira.
No final da próxima semana, o Parlamento elegerá um novo primeiro-ministro. O governo tibetano no exílio tem sede na cidade de Dharamsala, no norte da Índia.
"Desde os anos 1960, eu tenho repetidamente afirmado que os tibetanos precisam de um líder, eleito livremente pelo povo tibetano, para quem eu possa transmitir o poder", disse o Dalai Lama.
"Agora, nós claramente chegamos à época para colocar isto em prática", afirmou.
O Dalai Lama negou que, com esta decisão, esteja se esquivando de responsabilidade, ou que esteja desanimado com a luta pela independência do Tibete. Segundo ele, a medida visa "beneficiar os tibetanos no longo prazo".
"Os tibetanos depositaram tanta fé e confiança em mim que, como um deles, eu estou comprometido em representar o meu papel na justa causa do Tibete", afirmou.

Campanha pela autonomia

Nascido em 1935, o 14º Dalai Lama foi considerado a reencarnação de Buda com apenas dois anos de idade, tendo sido entronado em 1940.
Vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1989, o Dalai Lama viaja pelo mundo defendendo a autonomia do Tibete, que é controlado pela China sob o status de “região autônoma”.
Uma porta-voz do Ministério do Exterior chinês afirmou que o anúncio visa "enganar a comunidade internacional". A China, que não reconhece o governo tibetano exilado, considera o líder tibetano um militante separatista.
O repórter da BBC em Nova Déli Mark Dummett afirma que o anúncio do Dalai Lama não é uma grande surpresa. Segundo ele, o líder espiritual vem gradualmente transferindo poder ao governo tibetano no exílio.
Dummett afirma que a tarefa de substituir o Dalai Lama em suas funções políticas não será tarefa fácil, já que nenhuma outra figura pública da região chegou perto de ter uma autoridade semelhante à do líder espiritual.
Fonte: BBC Brasil

Genoíno nomeado para assessorar Jobim

Foi publicada nesta quinta-feira, 10, no Diário Oficial da União, a nomeação do ex-deputado do PT, José Genoino, para o cargo de assessor especial do ministro da Defesa, Nelson Jobim. Genoino, que não se reelegeu em outubro passado, é ex-guerrilheiro do PCdoB no Araguaia, e um dos réus na ação do Supremo Tribunal Federal, que investiga o esquema do Mensalão.

Genoino recebe atualmente R$ 20.300 como aposentadoria por sua atuação parlamentar. A remuneração do DAS-5, função para a qual foi nomeado, é de R$ 8.988. A soma dos dois valores chega a R$ 29.288 – que sofrerá um corte pelo teto. Assim, Genoino receberá R$ 26.723,13. (AE)

As mulheres não são homens

A cultura patriarcal tem uma dimensão particularmente perversa: a de criar a ideia na opinião pública que as mulheres são oprimidas e, como tal, vítimas indefesas e silenciosas. Este estereótipo torna possível ignorar ou desvalorizar as lutas de resistência e a capacidade de inovação política das mulheres.

No passado dia 8 de março celebrou-se o Dia Internacional da
Mulher. Os dias ou anos internacionais não são, em geral, celebrações.
São, pelo contrário, modos de assinalar que há pouco para celebrar e
muito para denunciar e transformar. Não há natureza humana assexuada;
há homens e mulheres. Falar de natureza humana sem falar na diferença
sexual é ocultar que a “metade” das mulheres vale menos que a dos
homens. Sob formas que variam consoante o tempo e o lugar, as
mulheres têm sido consideradas como seres cuja humanidade é
problemática (mais perigosa ou menos capaz) quando comparada com a
dos homens. À dominação sexual que este preconceito gera chamamos
patriarcado e ao senso comum que o alimenta e reproduz, cultura
patriarcal.

A persistência histórica desta cultura é tão forte que mesmo
nas regiões do mundo em que ela foi oficialmente superada pela
consagração constitucional da igualdade sexual, as práticas quotidianas
das instituições e das relações sociais continuam a reproduzir o
preconceito e a desigualdade. Ser feminista hoje significa reconhecer que
tal discriminação existe e é injusta e desejar activamente que ela seja
eliminada. Nas actuais condições históricas, falar de natureza humana
como se ela fosse sexualmente indiferente, seja no plano filosófico seja no
plano político, é pactuar com o patriarcado.

A cultura patriarcal vem de longe e atravessa tanto a cultura
ocidental como as culturas africanas, indígenas e islâmicas. Para
Aristóteles, a mulher é um homem mutilado e para São Tomás de Aquino,
sendo o homem o elemento activo da procriação, o nascimento de uma
mulher é sinal da debilidade do procriador. Esta cultura, ancorada por
vezes em textos sagrados (Bíblia e Corão), tem estado sempre ao serviço
da economia política dominante que, nos tempos modernos, tem sido o
capitalismo e o colonialismo. Em Three Guineas (1938), em resposta a um pedido de apoio financeiro para o esforço de guerra, Virginia Woolf
recusa, lembrando a secundarização das mulheres na nação, e afirma
provocatoriamente: “Como mulher, não tenho país. Como mulher, não
quero ter país. Como mulher, o meu país é o mundo inteiro”.

Durante a ditadura portuguesa, as Novas Cartas Portuguesas publicadas em 1972 por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, denunciavam o patriarcado como parte da estrutura fascista que
sustentava a guerra colonial em África. "Angola é nossa" era o correlato de
"as mulheres são nossas (de nós, homens)" e no sexo delas se defendia a
honra deles. O livro foi imediatamente apreendido porque justamente
percebido como um libelo contra a guerra colonial e as autoras só não
foram julgadas porque entretanto ocorreu a Revolução dos Cravos em 25
de Abril de 1974.

A violência que a opressão sexual implica ocorre sob duas formas,
hardcore e softcore. A versão hardcore é o catálogo da vergonha e do
horror do mundo. Em Portugal, morreram 43 mulheres em 2010, vítimas
de violência doméstica. Na Cidade Juarez (México) foram assassinadas nos
últimos anos 427 mulheres, todas jovens e pobres, trabalhadoras nas
fábricas do capitalismo selvagem, as maquiladoras, um crime organizado
hoje conhecido por femicídio. Em vários países de África, continua a
praticar-se a mutilação genital. Na Arábia Saudita, até há pouco, as
mulheres nem sequer tinham certificado de nascimento. No Irão, a vida de
uma mulher vale metade da do homem num acidente de viação; em
tribunal, o testemunho de um homem vale tanto quanto o de duas
mulheres; a mulher pode ser apedrejada até à morte em caso de
adultério, prática, aliás, proibida na maioria dos países de cultura islâmica.

A versão softcore é insidiosa e silenciosa e ocorre no seio das famílias,
instituições e comunidades, não porque as mulheres sejam inferiores mas,
pelo contrário, porque são consideradas superiores no seu espírito de
abnegação e na sua disponibilidade para ajudar em tempos difíceis.
Porque é uma disposição natural. não há sequer que lhes perguntar se
aceitam os encargos ou sob que condições. Em Portugal, por exemplo, os
cortes nas despesas sociais do Estado actualmente em curso vitimizam em
particular as mulheres. As mulheres são as principais provedoras do
cuidado a dependentes (crianças, velhos, doentes, pessoas com
deficiência). Se, com o encerramento dos hospitais psiquiátricos, os
doentes mentais são devolvidos às famílias, o cuidado fica a cargo das
mulheres. A impossibilidade de conciliar o trabalho remunerado com o
trabalho doméstico faz com que Portugal tenha um dos valores mais
baixos de fecundidade do mundo. Cuidar dos vivos torna-se incompatível
com desejar mais vivos.

Mas a cultura patriarcal tem, em certos contextos, uma outra
dimensão particularmente perversa: a de criar a ideia na opinião pública
que as mulheres são oprimidas e, como tal, vítimas indefesas e silenciosas.

Este estereótipo torna possível ignorar ou desvalorizar as lutas de
resistência e a capacidade de inovação política das mulheres. É assim que
se ignora o papel fundamental das mulheres na revolução do Egipto ou na
luta contra a pilhagem da terra na Índia; a acção política das mulheres que
lideram os municípios em tantas pequenas cidades africanas e a sua luta
contra o machismo dos lideres partidários que bloqueiam o acesso das
mulheres ao poder político nacional; a luta incessante e cheia de riscos
pela punição dos criminosos levada a cabo pelas mães das jovens
assassinadas em Cidade Juarez; as conquistas das mulheres indígenas e
islâmicas na luta pela igualdade e pelo respeito da diferença,
transformando por dentro as culturas a que pertencem; as práticas
inovadoras de defesa da agricultura familiar e das sementes tradicionais
das mulheres do Quénia e de tantos outros países de África; a resposta
das mulheres palestinianas quando perguntadas por auto-convencidas
feministas europeias sobre o uso de contraceptivos: “na Palestina, ter
filhos é lutar contra a limpeza étnica que Israel impõe ao nosso povo”. (Boaventura de Souza Santos - Carta Maior)

Esvaziado por carnaval, Congresso só retoma votações na terça

Atividades desta semana se resumem a debates e trabalhos nas comissões. Na próxima semana, comissões da reforma política começam a funcionar.

Deputados durante votação no plenário da Câmara em fevereiro (Foto: Fábio Pozzebom / Agência Brasil)Deputados durante votação no plenário da Câmara
em fevereiro (Foto: Fábio Pozzebom / Ag. Brasil)
 
A semana do carnaval esvaziou o Congresso, e, com isso, as sessões deliberativas do Senado e da Câmara serão retomadas somente na próxima terça (15).

Nestas quinta (10) e sexta (11), as atividades previstas nas duas casas são debates e trabalho de comissões.
No Senado, a pauta da primeira sessão deliberativa após o fim do carnaval prevê a votação do projeto de lei que estabelece um conjunto de punições para os casos de violação de sigilo fiscal de contribuintes cometido por servidor público. O projeto já foi aprovado na Câmara no dia 1º de março.

Segundo o texto aprovado pela Câmara, a pena vale para o servidor que “permitir ou facilitar, mediante atribuição, fornecimento, empréstimo de senha ou qualquer outra forma, acesso de pessoas não autorizadas a informações protegidas por sigilo fiscal”.

Pela norma, o servidor público flagrado cometendo irregularidades pode ser demitido, destituído de cargo em comissão ou até ter cassada a disponibilidade ou aposentadoria.

Na Câmara, não havia, até esta segunda-feira (7), pauta definida para votações no plenário para a semana que se inicia no dia 14.

Reforma política

O Senado inicia na próxima terça (15) a discussão dos temas que vão integrar o futuro projeto de reforma política. No mesmo dia, na Câmara, os deputados empossam os vice-presidentes da comissão que vai analisar as propostas de reforma política. Os deputados definirão ainda o roteiro de trabalho da comissão especial.

O primeiro debate da comissão de reforma política do Senado, marcado para a próxima terça (15), será sobre a suplência de senadores.

Pelas regras atuais, cada senador é eleito com dois suplentes, muitas vezes parentes do candidato e sem qualquer militância política. Atualmente, 10 das 81 vagas do Senado são ocupadas por suplentes.

Os casos previstos para a posse de um suplente são o do afastamento do titular para exercer cargo de ministro, secretário de estado ou de capital ou chefe de missão diplomática temporária, ou para assumir mandato de presidente, governador, prefeito ou vice-prefeito. O suplente também assume a vaga em caso de renúncia, morte ou cassação do titular. (G1)

Tesouro repassará R$ 1,8 bilhão ao FPM nesta quinta-feira

O presidente da CNM esclareceu que foram dois meses de arrecadação atípica. “Agora voltou a normalidade”, segundo ele, e o primeiro repasse deste mês segue a tendência dos primeiros depósitos dos meses de março de 2009 e 2010.


Tesouro repassará R$ 1,8 bilhão ao FPM nesta quinta-feira
Brasília – A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) deve depositar amanhã (10) R$ 1,813 bilhão no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), referente ao primeiro decêndio do mês, conforme anunciou hoje (9) o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski.

Ele disse que o valor é líquido, já descontada a parcela de R$ 453 milhões que vai para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Mesmo assim, o repasse é 25,7% maior que a parcela do primeiro decêndio de março do ano passado.

Ziulkoski ressaltou, porém, que o repasse é 51% menor em relação à transferência referente aos primeiros dez dias de fevereiro. Mas lembrou que janeiro e fevereiro tiveram as melhores arrecadações dos últimos anos, em virtude dos recolhimentos recordes do Imposto de Renda nos meses de dezembro de 2010 e janeiro deste ano.

O presidente da CNM esclareceu que foram dois meses de arrecadação atípica. “Agora voltou a normalidade”, segundo ele, e o primeiro repasse deste mês segue a tendência dos primeiros depósitos dos meses de março de 2009 e 2010.

A previsão da STN, acrescentou, é de um montante de R$ 3,877 bilhões para o FPM em março. Se a estimativa se concretizar, ele calcula que o aumento em relação a março de 2010 ficará em torno de 8%, já descontada a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). (VB)

Dez nomes se mantiveram em todo governo Lula e seguem com Dilma Rousseff

Autarquia federal pertencente à estrutura do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teve três ministros desde que Lula recebeu pela primeira vez a faixa presidencial.


Entra presidente, sai presidente, mudam os ministros e eles continuam no mesmo cargo. Na estrutura do Executivo, há nomes que sobreviveram às reformas do primeiro e do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e ainda figuram na lista de comandantes de pastas e autarquias do governo da presidente Dilma Rousseff.

Na Esplanada dos Ministérios, há pelo menos 10 sobreviventes do primeiro e do segundo escalão que acompanharam Lula na primeira gestão e permanecem firmes e fortes no mesmo cargo. Alguns deles se tornaram intocáveis por conseguir aliar o perfil técnico à blindagem política necessária aos postos.

O presidente do Banco do Nordeste, Roberto Smith, é um exemplo da longevidade que a gestão técnica e a bênção de fortes aliados dos presidentes pode proporcionar. Ele assumiu o banco em fevereiro de 2003 e teve o aval de sua permanência à frente da instituição este ano, depois de indicação dos irmãos Cid e Ciro Gomes — governador do Ceará e ex-ministro da Integração Nacional, respectivamente. Outra intocável dos bancos públicos é Maria Fernanda Ramos Coelho. Funcionária de carreira, preside a Caixa Econômica Federal desde o primeiro mandato de Lula.

Autarquia federal pertencente à estrutura do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teve três ministros desde que Lula recebeu pela primeira vez a faixa presidencial.

O Incra, no entanto, continua com o mesmo presidente há mais de oito anos. Quando Rolf Hackbart tomou posse, Miguel Rosseto era o ministro da pasta. Em 2006, Guilherme Cassel assumiu o comando do ministério, mas Hackbart permaneceu no cargo.

Passados o primeiro e o segundo mandato de Lula, o economista gaúcho permanece à frente do instituto no governo Dilma. Entre os sobreviventes de 2003 também está Eduardo Pereira Nunes, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nunes é funcionário de carreira do IBGE desde 1980 (veja quadro ao lado).

Enem

Na Esplanada montada por Dilma, 15 ministros e funcionários com status de ministro foram herdados do governo Lula. Mas alguns, além de atravessarem as duas gestões do petista, também conservaram o mesmo cargo na montagem ministerial da presidente. Fernando Haddad foi nomeado ministro da Educação em 2005, encerrou o primeiro mandato de Lula na mesma função, conservou o cargo nos quatro anos seguintes e foi mantido no posto pela nova presidente.

Apesar da repercussão negativa da sucessão de erros da pasta na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Haddad integra a lista de intocáveis da herança do ex-presidente Lula. Apesar de não ter perfil eminentemente técnico e não integrar nenhum grupo expressivo do PT de São Paulo, o ministro da Educação é considerado homem de confiança de Lula.

Outro que já adquiriu usucapião da pasta é o ministro do Esporte, Orlando Silva. À frente da instituição desde 2006, após a saída de Agnelo Queiroz — atual governador do Distrito Federal —, o ministro entrou na cota do PCdoB e já enfrentou crises que atingiram diretamente seu nome, como o escândalo do cartão corporativo, mas permaneceu no cargo. Em 2008, Orlando Silva foi acusado de usar o cartão corporativo para pagar indevidamente diárias de hotel e, até mesmo, tapiocas. Um dos mais firmes da lista é Guido Mantega, titular do Ministério da Fazenda desde 2006.

O economista iniciou a gestão Lula como ministro do Planejamento, mas ainda no primeiro mandato do petista foi para a Fazenda e de lá não mais saiu. Nome forte na estrutura do governo, é considerado uma referência de estabilidade para manter a imagem do país junto a investidores estrangeiros.

Na Petrobras, os petistas Sérgio Gabrielli e Guilherme Estrella são nomes considerados imexíveis na estrutura da estatal. Gabrielli iniciou o governo Lula como diretor de Relações com Investidores na empresa de petróleo e ainda no primeiro mandato já presidia a Petrobras.

O petista histórico Guilherme Estrella está no comando da diretoria de Exploração e Produção, uma das maiores da estatal, desde o início do governo Lula.

Entre as “inspiradoras”

A presidente Dilma Rousseff é considerada uma das 100 mulheres mais “inspiradoras” da atualidade. O ranking, elaborado pelo jornal britânico The Guardian, foi publicado em homenagem ao Dia das Mulheres.

As escolhidas estão divididas em categorias e Dilma divide espaço com personalidades como a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e a ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher no grupo político.

Apesar da homenagem à presidente, o jornal pontua que durante a campanha presidencial Dilma se omitiu sobre assuntos relacionados aos direitos das mulheres, como o aborto. A presidente é apresentada na publicação como “uma guerrilheira socialista que resistiu à prisão e à tortura”. Na categoria música, a cantora Lady Gaga integra a lista das 100 mais inspiradoras.

Homenagem

Para marcar presença no Dia Internacional da Mulher, Dilma divulgou nota em que ressalta a importância da Lei Maria da Penha e afirma que o público feminino é uma das vítimas da miséria. “Quanto mais pobre a família, maior a chance de que ela seja chefiada por uma mulher. Estou convencida de que uma política bem-sucedida de eliminação da miséria deve ser focada na mulher e na criança.”

Depois de quatro dias de descanso na Barreira do Inferno, base da Aeronáutica do Rio Grande do Norte, a presidente voltou ontem a Brasília. Dilma passou o feriado de carnaval em companhia da filha Paula e do neto Gabriel. A presidente embarcou ontem carregando um buquê de flores, presente da Federação das Mulheres do Rio Grande do Norte.

Fonte: Josie Jeronimo - VB

PT resiste em fazer parte da base municipal em Salvador

Apesar de o governador Jaques Wagner (PT) ter dado sinais claros de uma possível aliança com o prefeito João Henrique (PP) durante a folia de Momo e dos recados enviados pelo comando do PP, partido da base aliada ao governo estadual, os petistas rechaçam a ideia de ingressarem na administração municipal.
Durante o Carnaval, o novo chefe da Casa Civil, o deputado federal João Leão (PP), assegurou que a sigla tentará conquistar o apoio do PT ao prefeito de Salvador e ainda poderá ceder espaços para o partido dentro da gestão. Entretanto, nem a possibilidade de maior poder dentro do Executivo municipal parece “encher os olhos” dos petistas.
Segundo o presidente do PT baiano, Jonas Paulo, a legenda não tem nenhum interesse na prefeitura.  “A tarefa do PT em Salvador hoje é garantir a estabilidade para que esse governo possa pelo menos cumprir o mandato, mas o nosso principal compromisso agora é o de construir as bases para mudança política na cidade”, enfatizou. Ao rejeitar qualquer movimento de adesão à atual gestão de Salvador, Jonas criticou os métodos da administração, classificada por ele como “esgotada”.
“E que por isso deverá ser substituída nas eleições por um outro projeto popular, democrático e com sintonia com os princípios que orientam o nosso projeto de mudança no plano estadual e federal”, acrescentou. Conforme o dirigente estadual do PT, durante a folia, ele, o líder da bancada baiana, deputado federal, Nelson Pelegrino (PT) e o senador Walter Pinheiro (PT) sentaram-se com o governador Jaques Wagner (PT) e deixaram clara a parceria restritamente institucional com o prefeito.
“Temos sim compromisso com a cidade, como o de acompanhar e direcionar as obras federais e estaduais para que Salvador não seja penalizada, mas quem tem verdadeira responsabilidade com esse governo é quem o integra”, disse como recado direcionado aos progressistas.
Segundo ele, o PT tem cumprido suas intenções de discutir projetos para 2012 com todos os aliados. “Queremos mudança”. Além de Salvador, o partido avança no sentido de pleitear o poder de mais 20 municípios de maior destaque no Estado. “O PT lidera uma coalizão e está conversando com todos os aliados. Queremos construir o máximo de unidade”, frisou.  
   
Na folia de Momo, tanto o presidente do PP, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, quanto o chefe da Casa Civil, que será oficializado na função nos próximos dias, João Leão, exaltaram o interesse de ter o PT mais próximo do Palácio Thomé de Souza.
Conforme Leão, não há pretensão do PP em promover alterações no secretariado municipal para abrigar integrantes da sigla, entretanto haverá lugar para os aliados, em especial o PT: “Nós podemos abrir o secretariado para os partidos da base aliada”, ressaltou.

Marta Rodrigues ratifica posição

Essa possibilidade é também descartada pela presidente do PT municipal, vereadora Marta Rodrigues. “A instância municipal do PT vai ficar onde o povo a colocou nas últimas eleições para prefeito: na oposição. Tivemos a chance de ganhar, chegamos a ir para o segundo turno, com o então deputado Walter Pinheiro, mas o povo escolheu o projeto que já existia, nos colocando automaticamente como grupo opositor ao atual”, disse.
 
Como justificativa de não adesão à base do prefeito, a dirigente do PT municipal lembrou as dificuldades da administração. Segundo ela, “Leão tem o direito de falar o que quiser, mas nós somos oposição. Queremos uma cidade melhor e vamos continuar buscando defender os interesses dos munícipes de Salvador”, enfatizou.  (Lilian Machado-TB)

Dilma chama seis centrais sindicais para conversa


Dilma Rousseff quer saber se o sindicalismo que a apoiou na campanha deseja ajudá-la ou se quer apenas ser um estorvo para atrapalhar o governo dela. Segundo o Josias de Souza, da Folha, depois de moer as centrais sindicais no lufa-lufa do salário mínimo, Dilma convidou-as para conversar.
O encontro ocorrerá nesta sexta (11). Cuida da organização da reunião o ministro petista Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da República). Durante o feriadão de Carnaval, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, dissera que havia sido convidado por Dilma.
Paulinho dera a entender que apenas a sua central iria ao Planalto. Lorota. Dilma mandou chamar meia dúzia de centrais. A de Paulinho quase ficou de fora. Dilma traz o deputado atravessado na traquéia.
Companheiro de partido do ministro Carlos Lupi (Trabalho) Paulinho associou-se à oposição na votação do mínimo de R$ 545. Cogitou-se excluir a Força Sindical da reunião. Aventou-se também a hipótese de condicionar a presença da central à ausência de Paulinho. Como o propósito de Dilma é o de desenvenenar as relações com o sindicalismo, decidiu-se incluir Paulinho no rol dos convidados.
Assim, vão ao Planalto os mandachuvas das seguintes centrais: CUT, Força Sindical, UGT, CGTB, CTB e NCST. O encontro ocorre no instante em que o governo se prepara para arrancar do Congresso o reajuste da tabela do Imposto de Renda em de 4,5%.
No gogó, as centrais querem mais. Pediam 10%. Reduziram para 6,76%. Agora, dependendo da entidade, fala-se em algo entre 5% e 6%. O IR é apenas um dos tópicos que distanciam os sindicalistas do Planalto. As centrais reivindicam também o aumento das aposentadorias acima do salário mínimo. (TB)

Justiça condena Paulinho da Força sindical por improbidade

A Justiça Federal de Ourinhos (SP) condenou o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT), e mais nove pessoas por improbidade administrativa. Segundo denúncia do Ministério Público Federal, eles teriam obtido R$ 3 milhões do Banco da Terra, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, para assentar 72 famílias numa fazenda de 302 hectares, um projeto considerado inviável técnica e economicamente.
A Procuradoria afirma que, com o dinheiro, em cujo conselho tinha assento a Força Sindical, em 2001, Paulinho; seu assessor João Pedro de Moura; o então prefeito de Piraju, Maurício de Oliveira Pinterich (PSDB), que acumulava a presidência da Amvapa (Associação dos Municípios do Vale do Paranapanema); com a colaboração dos peritos Milton Camolesi de Almeida e Anísio Silva, que superavaliaram o terreno, adquiriram dos irmãos Joaquim Fernandes Zuniga e Affonso Fernandes Zuniga a Fazenda Ceres por R$ 2,3 milhões, o equivalente a R$ 3.105,62 por hectare.
No processo, informa a denúncia, a fazenda foi avaliada por um perito judicial em R$ 2.008,26 o hectare, num total de R$ 1.320.925. A perícia teria provado que cerca de 50% dos 302 alqueires da fazenda se encontram em uma área de preservação permanente, que não pode ser explorada, e que apenas 17,10% das terras eram cultiváveis, ainda sim com restrições de uso, pois o terreno era ondulado e também ocupado por uma pedreira.
A Justiça Federal, entretanto, recusou o pedido da Procuradoria para que Paulinho fosse condenado à perda da função pública e tivesse os direitos políticos suspensos. Para o juiz Batista Machado, tal pena “não se torna proporcional”, pois o deputado atuou no negócio como presidente da Força Sindical e não como parlamentar. (TB)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Dilma diz que Lupi fica no cargo

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (3) que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, do PDT, é de sua “inteira confiança” e permanece no cargo. O PDT, embora integre a base aliada do governo, não votou com o Planalto na aprovação do salário mínimo e, ontem (2), o líder do partido na Câmara, Giovanni Queiroz, não foi convidado para a reunião de lideranças com Dilma.
“O ministro Lupi é da minha inteira confiança. O PDT estará no Ministério do Trabalho. Agora, eventuais problemas dentro da base serão resolvidos pelo próprio partido e, não, pelo governo. O ministro Lupi é de confiança e, hoje, o recebi em um despacho normal”, disse Dilma, referindo-se à reunião que teve com o ministro no início da manhã.
Ontem, depois do encontro de Dilma com os líderes de partidos aliados, o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, explicou a ausência do PDT afirmando que foram convidados apenas os líderes que estão 100% alinhados com a posição do governo.
Dilma respondeu sobre a permanência de Lupi em entrevista a jornalistas após receber o primeiro-ministro e ministro da Defesa do Timor Leste, Xanana Gusmão. (Yara Aquino-AB)

Brasil já é a 7ª maior economia do mundo, diz Mantega

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse nesta quinta-feira que, segundo dados preliminares, a economia brasileira ultrapassou a da França e do Reino Unido em paridade de poder de compra e é agora a 7ª maior economia mundial. Antes, o país ocupava a 9ª posição na comparação em paridade de poder de compra.


O resultado é o desdobramento do desenvolvimento desigual e mostra a importância do crescimento nacional para a projeção do país no exterior. Ao longo do governo Lula, o Brasil cresceu a taxas bem maiores do que Inglaterra e França. A diferença foi ampliada pela crise, que castigou mais as potências capitalistas e em especial a Europa do que os países ditos emergentes.

G20
O PIB brasileiro cresceu 7,5% em 2010, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os países do G20, foi o quinto melhor desempenho. O país ficou atrás da China, Índia, Argentina e Turquia.

Segundo Mantega, o crescimento de 2010 não sinaliza um superaquecimento da economia, mesmo porque a base de comparação é muita baixa. Em 2009 o PIB retrocedeu 0,6%, de forma que o valor da produção no ano passado recuperou o nível de 2008, ano em que se verificou um ritmo de expansão. Além disto, os dados mostram que já há um desaquecimento no último trimestre.

Investimento


Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 3,675 trilhões em 2010. "Isso mostra a capacidade produtiva da economia brasileira, o potencial que vem sendo realizado nesses últimos anos. Mostramos nossa capacidade de crescer cada vez mais", afirmou.

O ministro disse ainda que o avanço significativo do investimento mostra a qualidade do crescimento brasileiro, já que está havendo expansão na capacidade produtiva brasileira.


”Isso nos habilita a continuar o crescimento nos próximos anos e crescimento equilibrado com mais oferta de produto, afastando problemas de abastecimento e de inflação", completou.

Desaceleração
O percentual do PIB é o maior desde 1986, quando houve a mesma alta. No entanto, a metodologia da série foi modificada em 1996. Em 2009, o PIB havia apresentado retração de 0,6% – a primeira na atividade econômica desde 1992.

Com o crescimento mais arrefecido na parte final do ano, o PIB subiu 0,7% no quarto trimestre de 2010, em relação aos três meses imediatamente anteriores. Na comparação com o período de outubro a dezembro de 2009, a economia registrou alta de 5,0%.

Revisão
O IBGE revisou os dados dos trimestres do ano passado que já haviam sido divulgados. No primeiro trimestre, a economia avançou 2,2% ante os três meses imediatamente anteriores – anteriormente tinha apresentando expansão de 2,3%.

No segundo trimestre, a revisão também apontou um percentual menor, de 1,8% para 1,6%. Já no terceiro trimestre, o crescimento passou de 0,5% para 0,4%. Nos últimos três meses do ano o PIB avançou apenas 0,7%, sinalizando desaceleração, tendência que deve ser reforçada pelo corte nos gastos públicos e alta dos juros. (Vermelho)

Na despedida, deputados não reeleitos elevam gastos da Câmara em 175%

Sem assento na Câmara, perderam também boa parte da visibilidade política e do patrocínio público para a divulgação, em seus estados, do trabalho realizado em Brasília.


Os deputados federais que deixaram o cargo no mês passado apresentaram uma conta salgada aos cofres públicos. Ao todo, 102 agora ex-parlamentares inflaram os gastos com a “cota para exercício da atividade”, a antiga verba indenizatória, nos últimos dois meses de mandato: dezembro de 2010 e janeiro deste ano.

Apenas com esses ressarcimentos, a Câmara desembolsou R$ 5,6 milhões — R$ 2,4 milhões a mais do que esses mesmos 102 ex-deputados receberam no período correspondente a 2009/2010, o que representa uma variação de 175%. A maior parte das despesas refere-se à divulgação de balanços dos respectivos mandatos.

Pastor Manoel Ferreira (PR-RJ), Cássio Taniguchi (DEM-PR) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) foram os que mais aumentaram o percentual de gastos com a proximidade do término do mandato. Comparando-se os últimos dois meses na Câmara ao mesmo período de 2009/2010, as despesas do trio apresentaram uma variação no uso da cota de 1.712%, 1.129% e 209%, respectivamente.

Conforme antecipado pelo Correio em dezembro, os investimentos em publicidade do mandato de pelo menos 50 então deputados dobraram. A fatura elevada, segundo os agora ex-parlamentares, justifica-se pelo fato de, na época, estarem deixando o Parlamento.

Sem assento na Câmara, perderam também boa parte da visibilidade política e do patrocínio público para a divulgação, em seus estados, do trabalho realizado em Brasília.

“Aproveitei aquilo que ainda tinha de verba indenizatória para divulgar tudo o que fiz como deputado. A Caixa Econômica Federal e os Correios fazem publicações que custam bilhões de reais ao governo. Deveriam ver o quanto o Executivo gasta em publicidade e o quanto nós gastamos.

Nossas despesas são até baixas”, compara Ernandes Amorim (PTB-RO), cujos ressarcimentos aumentaram R$ 65,6 mil (variação de 73%). O ex-deputado alega ter utilizado o dinheiro com publicidade em veículos impressos, rádio e tevê.

Além da divulgação parlamentar, há despesas com telefone, aluguel de carros e aviões, entre outras modalidades. A dois meses de deixar o mandato, o tucano Gustavo Fruet, por exemplo, consumiu R$ 25,8 mil apenas em serviços postais. Já o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) utilizou quase R$ 10 mil com aluguéis de veículos, enquanto o petebista Ernandes Amorim contratou consultorias no valor de R$ 49 mil.

Reuniões políticas

Ao turbinar o consumo da cota parlamentar em R$ 58,5 mil, o ex-deputado Pedro Wilson (PT-GO) alegou ter “desenvolvido trabalhos” no interior de Goiás, incluindo reuniões políticas. “Uma das reclamações que mais ouvi durante a campanha eleitoral do ano passado foi que eu não divulgava as minhas realizações como deputado.

Quisemos, então, fazer uma prestação de contas, viajando pelo estado. Também tínhamos um projeto para tocar, a campanha da presidente Dilma Rousseff e a formação de alianças”, justifica Wilson, que dobrou os gastos e empregou R$ 58,2 mil a mais nos dois últimos meses do mandato, em comparação com dezembro de 2009 e janeiro de 2010.

Além dos ex-parlamentares que apresentaram crescimento expressivo no consumo de dinheiro público no período analisado, há muitos que não tiveram uma variação tão grande, porque as respectivas despesas já eram elevadas.

Fazem parte desse grupo José Mendonça Bezerra (DEM-PE) e Humberto Souto (PPS-MG). Há um ano, Souto havia utilizado R$ 78 mil da cota. Agora, foram R$ 105 mil. Campeão no uso desses recursos, Bezerra gastou R$ 127 mil entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010 e, recentemente, R$ 157 mil.

Serviços

A cota para exercício de atividade parlamentar a que cada deputado tem direito varia de R$ 23 mil a R$ 35,5 mil, dependendo do estado de origem — em geral, quanto maior a distância do domicílio eleitoral em relação ao DF, maior o valor.

Esses recursos podem ser utilizados para passagens aéreas, frete de veículos e aeronaves, combustíveis, cota postal e telefônica, consultoria, divulgação do mandato, aluguel de escritórios políticos, entre outros serviços. Os deputados desembolsam os valores e, posteriormente, são ressarcidos pela Câmara.

Fonte: Ivan Iunes / Leandro Kleber - VB

Políticos se dividem entre a folia e o descanso

Em tempos de Carnaval, os palcos da festa, em especial os camarotes, se transformam em palanque eleitoral para a classe política baiana. Vitrine que a coloca mais perto do público, a folia de Momo costuma reunir integrantes do meio, tanto na instância do Executivo, quanto do Legislativo de todas as coligações e cores partidárias. Mesmo 2011 não sendo ano eleitoral como foi o de 2010, os compromissos carnavalescos de alguns políticos, a maioria de olho em 2012, devem se repetir no mesmo embalo do ano passado. Outros, no entanto, vão optar pelo descanso nas casas de campo ou de praia, ou simplesmente viajar para outras regiões do país.
Os chefes do Executivo estadual e municipal, o governador Jaques Wagner (PT) e o prefeito João Henrique (PP), vão se dividir entre o calor da festa e o repouso ao lado de seus familiares. O governador vai cumprir algumas tarefas administrativas e também curtir a festa. Hoje e amanhã, Wagner visitará os estandes montados pelo Estado, como as unidades de saúde e a Central de Segurança, durante o dia. Já à noite, o gestor vai cair na folia e distribuir simpatia pelos camarotes privados ao lado de sua esposa, a primeira-dama Fátima Mendonça.
No domingo, ele visitará os praticáveis de imprensa e concederá uma entrevista coletiva para fazer sua avaliação do evento. Já na segunda e na terça-feira, o governador vai preferir o descanso em local não divulgado. Isso, se o ex-presidente Luiz Inácio Lula não aparecer. Caso isso aconteça, ele terá que recepcioná-lo. O grande amigo do “galego” em sua última passagem pelo Estado prometeu que iria se preparar para pular bastante no Carnaval baiano.
Já o prefeito João Henrique vai prestigiar a festa por dois dias somente. Além de ter dirigido o início da folia ao entregar a chave da cidade ao Rei Momo ontem, o alcaide só retorna ao cenário da festa no domingo, quando irá aparecer no camarote da Prefeitura ao lado da família, assessores e secretários.
Outros políticos não vão perder a oportunidade de estarem perto do público. Esse é o caso do deputado federal ACM Neto (DEM). O democrata vai brincar quase todos os dias da festa – à noite nos camarotes privados do circuito Dodô (Barra-Ondina).
 Já no domingo, segunda e terça, ele deve apreciar o desfile dos blocos no circuito tradicional Osmar (Campo Grande), no camarote da Rede Bahia, ao lado de seu pai, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães Junior (DEM) e familiares. O deputado Antonio Imbassahy (PSDB) fica dois dias na cidade, curtindo a passagem dos trios nos camarotes de Daniela Mercury e do Expresso 222-Gilberto Gil na Barra. Depois deve se recolher com a família.
 Contrariando a ordem de cair na folia, o presidente do PMDB, deputado federal Lúcio Vieira Lima, disse que vai “trabalhar e curti na fazenda em Itapetinga. Vou aproveitar para conversar com as pessoas, visitar as bases nos municípios vizinhos, Macarani, Itaranti”, afirmou.

Ritmos vão do axé ao gospel

     O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PDT), vai intercalar a “brincadeira” com o lazer distante da movimentação. No domingo, ele vai com a família para o camarote do governador e nos outros dias deve descansar no Litoral Norte. Nilo deve se concentrar para administrar dias mais quentes na Casa, quando deve reger votações de projetos de bastante discussão no Parlamento, a exemplo da proposição que aumenta o salário dos servidores estaduais. Aliás, no Legislativo estadual, a maioria reservou o período do Carnaval para ficar bem longe de Salvador.
 O líder do governo, deputado Zé Neto (PT), por exemplo, vai curtir com a família e com os amigos a Ilha de Itaparica. Já o presidente da Câmara de Salvador, vereador Pedro Godinho (PMDB), optou pela distância da folia momesca. O vereador preferiu a tranquilidade para voltar com mais força ao batente, quando deve conduzir votações polêmicas na Casa.
Quem está interinamente no comando da Câmara é o vereador Paulo Magalhães Júnior, que curte a festa. Outros devem ter participação mais ativa, a exemplo do vereador Heber Santana (PSC) que vai participar do bloco evangélico Sal da Terra. Formado na sua maioria por membros da Igreja Batista Missionária da Independência, o grupo com cerca de mil integrantes irá percorrer as ruas do circuito Batatinha (Pelourinho) e Dodô (Barra).(Lilian Machado - TB)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Reforma política tem que definir consenso sobre temas polêmicos

Financiamento de campanha, condições de elegebilidade, estrutura partidária e coligações. Para o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), membro da comissão especial que vai discutir a Reforma Política, “se não dermos respostas em torno desse temas, não estaremos fazendo reforma política”. A comissão escolheu, nesta quarta-feira (2), em sua primeira reunião, o deputado Almeida Lima (PMDB-SE) como presidente e Henrique Fontana (PT-RS) como relator.

Daniel Almeida disse ainda que o assunto deve ser tratado de forma abrangente. “Não é adequado tratar das coisas isoladamente, porque a reforma vai ficar capenga. Esses temas precisam entrar na agenda e encontrar solução que harmonize em torno deles”, afirmou, enfatizando que “somos contra o fatiamento.”

Para o deputado comunista, a expectativa do trabalho é de muita discussão para construir uma proposta de consenso, destacando que “todos sabemos a necessidade de alterar a estrutura política partidária e eleitoral do Brasil.”

Segundo ele, “a comissão deve ser desaguadora de todas as expectativas e sugestões e capaz de produzir uma proposição com máximo de consenso para ser apreciada pelo congresso.” Existem 100 propostas de reforma política tramitando na Câmara.

Ele reconhece que não é fácil alcançar consenso, elencando os assuntos que considera mais importante e que são também os mais polêmicos. “Temos algumas coisas necessárias a serem abordadas, como financiamento de campanha; elegibilidade, que são as condições para o cidadão concorrer – uma legislação clara para definir quem pode ou não receber votos”, diz, acrescentando que “a estrutura partidária e a possibilidade de coligação são outros elementos fundamentais.”

Interesse dos grandes
A comissão especial será conduzida por representantes do PT e PMDB. Os dois maiores partidos têm interesse em estabelecer regras que garantam maior crescimento de suas legendas. De acordo com o diretor do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), Antônio Augusto de Queiroz, "nas duas hipóteses mais discutidas, o fim das coligações e o voto majoritário, apenas grandes partidos poderiam crescer. Os pequenos encolheriam ainda mais", analisa.

Estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra que se as regras na eleição do ano passado fossem essas defendidas pelo PT e PMDB, as duas legendas estariam ainda maiores.

Essas mudanças também interessam os partidos da oposição. A adoção dos sistemas propostos ampliaria as bancadas do DEM e ao PSDB. Os tucanos passariam dos atuais 53 para 65 deputados eleitos em qualquer alternativa de mudança. Já os democratas, hoje com 43 deputados, teriam 50 se as regras fossem do voto majoritário.

O presidente da comissão especial, Almeida Lima, acena também com a possibilidade de “fatiar” a reforma. Ele declarou que a falta de consenso sobre um ou outro ponto não pode inviabilizar a votação de uma proposta. "A busca do consenso é importante. Mas não vejo por que, naqueles pontos em que não haja consenso, a comissão não possa levar o tema à deliberação da maioria", disse. (Márcia Xavier - Vermelho)

PT tenta fazer frente a aliados e antecipa calendário eleitoral

Preocupado com disputas internas e na base, sigla decidiu instalar na volta do carnaval comissão que cuidará da corrida de 2012


Em meio à movimentação intensa de aliados históricos como PSB, PC do B e PDT, o PT decidiu antecipar a preparação para as eleições municipais de 2012. O presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra, deve nomear logo depois do carnaval, na primeira reunião da Executiva Nacional petista, quase dois anos antes do pleito, a Comissão Eleitoral Nacional que vai preparar o PT para as disputas de 2012.

Levantamento preliminar da direção petista aponta divergências com aliados ou entre facções internas do partido em algumas das cidades mais importantes do País. “A situação hoje é muito ruim. Não podemos fazer como nas últimas vezes em que deixamos tudo para a última hora. Desta vez é diferente. Não temos mais o Lula candidato e a eleição de 2012 vai definir boa parte da disputa em 2014”, disse um dirigente petista.


Em pelo menos duas capitais importantes, a direção nacional terá que mediar disputas internas cada vez mais acirradas.

Em Belo Horizonte o cenário é de um novo round na disputa entre o ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, e o ex-ministro do Combate à Fome, Patrus Ananias. Os desentendimentos entre os dois caciques já duram quatro anos e prejudicaram tanto Pimentel quanto Patrus nas eleições de 2010, aumentando a hegemonia do ex-governador Aécio Neves (PSDB) em Minas Gerais.

Em Recife, capital do Estado onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve seus maiores índices de popularidade, o ex-prefeito João Paulo Lima e Silva e seu sucessor, João da Costa, ambos petistas, vivem às turras desde o ano passado.

Em outras capitais importantes, a cúpula petista terá que equacionar os interesses do partido e de aliados locais. Em Porto Alegre, a direção nacional identificou uma tendência de o governador Tarso Genro (PT) apoiar a candidatura da deputada Manuela d’Ávila (PC do B), em detrimento do PT.

No Rio de Janeiro, a tendência é o PT ser forçado a apoiar a reeleição de Eduardo Paes (PMDB). Já em Curitiba o partido está nas mãos da senadora Gleisi Hoffman, considerada o único nome competitivo do partido na capital paranaense, mas que ainda não foi convencida a se candidatar. (Ultimo Segundo)

Senadora Kátia Abreu elogia ajuste fiscal de Dilma

"Dilma apresentou um salário possível", defendeu a senadora do DEM, uma das mais ativas oposicionistas

senadora Kátia Abreu (DEM-TO), uma das mais ativas parlamentares da oposição, usou a tribuna do Senado ontem à noite para fazer elogios à política de ajuste fiscal do governo e à decisão da presidente Dilma Rousseff de fixar o salário mínimo em R$ 545. O DEM queria R$ 560.

 
Kátia subiu à tribuna em nome da liderança do partido, sob o argumento de que criticaria a medida provisória que capitaliza o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas acabou por fazer tantos elogios ao governo que mais parecia uma senadora da base aliada.
 
Começou por justificar sua decisão de apoiar os R$ 545 para o mínimo e não o que indicavam seu partido e a oposição. "A presidente (Dilma Rousseff) apresentou um salário possível, compatível com a realidade atual, anunciou um corte de despesas significativo, de R$ 50 bilhões", disse a senadora, para surpresa de todos, governo e oposição.

E continuou: "Os economistas, inclusive, indicam que deveria ser de R$ 60 bilhões e que, ainda assim, deveríamos subir 1% a taxa de juros, não por gosto, mas pela necessidade por que o País está passando neste momento". Ela disse que votará a favor de qualquer medida, por mais impopular que seja, desde que vise o ajuste fiscal e mesmo que contrarie seu partido: "Cumpri a minha palavra. Deixei de votar com o meu partido. Votei com o Brasil, votei contra a inflação".

Em seguida, ela disse que muitos amigos a criticaram, dizendo que não adiantava colaborar com o arrocho, porque o governo não estaria disposto a reduzir gastos. "Agradeci a crítica, mas disse que tinha votado com a minha consciência, como senadora do Brasil, e votaria de novo os R$ 545, apostando e acreditando no controle da inflação, porque não adianta um salário mínimo de R$ 1 mil com uma inflação que pode consumir, e deverá consumir, o salário do trabalhador deste País".

Para Kátia Abreu, a presidente Dilma Rousseff apresentou um salário mínimo possível, compatível com a realidade atual. Ela lembrou que o governo fez o anúncio de um corte de despesas significativo, de R$ 50 bilhões. Para ela, os cortes são necessários, porque hoje a inflação não é localizada, mas global. A senadora disse que hoje o futuro é incerto, porque há a crise árabe e pode haver uma explosão no preço do petróleo.
Também presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Kátia afirmou que hoje o mundo vive uma inflação de alimentos. "As commodities de alimentos e metais estão subindo, e a tendência é de subir cada vez mais, porque os estoques estão baixos. Os estoques de todos os produtos estão baixíssimos", disse. (Último Segundo)

Senado aprova criação de mil novos cargos

Após detalhamento de cortes no valor de R$ 50 bilhões, senadores aprovam contratações no valor de R$ 10 milhões ao ano


Dois dias após o detalhamento dos cortes no Orçamento da União, no valor de R$ 50 bilhões, os senadores aprovaram projeto de lei do Executivo autorizando a criação de 1.124 novos cargos na administração federal, dos quais 510 de livre nomeação, ou seja, sem concurso público.

 
O impacto orçamentário previsto é de R$ 10 milhões ao ano. A proposta foi aprovada em caráter terminativo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e seguirá para sanção presidencial.
Os novos cargos destinam-se ao Ministério da Previdência Social, sendo 114 reservados às funções gratificadas (para servidores públicos de carreira). Outras 500 vagas são para a carreira de perito médico previdenciário do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) para atender 720 agências que estão sendo construídas em todo o Brasil. O projeto ressalva que a realização de concurso para provimento dessas vagas depende de prévia dotação orçamentária.
Relator da matéria, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) - que também foi ministro da Previdência -, defendeu a abertura das novas vagas, destacando o "fortalecimento da estrutura organizacional do INSS para possibilitar a instalação de novas agências da Previdência Social".
O líder do PSDB, Alvaro Dias (PR), apresentou emenda pedindo a revogação do dispositivo de uma portaria do MPS que especifica, entre os critérios para ocupar funções de confiança, a participação do servidor em associações e organizações não governamentais (ONGs). "Queremos excluir a hipótese da partidarização, evitando a politização com nomeações que privilegiam acomodações políticas", justificou o tucano.

Mas a emenda acabou rejeitada, apesar dos votos favoráveis da oposição e de um aliado, o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC). Jucá argumentou que o servidor que seja membro de ONG ganhará apenas um ponto nesse quesito, sendo que outros critérios como pós-graduação ou doutorado garantem pontuação maior. (Último segundo)

Brasil faz primeiro grande levantamento de dados estatísticos sobre consumo de crack

Brasília – O Brasil está desenvolvendo o maior estudo sobre consumo de crack do mundo. De acordo com a secretária Nacional de Políticas sobre Drogas, Paulina Duarte, o objetivo é ter dados estatísticos reais do consumo de crack no país, das grandes cidades à zona rural. A pesquisa está sendo feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a universidade americana de Princeton e os primeiros resultados serão divulgados em abril.
“Em 2010, lançamos o plano integrado de enfrentamento ao crack e outras drogas. Não temos, neste momento, nenhum número exato de consumo de crack no país. São apenas meras especulações. Por isso, estamos desenvolvendo o primeiro grande levantamento que se configura como o maior estudo sobre crack no mundo”, afirmou hoje (3) a secretária, após a apresentação do Relatório 2010 da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife).
A estimativa é que 25 mil pessoas participem da pesquisa, sendo que 22 mil fornecerão dados quantitativos e 3 mil, dados qualitativos. “Esse plano de enfrentamento [estudo direcionado ao consumo de crack] nasceu da preocupação do Brasil com dois indicadores: aumento das apreensões de pasta base feitas pela Polícia Federal e a procura [das pessoas viciadas em crack] por tratamento.”
A grande inovação, segundo Paulina, é que os usuários ouvidos pela pesquisa serão convidados a fazer testes para identificar se contraíram doenças relacionadas ao consumo do crack, como hepatites B e C, tuberculose e aids. “Depois desses testes, eles serão encaminhados à rede de saúde para tratamento.”
Além da pesquisa, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) também vai desenvolver um sistema de monitoramento precoce para consumo e tráfico de drogas em parceria com a Polícia Federal, o Ministério da Saúde e a Universidade de São Paulo (USP). De acordo com Paulina, o investimento será de aproximadamente US$ 5 milhões.
“Vamos juntar programas que possam nos dar as tendências dos surgimentos de novas drogas, novas formas de consumo, pedidos de tratamento, assim como tipos de apreensão em locais onde essas drogas aparecem”, afirmou.
O relatório da Jife divulgado hoje (2) aponta o crescimento do consumo de crack no território brasileiro e destaca o trabalho do governo brasileiro no combate à droga. De acordo com Paulina, o Brasil busca “mecanismos sustentáveis” para o enfrentamento ao crack. Um dos principais problemas é a falta de locais específicos para tratamento dos usuários.
Segundo a secretária, 100 mil profissionais da área de segurança pública e saúde, que combatem o consumo de drogas no país, serão capacitados para esse trabalho. “O Brasil vem fazendo um grande esforço no enfrentamento qualificado ao tráfico urbano.”
Daniella Jinkings
Repórter da Agência Brasil

Em sua 1ª palestra, Lula diz que foi 'achincalhado' ao falar da 'marolinha'

Ele falou que, antes de seu governo, país tinha 'complexo de inferioridade'. Ex-presidente afirmou que conversou com Bush 'sem lambeção de bota'.

AltEm sua 1ª palestra, Lula diz que foi 'achincalhado' ao falar da 'marolinha'
Em sua primeira palestra após deixar a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva falou nesta quarta-feira (2) sobre os oito anos de seu governo e destacou que um dos piores momentos que viveu como presidente foi durante a crise financeira internacional, no fim de 2008. Ele relembrou o episódio em que comparou a crise a uma "marolinha" e disse que foi "achincalhado".

"As pessoas diziam nos jornais: ‘Quero ver se o Lula agora vai conseguir governar com a crise’. O mundo até então estava crescendo, eles diziam que era sorte. Quando [então] veio a crise e eu disse que era uma marolinha.

Por conta da marolinha, eu fui achincalhado, diziam que eu estava menosprezando a crise”, afirmou a funcionários da empresa LG durante palestra sobre macroeconomia em evento no Expo Transamérica, na capital paulista.

O evento foi aberto por volta das 18h40, mas Lula só começou a falar às 19h30. O ex-presidente foi apresentado por um executivo da LG que afirmou que o bom momento da empresa devia-se ao “resultado da política econômica conduzida por Lula em oito anos”. O ex-presidente intercalou a palestra entre leitura de páginas e falas de improviso. O discurso durou cerca de 40 minutos.

Ao falar sobre a crise a funcionários da LG, Lula disse ainda que foi um ato de "coragem" ter feito em rede pública de televisão o que chamou de "apologia do consumo". "Eu fiz uma coisa que poucos políticos tiveram coragem de fazer.

Quando começou essa história de que o povo estava com medo de comprar, eu chamei o Franklin (Martins, ex-ministro da Comunicação Social), e disse: 'Se prepara que eu vou à TV fazer pronunciamento fazendo apologia do consumo'."

Ele disse então que foi criticado dentro do próprio governo. "Tinha gente que não queria que eu fosse porque era arriscado. Mas eu acho que ajudou a resolver."

Para Lula, a política de “diminuição da desigualdade e distribuição de renda foram importantes para reduzir os impactos [da crise]. (...) Não foi por força de qualquer mágica que superamos a crise.”

Expertise no BB

O ex-presidente relatou ainda um momento durante a crise que arrancou risos da plateia. “Quando vi que as montadoras estavam entrando em crise, chamei o Banco do Brasil e disse: ‘Preciso que o banco financie carro’. Me disseram: ‘Mas o BB não tem expertise’. Falei: ‘Mas quanto tempo precisa para que a gente forme essa tal expertise?’. E me responderam que em uns dois anos. Eu falei: ‘Então vamos comprar essa tal expertise. E compramos o Votorantim.”

'Complexo de inferioridade'

Quase ao término de sua fala, Lula disse também que, antes de seu governo, havia no país um "complexo de inferioridade". “O Brasil sempre teve problema de autoestima. Havia quem dissesse que tinha complexo de inferioridade. Nelson Rodrigues dizia que tinha complexo de vira-lata."

Ele afirmou que atuou contra esse complexo, relembrando um encontro entre líderes internacionais. "Tinha um tanto de gente importante, Bush, Tony Blair. Eu estou lá e estava todo mundo sentado.

Cheguei e fui sentar. Quando o Bush chegou, todo mundo começou a levantar. Eu segurei na mão do [Celso] Amorim [então ministro das Relações Exteriores] e disse: 'Nós não vamos levantar'. E ele veio justamente falar com a gente. Sem precisar de nenhuma 'lambeção de bota' porque ninguém gosta de puxa-saco."

"Como diz Chico Buarque, a gente não fala grosso com a Bolívia, mas também não fala com os Estados Unidos como os outros faziam. A gente fala manso e respeitosamente com todos”, completou o ex-presidente.

Dados sobre o governo

O ex-presidente começou sua fala apresentando dados sobre a economia e disse que é preciso aumentar ainda mais o poder de compra da população. “Não basta ter um terço da população tendo acesso às coisas”.

Ele então citou o aumento do investimento estrangeiro no país, a redução da taxa de desemprego, dados do Luz para Todos e do Bolsa Família. “Em oito anos, demos um salto no enfrentamento da pobreza e da miséria. Agora tem mais gente trabalhando e consumindo, fazendo a roda da economia girar”, disse.

O ex-presidente disse que seu governo se empenhou a aumentar o crédito e citou dados dos bancos públicos, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Eu brinco sempre que o Brasil era um país de economia capitalista que não tinha capital de giro nem financiamento. Pobre não conseguia entrar no banco, não tinha bancarização para o pobre.”

Ele não esqueceu de citar a sucessora, a presidente Dilma Rousseff: “Esse é o país que nós queremos continuar construindo. E tenho certeza, pelo que conheço da companheira Dilma, esse país vai permitir que a classe C logo vá para a classe B.”(VB)

‘Daqui a pouco vou estar um craque’, diz Romário sobre atuação na Câmara

Ex-jogador foi eleito vice-presidente da Comissão de Turismo e Desporto. Romário elogiou escolha de Meirelles para comando da Autoridade Olímpica.

‘Daqui a pouco vou estar um craque’, diz Romário sobre atuação na Câmara
O deputado e ex-jogador Romário (PSB-RJ) afirmou nesta quarta-feira (3) que o convívio com os colegas de parlamento “tem sido uma aula” e que, em breve, vai estar um “craque” na Câmara. Romário assumiu assumiu nesta tarde a vice-presidência da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara.

“Cada dia que passa, vou aprendendo mais, ouvindo mais, venho fazendo amizades com os políticos mais antigos da Casa e posso dizer que essa escola tem sido muito positiva. Daqui a pouco posso dizer para vocês que vou estar um craque”, disse Romário.

Entrosado com os colegas, Romário afirmou que pretende utilizar a comissão para agilizar os preparativos para o Mundial de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. O deputado do PSB aprovou a escolha do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para o comando da Autoridade Pública Olímpica (APO), que vai comandar a preparação do Brasil para a Olimpíada.

“O nome para presidir essa Autoridade Pública Olímpica tem que ser um nome sério, respeitado, e são poucos como o Henrique Meirelles. Acredito que existem no Brasil nomes ligados ao esporte que sejam sérios e competentes, mas acredito que a presidência está em boas mãos e ele vai fazer um grande trabalho no comando da APO”, afirmou.

A Comissão de Turismo e Desporto será um dos principais ambientes de debates para os preparativos do Mundial de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Romário prometeu rigor no acompanhamento das obras em estádios e aeroportos que serão utilizados nos eventos.

“Essas obras de estádios e aeroportos vão ser prioridade nessa comissão. Muitas dessas obras estão atrasadas e algumas nem começaram. Aqui na comissão a gente vai fazer valer o que está no papel, vamos cobrar para que possamos apresentar esse grande evento que é a Copa do Mundo”, declarou Romário.

Como vice-presidente da comissão, o ex-jogador terá a missão de comandar os trabalhos do grupo na ausência do presidente, Jonas Donizette (PSB-SP). Antes de ser eleito para a mesa, Romário já havia dito que iria participar da comissão para apresentar projetos relacionados a práticas esportivas para crianças carentes.(VB)

Kassab vem a Salvador articular novo partido

A expectativa em torno da criação do novo partido, o PDB (Partido da Democracia Brasileira), sob o comando do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), ganha cada vez mais corpo na Bahia. Informações dão conta de que um encontro entre Kassab e o vice-governador, Otto Alencar, tido como nome forte para presidir a legenda no estado, estaria marcado para o próximo dia 20. O objetivo seria costurar o máximo de alianças em torno do projeto, que vem com a promessa de agregar grandes lideranças.
O vice-governador, em conversa com a Tribuna, embora tenha negado que exista uma data estabelecida para a vinda de Kassab a Salvador, afirmou que tem conversado bastante com o prefeito de São Paulo. “Eu tenho conversado com ele (Kassab) há algum tempo, mas não tem uma data marcada, não existe nada formalizado ainda”, assegurou. Otto declarou, no entanto, que, de fato, existe uma inquietação muita grande no estado e que muitos prefeitos o têm procurado, com intuito de se livrarem das ameaças de expulsão por parte das suas atuais siglas.
 “Tem muitos prefeitos na Bahia, filiados ao DEM, PR e PSDB, por exemplo, que apoiaram o governador Jaques Wagner (PT) na eleição e que estão sendo intimidados pelos dirigentes das suas atuais legendas. Existe uma ameaça de que se eles permanecerem não terão o direito de concorrer no próximo pleito, sob alegação de infidelidade partidária. O próprio DEM já disse isso, o PMDB pode fazer como fez com o prefeito João Henrique, e como a legislação atual não permite mudanças, a não ser para um novo partido, o PDB seria a salvação para que esses gestores não fossem retaliados”, explicou, preferindo não dar nomes aos “bois”.   
Ainda, segundo o vice-governador, presidentes de partidos hoje no Brasil têm mais poder de expulsar, de cassar do que qualquer general quatro estrelas da época da ditadura. E o detalhe: os políticos acabam ficando reféns. É claro que existem exceções como o PT, o PCdoB”, pontuou, sem sequer citar seu atual partido, ao qual não esconde a insatisfação pelo tratamento que vem recebendo.
 
Por fim, Otto destacou que, se o PDB for realmente criado, não irá trabalhar para cooptar ninguém. “Se acontecer, é claro que existe essa possibilidade, virá quem quiser. Até mesmo porque essa é uma responsabilidade muito grande e quem definir pela mudança é quem terá que arcar”. Ele, conforme faz questão de reforçar, não é candidato a nada em 2012 e muito menos em 2014, conforme já chegou a ser cogitado.
Vale lembrar que nos corredores da Assembleia Legislativa e na Câmara de Salvador, a expectativa também é grande em prol do PDB e a lista de futuros dissidentes só faz aumentar. Na ala do DEM, pelo menos 12 integrantes, somente entre deputados e ex-deputados, estariam de malas prontas.
Líderes do DEM soltam o verbo
Enquanto isso, quatro deputados do DEM subiram no Plenário da Câmara ontem, para criticar o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Classificaram a nova legenda que deve ser criada por ele de “partido da boquinha, que quer pegar uma teta gorda que o governo federal tem”, e chamaram a atitude de fusão com um novo partido posteriormente como “lamentável” e um “adesismo oportunista”. O líder da bancada na Câmara, ACM Neto (BA), foi um deles, para quem montar um novo “partido para, logo depois, promover atos de fusão” é um “liberou geral, um adesismo oportunista”.
ACM Neto afirmou que políticos como Kassab serão julgados e condenados pelos brasileiros. “Montar um partido como meio de passagem, como uma janela indiscreta, aí é lamentável”, disse.Enquanto isso, quatro deputados do DEM subiram no Plenário da Câmara ontem, para criticar o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Classificaram a nova legenda que deve ser criada por ele de “partido da boquinha, que quer pegar uma teta gorda que o governo federal tem”, e chamaram a atitude de fusão com um novo partido posteriormente como “lamentável” e um “adesismo oportunista”.
O líder da bancada na Câmara, ACM Neto (BA), foi um deles, para quem montar um novo “partido para, logo depois, promover atos de fusão” é um “liberou geral, um adesismo oportunista”. ACM Neto afirmou que políticos como Kassab serão julgados e condenados pelos brasileiros. “Montar um partido como meio de passagem, como uma janela indiscreta, aí é lamentável”, disse. (Fernanda Chagas – TB)