terça-feira, 24 de maio de 2011

Mundo em Movimento: Artigos e entrevistas

Caso Palocci muda postura de Dilma e prenuncia novos rumos

Agravamento da situação do chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, obriga Dilma Rousseff a assumir relação com aliados, para reconstruí-la, aumentar exposição e liberar equipe para produzir notícias. Interlocutor amistoso dos meios de comunicação, ministro surpreendeu-se com tamanho do noticiário sobre suspeita de enriquecimento ilícito. Presidenta manda blindá-lo, mas permanência de Palocci é incerta.
BRASÍLIA – Os partidos adversários do governo começaram, nesta segunda-feira (23/05), a colher assinaturas de deputados e senadores com o objetivo de criar uma CPI para investigar o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, cuja evolução patrimonial nos últimos quatro anos levanta suspeitas de enriquecimento ilícito. Nesta terça-feira (24/05), depois de ter fracassado na Câmara, a oposição tentará obrigar Palocci a comparecer ao Senado para explicar a fortuna.

A ordem da presidenta Dilma Rousseff aos aliados continua sendo “barrar toda e qualquer investida contra o ministro”. Mas o caso agravou-se de maneira inesperada por Dilma e Palocci, e jogar as fichas na permanência do chefe da Casa Civil é hoje uma aposta de alto risco. A troca dele pode ser o desfecho de um processo que já impõe mudanças à rotina do governo, expõe falhas em estratégias adotadas pelo Palácio do Planalto e força uma repactuação da relação presidencial com partidos a parlamentares aliados que terá impacto nos rumos da gestão Dilma.

Um sinal da alteração de hábitos do governo foi a publicação, nesta segunda-feira (23/05), de medida provisória (MP) que corta impostos para quem fabricar tablets (uma espécie de laptop em formato de livro) no Brasil. O governo negocia desde o início do ano a instalação de uma empresa chinesa (Foxxconn) no país, para fabricar o equipamento, mas a benesse fiscal foi apressada para que a imprensa tenha uma notícia positiva.

A viagem de Dilma a Salvador na véspera, um domingo, mesmo sem estar 100% recuperada de uma pneumonia, para assistir a uma beatificação, também foi um movimento planejado para virar notícia pelo menos simpática à presidenta.

Pouco afeita a aparições públicas e com antipatia por entrevistas de ministros e auxiliares deles, a presidenta reconhece, hoje, que o enfrentamento político do constrangimento causado por Palocci depende, em boa medida, de o governo produzir notícias com mais frequência.

“Não existe uma agenda clara do governo, e a Dilma e o Palocci são culpados por isso. O espaço político acaba sendo ocupado por fatos como esse”, diz Fabiano Guilherme Santos, presidente da Associação Brasileira de Ciência Política e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Jogo duro

A discrição natural de Dilma foi aproveitada pelo chefe da Casa Civil para se fortalecer, tomando à frente das relações com o Congresso e os partidos. Com aval da presidenta, Palocci vinha adotando uma estratégia de “jogo duro” com aliados que ele mesmo acredita estar na origem da notícia de que comprou apartamento de R$ 6,6 milhões, multiplicando seu patrimônio por vinte.

O ministro evitava abrir o gabinete a políticos em busca de nomeações de apadrinhados para cargos públicos, inclusive do seu partido, o PT. Para impedir a reação dos ignorados, decidiu que o governo tentaria só precisar do Congresso em votações de grandes temas estruturais, como a reforma política.

“A Dilma tem um deficiência importante, que é a pouca penetração junto ao PT e ao Congresso. Ela é um milagre do Lula. O Palocci supria essa deficiência. Mas, com ele enfraquecido, alguma repactuação [da presidenta] com os aliados vai ser necessária”, afirma o cientista político Fabio Wanderley Reis, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Fogo amigo e novas relações

Nos bastidores, Dilma e Palocci acham que o episódio nasceu exatamente para que haja repactuação com aliados, mesmo que depois tenha adquirido uma dinâmica própria alimentada pelo interesse natural dos adversários de desgastar o governo e por jornalistas atrás de notícias. O ministro, aliás, surpreendeu-se com o tamanho do noticiário a seu respeito, pois achava que sua convivência amistosa com os veículos de comunicação desestimularia-os de dar tanto espaço ao caso.

Três dias depois de ter sido publicada a primeira reportagem contra Palocci, a presidenta recebeu, para um almoço no Palácio da Alvorada, o presidente nacional do PT, Rui Falcão. Nem bem havia assumido o comando do partido, no início de maio, Falcão já declarava que sua primeira tarefa seria negociar 104 indicações petistas para cargos no governo. A lista dos apadrinhados fora enviada a Palocci, que a deixara engavetada.

Maior partido governista ao lado do PT, o PMDB tinha insatisfação semelhante. O líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), só conseguiu falar uma vez com Dilma até agora, ao pegar carona numa audiência da governadora do seu estado, Rosalba Ciarlini, com a presidenta, em fevereiro. Sem conseguir ser atendido por Palocci, o PMDB vinha recorrendo ao vice-presidente, Michel Temer, que é peemedebista, para tentar emplacar seus pleitos.

“A Dilma vai ter que se dedicar muito mais à política propriamente dita, em vez de delegar isso. Sendo ou não do seu perfil, ela não pode ficar eternamente dependente do Palocci e do Temer”, afirma o cientista político João Paulo Peixoto, da Universidade de Brasília (UnB). Para ele, mesmo que não tenha começado como “fogo amigo”, o caso já permite que “amigos” tirem proveito. “O poder é extremamente atraente, não existe vácuo. Com o Palocci fraco, os adversários dele dentro e fora do governo tentarão ocupar esse espaço.”

A luta para ocupar o espaço decorrente do enfraquecimento do chefe da Casa Civil - com ou sem ele no cargo - será determinante para os rumos que o governo Dilma Rousseff terá daqui para frente. (André Barrocal – CM)

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O caso dos bebês enjeitados

O que a imprensa pode fazer – além de noticiar – para ajudar a diminuir o número de crianças recém-nascidas abandonas pelas mães? Essa é a pergunta que fica depois da leitura de um longo artigo publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo no domingo (15/5):
"Foi mais uma semana de crianças abandonadas, inclusive por grande parte da mídia. Na quarta-feira, um catador de lixo encontrou um bebê morto perto de um hipermercado em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Ele procurava latinhas de alumínio quando se deparou com um embrulho de pano inerte entre uma dezena de sacolas não recicláveis. Já na quinta-feira, um homem que cochilava numa igreja evangélica de Manaus foi acordado por outro que ouvira um choro de criança vindo do palco. Os dois acharam uma menina com menos de 12 horas de vida e mais de 3 quilos de peso, também envolta em manta de algodão, que, uma vez na Maternidade Ana Braga, referência em gestações de alto risco, foi batizada de Felícia. Felícia Ana Braga" (O Estado de S. Paulo, 15/5/2011).
Ao dedicar uma página inteira para que a demógrafa Elza Berquó discutisse o abandono de crianças recém-nascidas, o Estadão ainda não tinha recebido mais uma notícia de abandono, registrada pelo UOL no mesmo domingo (15):
"Um bebê foi abandonado na noite de ontem (14/5) dentro de uma sacola plástica, na rua Diadema, em Rio Grande da Serra, na Grande São Paulo. A mãe da criança não foi encontrada. O bebê foi encontrado por uma moradora, por volta das 22h40. Segundo a Polícia Militar, a mulher afirmou que ouviu o choro da criança quando chegou em sua residência e passava pelo quintal. Ela então seguiu o som e encontrou o bebê – do sexo masculino – dentro de uma sacola. A moradora chamou a PM, que encaminhou o menino para o Hospital São Lucas, em Ribeirão Pires, também na Grande São Paulo. A criança, que ainda estava com o cordão umbilical, foi medicada. O Conselho Tutelar também foi acionado."
"Mulher desalmada"
A verdade é que o abandono de crianças recém-nascidas sempre cria comoção, especialmente quando explorado pelos programas policiais vespertinos na televisão. Apresentadores sensacionalistas tentam comover o público com sua indignação, condenam as mães e esquecem o assunto até acontecer de novo. E, como se viu na abertura do artigo publicado pelo Estado de S. Paulo, tiveram muito que falar na semana passada.
Poucas emissoras de TV e jornais, no entanto, reservam espaço para discutir o assunto com seriedade, buscando causas e tentando descobrir soluções para evitar que as mulheres – as grandes culpadas (por engravidar e depois por abandonar o bebê) voltem a agir de forma tão bárbara. Claro que a imprensa não está aí para resolver problemas de saúde pública, educação sexual e assistência materna. Mas poderia, sem dúvida, cobrar soluções do poder público, começando por abrir um sério debate sobre o tema.
Foi isso que fez o Estadão ao dar espaço para a demógrafa Elza Berquó:
"O abandono de crianças no Brasil tem um nome: desespero. Seguido de uma extensa gama de sobrenomes, entre eles falta de escolaridade, falta de informação, falta de acesso aos métodos contraceptivos, falta de apoio e falta de humanidade... Não tenho informação sobre a idade dessas mães que abandonaram os filhos nem sobre o número de crianças que já possuem. Certamente são pessoas mais desfavorecidas socialmente, mas não é só a questão financeira. É uma constelação de fatores. Considero este um momento de total desespero, de não saber o que fazer. É com grande sofrimento que as mulheres praticam esse abandono. Claro que, na hora, a gente se liga àquela criança. Mas onde essa mãe vai deixar o filho? No Conselho Tutelar? Não é assim. Esbravejam: é uma mulher desalmada. Isso é uma forma muito pouco humana de olhar para a situação dela."
Funções da imprensa
Uma coisa é certa: a imprensa sensacionalista não tem direito de explorar esse tipo de situação – condenando sem perguntar antes – em nome do ibope. Se não há espaço para debate, para tentar ajudar, não deveria haver espaço para a exploração da miséria alheia. Essas mães desesperadas deveriam merecer da mídia o mesmo tratamento dado ao casal de Curitiba – o dos trigêmeos – que não queria levar os três filhos para casa e acabou, até onde foi divulgado, ficando sem nenhum. Com dinheiro para contratar um advogado, o casal virou notícia, mas conseguiu manter sua identidade protegida. Bem mais do que acontece com as mulheres pobres que acabam detidas ou obrigadas prestar depoimento em delegacias – vistas e condenadas pelo público espectador de programas sensacionalistas.
Se os programas sensacionalistas – que têm boa aceitação entre o público mais carente – dedicassem mais espaço ao esclarecimento sobre os serviços à disposição de todos (como o fornecimento de pílulas do dia seguinte pelo SUS, ou acompanhamento de futuras mães) poderiam até perder ibope com casos de bebês abandonados, mas estariam cumprindo pelo menos uma das funções da imprensa, que é a de informar. (Por Ligia Martins de Almeida - OI)

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Cultura: mercadoria ou bem comum?

Todo o programa neoliberal, assim como o diagnóstico que levou a ele, pode ser sintetizado em um ponto: desregulamentar. O diagnóstico de por que a economia tinha parado de crescer, depois do ciclo mais longo de expansão capitalista no segundo pos-guerra, se centrou no suposto excesso de regulamentação. O capital se sentiria inibido para investir, por estar cerceado por excesso de normas, leis, políticas, que bloqueariam a “livre circulação do capital”.

Chegado ao governo, o neoliberalismo se pôs a privatizar patrimônio público, a diminuir o tamanho do Estado, a abrir as economias nacionais ao mercado internacional, a “flexibilizar” as relações de trabalho, entre tantas outras medidas padrão codificadas no chamado Consenso de Washington e colocadas em prática por governos às vezes com origens ideológicas distintas, mas todos rendidos ao “pensamento único”. Todas elas são formas de desregulamentação, de retiradas de supostos obstáculos à circulação do capital.

Quando se privatizam empresas, se está levantando obstáculos para que o capital privado se aproprie delas, se está desregulamentando o mercado de propriedade de empresas. Quando se aceita a não obediência a normas básicas da legislação do trabalho para contratar trabalhadores, se está desregulamentando o mercado de trabalho. Assim para todas as medidas do receituário neoliberal.

Promoveu-se assim, rapidamente, o maior processo de concentração de riqueza que tínhamos conhecido, tanto a nível nacional, quanto mundial. Sem proteções dos Estados, os mais frágeis, os mais pobres – a grande maioria de cada sociedade, em especial as periféricas, - se viram indefesos diante das ofensivas do capital e dos Estados centrais do capitalismo.

Direitos, como aqueles à educação e à saúde, foram deixando de ser direitos para se transformar em mercadorias, compráveis no mercado. Quem tem mais recursos, compra mais e melhor, em detrimento de quem não tem. Riquezas naturais, como a água passaram a ser mercadoras, compradas e vendidas.

O Estado, principalmente nas suas funções reguladoras – de afirmação dos direitos contra a voracidade do capital – passou a ser vítima privilegiada dos ataques neoliberais, pregando-se o “Estado mínimo” e a primazia do mercado, isto é, da concorrência feroz, em que os mais fortes e mais ricos ganham sempre.

Até a cultura foi vítima de um grande embate, para definir se se trata de uma mercadoria mais ou de um bem comum. Do ponto de vista institucional o debate se deu para definir se a cultura deveria ser objeto da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, portanto, uma mercadoria a mais, ou no âmbito da Unesco, considerada como patrimônio da humanidade, como bem comum, com as devidas proteções. Terminou triunfando esta segunda versão – apesar da brutal oposição e pressão dos EUA, que chegaram a se retirar da Unesco.

Foi um momento muito importante de resistência ao neoliberalismo, que queria reduzir também a capacidade de cada povo, de cada nação, de cada setor da sociedade, de afirmar suas identidades específicas, dissolvidas pela globalização. Queriam desregulamentar também a cultura, deixá-la ao sabor das relações de mercado, sem proteção de regulações estatais.

Mas o embate não terminou por aí, porque o poder avassalador dos capitais privados, nacionais e internacionais, é um fluxo permanente, cotidiano, buscando expandir seu poder de mercantilização. As TVs públicas, por exemplo, se debilitam no seu papel diferenciado dos mecanismos de mercado que regem as TVs privadas, enfraquecidas pela falta de financiamento, apelam ao mercado e induzem seus mecanismos – como aconteceu tristemente com a TV Cultura de São Paulo.

Programas como o de Pontos de Cultura, do MINC, surgiram na contramão dessa lógica homogeneizadora da globalização na esfera cultural, buscando incentivar e proteger todas as formas de diversidade de cultural, de afirmação da heterogeneidade das identidades de setores sociais, étnicos, regionais, diferenciados.

Muitos outros debates atuais hoje no Brasil – o dos Commons, da propriedade intelectual, dos direitos de autor – são também objeto de duas concepções diferenciadas, uma regulamentadora – anti-neoiberal – outra desregulamentadora, neoliberal, mercantilizadora. No marco mais geral do embate entre neoliberalismo e posneoliberalismo, é que a natureza das posições fica mais clara. Por um lado, as normas protetoras que consideram a cultura como um bem comum, de outro, a desregulamentação, que a consideram uma mercadoria como outra qualquer. Do seu desenlace depende a natureza da cultura no Brasil na segunda metade do século XXI. (Emir Sader)

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Todo o terrorismo midiático sobre o retorno iminente da inflação tem objetivos marotos. Visa defender os interesses do capital, em especial da oligarquia financeira. Para manter seus altos rendimentos, os neoliberais pregam, na maior caradura, a retirada de direitos dos trabalhadores. A mídia rentista cumpre o papel de bater o bumbo!

Dois ataques estão em curso. O primeiro é contra o salário mínimo. A mesma mídia que criticou as centrais sindicais por exigirem um aumento maior em 2011 – acusando-as de “romperem acordos” –, agora prega um reajuste menor em 2012. A desculpa é que o aumento previsto provocará a indexação dos preços, elevando a inflação. Contra os trabalhadores, a mídia defende a manutenção do acordo; já quando o acordo beneficia os trabalhadores, ela defende que seja rasgado. É muito cinismo!

Terceira reforma da Previdência
O segundo ataque também já está no forno. É por uma terceira fase da “reforma” da Previdência. A mídia, a serviço da oligarquia financeira, defende o aumento do tempo de aposentadoria e das contribuições previdenciárias. Em seu editorial de hoje (23), a Folha volta a bater nesta tecla – retomando velhas teses neoliberais.

O conteúdo é o mesmo; o invólucro é que muda. Desta vez, a Folha cita os exemplos da Europa para justificar o ataque. Afirma que no velho continente, devido à grave crise econômica, o tempo de aposentadoria já é mais elevado. Só não explica que a crise não decorre das pensões e aposentadorias, mas sim dos socorros bilionários aos especuladores – que já quebraram as economias da Grécia, Irlanda, Portugal e que contaminam outras nações européias.

Merkel, a heroína neoliberal
Marota, a Folha relata que Angela Merkel, premiê da Alemanha, exige que os países mais abalados pela crise elevem o tempo das aposentadorias para terem acesso a novos empréstimos. A medida, obviamente, esbarra em forte resistência – é uma das razões principais das greves recorrentes na Grécia e da atual onda de protesto na Espanha. Mesmo assim, a Folha afirma que este é o caminho. “Toda proposta de mudança no sistema previdenciário costuma trazer sério risco para a popularidade dos políticos”.

Tendo a neoliberal Merkel como heroína do deus-mercado, a Folha sugere a mesma “coragem” à presidenta Dilma e elogia o novo ministro da Previdência. “Garibaldi Alves Filho acerta ao colocar o tema em discussão. Ele propõe um plano para elevar a 65 anos a idade mínima. A regra valeria só para quem começar a trabalhar após a mudança”.

Alerta ao sindicalismo
A única ressalva à proposta do ministro é que ela ainda manteria o diferencial entre os sexos. “A expectativa de vida das mulheres é superior à dos homens. Parece recomendável, do ponto de vista econômico, a extinção desse diferencial no limite de idade”.

Como se observa, o salário mínimo e as aposentadorias estão no alvo da mídia neoliberal. O sindicalismo precisa ficar bem atento. Prepara-se uma nova ofensiva contra os direitos dos trabalhadores! (Altamiro Borges)

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Assassinato de Bin Laden é peça publicitária para eleições nos EUA, diz historiadora

Uma pesquisa de opinião realizada após o anúncio da morte de Osama Bin Laden indicou um crescimento de 11% da popularidade do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. O líder da rede Al Qaeda se tornou o homem mais procurado do mundo após assumir a autoria dos atentados que vitimaram cerca de três mil pessoas em 11 de setembro de 2001.
A professora Maria Aparecida Aquino, do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista à Radioagência NP, classifica a ação militar dos EUA como execução sumária e acredita se tratar de uma “peça eleitoreira”. Ela lembra que até mesmo os criminosos nazistas tiveram direito a um julgamento ao serem submetidos ao Tribunal de Nuremberg (1945-1946), na Alemanha.
Além de violar o direito de defesa, as decisões de Washington desrespeitaram a soberania do Paquistão ao determinar a invasão do espaço aéreo e terrestre sem o consentimento das autoridades do país. A professora condena as práticas de tortura que indicaram a localização do esconderijo e avalia que, no plano geopolítico, os EUA se comportam como se estivessem no faroeste.
Radioagência NP: Professora, como a senhora avalia a ação militar que resultou na morte de Osama Bin Laden?
Maria Aparecida Aquino: É um assassinato sumário. E ninguém, principalmente no plano das relações internacionais, tem direito disso. Então, está se criando uma situação em relação ao Paquistão extremamente grave. Porque não ocorreu simplesmente a morte de um indivíduo que naquele momento não tinha defesa, sem direito a um julgamento. Ocorreu ainda a invasão do espaço aéreo e do espaço terrestre de outro país. O Paquistão agora afirma com todas as letras que não tinha conhecimento algum. Afinal de contas, se o presidente dos Estados Unidos vai a público e mente para o mundo inteiro, isso é tão grave, tão sério.
RNP: A narrativa oficial é uma peça publicitária para as eleições presidenciais do próximo ano?
MAA: O presidente George W. Bush, quando se elegeu pela primeira vez, era colocado em dúvida se ele de fato teria vencido porque parece que teria ocorrido alguma fraude eleitoral. Aí, veio o 11 de Setembro de 2001. Por conta disso, ele não só ganha legitimidade, como consegue se reeleger. Eu lamento tentar fazer qualquer comparação, é muito grave chegarmos a esse ponto, mas o presidente Obama estava com a popularidade em baixa e de lá [morte do Bin Laden] para cá a popularidade dele subiu. Então, passa também a ser considerado como uma peça eleitoreira.
RNP: Como os EUA deveriam ter agido?
MAA: Em qualquer situação democrática, se tem alguém que cometeu um crime, você não executa essa pessoa, você a submete a um Tribunal. Por mais criminosos que os nazistas foram, eles foram submetidos ao Tribunal de Nuremberg. O mundo inteiro assistiu ao julgamento. Houve um julgamento. O próprio Adolf Eichmann [diretor do Escritório de Assuntos Judeus do regime nazista de Adolf Hitler], considerado um dos maiores criminosos nazistas, quando foi recuperado – digamos sequestrado – pelo comando israelense na Argentina, foi julgado em Israel.
RNP: O presidente Obama declarou que “a justiça foi feita”. Comente.
MAA: É a justiça do saloon. Eu sempre vejo faroeste com aquele barzinho onde todos se reúnem – bandidos e não bandidos. Eu vejo passar o cara armado (os Estados Unidos estão sempre armados, é uma sociedade militarizada, onde todos têm armas). Então, eu vejo passar o sujeito armado e a portinha vai e vem. De repente, duas pessoas se estranham e um atira no outro e fica por isso mesmo. Os Estados Unidos vivem a justiça do saloon. E não é assim. Nós estamos num mundo que tem outras regras civilizatórias
RNP: Como o mundo recebeu a notícia da morte de Bin Laden?
MAA: Fica para trás o crime que ele – não sozinho, mas a Al Qaeda – teria cometido. Extremamente grave. O mundo inteiro se condoeu. Todo mundo dá direito de justiça às vitimas. Ninguém diz que a Al Qaeda estava correta, mas a maneira como os EUA agiram faz com que você esqueça o terror que foi o 11 de Setembro e passe a pensar no terror que foi instaurado agora. Quando eles dizem “o mundo está mais seguro”, seguro para quem? Quem é que está mais seguro agora?
RNP: Qual sua avaliação sobre o fato do corpo ter sido jogado no mar?
MMA: É necessário que se tenha o corpo, com todas as condições que se possa imaginar. E não estou nem falando de não terem obedecido à regra Mulçumana, não estou entrando nesse detalhe. A coisa mais absurda que existe é você imaginar que o corpo foi jogado no mar. Que justificativa tem para isso? Foi tudo coordenado de forma a deixar mais dúvidas do que esclarecimentos. O país que se diz guardião da democracia quebrou todas as regras democráticas.
RNP: As informações sobre a localização do esconderijo foram obtidas mediante tortura. Isso é um agravante?
MMA: Já foi exibido inúmeras vezes o que acontece em Guantánamo [Cuba] e causa horror em todas as pessoas. Todos os países que viveram a experiência da tortura sabem como é terrível se libertar desse mal. E também não se tem muita ideia, quando você vive num ambiente como esse que permite a tortura, como isso está destruindo a própria população. Se você permite a tortura, você diminui como ser humano e como civilização. Não interessa se você está torturando uma pessoa que é criminosa. Nenhuma Constituição do mundo – democrática – admite a tortura. (Jorge Américo - Radioagência)

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Oxi: Nova droga ainda mais destrutiva que o crack

Com aparência e efeitos muito próximos ao do crack, a droga conhecida como oxi, ou oxidado, está chegando em diversos estados do Brasil. As primeiras notícias do seu consumo foram no estado do Acre, na Região Norte do país. Na sua composição podem ser encontrados – além da cocaína, como no crack – cal virgem, querosene e gasolina. Em algumas amostras foram encontrados solventes químicos.
A preocupação com essa nova droga se deve ao fato de ser mais tóxica e mais barata do que o crack. Isso pode influenciar no aumento do consumo e o número de mortes que esse tipo de droga causa. O oxi pode ser encontrado a partir de R$ 2, valor abaixo que o do crack.
Para debater o assunto, a Radioagência NP entrevistou o diretor do Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Elisaldo Carlini. Ele defende que o uso do crack e do oxi precisa ser tratado como um problema social, e não de saúde pública.
Radioagência NP: Prof. Elisaldo, quais são as semelhanças e diferenças entre o oxi e o crack?
Elisaldo Carlini: Tanto o oxi quanto o crack estão sob a forma da chamada cocaína básica. A única forma de fazer com que a cocaína básica chegue até o organismo humano é através de fumar. E essa cocaína é absorvida muito rapidamente através do pulmão, e em cinco a dez segundos já está fazendo seu efeito. Agora pode haver diferenças de impurezas. Por exemplo, o oxi é mais tóxico porque ele é feito a partir de cal virgem, querosene ou gasolina. Quando o indivíduo vai fumar o oxi, ele pode estar fumando a cocaína básica e mais impurezas. E as impurezas do crack são menores.
RNP: E quais são os efeitos provocados por essas drogas nos usuários?
EC: A pessoa perde totalmente o apetite e apresenta uma insônia muito persistente. Isto acaba com qualquer organismo em três ou quatro dias. Além do mais, produz efeitos psíquicos muito claros: inquietação, nervosismo e pode chegar a produzir sintomas de uma pseudo-psicose, chamada psicose cocaínica. Pode ter delírios e alucinações. O que normalmente as pessoas descrevem é que a primeira “pipada” [tragada da droga] dá uma sensação de extraordinário prazer. E eles procuram constantemente repetir esse “tuim” [efeito de prazer], que cada vez fica mais difícil.
RNP: E quanto aos problemas causados no longo prazo?
EC: O continuar do uso é que é o grande problema. Se o oxi foi feito com gasolina, com querosene, quantas porcarias se têm? Então, se tem reações tóxicas secundárias, que são devidas aos problemas das contaminações. Pode levar a problemas no fígado, pode irritar a mucosa brônquica e pode anestesiar a boca, a mucosa da boca. Não percebendo isso, ele pode ter fissuras nos lábios, e passando essa latinha de boca em boca, ele pode se contaminar e contaminar os outros. E o outro aspecto também é o processo da degeneração social. As pessoas fazem de tudo, como roubo e a prostituição de ambos os sexos.
RNP: Pode ser traçado um perfil do usuário de oxi?
EC: Do oxi eu não conheço, mas pelas fotos e descrições que eu vi, não tem muita separação. Atinge várias classes sociais, antigamente eram os mais pobres, não é mais. Aqui em São Paulo e Rio de Janeiro pelo menos, nem em Pernambuco. Começa a atingir mais as classes médias. São jovens, eu não conheço nenhum caso de adultos. E quase todos, quando começam, eles não param. E eles atingem uma degradação muito grande, o aspecto físico é lamentável. É um perfil comum do usuário fim de linha, como a gente chama.
RNP: Na opinião do senhor, como o debate sobre o problema do crack e agora do oxi deveria ser feito na sociedade?
EC: Temos que pensar aqui que não é um problema de saúde pública, mas um problema de prevenção. Fazer uma prevenção para evitar que a pessoa chegue até o crack. Segundo lugar, o usuário de crack já perdeu seus elos sociais, familiares, de emprego, situação econômica, amizade. Ele está praticamente isolado do mundo. Se ele se trata e consegue se curar, ele volta pra onde? Ele volta pra uma família que já o rejeitou? Ninguém confia nele para um emprego. Os amigos já foram embora. Ele é jogado de volta exatamente na condição em que ele estava. Teria que haver um programa muito sério de reabilitação social, de procurar um reemprego, ensinar uma profissão, fazer com que ela possa ser reaceita em uma escola. Enfim, fazer com que ele passe a ter um novo ambiente social. (Vivian Fernandes - Radioagência)

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A(s) histeria(s) da(s) crise(s)

Em tempos de bonança, as classes dominantes apregoam cinicamente que vivemos no melhor dos mundos. A própria burguesia, em sua infância revolucionária, nos idos do séc. 18, condenava os “excessos” da aristocracia e avocava para si os signos de equilíbrio, rigor e harmonia, cuja expressão estética mais conhecida foi a literatura árcade e a arte neoclássica em geral. Já em tempos de crise, não há lugar para o comedimento, como nos atesta o exuberante Barroco espanhol, síntese dos contrastes vividos pelo mundo ibérico após a unificação com os reis católicos Isabel e Fernando. Senhora formal de um império, mas empenhada nas mãos dos capitais estrangeiros, a monarquia viveu a tensão entre a miséria e a acumulação, o material e o espiritual, o lixo e o luxo... Não por acaso, tamanha inquietude iria gerar um dos símbolos mais notáveis de suas letras: o “conquistador” Don Juan, sublimação última talvez da depressão que se estenderia até a perda de Cuba e Filipinas em 1898.
Nascia o império de Tio Sam, ainda sob o reinado da Inglaterra, e o “curto” século 20 passaria a vivenciar ciclos cada vez mais imprevisíveis de crise e distensão, amplificados, por fim, pelo processo de globalização neoliberal e a atual etapa biocibernética de acumulação de capital. Em tempos tão “voláteis”, um clima de permanente histeria parece incorporar-se à vida pública cotidiana. Como já dissera o sábio Karl Marx, tudo que é sólido se dissolve no ar... – e o risco de mais um colapso do sistema capitalista nas matrizes (e periferia) do G7 parece anuviar o sono de muitos governantes.
Contudo, quanto mais iminente a queda, maior a desfaçatez e ostentação das elites. Até aqui, nesta venal Bruzundanga, os historiadores recordam o fausto e a mesa farta dos “coronéis” nordestinos, quando os engenhos de cana ficaram de “fogo morto” no limiar do séc. 20. Pois esse é o clima atual, após a crise financeira global deflagrada pela bolha imobiliária dos EUA e acirrada por insólitos eventos ao redor do planeta. Que o diga o bom-mulato Obama, já em plena campanha para a sucessão em 2012: como não pode sanar a astronômica dívida pública de Tio Sam, nem evitar a incursão voraz dos chineses nos mercados alheios, trata de alimentar a histeria doméstica (e, se possível, a europeia), anunciando em tom épico o assassinato (?) de Bin Laden, cujo corpo, em “respeito às tradições muçulmanas” (!), teria sido lançado ao mar em menos de 24 h. (Pano rápido...)
Que semana alucinada essa, meus caros leitores! Eu já tivera de suportar a overdose midiática de mais um casamento da realeza britânica (uma reedição modernosa do velho conto da carochinha, com o príncipe e a plebeia), coberto ao vivo pelas principais redes de TV, assim como o vertiginoso processo de beatificação do Papa João Paulo II pelo Vaticano. Isso sem falar na feérica sanha de invasão da Líbia, cujo roteiro foi (mal) escrito a várias mãos por Obama, Sarkozy, Cameron, Berlusconi & Cia. (pode-se ler CIA, sem problemas). É bem verdade que, após a entrada da OTAN em cena (o bom-mulato não gosta de sujar as mãos...), a aventura tornou-se um trágico pastelão e até a Igreja protestou contra o genocídio provocado pelos célebres bombardeios “cirúrgicos” da ‘Aliança Militar’, de triste memória na Iugoslávia.
Se não bastasse tanta arritmia, o próprio futebol padeceu as sequelas dessa onda. Falo do duelo entre Real e Barcelona: em meio à aguda crise da Espanha (com altíssima taxa de desemprego e risco enorme de bancarrota), os madrilenhos evocaram seu passado franquista contra a Catalunha (bastião da causa republicana) e, sob as ordens do arrogante português Mourinho, têm atuado em clima de ‘Guerra Civil’ (até a Globo, ávida por espetáculos, abriu espaço em sua sagrada “grade” para a peleja). Cá na terra de Noel, avesso a tamanha bulha, torço discretamente pelos catalães, que, embora não estejam imunes à histeria do capital (o futebol, antes de tudo, é um colossal negócio), jogam como um samba de Paulinho da Viola, tocando a bola, como o marujo “que durante o nevoeiro leva o barco devagar”... (Luís carlos Leitão - Brasil de Fato)
Org.: Genaldo de Melo

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Declaração final do Foro de São Paulo

O XVII Encontro do Fórum São Paulo, reunido em Manágua, por ocasião do 50º Aniversário da fundação da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), da Nicarágua, e 116 anos do nascimento do General Augusto C. Sandino, contou com a participação de 640 delegados de 48 partidos membros pertencentes a 21 países e 33 convidados de 29 partidos pertencentes a 15 países da África, da Ásia e da Europa.

As organizações e participantes presentes no XVII Encontro debateram durante cinco dias temas de grande interesse para os povos latino-americanos e para toda a humanidade, tais como: o projeto alternativo das forças populares, progressistas e de esquerda na América Latina e no Caribe; as conquistas dos governos e parlamentos nacionais, estaduais e locais impulsionados pelos partidos do Fórum; a crise internacional, em todos seus aspectos -econômica, alimentar, energética, climática, social e política-; a luta pela descolonização e pela soberania nacional; as ameaças e tragédias causadas pelas políticas do imperialismo e pela direita, tais como o narcotráfico e o crime organizado, que atentam contra a paz, os direitos humanos e os direitos dos povos.

Debatemos, também, assuntos de importância transcendental, como a necessidade de democratização da informação, a comunicação e a cultura; a luta para ampliar os direitos e a participação das mulheres, dos jovens, das etnias e dos povos originários; a defesa dos direitos dos trabalhadores migrantes e de suas famílias; os desafios dos movimentos sociais; a temática da defesa e da segurança.

Os partidos políticos participantes no XVII Encontro que já governamos uma importante quantidade de países em nosso continente reafirmamos nossa firme disposição a continuar construindo uma mudança de época, o que inclui alcançar novos avanços da esquerda e das forças populares e progressistas latino-americanas e caribenhas nas eleições deste ano de 2011; na Argentina, para derrotar a direita e aprofundar as mudanças; no Peru, com um patriota identificado firmemente com a democracia e comprometido com que a prosperidade econômica chegue aos setores empobrecidos de seu país, Ollanta Humala; na Nicarágua, com o experimentado combatente e estadista, líder revolucionário sandinista, Comandante Daniel Ortega; e, na Guatemala, com a lutadora pelos direitos de nossos povos originários e Prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchú, como candidata de todas as forças unidas da esquerda no que se constitui uma conquista histórica que nos enche de júbilo.

O Fórum de São Paulo felicita por sua valentia e sua vocação indeclinável pela democracia ao presidente Rafael Correa por ocasião do inquestionável triunfo obtido no referendo para o estabelecimento de políticas que aprofundem o processo de mudanças vivido no Equador.

As vitórias da esquerda desde a eleição do Comandante Hugo Chávez, em 1998, até o triunfo da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), com Mauricio Funes, em 2009, expressam nossa fortaleza política, em parte como resultado do rechaço ao neoliberalismo e à política tradicional; porém, sobretudo, pela atividade política organizada da esquerda que, desse modo, alcançado não só por governos nacionais, mas também por governos locais, governos territoriais e espaços nos poderes legislativos. A partir dessas novas posições de poder político colocamos como objetivo a desmontagem do modelo neoliberal e a construção de uma alternativa que responda às demandas imediatas e históricas de nossos povos.

As políticas de governo impulsionadas pela esquerda e por forças populares e progressistas latino-americanas e caribenhas, orientadas para a redistribuição da riqueza, para o controle dos recursos naturais, para a crescente participação dos cidadãos e dos setores sociais na vida política e econômica acompanhada da correspondente institucionalização de tais processos, marcam o rumo para esse processo de mudança que tem como ponto de referência inicial a necessidade de formular e construir projetos alternativos ao neoliberalismo. A redistribuição do ingresso; a democratização da comunicação e da defesa da soberania nacional constituem bandeiras comuns e indeclináveis das forças de esquerda no continente.

A superação do neoliberalismo surgirá da diversidade dos processos nacionais, da unidade das forças progressistas e de esquerda, de sua consolidação, do aprofundamento das mudanças e, como parte dela, da radicalização da democracia, o que poderá habilitar etapas superiores do desenvolvimento social. A crise capitalista em curso representa novos desafios para os movimentos sociais não somente a denúncia do modelo neoliberal, mas também a construção de alternativas históricas.

As políticas e avanços das forças de esquerda no governo a favor dos setores populares de nosso continente se manifestam em projetos de construção social que se correspondem, cada um deles, com as realidades dos países correspondentes, entre os quais sempre se destacou a Revolução Cubana, nesse momento empenhada uma vez mais em seu aperfeiçoamento, mediante a atualização de seu modelo econômico com a mais ampla participação popular, o que adquire um significado muito particular, levando em consideração que o processo revolucionário na maior das Antilhas tem sido fonte de inspiração para os revolucionários do mundo e que sem sua contribuição não teria sido possível o auge da esquerda e do movimento popular na América Latina, com a chegada do novo século.

Nos pronunciamos uma vez mais repudiando a terrível injustiça, a arbitrariedade, a falta de ética e a dupla moral aplicada pelo imperialismo norte-americano contra os cinco heróis cubanos lutadores contra o terrorismo, que são mantidos encarcerados enquanto, por outro lado, se protege e absolve de delitos menores a um terrorista confesso e delinqüente, como Luis Posada Carrilles, e enquanto se aplica, há cinquenta anos o mais prolongado bloqueio jamais exercido contra qualquer país do mundo, com o objetivo de render pela fome e pelas enfermidades a todo um povo pelo fato de ter decidido construir seu próprio destino de uma forma que não é do agrado dos poderosos do mundo.

Processos revolucionários e de mudança social progressista se desenvolvem na América Latina, mostrando com suas políticas e com o impulso de projetos alternativos, que os interesses populares somente podem ser defendidos com efetividade ao contar com uma força política organizada que faça guerra à direita, à oligarquia e ao imperialismo. Mostra disso e das políticas antes assinaladas, além da Revolução Cubana e de seu exemplo já mencionados antes, são: a Nicarágua, com sua Revolução Sandinista novamente em marcha, cristã, socialista e solidária; a Venezuela, com a Revolução Bolivariana e a construção do socialismo do século XXI; El Salvador, com o deslocamento do poder da oligarquia para a grande maturidade da FMLN em relação às suas alianças com o governo que começou mudanças favoráveis no país; bem como as grandes mudanças no Brasil e no Uruguai; a Bolívia, com a construção do Estado Plurinacional e o socialismo comunitário; o Equador, com a Revolução Cidadã; o Paraguai, alcançando melhorias notáveis nas condições de vida de seu povo; a Argentina, resgatando o país da prostração e da débâcle na qual o neoliberalismo o havia atirado e promovendo novos direitos.

Contudo, os êxitos obtidos nas lutas recentes não devem levar-nos a desconhecer o perigo que nos ameaça, com o contra-ataque do imperialismo, da direita e das oligarquias locais em nosso continente, a serviço de quem as bases militares estrangeiras em diversos países e territórios coloniais encontram-se prontas para atuar em qualquer momento. Da mesma forma, em seus ataques contra os governos progressistas e revolucionários a direita tem recorrido sistematicamente à fraude eleitoral, cujo exemplo mais evidente é o do México; e tem retomado o uso de golpes de Estado que foram derrotados pelas forças populares na Venezuela, na Bolívia e no Equador.

O Fórum de São Paulo reafirma seu apoio à Frente Nacional da Resistência Popular de Honduras (FNRP) em sua luta de resistência contra o governo atual que não é senão uma prolongação do golpe de Estado perpetrado contra o governo de José Manuel Zelaya. Acompanhamos o processo de mediação em curso para o regresso do Presidente Zelaya.

Reafirmamos que, enquanto as demandas da FNRP não sejam cumpridas, não aceitamos o regresso de Honduras aos espaços internacionais dos quais foi corretamente expulsa, tais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Sistema de Integração Centro-americano (Sica), que se encontra em uma verdadeira paralisia como parte de toda uma crise gerada pelo golpe de Estado.

Reiteramos nossa firme convicção de que o conflito interno na Colômbia, com profundas raízes históricas e socioeconômicas, somente pode ser resolvido pela via da negociação política. Reafirmamos nosso apoio ao Polo Democrático Alternativo, partido da unidade da esquerda colombiana e único partido da oposição.

Expressamos nossa solidariedade com a luta do povo haitiano pela reconstrução de seu país, pela superação das consequências das políticas que o levaram à miséria, incluídas as desenvolvidas ante os desastres naturais e em defesa de sua soberania frente ao intervencionismo dos Estados Unidos e outras potências imperialistas.

O XVII Encontro do Fórum de São Paulo acontece em momentos particularmente complexos e dramáticos em âmbito mundial. As rebeliões populares nos países árabes, entre as quais se destacam Tunis e Egito nos mostram que os povos não permanecem passivos eternamente; porém, também nos recordam que a reação mundial e o imperialismo não permanecerão nunca indiferentes e farão o que seja para frustrar o impulso revolucionário dessa rebeldia.

Destacamos a flagrante violação da soberania nacional da Líbia, cujo povo está sendo bombardeado pelas forças da Otan no que se constitui um ataque massivo das potências imperialistas do mundo contra uma só nação soberana e independente que, portanto, tem o direito de escolher por si mesma o regime socioeconômico e político que mais lhe convenha e que corresponda às suas próprias aspirações, à sua cultura e à sua forma de ver o mundo e a vida; bem como resolver sem imposições externas seus problemas e conflitos internos.

O Fórum de São Paulo demanda o cessar da agressão imperialista contra o povo líbio, começando com a suspensão imediata dos bombardeios; da mesma maneira que propõe a necessidade de um cessar fogo por ambas as partes em conflito dentro da Líbia, pondo fim na confrontação fratricida,com a finalidade de alcançar uma solução pacífica a guerra civil, sem condições prévias que somente obstaculizam os esforços que possam ser feitas para alcançar a paz.

Nesse sentido, fazemos nossas todas as iniciativas que promovem a paz na Líbia, tais como as que a Alba (Aliança Bolivariana entre os Povos de Nossa América), da União Africana e do grupo integrado pelo Brasil, pela Rússia, pela Índia, pela China e pela África do Sul.

Nos solidarizamos com a luta do povo palestino pela criação de um Estado nacional independente e saudamos o acordo entre suas diversas forças políticas ao mesmo tempo em que exigimos o restabelecimento das fronteiras existentes em 1967. Saudamos e manifestamos nosso apoio ao povo Saharaui e da República Árabe Saharaui Democrática pelo reconhecimento de sua soberania nacional e chamamos à Organização das Nações Unidas (ONU) para intensificar os esforços para que o povo saharaui possa exercer seu direito à autodeterminação mediante um referendo de acordo ao direito internacional.

O Fórum de São Paulo reitera sua posição de que o terrorismo não se pode combater com mais terrorismo, desprezo à soberania nacional, violência contra civis e execuções individuais;

As elites de poder nos países dominantes recorreram ao estigma do terrorismo para criminalizar a justa luta dos povos por sua liberdade e em defesa de seus direitos, enquanto, por outro lado, se pratica o terrorismo de Estado e, para alcançá-lo, faz-se uso do pretexto das ações "humanitárias”. Denunciamos também a pretensão dos EUA de impor sua agenda de Segurança Hemisférica, particularmente em alguns países cujos governos de direita impulsionam a militarização da segurança pública, ameaçando a democracia, a paz e os direitos humanos.

Em um mundo globalizado, onde as forças da reação mundial e do imperialismo atuam de maneira cada vez mais agressiva e em um momento caracterizado por uma das mais profundas e integrais crises do sistema capitalista, são mais necessários do que nunca os processos de integração, uma das garantias para que nosso continente tenha uma identidade e um peso específico com capacidade de influência no mundo atual.

Nesse sentido, é oportuno destacar a derrota da iniciativa norte-americana da Aliança de Livre Comércio das Américas (Alca) e o impulso de alternativas como a Aliança Bolivariana dos Povos da América Latina e do Caribe (Alba), iniciativa que se destaca entre os espaços de integração e de união latino-americana e caribenha, pela prática sistemática da solidariedade entre os povos, o melhoramento nas condições de vida e em defesa dos direitos sociais dos setores populares nos países que fazem parte dessa aliança e em outros que, sem ser membros, beneficiaram-se de seus projetos específicos.

Uma importantíssima expressão de integração continental soberana é a Unasul, onde os países sul-americanos avançam na defesa dos interesses comuns de nossos povos. Saudamos o papel da Unasul contra os golpes de Estado na Bolívia e no Equador e com o acordo colombo-venezuelano de Néstor Kirchner como primeiro secretário geral desse organismo.

Um verdadeiro acontecimento histórico está se gestando desde o momento em que unanimemente os países membros do Grupo do Rio decidiram a conformação de uma nova organização continental que agrupará a todos os países da América Latina e do Caribe: a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). Demandamos a inclusão de Porto Rico nesse organismo como uma forma de avançar na luta para conseguir o reconhecimento pleno de seu direito à soberania nacional.

A persistência do colonialismo constitui uma situação particularmente grave em nosso continente que atinge diretamente a Porto Rico, a Martinica, a Guadalupe, a Curaçao, a Aruba, a Bonaire, a "Guiana Francesa” e às Ilhas Malvinas argentinas, o que constitui um obstáculo para a realização completa do processo de integração ao mesmo tempo em que representa uma ameaça à soberania dos povos da América Latina e do Caribe. O Fórum de São Paulo reafirma sua solidariedade com os povos de todos os continentes que lutam pelo respeito de sua soberania e se opõem à dominação e à exploração.

O imperialismo, a direita continental e as oligarquias pretendem retardar e impedir a integração continental. Esse foi o propósito da Alca, bem como dos Tratados de Livre Comércio e também do Acordo do Pacífico, assinado em Lima e que reuniu aos governos do México, da Colômbia, do Peru e do Chile interessados em um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos e alinhados à política exterior de Washington.

Destacamos que o Fórum de São Paulo realizará seu próximo encontro em Caracas em solidariedade com a Revolução Bolivariana, com motivo da instalação da Celac e no marco do Bicentenário de nossas independências.

Deve-se ressaltar a vital importância que nesse XVII Encontro do Fórum de São Paulo teve o debate sobre os temas da estratégia e do modelo alternativo da esquerda latino-americana e caribenha, e a unidade dos povos de nosso continente para a defesa de seus interesses frente às ações das grandes potências e pretendem perpetuar sua dominação histórica que nos sumiu na miséria e nas injustiças sociais. Somente unidos poderemos vencer e essa é a razão de ser do Fórum de São Paulo como espaço de encontro das forças populares, progressistas e revolucionárias que lutam por um continente com justiça, liberdade e prosperidade e um futuro socialista para nossos povos.

É importante destacar que a Nicarágua, país sede desse XVII Encontro do Fórum de São Paulo, dispõe-se a um novo triunfo da esquerda latino-americano e caribenha no mês de novembro com seu candidato, o Comandante Daniel Ortega, a quem oferecemos todo o nosso apoio. O XVII Encontro do Fórum de São Paulo conclui expressando sua profunda gratidão ao povo nicaragüense e manifestando seu mais firme respaldo ao triunfo da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).

Viva a Unidade dos Povos da América Latina e do Caribe!

Manágua, 20 de maio de 2011.

Fonte: Adital

Notícias do Mundo em Movimento

Obama tenta tranquilizar Israel sobre visão do Oriente Médio
WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, procurou acalmar a fúria de Israel no domingo sobre suas novas propostas de paz no Oriente Médio, deixando claro que o Estado judeu será provavelmente capaz de manter alguns assentamentos em qualquer acordo final com os palestinos.
Obama, dirigindo-se aos maiores defensores de Israel nos Estados Unidos, repetiu sua opinião de que as negociações de paz congeladas há muito tempo devem começar a ser discutidas com base nas fronteiras do Estado judeu de 1967.
A afirmação enfureceu Israel, expôs um abismo profundo nas relações do país com Washington e levantou ainda mais dúvidas sobre a perspectivas de paz.
Mas Obama, em seu discurso para o mais poderoso grupo de lobby pró-Israel, procurou aliviar as tensões com o aliado dos EUA sobre seu apoio, três dias antes, a uma antiga reivindicação palestina quanto às fronteiras de seu futuro Estado.
Obama salientou esperar que os dois lados negociem um acordo que inclui a troca de terras, levando em conta as "novas realidades demográficas no solo", sinalizando que Israel teria permissão para manter alguns assentamentos judaicos construídos em territórios ocupados.
O discurso aconteceu após um encontro na Casa Branca, na sexta-feira, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que alertou Obama contra a busca da paz "com base em ilusões" e afirmou que Israel nunca vai recuar para as fronteiras antigas, que ele considera "indefensáveis."
Netanyahu rapidamente manifestou o seu apreço pelos comentários de Obama no domingo, dizendo em um comunicado: "Estou determinado a trabalhar em conjunto com o presidente Obama para encontrar formas de retomar as negociações de paz."
A presença de Obama na assembleia anual do American Israel Public Affairs Committee (AIPAC) serviu como um lembrete austero de que sua nova fórmula de paz no Oriente Médio pode lhe custar o apoio entre os eleitores judeus e pró-Israel e dos doadores de campanha, no momento em que se prepara para a reeleição em 2012.
A questão principal é que Obama acolheu uma exigência muito importante para os palestinos: a de que o Estado que eles reivindicam nos territórios ocupados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza deve ser, em grande parte, desenhado ao longo das linhas existentes antes da guerra de 1967, quando Israel conquistou os territórios e Jerusalém Oriental.
A proposta levaria à troca de terras para compensar a manutenção de alguns assentamentos israelenses na Cisjordânia.
"Por definição, isso significa que as próprias partes -- israelenses e palestinos -- vão negociar uma fronteira que é diferente daquela que existia em 4 de junho de 1967. Isso é o que mutuamente acordamos sobre o significado de troca de terras", disse Obama. (Matt Spetalnick e Caren Bohan | Reuters)
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Talibã do Afeganistão diz que líder está "vivo e bem"
CABUL (Reuters) - O Taliban afegão desdenhou nesta segunda-feira como "propaganda" relatos da mídia de que seu recluso líder, o mulá Mohammad Omar, foi morto no Paquistão, dizendo que ele está vivo no Afeganistão e que promete continuar a insurgência.
Autoridades de segurança paquistanesas e diplomatas, comandantes militares dos EUA e funcionários do governo do Afeganistão questionaram os relatos de que Omar, um dos homens mais procurados do mundo, foi assassinado enquanto viajava entre Quetta e o Waziristão do Norte, no Paquistão.
"Ele está vivo e bem no Afeganistão", disse Zabihullah Mujahid, porta-voz do Taliban, à Reuters por telefone de um local não revelado. "Rejeitamos com veemência essas alegações sem fundamento de que o mulá Mohammad Omar foi morto."
"Isto é propaganda do inimigo para enfraquecer o moral dos combatentes."
Um porta-voz da agência de inteligência afegã, o Diretório Nacional de Segurança (NDS na sigla em inglês), disse que suas fontes sabiam que o mulá Omar vinha residindo na cidade paquistanesa de Quetta, na região do Baluquistão, mas que recentemente desapareceu.
"Podemos confirmar que ele desapareceu de seu esconderijo em Quetta, no Baluquistão, nos últimos quatro ou cinco dias", declarou Lutfullah Mashal, porta-voz da NDS, em coletiva de imprensa.
"Não podemos confirmar se ele está vivo ou morto."
Omar, que usa uma longa barba e é caolho, raramente é visto em público. Com uma recompensa de 10 milhões de dólares por sua cabeça, ele fugiu com o resto da liderança do Taliban afegão depois que sei governo foi derrubado por forças afegãs apoiadas pelos EUA no final de 2001. Eles formaram a "shura de Quetta", ou conselho de liderança.
O Taliban foi deposto por se recusar a entregar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.
Bin Laden foi morto por uma equipe de elite dos fuzileiros navais dos EUA em uma cidade pouco distante da capital paquistanesa, Islamabad, encerrando uma perseguição que se arrastou por mais de dez anos.
A morte de Bin Laden foi um golpe a uma Al Qaeda já fragmentada, mas seu efeito em grupos armados dispersos como o Taliban do Afeganistão e do Paquistão não ficou tão evidente.
(Reportagem de Ismail Sameem em Candahar, Hamid Shalizi em Cabul, Christopher Allbritton, Kamran Haider e Rebecca Conway em Islamabad)
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México apresentará candidatura de Agustín Carstens para comandar o FMI
México apresentará formalmente a candidatura de Agustín Carstens, presidente do Banco Central, para dirigir o Fundo Monetário Internacional (FMI), dando um passo à frente na luta das potências emergentes para dirigir o organismo.
O secretário da Fazenda, Ernesto Cordero, "apresentará a candidatura de Agustín Carstens, atual presidente do Banco do México (Banxico-central) para ocupar a posição de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional", disse indicou a Secretaria em um comunicado à imprensa.
A extensa trajetória de Carstens "no setor financeiro, tanto no México como em nível internacional, o coloca como o candidato idôneo para ocupar o posto de diretor-gerente" do FMI, organismo do qual chegou a ser vice-diretor-gerente, indicou a Secretaria da Fazenda e de Crédito Público.
O México, segunda maior economia da América Latina, defendeu que a escolha dos chefes de organismos internacionais seja realizada de maneira aberta, transparente e baseada em méritos, princípio refletido nos acordos do G-20, acrescentou o documento, seguindo as declarações recentes de países emergentes como Brasil e China.
Carstens, governador do Banxico desde janeiro de 2010, ocupou no passado o cargo de ministro da Fazenda e teve que enfrentar a crise financeira internacional desencadeada no final de 2008 nos Estados Unidos, que arrastou a economia mexicana com uma queda do PIB de 6,5% em 2009. (Lionel Bonaventure - AFP)
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Partido Popular assume liderança em eleições locais na Espanha
MADRI (Reuters) - O Partido Popular espanhol, de centro-direita, assumiu a liderança nas eleições locais de domingo, que devem trazer grandes derrotas para os socialistas após uma semana de protestos contra o desemprego elevado no país.
Com 47 por cento dos votos apurados, o PP tem 36 por cento dos votos, enquanto os socialistas têm 28 por cento. O restante foi dividido entre um leque de partidos menores.
Dezenas de milhares de espanhóis protestaram em cidades de todo o país durante a semana inteira, exortando os eleitores a rejeitar os dois principais partidos políticos da Espanha.
No sábado à noite, cerca de 30 mil pessoas protestaram na Puerta del Sol, centro de Madri, segundo testemunhas. Analistas disseram que os protestos teriam apenas um impacto marginal sobre a votação, com as pesquisas já mostrando derrotas para os socialistas.
"Eu votei para o PP, porque os socialistas estão fazendo um trabalho muito ruim... É verdade que houve uma crise mundial, mas Zapatero não reagiu a tempo", disse Jesús Lopes, um homem aposentado que votou em Madri.
Os espanhóis vão eleger mais de 8.000 administrações de municípios e 13 das 17 câmaras regionais.
O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, aplaudido no exterior por sua disciplina fiscal durante a crise da zona do euro, tornou-se impopular em seu país com a estagnação da economia.
Quase metade dos espanhóis com idades entre 18 e 25 está desempregada, mais do que o dobro da média da União Europeia.
Os socialistas devem perder em regiões como Castilla-La Mancha, ao sul de Madri, onde eles têm controlado a câmara regional ao longo de décadas, assim como em Sevilha, onde estão no poder há 12 anos.
Os socialistas, na administração nacional desde 2004, também devem perder as próximas eleições gerais, previstas para março de 2012, mas podem ter uma recuperação se grandes perdas no domingo desencadearem mudanças na liderança dentro do partido. (Fiona Ortiz - Reuters)
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Crise política invade agenda de governadores do PT
Na esteira da crise envolvendo o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, o presidente do PT, Rui Falcão, vai se reunir hoje com os cinco governadores petistas, em Brasília. O encontro será na residência do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, em Águas Claras. A pauta oficial é a reforma política, bandeira que o PT tem levantado na tentativa de aprovar no Congresso o financiamento público das campanhas eleitorais.
Embora a reunião tenha sido marcada antes de estourar o escândalo que atingiu o principal articulador político do Planalto, a estratégia de defesa de Palocci não escapará das conversas reservadas e da avaliação conjunta dos governadores petistas. Não é só: os governadores, que vão assinar ali a Carta de Brasília, também estão de olho na montagem do segundo escalão do governo federal, pois todos indicaram nomes para vagas em estatais.
O problema é que, muitas vezes, há mais de um apadrinhado para a mesma cadeira e várias disputas entre Estados. No Ceará, por exemplo, o governador Cid Gomes, que é do PSB, assiste a uma poderosa briga entre petistas para definir quem será o novo presidente do Banco do Nordeste (BNB).
Mesmo com Palocci alvejado, a distribuição dos cargos deve ser acelerada nesta semana para conter as insatisfações na base aliada. Todos os nomes têm passado pelo crivo da presidente Dilma Rousseff, que até agora optou pela tática de tensionamento, para não ceder à pressão dos envolvidos. (Vera Rosa -AE)
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Kassab quer regras sobre conflitos de interesses públicos
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), afirmou hoje na capital paulista que defende regras com relação a conflitos de interesse, numa referência à crise política envolvendo o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, acusado de multiplicar o seu patrimônio por 20 em quatro anos. "Eu defendo sempre as ações do Poder Público, Judiciário e do Legislativo que dão condições à sociedade brasileira de acompanhar qualquer processo que envolva a administração pública. Que venham novas regras que possam evidentemente zelar pela democracia e pelo bom uso dos recursos públicos", disse, durante rápida passagem pela Convenção Estadual do Partido Progressista (PP) que acontece hoje em São Paulo.
Ele afirmou ainda que "assim como todos os brasileiros" está aguardando explicação do ministro Palocci sobre a multiplicação de seu patrimônio e torcendo para que o caso seja esclarecido da melhor forma possível.
Kassab disse que esteve na convenção do PP - cujo presidente do Diretório Estadual da legenda é o deputado federal Paulo Maluf - não como partidário, mas como prefeito. "Vim como prefeito. Seria até deselegante pensar como partido. Assim como em todas as convenções, vim para dar o apoio, para dar o abraço da cidade de São Paulo", esclareceu, acrescentando que voltará para o ato solene da convenção, às 11 horas, que contará com a participação do vice-presidente da República, Michel Temer.
O prefeito também comentou que neste e no ano seguinte continuará administrando a cidade de São Paulo, e que apenas vai começar a pensar nas próximas eleições em 2012. (Suzana Inhesta - AE)
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PCdoB deve lançar candidato à Prefeitura de Aracaju
Em entrevista a Rádio Liberdade AM, o presidente do PCdoB de Aracaju, Hallison de Souza, falou sobre a atuação da administração municipal. O presidente não hesitou em afirmar que os cinco anos do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) marcaram a história da capital sergipana.
Sobre a derrota da candidata a deputada estadual, Tânia Soares, Halisson enfatizou que, apesar da perda eleitoral, Tânia obteve uma votação expressiva, ficando entre as 24 mais votadas, e sem dúvidas, o partido demonstrou uma grande evolução.

Além disso, o presidente relembrou o resultado de uma pesquisa divulgado esta semana, em que a população Aracaju tende a optar por uma candidata mulher - e Tânia Soares, a presidente estadual do PCdoB-SE e atual secretária de governo, foi uma das citadas.

Como já foi decidido na última reunião do comitê estadual do PCdoB, o partido lançará candidatura própria para concorrer à Prefeitura de Aracaju. “Com certeza, Tânia Soares é um dos nomes. Afinal, ela é uma liderança bastante consolidada”, ressaltou Hallison. Outro nome bastante cogitado, segundo presidente, é Jeferson Passos (PCdoB), secretário de Finanças de Aracaju.

Ainda durante a entrevista, Hallison declarou que a sociedade de Aracaju se surpreenderá em breve com novas consolidações do partido. Isso se explica devido a convites feitos a algumas lideranças importantes para a capital. (De Aracaju, Iana Queiroz )
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PT usará "mão-de-ferro" para garantir apoio ao PMDB
Em texto publicado neste domingo em sua página na internet, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, (www.ruifalcao.com.br) disse que o vai usar “mão de ferro” para garantir que partido priorize o PMDB nas eleições municipais de 2012. O objetivo é garantir a aliança nacional em 2014, “seja para a reeleição de Dilma ou com o lançamento de outra candidatura”.
Segundo Falcão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente, Michel Temer, vão comandar as articulações para a disputa pela prefeitura de São Paulo, onde o PT quer candidato próprio e PMDB deve lançar a candidatura de Gabriel Chalita.
No âmbito estadual, aliados históricos como PC do B e PSB ficarão em segundo plano. As prioridades a partir de agora serão o PMDB e o PR.
Em um texto duro, Falcão disse que se for preciso o PT poderá “asfixiar algumas candidaturas” próprias em benefício do PMDB .
As decisões finais sobre candidaturas e alianças no Estado serão centralizadas pelo conselho político do PT, composto por lideranças locais, prefeitos, líderes no Congresso e Lula, apelidado de “estado maior”.
O PT vai cobrar apoio do PMDB nas 64 cidades paulistas que governa atualmente e já admite abrir mão de candidaturas próprias em cidades importantes como Sorocaba e Campinas. Um levantamento será realizado para saber em quais cidades o PMDB tem candidatos competitivos.
A exceção será a cidade de São Paulo, onde os dois partidos devem ter candidatura própria e podem se aliar em um eventual segundo turno.
Segundo falcão, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, é o nome preferido no PT para disputar a prefeitura mas já avisou à presidenta Dilma Rousseff que não sairá do governo. “Já a senadora marta Suplicy não conta com o apoio de boa parte da cúpula”, afirmou.
Ainda de acordo com o presidente do partido, “Lula está decidido que para derrotar o PSDB em São Paulo é necessário vencer na capital em 2012. Insiste, ainda, na candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, ainda que ele não tenha boa interlocução com os próprios petistas e seja criticado internamente pela falta de traquejo político. Para Lula, Haddad é palatável para a classe média paulistana, além de ser uma novidade numa eleição que pode ser marcada por personagens já desgastados perante o eleitor”. (Ricardo Garlhado - iG)
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Dilma anuncia medidas de estímulo à Agricultura Familiar
Brasília – Ao comentar o anúncio de um pacote de benefícios voltados para agricultores familiares, a presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (23) que cada centavo investido no setor se multiplica. Em seu programa semanal de rádio Café com a Presidenta, ela avaliou que a liberação de R$ 16 bilhões para financiar a próxima safra é resultado do diálogo permanente com os trabalhadores rurais.
Dilma explicou que para ter acesso ao financiamento pela primeira vez, é preciso procurar o sindicato rural ou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) local. Caso o produtor já tenha feito algum empréstimo em safras anteriores, basta ir ao banco ou à cooperativa de crédito e solicitar novo financiamento.
O pacote de benefícios anunciado pelo governo inclui juros que variam de 0,5% a 2% e prevê ainda a criação de uma superintendência para habitação rural na Caixa Econômica Federal (CEF). “Não se pode exigir do trabalhador rural os mesmos documentos que se pede ao trabalhador urbano”, disse a presidenta.
Outra determinação trata da possibilidade de venda de alimentos para outros estados. De acordo com Dilma, a dificuldade existe em razão de uma fiscalização feita separadamente por estados, municípios e pelo próprio governo federal. A saída, segundo ela, é o aperfeiçoamento do Sistema Único de Atenção à Sanidade Animal (Suasa).
“Esse sistema não está funcionando ainda muito bem porque falta criar as normas que sejam comuns e respeitadas por todos esses governos. Nós demos prazo de 30 dias para que um grupo de trabalho elabore essas normas. Quando elas forem aprovadas, o Suasa passa a valer”, afirmou. (Paula Laboissière, da Agência Brasil)
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Para relator da reforma política, esquerda precisa de 'foco' para ter maioria
São Paulo – O relator da Comissão Especial da Reforma Política, deputado Henrique Fontana (PT-RS), declarou nesta quinta-feira (19) que a esquerda precisa de foco para buscar a maioria por meio do voto proporcional, modificando a estrutura atual ao qual ele considera "personalista e permeável". A afirmação foi feita durante seminário promovido pela CUT, em São Paulo.
O deputado, que disse considerar esta a "reforma das reformas", reiterou que o voto em lista fechada seria o método ideal para o sistema eleitoral por ter caráter de inclusão. "Não podemos entrar no debate e não ter a maioria. Sou apaixonado pelo voto em lista fechada e não tenho dúvidas dos benefícios que ele pode trazer", disse.
O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Marcus Ianuzi considerou que a lista fechada trará mais benefícios ao eleitor do que pontos desfavoráveis. "Lista fechada seria mais favorável ao eleitor por antecipar o eleitor a informação mais clara e ampliar a participação das mulheres na política [com voto distrital, em geral, elas seriam menos competitivas] e o financiamento público nas campanhas eleitorais", pontuou.
Porém, para Fontana, esse método enfrenta resistências principalmente da oposição, que prefere o voto distrital misto. "Não adianta fazer mil palestras defendendo a lista fechada se a discussão é outra", disse. "A esquerda e o campo popular tem que construir um projeto coletivo. Para nós é importante nos mobilizarmos para essa reforma. A direita e o conservadorismo não precisam disso porque é baseada em outros critérios", afirmou.
Para o ex-deputado Nilmário Miranda, presidente da Fundação Perseu Abramo, o voto proporcional significa pluralidade. Ele criticou o voto distrital. "O distrital inutiliza a maior parte dos votos. Dividir 70 distritos, como em São Paulo, pode não dar em nada e não eleger ninguém. É o avesso ao proporcional."
O presidente da CUT, Artur Henrique, que abriu o evento, declarou que a discussão enriquece também o setor do trabalho e sua democratização. "Assumimos a tarefa de colocar pontos muito além da agenda sindical, temos outra frente de luta. Começamos com a reforma tributária. Temos agenda grande", disse.
Na sexta-feira (27), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará de reunião com as centrais sindicais para discutir o tema. (Leticia Cruz, Rede Brasil Atual)
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Alckmin quer Serra à frente de instituto tucano para "unir o partido"
São Paulo – O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu publicamente a indicação de seu antecessor, José Serra, para o comando do Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB. A sugestão vinha sendo defendida em conversas de líderes tucanos e pode desagradar ao ex-senador Tasso Jereissati (CE), indicado para o posto desde o fim de seu mandato, em janeiro deste ano. O governador paulista acredita que a saída poderia unir o partido.
Alckmin afirma ter discutido a possibilidade com o próprio Serra na quarta-feira (16), quando ambos estiveram em Brasília. "Conversamos sobre isso... Acho Serra um ótimo nome, preparadíssimo, pode dar uma boa contribuição ao partido no Instituto Teotônio Vilela", recomendou. "O que nós vamos fazer é ajudar para unir o partido, para todos estarem representados", disse Alckmin a jornalistas após cerimônia no Palácio dos Bandeirantes nesta quinta-feira (19).
O instituto funciona como centro de estudos e de formação política no PSDB. A escolha da direção do órgão, bem como toda a executiva serão eleitos no próximo dia 28, data da convenção partidária. Atualmente, Luiz Paulo Vellozo Lucas, candidato derrotado na disputa para o governo do Espírito Santo em 2010, comanda o instituto. Ele deve retornar aos quadros do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do qual é funcionário de carreira concursado.
A acomodação de Serra no instituto contornaria a divisão no PSDB para a definição da presidência da legenda. O senador Sérgio Guerra (PE), que ocupa o posto, é candidato à reeleição, mas Serra estava articulando junto aliados a possibilidade de chegar ao cargo.
Além das incertezas em relação aos rumos dos partidos de oposição – especialmente após o esvaziamento do DEM a partir da criação do PSD pelo prefeito de São Paulo Gilberto Kassab –, os tucanos assistem a divisões internas. Serra, Alckmin e o senador Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, são apontados como interessados em mudar o equilíbrio de forças na sigla, com vistas à candidatura à Presidência da República em 2014. (Brasil atual)
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Bahia: Lideranças ressaltam obra
Lideranças de todos os partidos fizeram questão de marcar presença no evento e destacarem a beatificação como algo que irá valorizar ainda mais as Obras Sociais. Secretários do governo Wagner, e da gestão João Henrique, além de presidentes de partidos e deputados estaduais e federais, assistiram à celebração.

O secretário Jorge Solla ressaltou o trabalho dos hospitais com gestão e sub-gestão das Obras Sociais. Segundo ele, o Hospital Santo Antonio, na Cidade Baixa, é o de maior atendimento na rede SUS no Norte e Nordeste.

O presidente do DEM, José Carlos Aleluia, reforçou que esse seria “um reconhecimento por parte do Vaticano de uma certeza que todos baianos já tinham: a santidade de Irmã Dulce”. Longe dos holofotes políticos, o presidente do PR baiano, César Borges, disse que conheceu e esteve muitas vezes com Irmã Dulce, que, segundo ele, “tinha a presença de Deus”.

Os deputados federais Nelson Pelegrino (PT) e Antonio Brito, que também preside o PTB, lembrou a luta pela continuidade das Obras de Irmã Dulce.

Apesar de longe do cenário de atuação política, a liderança do PSDB baiano, Jutahy Magalhães não refutou em falar das denúncias envolvendo o ministro da Casa Civil, Antonio Palloci. “É inadmissível a omissão dele e nenhuma palavra da presidente”, criticou, citando ainda que ele como advogado tem ciência “que não existe nenhuma cláusula de confidencialidade para patrimônio”, como alega Palloci, no caso de não dar esclarecimentos sobre a fortuna conquistada nos últimos anos. Juathy ainda exaltou a figura de Serra como alguém de muito prestígio e preparo para presidir o Instituto do PSDB. (Lilian Machado - TB)
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Dilma e Wagner celebram beatificação
A cerimônia de beatificação de Irmã Dulce, que mobilizou milhares de fiéis católicos a renderem homenagens à história da freira, também levou ao Parque de Exposições muitos políticos e autoridades.

A presidente Dilma Rousseff, (PT) que há quase dois anos visitou em Salvador as Obras Sociais Irmã Dulce, quando veio agradecer a cura do câncer, ontem celebrou na companhia do governador Jaques Wagner (PT), da primeira- dama, Fátima Mendonça, e do presidente do Senado, José Sarney (PMDB), o reconhecimento da Igreja à obra de fé do “Anjo Bom da Bahia”.

Acompanharam ainda a presidente, durante o rito, os seus auxiliares, os ministros do Desenvolvimento
Agrário, Afonso Florence, da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas, e da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e o prefeito de Salvador, João Henrique (PP). A presidente e o governador apenas assistiram à celebração e saíram do local sem falar com a imprensa. A assessoria do governo justificou como impedimento, a ventania e a forte chuva que voltou a cair no final do evento.

A chefe executiva que chegou ao Parque acompanhada pelo governador, antes de seguir para ala vip reservada próximo ao altar, cumprimentou fiéis e conheceu Claudia Araújo, primeira
pessoa a receber o milagre de Irmã Dulce. A despeito dos rumores negativos referentes à sua relação com o ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP), a presidente sinalizou entendimento. O ministro foi a primeira autoridade a ser cumprimentada por ela. Depois, todos seguiram discretamente para o local reservado.

O
evento, além de reunir aliados de Dilma e Wagner, também trouxe à Bahia o principal adversário do PT no cenário nacional, nas últimas eleições presidenciais, o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB), que ficou em um local de visão menos privilegiada. O ex-presidenciável permaneceu ao lado de lideranças tucanas na Bahia, os deputados federais Jutahy Magalhães e Antonio Imbassahy e o presidente do PSDB baiano, Sérgio Passos.

Serra afastou qualquer iniciativa de abordagem sobre política com a imprensa, mas fez questão de ressaltar o legado deixado por Irmã Dulce. “Essa não é uma vitória de alguém e sim da solidariedade. Cinco em cada seis consultas médicas e três em cada dez cirurgias de Salvador são feitas nas Obras Sociais que a Irmã Dulce construiu, e isso já é um milagre”, enfatizou. (lilian Machado -TB)
Org.: Genaldo de Melo