sexta-feira, 29 de abril de 2011

Ex-ministro de Lula vai integrar grupo de observadores na Líbia

Para ex-titular dos Direitos Humanos, diplomacia de Dilma para a área sofreu apenas ajustes em relação a antecessor
SÃO PAULO - Paulo Vannuchi, ex-ministro dos Direitos Humanos no governo Lula, vai integrar uma comitiva de observadores internacionais - entre eles o ex-primeiro-ministro da Espanha José María Aznar e o ex-procurador-geral do presidente americano Lyndon Johnson, Ramsey Clark - que visitarão a Líbia nos próximos dias à convite de organizações não-governamentais. De acordo com o ex-ministro, o objetivo é detectar situações de violação de direitos e formatar propostas de políticas a serem implementadas no país.
Nesta quarta-feira, 27, ao anunciar no 8º Congresso Nacional de Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) sua ida à Líbia, o ex-ministro elogiou o novo direcionamento do governo Dilma Rousseff sobre os direitos humanos no Irã. "É a mesma diplomacia, mas com ajustes. Os ajustes que foram feitos eu saúdo, são positivos", avaliou Vannuchi ao comparar a política externa do atual governo com a do governo em que participou.
A uma plateia de aproximadamente 500 metalúrgicos, o ex-ministro ressaltou que a política de Dilma é a mesma de Lula, mas que "continuar não é repetir". "O que deve ter pesado é a condição especial da presidente, mulher, ex-presa política, torturada, sobretudo com a sensibilidade que nenhum homem poderá ter sobre um problema específico de opressão à mulher", disse, referindo-se ao caso da sentença de morte por apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani.
Para Vannuchi, a decisão do governo brasileiro de apoiar o envio de um relator da ONU para investigar a situação dos direitos humanos no Irã não aconteceu no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque a questão não foi cogitada na época. "Essa votação não teve antes, então não se pode comparar uma coisa com outra", argumentou. "São momentos diferentes e, neste sentido(votação), a posição sobre os direitos humanos no Irã melhorou", completou. Ele lembrou ainda que Lula ofereceu asilo à iraniana.
Fonte: Daiene Cardoso, da Agência Estado

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Bahia: Oposição obstrui votação da reforma administrativa na Assembleia

Se na Câmara o clima foi de satisfação plena com a aprovação do Parque Tecnológico, na Assembleia Legislativa, onde a reforma administrativa encaminhada pelo governo estadual estava em pauta, não se pôde dizer o mesmo e os que apostavam numa votação “tranquila” foram surpreendidos. O clima esquentou durante a sessão.
O “reboliço” aumentou quando o relator do projeto, deputado João Bonfim (PDT), fez a leitura do parecer com 25 emendas das duas bancadas.
Após obstrução por cerca de duas horas, o deputado Paulo Azi (DEM) anunciou que, se o governo, cujo líder é o deputado Zé Neto (PT), mantivesse o projeto na pauta, iria retirar a bancada do plenário e recorreria à Justiça alegando “inconstitucionalidade” por conta de “várias” emendas propostas que criariam novos cargos.
 Os oposicionistas argumentaram que o Artigo 77 da Constituição do Estado da Bahia veda a criação e/ou extinção e aumento de custos ao governo por parte do Poder Legislativo.
Entre as modificações consideradas inconstitucionais, estava a emenda de um oposicionista, o deputado Carlos Geílson (PTN). Ele propôs a inclusão de um representante da Associação Baiana de Jornalismo Digital (ABJD) no Conselho de Comunicação, proposto pelo governo no texto original da reforma.
A emenda foi aceita pelo relator, o que culminou, inclusive, num acordo para que o PTN votasse a favor da reforma. O clima esquentou ainda mais quando o relator João Bonfim anunciou a rejeição de outra emenda da oposição, a que prevê que 30% dos 173 novos cargos que serão criados pelo governo sejam destinados a servidores concursados do estado.
Alegando a apresentação de “uma nova reforma administrativa”, o deputado Luciano Simões (PMDB) pediu tempo ao presidente da AL-BA, deputado Marcelo Nilo (PDT), para que a bancada oposicionista avaliasse a “nova” proposta. Nilo concordou e interveio para que o líder governista, Zé Neto, concordasse com o pleito da minoria, o que acabou acontecendo.
Até o fechamento desta edição não havia entendimento entre governo e oposição para a apreciação e nos corredores do parlamento já se falava num possível adiamento da votação para a próxima semana.
Caso fiquem mantidas as emendas e seja constatada a inconstitucionalidade, o projeto deverá ser devolvido ao governador Jaques Wagner para os ajustes, afinal, compete só ao Poder Executivo criar cargos e onerar a máquina.
A reforma cria as novas secretarias de Administração Penitenciária e Ressocialização e a da Comunicação. A proposta prevê ainda o desmembramento da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), subdividida em Políticas para Mulheres e Étnico-racial; cria a Superintendência de Tratamento e Apoio a Drogados, que será integrada à Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH);  transforma a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) em pasta ordinária até 2014; funde o Instituto do Meio Ambiente (Ima) ao Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá); e constitui oficialmente a chefia de Gabinete e a Assessoria de Relações Internacionais. (Romulo Faro – TB)

PCdoB em Salvador decide por candidatura própria em 2012

Reunido na noite desta quarta-feira (27), na sede do partido, o Comitê Municipal do PCdoB em Salvador decidiu pela apresentação de pré-candidatura própria à Prefeitura de Salvador nas eleições de 2012, indicando os nomes da deputada federal Alice Portugal e do deputado federal Daniel Almeida como nomes credenciados e a serem examinados pelo partido para uma candidatura ao Executivo municipal.
O Comitê Municipal decidiu ainda intensificar o ciclo de debates sobre Salvador, realizado em conjunto com a Fundação Maurício Grabois, com o objetivo de refletir mais aprofundadamente sobre os problemas da cidade e subsidiar a elaboração do programa de governo.

A decisão tem como base a recente resolução do Comitê Central do partido que propõe maior protagonismo do PCdoB nas disputas eleitorais em todo o país. “O PCdoB em Salvador reúne condições de lançar e sustentar uma candidatura majoritária e inclusive com possibilidade de ir para a disputa do segundo turno. Fomos o segundo partido mais votado na cidade para deputado estadual em 2010. Temos prestígio político e eleitoral suficientes para apresentar ao eleitorado nossas propostas e nosso programa de governo, ao tempo que temos possibilidade de ter uma chapa completa de candidatos a vereador, além de boa presença nos movimentos sociais organizados e uma razoável estrutura partidária”, afirma o presidente do PCdoB em Salvador, Geraldo Galindo.

Com base na resolução do Comitê Municipal, a direção do partido vai procurar o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), para informá-lo da decisão e reafirmar a participação do PCdoB nos projetos políticos capitaneados por ele no âmbito estadual e pela presidente Dilma Rousseff em âmbito nacional, porém, resguardando a sua independência e o legítimo direito de se apresentar com fisionomia própria perante o eleitorado.

“A apresentação de um nome do partido em Salvador é absolutamente legítima.Como pode haver dois turnos, é natural que os partidos se apresentem no primeiro turno e no segundo, se houver, possam fazer as alianças com aquele que tenha mais afinidade do ponto de vista político e programático”, ressaltou Galindo.

Fonte: Eliane Costa - Vermelho

Ignorado no Brasil, FHC dá conselhos à oposição venezuelana

Devoto de Jesus Cristo, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tem muito a agradecer aos céus. Sob a liderança da deputada María Corina Machado, a oposição venezuelana adotou como conselheiro o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso – cujos brados não se fazem mais ouvir nem sequer entre tucanos mais ilustres. É um abraço de históricos derrotados.
O insucesso de FHC se traduz na rejeição cada vez mais cristalizada a seu governo (1995-2002) e na resistência do alto tucanato a evocar seu legado. Já o infortúnio da oposição a Chávez tem uma expressão mais nítida: desde 1998, a direita venezuelana acumula 15 derrotas em disputas eleitorais, referendos e plebiscitos. Em comum, ambos não escondem uma natureza elitista, antipopular – talvez a maior barreira para os conservadores voltarem ao poder nos dois países.

No artigo “O Papel da Oposição”, divulgado há duas semanas, FHC estertorou que o PSDB deve abrir mão tanto dos movimentos sociais quanto do “povão”. Segundo ele, “enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os ‘movimentos sociais’ ou o ‘povão’, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos”. A repercussão foi tão negativa que desconcertou Fernando Henrique. “Passei a ser cautelosíssimo. Pensei que ninguém fosse ler”, admitiu.

Já Corina Machado, em entrevista à Folha de S. Paulo, igualmente subestima os laços formados entre o “povão” venezuelano e o governo Chávez. “Os pobres foram usados e manipulados. Claro que o governo gosta de pobres, mas para mantê-los pobres. O governo precisa que eles fiquem dependentes do Estado e não quer uma sociedade autônoma que gere emprego por suas próprias fontes”, esbraveja a deputada.

O encontro entre o malfadado ideólogo da oposição brasileira e expoentes do conservadorismo da Venezuela ocorreu nesta terça-feira (26), em São Paulo, durante o debate “A América Latina em um Mundo em Transformação”, realizado pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso. Não ficou claro o que o ex-presidente tem a dizer a opositores do país vizinho.

Depois de três derrotas consecutivas do consórcio PSDB-DEM em eleições presidenciais – duas delas para o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva –, quais lições teria FHC a ofertar? Por sinal, num momento em que se especula a fusão entre tucanos e “demos” para aplacar a ruína da oposição à presidente Dilma Rousseff, ao menos FHC teve a humildade de reconhecer que os venezuelanos é que, por ora, dão o “exemplo” da unidade.

“Se quisermos ter um objetivo maior, como têm os venezuelanos hoje, que é de voltar a ter uma situação em que o PSDB exerça um papel construtivo no Brasil, na República, nós temos de estar unidos", discursou o ex-presidente. A referência era à debandada de lideranças do PSDB – ou “revoada no ninho tucano”, para usar uma expressão que vai ganhando contornos de lugar-comum.

Esvaziamento
Nas eleições de 2008, o PSDB fez a maior bancada da Câmara Municipal de São Paulo, com 14 vereadores eleitos. O campeão de votos, Gabriel Chalita, deixou a legenda já em 2009. Há duas semanas, mais seis vereadores, dos 13 remanescentes, também abandonaram a legenda, assim como Walter Feldmann, fundador do PSDB e atual secretário do governo Kassab.

Na onda de “destucanização”, ainda em curso, podem surfar mais dois ou três vereadores, além de Ricardo Montoro, filho do ex-governador Franco Montoro. Correligionários de Alckmin já insinuam – a começar pelo “Painel” da Folha de S. Paulo – que o ex-governador paulista José Serra está por trás do esvaziamento do PSDB, num suposto revide ao atual governador, Geraldo Alckmin.

FHC não poderia ter contexto mais adverso para dar ensinamentos de oposição. Em meio ao “fogo amigo” nas altas e baixas rodas do tucanato, sobram ao ex-presidente poucos temas a explorar numa plateia onde há ansiosos direitistas loucos para derrubar Chávez e a Revolução Bolivariana.

Por onde sair, então? O ex-presidente brasileiro pede que a presidente Dilma Rousseff e o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, sejam sensíveis no trato com a Venezuela. “O Brasil tem interesses comuns com a Venezuela – e nós não podemos, de repente, ter uma atitude que possa ser compreendida como contrária à Venezuela", esclarece FHC. Mas, afinal, foi o partido dele ou o da Dilma que lutou contra a adesão venezuelana ao Mercosul?

“Como distinguir a defesa dos direitos humanos com a participação da Venezuela na América Latina, no Mercosul, de acordo com os nossos interesses? Espero que o governo, sobretudo com o novo chanceler, tenha sensibilidade suficiente para ao mesmo tempo atender aos interesses do Brasil e da Venezuela”, diz FHC. Que não fique o dito pelo não-dito: o ex-presidente acredita mesmo que o Itamaraty teve mais “sensibilidade” sob sua gestão – aquela que tirava até os sapatos para os Estados Unidos – do que o Itamaraty de Lula e Celso Amorim.

E, como a unidade da oposição é um fato apenas na Venezuela, a conclusão da atividade no Instituto FHC não surpreende: esperemos não tanto por conselhos e artigos de Fernando Henrique sobre o “papel da oposição” – mas pelo desfecho do processo da fusão entre PSDB e DEM.

O povo e as mudanças

Enquanto isso, Corina Machado sonha com o fim da era Chávez na Venezuela bolivariana e da ascensão da esquerda no continente. Sua aposta: “A mudança de modelo, não somente de governo, terá efeito direito em toda a região. Vai contribuir para fortalecer instituições e avançar rumo à democratização e crescimento real. Com a saída de Chávez, a América Latina vai emergir como novo polo de desenvolvimento e atração de investimento, crescimento e inclusão social."

A Venezuela realiza eleições presidenciais em 2012, dois anos antes do Brasil. Conquanto o sentimento conservador possa crescer na sociedade, sobressai a saudável certeza de que a direita, lá e cá, ainda é incapaz de entender que o povo latino-americano ousou mudar – e aprovou as mudanças.
Fonte: André Cintra - Vermelho

Dilma considera ''erro'' Dutra renunciar ao comando do PT

A presidente Dilma Rousseff vai fazer um último apelo para o presidente do PT, José Eduardo Dutra, não renunciar ao cargo e prolongar sua licença médica até setembro, quando o partido promoverá um congresso para reformar seu estatuto.
O governo avalia que uma sucessão apressada poderia criar problemas. Tanto Dilma quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão dispostos a evitar a troca de comando agora.
Na conversa que manteve com Lula, na segunda-feira à noite, no Rio, Dutra disse não se sentir confortável em deixar o partido aguardando por sua recuperação e afirmou que iria renunciar ao cargo amanhã, na reunião do Diretório Nacional do PT. Dutra está licenciado do cargo desde 22 de março, por causa de crises hipertensivas, que culminaram com forte depressão.
Dilma iria ao Rio hoje, para uma agenda de trabalho, mas adiou a viagem para sexta-feira. Ela tentará encontrar-se pessoalmente com Dutra antes da reunião do PT. Se não conseguir, conversará por telefone. Para a presidente, é um "erro" Dutra renunciar ao cargo, já que ele tem mandato até 2013 e pode renovar a licença.
Setembro. Mesmo se Dutra se mantiver irredutível, a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) vai propor que o novo presidente do PT seja escolhido só em setembro. A ideia é que o deputado estadual Rui Falcão, primeiro-vice-presidente, fique no cargo nesse período.
"Se o Dutra de fato sair, o Rui ou qualquer integrante do Diretório Nacional pode dirigir o partido até o Congresso Extraordinário do PT, em setembro", disse Francisco Rocha, coordenador da CNB. Até agora, o nome mais cotado para substituir Dutra é o do líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). Em todas as conversas, Lula insiste que é preciso dar "peso político" à Executiva Nacional.
A posição da CNB - corrente que abriga Dutra - deve prevalecer, pois a tendência tem 56% das cadeiras do Diretório Nacional. Mas não sem resistências. "Se Dutra renunciar, o partido deve eleger logo o novo presidente, até para evitar especulações", disse o ex-presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). (Vera Rosa – AE)

Lula diz não ter mais idade para disputas com FHC

SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recusou nesta quarta-feira, 27, o desafio feito pelo também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de disputar uma nova eleição. "Não vou responder. Ele, como eu, vamos disputar no além. Não temos mais idade para isso", afirmou Lula, durante o 8º Congresso Nacional dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), realizado em um hotel de Guarulhos.
A proposta do tucano foi feita em meio à polêmica sobre o artigo que escreveu para a revista "Interesse Nacional", no qual defendeu que o PSDB deveria deixar de buscar diálogo com o "povão" e tentar conquistar votos na nova classe média brasileira. A crítica de Lula a essa análise veio de Londres, onde estava para uma palestra a investidores da Telefônica: "Não sei como alguém que estudou tanto depois diz que quer esquecer do povão. O povão é a razão de ser do Brasil. E do povão fazem parte a classe média, a classe rica, os mais pobres, porque todos são brasileiros".
Na semana passada, FHC aproveitou-se de uma entrevista a um programa de rádio para responder a Lula na forma da provocação: "Ele (Lula) esquece-se de que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo."(AE)

Em 2012, a vez da 'micropolítica'

A tendência é irreversível: cada nicho do eleitorado brasileiro será mapeado e vai virar alvo de diferentes abordagens em campanhas políticas. Não haverá apenas uma estratégia, mas várias. Microtargeting é nome da onda, uma técnica largamente utilizada nos Estados Unidos e que dá os primeiros passos no Brasil após ter sido utilizada na campanha de reeleição de Sérgio Cabral (PMDB) no Rio.
Especialista no assunto, o economista brasileiro Maurício Moura, professor na Universidade George Washington, nos Estados Unidos, explica que microtargeting é "fatiar o eleitorado e olhar para as fatias com uma lupa". Cada microssegmento, com suas diferentes aspirações, pode ser alvo de um discurso específico do candidato interessado em seus votos. A mensagem política também pode atingir os grupos de diferentes formas: televisão, mala direta, e-mail e até visitas porta a porta.
A experiência com o microtargeting na campanha de Cabral foi relatada pelo consultor na versão latino-americana da revista Campaings & Elections, e também em uma palestra na Universidade George Washington, em março deste ano.
No Brasil, Moura encontrou um grande obstáculo para "fatiar" o eleitorado em diferentes perfis: a falta de dados públicos e detalhados sobre a população. (Daniel Bramatti – AE)

Lula alega acordo com Dilma para não intervir no governo

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem em Guarulhos, na Grande São Paulo, que tem evitado comentar os temas nacionais porque fez um acordo com a presidente Dilma Rousseff de não intervir nos assuntos do governo. Além disso, ele argumentou que a decisão tem por objetivo dar uma lição aos antecessores. "Queria ensinar a alguns ex-presidentes como é importante ser um ex-presidente sem dar palpites", afirmou, em uma referência implícita ao ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, com quem tem trocado farpas nas últimas semanas.
Lula, que participou no fim da noite de ontem do Congresso Nacional de Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Guarulhos, disse que ainda não conseguiu "desencarnar" da Presidência. "Eu ainda não desencarnei totalmente do meu mandato de presidente. Não é uma tarefa fácil." Durante os 55 minutos de discurso, ele disse que está com "uma comichão", uma vontade forte, de voltar a viajar e fazer caravanas pelo País. "Eu estou com vontade de tudo, mas tenho de me controlar. Só com autocontrole vou conseguir desencarnar", brincou.
Ao descrever a sua gestão como a que "mais" interagiu com os movimentos sociais, Lula afirmou que em nenhum outro País um presidente esteve tão disponível para ouvir a sociedade. "Duvido que, na história da humanidade - eu costumo dizer nunca antes na história do Brasil -, tenha havido um governo que tenha exercitado a democracia com tanta plenitude como exercemos. Nenhum segmento da sociedade deixou de ser ouvido."
O ex-presidente admitiu também que o termo "nunca antes" era usado para afrontar a oposição. "Era para provocá-los, para dizer que ''nunca antes'' eles não fizeram nada." No primeiro encontro com líderes sindicais desde que deixou a Presidência, Lula declarou que se sentia, junto com os antigos companheiros, como se vivesse o "primeiro dia de militância". "Nem todo mundo pode retornar para casa de cabeça erguida", disse. (Daiene Cardoso – AE)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Governo deve amaciar cortes de restos a pagar

Pressionado pela base aliada que nos bastidores ameaçou uma rebelião contra o Planalto nas votações no Congresso por causa do "cancelamento" de emendas parlamentares, o governo sinalizou ontem que vai amaciar o corte. O calote dos chamados restos a
pagar de orçamentos anteriores, de 2007 a 2009, deve ficar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 3 bilhões e nem todo este montante será cortado de emendas, segundo um parlamentar envolvido nas negociações.

A questão tem provocado polêmica no Congresso porque cerca de metade dos restos a pagar dizem respeito a emendas. Hoje, há R$ 9,8 bilhões em risco de cancelamento desse período, sendo que R$ 5,2 bilhões são de emendas parlamentares, segundo dados do ministério do Planejamento. Até sexta, a presidente Dilma Rousseff vai anunciar o tamanho da tesourada para tentar interromper a insatisfação parlamentar.

A tendência é que os restos a pagar de 2009 sejam prorrogados pelo menos até o final de agosto e que o cancelamento atinja somente convênios dos anos de 2008 e 2007 que ainda não estejam em execução. Decreto assinado ainda pelo presidente Lula determinava o cancelamento dos restos a pagar destes três anos que não fossem liquidados até 30 de abril. (AE)

Bahia: Negromonte ameniza tensão política

O ministro das Cidades, Mário Negromonte, foi ao Senado, ontem, para conversar com o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e aproveitou para amenizar o clima de tensão instalado no governo em função dos atrasos nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da Copa do Mundo de 2014.

Em entrevista ao G1, Negromonte confirmou que a presidente Dilma Rousseff está preocupada com a situação das

"A presidenta é uma senhora educada, não puxa a orelha de ninguém. Logicamente que ela fica preocupada com o que está acontecendo, a questão de alguns atrasos. Tivemos uma reunião com ela ontem [segunda] e outros ministros para levar um relatório sobre como estariam as obras do PAC na área de mobilidade. Estamos fazendo um alerta a prefeitos e governadores para que acelerem projetos", afirmou Negromonte.

O ministro das Cidades também negou que haja desorganização nas ações do governo relacionadas ao Mundial de 2014: "Tem muita organização, muita reunião, muito planejamento. O que falta realmente é ter algumas ações. Os estados têm problemas

Então, prefeitos e governadores estão buscando as soluções".
No dia 20 de abril, o ministro das Cidades disse que seis das 12 cidades brasileiras que irão sediar a Copa do Mundo de 2014 estavam com obras atrasadas.
"Nossa parte [do Ministério das Cidades] é mobilidade urbana e vamos ter que ter a responsabilidade de levar o torcedor até a catacra. São 12 capitais-sede da Copa. Boa parte está com problema. Eu diria meia dúzia", disse, durante cerimônia de formatura de
novos diplomatas, no Itamaraty.

Negromonte admitiu ainda que será preciso aumentar o ritmo de trabalho para concluir todas as obras de mobilidade urbana que viabilizarão o Mundial.
"Nós estamos monitorando essas obras, mas muitas têm problemas jurídicos, ambientais, problemas de licitação. Tem gargalos que estamos desobstruindo. Depois que iniciar essas obras, vamos ter que trabalhar de manhã, de tarde e de noite para avançarmos", afirmou.

Segundo o ministro, a "única certeza" do governo é a de que a Copa tem data certa para ser realizada. "Existe uma preocupação de que não vai trazer prejuízo para o andamento das obras. A única certeza que temos é que a data da Copa não pode ser adiada".
Fonte: Tribuna da Bahia
ações em torno do Mundial e do PAC, mas não fez nenhuma cobrança exagerada aos integrantes do governo.ambientais, problemas jurídicos, problemas em terrenos.

O dólar com seus dias contados

O dólar tem seus dias contados

A moeda americana se transformou na maior bolha especulativa da história e está condenada a uma forte queda. Os ataques contra o euro são apenas uma cortina de fumaça para esconder a falência da economia americana, defende a jornalista suíça Myret Zaki em seu último livro.

"A queda do dólar se prepara. É inevitável. O principal risco no mundo atualmente é uma crise da dívida pública americana. A maior economia mundial não passa de uma grande ilusão. Para produzir 14 trilhões de renda nacional (PIB), os Estados Unidos geraram uma dívida de mais de 50 trilhões que custa 4 trilhões de juros por ano."

O tom está dado. Ao longo das 223 páginas de seu novo livro, a jornalista Myret Zaki faz uma acusação impiedosa contra o dólar e a economia americana, que considera "tecnicamente falida".

A jornalista se tornou, nos últimos anos, uma das mais famosas escritoras de economia da Suíça. Em seus últimos livros, ela aborda a situação desastrosa do banco suíço UBS nos Estados Unidos e a guerra comercial no mercado da evasão fiscal. Na entrevista a seguir, Myret Zaki defende a tese de que o ataque contra o euro é para desviar a atenção sobre a gravidade do caso americano.

Swissinfo.ch: A Senhora diz que o crash da dívida americana e o fim do dólar como lastro internacional será o grande acontecimento do século XXI. Não seria um catastrofismo meio exagerado?
Myrette Zaki: Eu entendo que isso possa parecer alarmista, já que os sinais de uma crise tão violenta ainda não são tangíveis. No entanto, estou me baseando em critérios altamente racionais e fatuais. Há cada vez mais autores americanos estimando que a deriva da política monetária dos Estados Unidos conduzirá inevitavelmente a tal cenário. É simplesmente impossível que aconteça o contrário.

Swissinfo.ch: No entanto, esta constatação não é, de forma alguma, compartilhada pela maioria dos economistas. Por quê?
MZ: É verdade. Existe uma espécie de conspiração do silêncio, pois há muitos interesses em jogo ligados ao dólar. A gigantesca indústria de asset management (investimento) e dos hedge funds (fundos especulativos) está baseada no dólar. Há também interesses políticos óbvios. Se o dólar não mantiver seu estatuto de moeda lastro, as agências de notações tirariam rapidamente a nota máxima da dívida americana. A partir daí começaria um ciclo vicioso que revelaria a realidade da economia americana. Estão tentando manter as aparências a todo custo, mesmo se o verniz não corresponde mais à realidade.

Swissinfo.ch: Não é a primeira vez que se anuncia o fim do dólar. O que mudou em 2011?
MZ: O fim do dólar é realmente anunciado desde os anos 70. Mas nunca tivemos tantos fatores reunidos para se prever o pior como agora. O montante da dívida dos EUA atingiu um recorde absoluto, o dólar nunca esteve tão baixo em relação ao franco suíço e as emissões de novas dívidas americanas são compradas principalmente pelo próprio banco central dos EUA.

Há também críticas sem precedentes de outros bancos centrais, que criam uma frente hostil à política monetária americana. O Japão, que é credor dos Estados Unidos em um trilhão de dólares, poderia reivindicar uma parte desta liquidez para sua reconstrução. E o regime dos petrodólares não é mais garantido pela Arábia Saudita.

Swissinfo.ch: Mais do que o fim do dólar, a Senhora anuncia a queda da superpotência econômica dos EUA. Mas os Estados Unidos não são grandes demais para falir?
MZ: Todo mundo tem interesse que os Estados Unidos continuem se mantendo e a mentira deve continuar por um tempo. Mas, não indefinidamente. Ninguém poderá salvar os americanos em última instância. São eles quem terão que arcar com o custo da falência. Um período muito longo de austeridade se anuncia. Ele já começou. Quarenta e cinco milhões de americanos perderam suas casas, 20% da população sairam do circuito econômico e não consomem mais, sem contar que um terço dos estados dos EUA estão praticamente falidos. Ninguém mais investe capital no país. Tudo depende exclusivamente da dívida.

Swissinfo.ch: A Senhora diz que o enfraquecimento da zona euro representa nada menos do que uma questão de segurança nacional para os Estados Unidos. Será que não estamos entrando numa espécie de paranoia antiamericana?
MZ: Todos nós amamos os Estados Unidos e preferimos ver o mundo cor-de-rosa. No entanto, após o fim da Guerra Fria e da criação do euro em 1999, uma guerra econômica foi declarada. A oferta de uma dívida pública sólida em uma moeda forte iria provavelmente diminuir a demanda pela dívida dos EUA. Mas os Estados Unidos não podem deixar de se endividar. Essa dívida lhes permitiu financiar as guerras no Iraque e no Afeganistão e garantir a sua hegemonia. Eles têm uma necessidade vital dela.

Em 2008, o euro era uma moeda levada muito a sério pela OPEP, os fundos soberanos e os bancos centrais. Ela estava prestes a destronar o dólar. E isso os EUA queriam impedir a todo custo. O mundo precisa de um lugar seguro para depositar seus excedentes, e a Europa está sendo totalmente impedida de aparecer como sendo esse lugar. É precisamente por isso que os fundos especulativos têm atacado a dívida soberana de alguns países europeus.

Swissinfo.ch: O que vai acontecer depois da queda anunciada do dólar?
MZ: A Europa é hoje a maior potência econômica e tem uma moeda de referência sólida. Ao contrário dos Estados Unidos, é um bloco em expansão. Na Ásia, o yuan passará a ser a moeda de referência. A China é a melhor aliada na Europa. Ela tem interesse em apoiar um euro forte para diversificar seus investimentos. Por outro lado, ela precisa de um aliado como a Europa na OMC e no G20 para evitar de ter que reavaliar sua moeda em breve. Hoje, a Europa e a China atuam como duas forças gravitacionais que atraem em suas órbitas os antigos aliados dos Estados Unidos: o Japão e a Inglaterra.

Swissinfo.ch: E o que vai acontecer com o franco suíço?
MZ: Seu papel de valor refúgio ainda vai crescer. No caso de uma crise da dívida soberana dos EUA, haverá uma grande procura pelo franco suíço. O franco suíço tem quase o mesmo status que o ouro e não está pronto a cair face ao dólar. Em uma revisão do sistema monetário, a Suíça terá que escolher um lado. Porque eu não estou convencida de que o franco suíço possa continuar existindo sozinho, o seu papel como valor refúgio é muito prejudicial para a economia suíça.

Fonte: Samuel Jaberg, swissinfo.ch. Adaptação: Fernando Hirschy

Alckimin retalia PSD e tira Afif da Secretaria

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), respondeu nesta terça-feira, 26, à articulação do prefeito paulistano Gilberto Kassab para formar o PSD. Numa mesma movimentação, abriu espaço no governo para o DEM e selou a saída do vice-governador Guilherme Afif (PSD) da Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
O movimento de Alckmin deve garantir a reedição da aliança DEM-PSDB na eleição municipal de 2012, mas põe fim à histórica união dos dois grupos que dominaram a política de São Paulo na última década.
Após almoço com a cúpula do DEM ontem no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, Alckmin acertou passar a Secretaria de Desenvolvimento Social para o partido aliado, deslocando o então secretário Paulo Barbosa para a pasta de Afif. A negociação envolvendo as duas pastas foi antecipada nesta terça pelo Estado.
Indicado pelo DEM, o deputado Rodrigo Garcia assume o Desenvolvimento Social na segunda-feira. A pasta é vitrine de projetos sociais do governo tucano, como o Bom Prato e o Viva Leite. Alckmin teria sinalizado ainda com a possibilidade de fortalecer outros programas da secretaria, como o Ação Jovem. (Julia Dualibi - AE)

'Conselhão' volta com promessa de Dilma de 'valorizá-lo' e sem PT

Criado no governo Lula, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social faz primeira reunião na gestão Dilma Rousseff sob nova direção: sai PT, entra PMDB. Mas presidenta promete 'valorizá-lo' e discutir políticas públicas com o grupo. A reportagem é de André Barrocal.

BRASÍLIA – Criado em 2003 pelo ex-presidente Lula com órgão de consulta, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social realizou nesta terça-feira (26/04) sua primeira reunião do governo Dilma Rousseff com a promessa presidencial de que o espaço será valorizado e chamado a discutir políticas públicas. Ao reativá-lo, Dilma transferiu a tutela do Conselhão, que desde o início esteve vinculado ligado à área política do Planalto mas, agora, vincula-se ao ministério encarregado de pensar o Brasil no longo prazo.

A mudança era planejada por Dilma desde a campanha eleitoral. Na visão dela, faz sentido que um grupo que ajuda a refletir sobre o Brasil fique na estrutura da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, cuja missão é exatamente olhar para frente. “Não vejo nenhum inconveniente exatamente por isso”, disse o cientista político Murilo Aragão, que é membro do Conselhão.

Mas para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, que é do Conselho, a alteração vai enfraquecer o grupo. Segundo o sindicalista, o órgão pertencia a um ministério, a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), com assento na coordenação do governo, seleção de ministros que se reúne toda a semana com Dilma (como já era com o ex-presidente Lula) para discutir as questões mais importantes. A Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), nova tutora do Conselhão, não faz parte da coordenação.

A CUT fez um abaixo-assinado, enviado à presidenta, defendendo que o Conselho ficasse onde estava. Conseguiu a adesão de 40, dos 90 conselheiros. Em vão.

Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, igualmente do Conselho, considera que a troca de subordinação não afetará em nada o trabalho do grupo, já que, no fim da contas, que dirige o órgão é a própria presidenta.

Para além da visão técnica sobre a função do Conselho, o debate sobre seu controle foi uma queda de braço entre PT e PMDB. O primeiro comanda a SRI e o segundo, a SAE. A transferência de comando foi feita por decreto de Dilma assinado na segunda-feira (25/04).

O ministro-chefe da SAE, Moreira Franco, já havia tentado encorpar sua secretaria trocando o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann. Embora o Ipea pertença à estrutura de Moreira Franco, Pochmann está no cargo desde o governo Lula, é ligado ao PT e age com independência. Quando percebeu os planos de Moreira, em notícias de jornais, Dilma mandou um recado ao ministro: Pochmann ficaria onde está. (André Barrocal - AE)

DILMA REJEITA A PAZ SALAZARISTA DOS CEMITÉRIOS

Expectativa de manutenção dos juros baixos nos EUA, a ser sancionada na reunião do FED desta quarta-feira, provocou desvalorização mundial do dólar ontem, com recordes de baixa no Brasil, Austrália, África do Sul e Noruega. Juro baixo nos EUA e liquidez ilimitada explicam a perda de competitividade das exportações industriais de países em desenvolvimento --o que é péssimo. Explicam também a voragem dos capitais especulativos que tomam de assalto os derivativos de commodities, elevando os preços dos alimentos para disseminar fome e inflação em todo o planeta. O antídoto oferecido pela ortodoxia equivale a apagar incendio com o lança-chamas: um devastador 'choque de juros' para conter uma alta de preços que independe em certa medida da demanda interna. Ontem, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Dilma, Mantega e outros (leia reportagem nesta pág) deram um chega para lá no jogral mercadista sonorizado pela mídia demotucana. A exemplo do salazarismo dominante em Portugal entre 1932 e 1968, o que se pretende é embalsamar o Brasil em um formol de inflação baixa, com desemprego alto e juros explosivos. Em resumo, a velha e nostálgica paz dos cemitérios rentistas. O funeral foi descartado de maneira lapidar pela Presidenta da República quando disse: "...sempre é melhor enfrentar os problemas do crescimento do que os problemas do desemprego, da falta de renda, da falta de investimento e da depressão econômica".
(Carta Maior; 4º feira, 27/04/2011)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Em SP, PC do B oficializa entrada no governo Kassab

Tradicional aliado do PT aderiu ao governo Kassab com cargo na Secretaria Especial de Articulação para a Copa de 2014
O PC do B, tradicional aliado do PT, agora faz parte do governo do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. A oficialização aconteceu hoje, com a posse do secretário especial de Articulação para a Copa de 2014, Gilmar Tadeu Alves.
Os comunistas esperaram o desligamento de Kassab do DEM e a criação do PSD para integrar em definitivo a base governista na capital, contrariando a vontade do PT municipal. Nacionalmente, o PC do B continua na base do governo da presidente Dilma Rousseff (PT).
A cerimônia de posse do novo secretário contou com a cúpula do partido no Estado e na capital paulista. O vereador Netinho de Paula, pré-candidato do PC do B à sucessão de Kassab, e a presidente do diretório estadual, Nádia Campeão, foram destaques no evento e fizeram discursos acalorados. "O PSD é muito bem vindo na democracia brasileira. Nós saudamos a iniciativa do prefeito de criar um novo partido", cumprimentou Nádia.
A dirigente também elogiou o ideia do PSD de se juntar à base da presidente Dilma Rousseff. "O PSD vai se somar a este caminho", disse. Além de Nádia e Netinho, participaram da posse o deputado federal Protógenes Queiroz, que já manifestou o desejo de disputar a Prefeitura de São Paulo, o deputado estadual Pedro Bigardi e o vereador Jamil Murad.
Ignorando as críticas do PT, que recentemente condenou a aliança entre o PC do B e o prefeito de São Paulo em um manifesto, Netinho argumentou que seu partido trabalha visando o "melhor" para o município. "O PC do B trabalha para o bem da cidade", afirmou o pré-candidato à Prefeitura.
Kassab vem trabalhando nos últimos meses para atrair os antigos aliados do PT. Ao PC do B foi oferecido a secretária especial para a Copa, proposta que, segundo o prefeito, tinha relação com o fato de o partido já ocupar o Ministério dos Esportes, o que poderia estreitar o diálogo com a pasta.
O diretório municipal do PC do B aceitou o convite de imediato, mas foi barrado pelo diretório nacional, que decidiu esperar pelo avanço de Kassab em direção aos partidos da base do governo federal. "A nossa participação (no governo Kassab) está dentro deste grande momento em que o prefeito trafega para a base do governo Dilma", justificou Gilmar Tadeu.
Já o PT, que tinha esperanças de não ver a aliança concretizada, percebeu que as negociações entre Kassab e PC do B já estavam avançadas em dezembro. A prova definitiva veio com o acordo entre o prefeito e o partido para a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal. "Eles estão agora na base do governo e o espaço para diálogo ficou mais restrito", reclamou no último dia 15 o presidente do diretório municipal do PT, vereador Antonio Donato.
Nesta manhã, durante seu discurso, o prefeito ficou à vontade para chamar os antigos oposicionistas de "companheiros" e "amigos do PC do B". "Seja muito bem vindo Tadeu, seja muito bem vindo PCdoB, e que possamos juntos fazer o melhor pela cidade de São Paulo", saudou o prefeito. (iG)

Dilma transfere Conselhão para Moreira Franco

A presidente Dilma Rousseff transferiu o comando da Secretaria do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) da Secretaria de Relações Institucionais para a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência. A transferência ocorre exatamente no dia da primeira reunião do chamado "Conselhão" no governo Dilma. Com a transferência, a secretaria do CDES passa para o comando do ministro Moreira Franco, que tinha imposto essa medida como condição para assumir o cargo. O decreto foi publicado hoje no Diário Oficial da União.

O CDES foi criado em 2003 como órgão consultivo da Presidência. É composto por 90 representantes da sociedade civil, entre empresários, sindicalistas, intelectuais e líderes de movimentos sociais. Na reunião de hoje, que começará às 10h30, no Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, falarão sobre as perspectivas da economia brasileira. (Agência Estado)

Petistas já discutem troca de comando

O afastamento de José Eduardo Dutra da presidência do PT, desde 22 de março, deflagrou nos bastidores uma disputa interna por sua sucessão e atiçou o grupo do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, já descontente com a condução do partido. Com problemas de saúde, Dutra está licenciado do cargo e não avisou ao PT se deixará definitivamente a direção do partido, embora tenha admitido a renúncia em conversas reservadas.

O Palácio do Planalto fará de tudo para manter Dutra no comando do PT. No partido, é ele o interlocutor de confiança tanto da presidente Dilma Rousseff como de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, que tem capitaneado as articulações para as eleições municipais de 2012.

Lula desautorizou os movimentos para substituir Dutra. Não admite discutir a sucessão no PT antes da hora e tem esperança na volta do afilhado político. "A orientação é para ninguém mexer nisso agora. Não podemos agir como urubus", disse um petista que esteve com Lula.

O ex-presidente deve conversar com Dutra hoje ou amanhã, no Rio. Quer saber o real estado de saúde do amigo - portador de forte depressão, agravada por transtorno de ansiedade - antes que ele tome a decisão final sobre seu destino político.

A contrariedade de Lula não é à toa. Desde o fim de março, petistas da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) - a mesma que ele integra, com Dirceu e o próprio Dutra - discutem a troca do presidente do PT, que tem mandato até 2013. Até agora, o mais citado para ocupar a cadeira, em caso de renúncia, é o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

DEM, PSDB e PPS articulam megafusão

Na imprensa nacional não se fala em outra coisa senão na incessante busca por parte do DEM por uma fusão com o PSDB e o PPS, principalmente depois que começou a debandada para o novo PSD, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Isso tudo, com intuito exclusivo de barrar o poderio e hegemonia do PT e seus aliados, em especial na Bahia.
Com base nisso, ninguém menos que o deputado federal ACM Neto (DEM) é tido como um dos principais articuladores. As primeiras conversas entre os oposicionistas teriam começado logo após as eleições de 2010. Contudo, sentindo-se pressionado, o PSDB teria pedido socorro ao presidente do PPS, deputado Roberto Freire, para contrabalancear o ingresso dos democratas. O convite já teria sido aceito.  
No entanto, em conversa com a Tribuna, o democrata baiano negou a articulação de forma veemente e assegurou que neste momento a prioridade não é fusão, mas sim a reestruturação e renovação do Democratas e dos partidos de oposição, de forma que seja estimulada a entrada de novos quadros para disputar as eleições municipais no próximo ano.
 “Isso não tem fundamento. Esse assunto de fusão não está em pauta. Estamos preocupados com a reestruturação da nossa legenda, da oposição, exatamente com o objetivo de saírmos fortalecidos das eleições de 2012”, disse o democrata, justificando que erros do passado não serão mais cometidos.
“No último pleito, em muitas cidades o DEM esteve de um lado e o PSDB do outro. Portanto, a primeira medida dos partidos de oposição está sendo aparar as arestas que existem em alguns municípios”, afirmou.
O deputado reiterou ainda que o fortalecimento das legendas passa pela entrada de novos nomes nas agremiações. Para isso, vai rodar o Brasil para levantar novos quadros entre maio e setembro deste ano, pois em 5 de outubro fecha-se a janela para filiações que visam a disputa de 2012. (Fernanda Chagas – TB)

Bahia: Oposição reage a Bacelar

A entrevista que o secretário municipal da Educação e presidente estadual do PTN,  João Carlos Bacelar, concedeu à Tribuna, publicada na edição de ontem, causou reboliço no seio político baiano, sobretudo com os oposicionistas. Apesar de liderar um partido de oposição, Bacelar declarou que “não há um projeto alternativo ao do governo Wagner”.
O presidente do PSDB na Bahia, deputado Antonio Imbassahy, disse que as afirmações de Bacelar são pertinentes. O tucano reiterou a necessidade de uma oposição consolidada e propositiva, que apresente alternativas aos gestores. Nesse sentido, o líder tucano disse que a articulação com demais oposicionistas, a exemplo do PMDB, PPS, PRP, PR e DEM, está evoluindo e tem o objetivo de apresentar, justamente, um novo projeto para o estado.
Imbassahy afirmou ainda que já nas eleições de 2012 o projeto será posto em prática. O deputado, no entanto, disparou contra o governo e pôs em xeque o êxito da administração de Jaques Wagner (PT). “Agora, a gente ignora qual é o projeto do governador para a Bahia. Nós verificamos que a segurança pública não vai bem, os investimentos que a Bahia liderava no Nordeste hoje são captados por Pernambuco e Ceará... Esperamos receber propostas do deputado Bacelar para mudar a Bahia”.

O ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que disputou o governo nas eleições do ano passado pelo PMDB, também rechaçou as declarações de João Carlos Bacelar. “Tenho muito carinho por Bacelar e o que ele está fazendo é compreensível. Ele quer ganhar a confiança de pessoas às quais ele foi contrário por muito tempo”, disparou. O peemedebista rebateu a falta de projeto alegada por Bacelar.
“Tanto apresentamos projeto que ele mesmo caminhou com a gente na eleição do ano passado. O que há, na verdade, é que não existe muita gente disposta a aceitar o resultado das urnas e Bacelar é uma dessas pessoas. Ele não aguentou por muito tempo o sol da oposição. Foi uma análise completamente equivocada a de Bacelar, mas eu prefiro ficar com o deputado que caminhou com a gente na eleição passada. A teoria dele hoje é a seguinte: ‘Eu amo João Henrique, que ama Wagner. Portanto, eu amo Wagner”, espetou o ex-ministro. (Romulo Faro – TB)

Marina descarta presidir o Partido Verde

Em meio às articulações para mudar o atual comando do PV, a ex-senadora Marina Silva descartou ontem disputar a presidência da sigla. Apesar de liderar o movimento que tenta retirar José Luiz Penna da presidência do PV, Marina disse que não será candidata. “Não pretendo. Desde sempre, falei que eu não estava disputando cargo. Se não, a gente faz o reducionismo no candidato a presidente. O que queremos é pensar o partido como um todo, em rede”, afirmou.
Ao afirmar que não existe o “grupo da Marina” dentro do PV, a ex-presidenciável disse que seria desrespeito com outros nomes da legenda falar em sua liderança na sigla. “O [Fernando] Gabeira, o [Alfredo] Sirkis, essas pessoas têm ideias próprias, provocaram esse movimento antes da minha filiação.” A ex-senadora vem percorrendo o país em reuniões para defender a reestruturação do PV, com mudanças que incluem a eleição interna na sigla para a escolha o seu comando.
No modelo atual, a coordenação nacional elege o grupo que preside as ações do PV. Marina luta contra a reeleição de Penna, mas nega que o movimento tenha como foco retirá-lo do cargo. “O expediente da reeleição não seria mais, e isso não é só para o Penna, mas para todos os diretórios que estão aí.” Marina se reuniu ontem com dirigentes e militantes do PV em Brasília para defender o movimento de reestruturação do partido. (TB)

SERRA E ALCKMIN: A CORDA E O PESCOÇO

Serra & Kassab deram mais um giro na política de destruição do PSDB de SP  criando um cenário de guerra fratricida no coração do governo Alckmin. O esvaziamento municipal das bases do partido, iniciado na semana passada com a saída de sete vereadores da legenda, teve  novo capítulo nesta 2º feira com a desfiliação de Walter Feldman, um dos fundadores da sigla e serrista  notório. Jogado às feras pelo desafeto, Alckmin revira o saco de maldades, amplo, e  expõe à luz do sol  as mazelas  entranhadas na administração serrista nas áreas da educação, transportes, urbanismo etc. A autópsia do ‘grande gestor' ganhou contornos de crime de prevaricação e talvez explique o revide dos serristas no final da tarde da 2ºfeira , com a saída de Feldman. Segundo a insuspeita 'Folha de SP' (25-04)  Alckmin desativou um gigantesco esquema de ‘terceirização' de recursos educacionais que deveriam servir à rede pública  mas foram transferidos pela dupla Serra & Paulo Renato  a convênios privados  na prestação de serviços de ensino de inglês. Detalhe da ‘eficiência do projeto': serviços terceirizados para aulas não obrigatórias, fora do horário regular dos estudantes. Custo do acepipe aos cofres públicos: R$ 41 milhões por ano. Total  destinado a mesma finalidade nos centros de inglês do Estado (sim, eles existem): R$ 810 mil. Em síntese, Serra e Paulo Renato gastaram R$ 507 reais  por aluno fora da rede num projeto no mínimo mal desenhado. Reservaram ao ensino público equivalente R$ 14  por aluno. É a velha  metodologia tucana: sucatear o que é público para legitimar o privado. A guerra suja dentro do PSDB de São Paulo soa como um balão de ensaio: Serra quer se impor nacionalmente como única alternativa  tucana em 2014.  Seus métodos são conhecidos. A disputa assume contornos  de uma embate sem volta entre a corda e o pescoço. Resta saber quem será o pescoço.
(Carta Maior; 3º feira, 26/04/2011)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Oriente Médio: confusão total entre EUA e aliados

Nos últimos 50 anos, a política dos EUA no Oriente Médio foi construída a partir de estreitos laços com três países: Israel, Arábia Saudita e Paquistão. Em 2011, essa política apresenta diferenças significativas com esses três países. Além disso, tem divergências públicas também com Inglaterra, França, Alemanha, Rússia, China e Brasil acerca de suas atuais políticas na região. Parece que quase ninguém concorda com os Estados Unidos nem segue sua linha. O artigo é de Immanuel Wallerstein.