quinta-feira, 9 de junho de 2011

Notícias (09 de junho/2011)

Bahia: Democratas pode perder José Ronaldo
Após ser pego de surpresa com o pedido de desfiliação do prefeito de Feira de Santana Tarcizío Pimenta, que já está de malas prontas para ingressar no PDT, o DEM baiano tende a sofrer outro grande “baque”.

Informações dão conta de que o presidente do diretório da Princesa do Sertão, ex-gestor da cidade, José Ronaldo, tido como nome forte para representar a sigla no município em 2012 – motivo pelo qual Pimenta teria deixado o barco –, estaria em negociação avançada com caciques pepistas para também deixar as hostes democrata e, assim como muitos, virar governista.

Contudo, teria sido surpreendido com a decisão de Pimenta, já que usaria o forte argumento de que não poderia se confrontar com um correligionário histórico.

O fato só reforça a tese de que o ex-PFL, hoje DEM, do senador Antonio Carlos Magalhães (ACM), que deteve o poder por 16 anos no estado, perde cada vez mais força. Além de Pimenta e Zé Ronaldo, nada menos que cinco deputados eleitos pela sigla (três federais e dois estaduais) anunciam abertamente a ida para o PSD, de Gilberto Kassab, liderado pelo vice-governador Otto Alencar, ressalta-se ex-carlista.

José Ronaldo, por sua vez, que ontem, tão logo a bomba estourou, rumou para a capital baiana, onde tinha encontro marcado com o presidente estadual do DEM, José Carlos Aleluia, embora não tenha confirmado a possibilidade também não negou.

“Ao longo da minha vida, aprendi a respeitar o próximo e jamais tomaria a decisão de sair do partido sem antes conversar com meus companheiros”, afirmou, admitindo, entretanto, que tem conversado sim com outros partidos.      

“Esse diálogo com outros partidos faz parte do exercício da política e da prática da democracia, é mais do que natural”, destacou, ao lado de Aleluia e do secretário-geral do DEM, o deputado estadual Tom Araújo.

O presidente estadual do DEM, por sua vez, preferiu assegurar que o aliado histórico continuará a marchar com o grupo. Segundo ele, houve o consenso da necessidade de manter o diálogo com todas as forças políticas baianas.

 “Claro que existem algumas que são mais difíceis, mas o que José Ronaldo está fazendo é exatamente conversar com todos. Ainda assim ele vai continuar no Democratas, pois não declarou nenhum interesse contrário”, mostrou-se otimista, reforçando que “ele (Zé Ronaldo)  continua conosco. É um aliado muito importante do Democratas, além de ser uma figura muito respeitada e querida”. (Fernanda Chagas – TB)

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Bahia: Aliados apontam estratégia
Ainda que tenha chegado ontem a Salvador para uma conversa derradeira sobre seu destino partidário, o ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo está praticamente decidido a deixar o partido para filiar-se ao PP.

O grupo do ex-prefeito parte do pressuposto de que o virtual candidato petista à Prefeitura de Feira, o atual líder do governo na Assembleia, Zé Neto, apesar do apoio manifesto do governador Jaques Wagner, terá dificuldades de decolar, razão porque avalia que, ingressando no PP, o ex-prefeito poderia dividir com ele e Pimenta o apoio do governo estadual na sucessão municipal de 2012.

“José Ronaldo está sendo prático. Apesar de se considerar favorito, ele sabe que será muito difícil brigar pela prefeitura tendo como adversários o governo do Estado e a máquina municipal.

Por isso, uma ponte com o governador não seria nada mal, uma vez que o PP também é da base governista”, diz uma fonte ligada ao ex-prefeito, lembrando de declarações recentes de Wagner segundo as quais tem como meta prioritária eleger aliados às Prefeituras de Salvador e Feira em 2012. Por este motivo, antes de analisar a ida para um partido da base do governo, o ex-prefeito de Feira teria usado até agentes em Brasília para sondar qual seria a postura de Wagner com relação à sucessão na cidade.

A resposta teria vindo na forma de um sinal positivo no sentido de que, associando-se ao grupo governista, Ronaldo poderia pelo menos não ser considerado adversário. Mas a relação com o governo poderia ainda melhorar para o ex-prefeito, caso ele prove, no curso da campanha, que realmente é aquele que tem mais chances de eleger-se em Feira. (Raul Monteiro –TB)

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Dilma terá de recorrer a Temer para articulação, diz especialista

Para o cientista político Rubens Figueiredo, saída de Palocci pode obrigar presidenta a se render ao PMDB.
Em nome da governabilidade, a presidenta Dilma Rousseff terá de se render ao PMDB e às habilidades políticas de seu vice Michel Temer. A avaliação é do cientista político Rubens Figueiredo, que vê dificuldades do governo em equilibrar administração e política. "O Temer seria o melhor nome, ele tem mais vocação para isso. Mas não adianta ter apenas vocação, a eficácia do articulador depende do trânsito no governo", ponderou.
Com a saída de Antonio Palocci e a chegada de Gleisi Hoffmann na Casa Civil, muda-se radicalmente o perfil da pasta, que deixa de ser política e passa a ser gerencial. "Um governo é a equação entre política e administração, senão não se aprova nada no Congresso. E onde está o político deste governo?", questionou.
Figueiredo lembrou que a dobradinha Lula e Dilma foi bem sucedida porque o ex-presidente tinha o perfil político, enquanto Dilma na Casa Civil era a técnica. "Ela podia bater na mesa porque tinha respaldo político", disse.
Na busca pelo equilíbrio entre gestão e política, Dilma terá de rever sua relação com a base e abrir espaço para os aliados, diz o cientista. Isso não significa que ela terá condições de se dedicar à trabalhosa tarefa de negociar. "A articulação política é um pepino, não é uma tarefa das mais agradáveis", afirmou.
Sem Palocci e sem substitutos com os mesmos predicados do ex-ministro, Figueiredo diz acreditar que Dilma não terá outra opção senão abrir espaço para seu vice. "O Temer não tinha trânsito, mas acho que o governo agora terá de aprender a abrir espaço", finalizou. (AE)

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Câmara rejeita moção do PSDB contra a presidente Dilma Rousseff

Os tucanos não se emendam em seu reacionarismo e entreguismo. Em seu afã de prestar serviços ao imperialismo tentaram aprovar na Câmara dos Deputados moção contra a presidente Dilma, numa provocação para indispor o Brasil com o Irã. Foram fragorosamente derrotados
A Câmara dos Deputados rejeitou por 293 votos contra 60 e 8 abstenções, o requerimento do PSDB que propunha a aprovação de moção de repúdio à presidente Dilma Rousseff por não ter recebido em audiência Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz e advogada iraniana de direitos humanos, em visita ao Brasil.

O líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), argumentou que a presidente não dispunha de agenda para receber Shirin Ebadi, uma vez que ela é marcada com antecedência e muito concorrida. Todos os líderes dos partidos da base governista recomendaram a rejeição do requerimento, que foi apresentado pelo líder tucano, deputado Duarte Nogueira (SP). (V)

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Presidente eleito do Peru chega quinta-feira ao Brasil

Apenas quatro dias depois de ser eleito presidente do Peru, em uma das eleições mais disputadas da história do país, o nacionalista Ollanta Humala, de 48 anos, chega nesta quinta-feira (9) a Brasília, convidado na segunda-feira (6) pela presidenta Dilma Rousseff. Em ocasiões distintas, Humala elogiou o Brasil e disse ter como exemplo de liderança o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Eleito com uma diferença de pouco mais de 1% sobre a adversária Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), Humala enfrenta agora a desconfiança do mercado econômico e dos empresários, que temem mudanças no sistema vigente. Ele é cobrado para definir logo a sua equipe econômica. A economia peruana cresce em média 8% ao ano. Mas um dia depois das eleições, a Bolsa de Valores de Lima registrou a maior queda da história, de 12,51%, e fechou mais cedo para evitar novas baixas.

Humala tentou afastar os temores, garantindo que vai se concentrar nos esforços para o crescimento econômico com inclusão social. O presidente eleito afirmou ainda que escolherá os melhores técnicos e intelectuais para compor a equipe de governo, estimulando a economia aberta e de mercado para o fortalecimento interno.

Pelo último boletim, do Escritório de Processos Eleitores do Peru (cuja sigla em espanhol é Onpe), do total de 98% das urnas apuradas, Humala obteve 51,4% dos votos, nas eleições do último domingo (5), contra 48,4% destinados a Keiko. Foi a terceira vez que ele disputou as eleições presidenciais no Peru. É considerado um político próximo aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales.

Assessores de Humala, no Peru, informaram que ele planeja passar o fim de semana no Brasil. O presidente eleito pretende visitar, na próxima semana, o presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, depois ir à Argentina encontrar com a presidenta Cristina Kirchner e ao Chile onde deve se reunir com o presidente Sebastián Piñera. Não há confirmações, por enquanto, que ele visite a Bolívia, Colômbia, Venezuela e o México. (Agência Brasil)

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Maioria do STF decide pela libertação de Cesare Battisti

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela libertação do ex-ativista italiano Cesare Battisti. Por maioria, a Corte confirmou a legalidade da decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, no final do ano passado, decidiu manter Battisti no país.
Após voto do relator Gilmar Mendes, que defendeu a extradição, foi a vez de o ministro Luiz Fux abrir o placar divergente. Ele disse que ficou claro que o STF deixou a responsabilidade da palavra final para a Presidência da República e que, como não há mais processo de extradição em andamento, não há motivo para que Battisti continue preso.
Fux também criticou o voto de Gilmar Mendes, com quem discutiu no início do julgamento. “O que está em jogo não é o futuro nem o passado de um homem, o que está em jogo é a soberania nacional. Embora privilegie a inteligência de Gilmar Mendes, me considero preparado à altura para dizer que não concordo com as premissas que Vossa Excelência assentou”, disse.
Para a ministra Cármen Lúcia, o STF decidiu que o a palavra final era do presidente, “independentemente da interpretação que se queira dar a isso”. O ministro Ricardo Lewandowski, que votou na sequência, disse que, no primeiro julgamento, entendeu que Battisti era culpado e que deveria ser extraditado, mas que isso não estava mais em debate agora. “Resta saber se o STF pode ou não examinar e rever ato que o presidente da República exerceu dentro das competências que lhe são asseguradas”, disse o ministro, para afirmar que o ato do presidente é soberano neste caso.
O ministro Joaquim Barbosa também votou pela libertação de Battisti, destacando que o país preza pela prevalência dos direitos humanos. O quinto voto favorável foi de Carlos Ayres Britto. “Não nos cabe receber reclamação de que nossa decisão foi descumprida. A Presidência deve responder, se for o caso, na comunidade internacional ou no Congresso Nacional, que julga crime de responsabilidade administrativa”.
Participam deste julgamento nove ministros, uma vez que Antonio Dias Toffoli e Celso de Mello se declararam impedidos. O placar pode mudar caso algum ministro mude de ideia até a proclamação do resultado, ao final do julgamento. (Correio do Brasil)

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Polícia Federal: Oxi não é droga nova

A Polícia Federal nega que o que se tem chamado de “oxi” seja uma nova droga e informou que tratará como padrão nacional a classificação do entorpecente como uma “diferente forma de apresentação da cocaína”.
Um estudo foi  realizado pela PF  a partir da análise de 20 amostras de “oxi” apreendidas pela Polícia Civil nas ruas e 23 de cocaína apreendidas pela PF em condições de tráfico internacional ou interestadual no Acre.
O Serviço de Laboratório do Instituto Nacional de Criminalística da PF, em Brasília, com a colaboração de equipe do programa de Perfil Químico das Drogas da PF (Projeto PeQui), identificou nas 23 amostras de cocaína teores da droga na faixa de 50-85% (média de 73%), sendo compostas predominantemente de cocaína “não oxidada”, na forma de pasta base.
Para as 20 amostras de “oxi”, foram observados teores de cocaína na faixa de 29-85% (média de 65%), sendo que quatro amostras apresentavam menores teores de cocaína (29-47%) e quantidades significativas de carbonatos, o que a PF informou serem típicos exemplos da cocaína na forma crack.
A PF identificou que não havia quantidades significativas de cal (óxido de cálcio) e de hidrocarbonetos (como querosene ou gasolina) nas amostras da droga analisadas. Sete amostras de “oxi” eram compostas por cocaína “não oxidada” e foram classificadas como pasta base de cocaína, e três amostras eram constituídas por cocaína que passou por algum refino oxidativo, sendo classificadas como cocaína base. O único adulterante encontrado nas amostras de “oxi” foi a fenacetina, cuja concentração em cinco amostras de cocaína era de 0,4-10%, enquanto sete amostras de “oxi” apresentaram índices de 0,4-22%.
De acordo com a PF, a análise de perfil químico das amostras de ‘oxi’ apreendidas no Acre indica que não existe uma ‘nova droga’ no mercado ilícito.
Segundo o estudo, o que se observa são diferentes formas de apresentação típicas da cocaína (sal, crack, pasta base, cocaína base) sendo arbitrariamente classificadas como ‘oxi’, sem que sejam utilizados para este processo critérios objetivos e técnicos.
Além do crack e da cocaína sal, os usuários têm consumindo diretamente pasta base (sem refino) e cocaína base (refinada) com elevados teores da droga (acima de 60% de cocaína), o que pode contribuir para “gerar pronunciados efeitos estimulantes e psicotrópicos e aumentar a possibilidade de efeitos deletérios como overdose”. (CdB)

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América Latina está em processo de desindustrialização

Há algum tempo dirigentes industriais e analistas econômicos têm dito que o Brasil está em processo de desindustrialização. Na semana passada, o debate sobre este tema ganhou a contribuição (e a extensão do problema para toda a América Latina) de Daniel Novegil, presidente do ILAFA - Instituto Latinoamericano del Fierro y el Acero, durante o Congresso do Aço, realizado na semana passada em são Paulo.
Novegil - que também é CEO do Ternium, uma das principais grupos siderúrgicos da América Latina, com unidades no México, Argentina, EUA, Colômbia e Guatemala - apresentou números de estudo inédito que o ILAFA está realizando em quatro países: Brasil, México, Argentina e Colômbia. “A América Latina passa por um processo de desindustrialização e é necessário um plano de ações para reverter esse processo”, disse, acrescentando que os números finais deste estudo serão apresentados aos governos destes países em breve. “Ao final do estudo, vamos apresentar conclusões e sugestões de ações que podem contribuir para reverter esse processo”.

O estudo analisa o impacto do crescimento chinês sobre as economias do Brasil, México, Argentina e Colômbia, contribuindo para um processo de desindustrialização. “Quando analisamos os percentuais que os produtos industrializados alcançam nas balanças comerciais desses países constatamos um forte desequilíbrio nas relações com a China e um processo de primarização de economias como as do Brasil e do México, este fortemente afetado com a perda de mercados”, disse o executivo. “Essa situação precisa ser revertida, ainda mais se lembrarmos que a expansão da cadeia metal-mecânica é prioridade no novo plano para os próximos cinco anos apresentado, recentemente, pelos chineses”.

Fonte: Usinagem Brasil

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Partido Comunista chileno apresenta ação para investigar morte de Neruda

O Partido Comunista chileno pediu para investigar a morte do prêmio Nobel Pablo Neruda em 1973, ocorrida dias depois do golpe de Estado que instalou a ditadura de Augusto Pinochet, após a denúncia de um assessor de que teria se tratado de um assassinato e não de câncer, que foi a versão oficial.
A ação do Partido Comunista (PC) foi apresentada ao juiz Mario Carroza - o mesmo que investiga as causas da morte do ex-presidente Salvador Allende - com base em recentes declarações de um colaborador de Neruda e de um diplomata.

Neruda morreu em 23 de setembro de 1973 em uma clínica de Santiago por um câncer de próstata - segundo a versão oficial -, 12 dias depois do golpe de Estado que derrubou e provocou a morte de Allende, um dos grandes amigos do poeta.

O motorista de Neruda, Manuel Araya, denunciou recentemente que este foi assassinado através de uma injeção no estômago às vésperas de sua viagem para o exílio no México, onde pensava se tornar um relevante opositor da ditadura de Pinochet.

Ao depoimento de Araya soma-se a declaração feita neste fim de semana a um veículo da imprensa mexicana pelo ex-embaixador desse país no Chile, Gonzalo Martínez, que esteve com Neruda no dia anterior a sua morte.

O advogado Eduardo Contreras, que apresentou a ação em nome do PC, destacou nesta terça-feira as declarações de Martínez.

Segundo Contreras, o diplomata afirma que o poeta - vencedor do prêmio Nobel em 1971 - "podia conversar tranquilamente, caminhou pelo quarto, trocaram opiniões políticas, descreveu quais objetos pessoais queria levar em sua viagem ao México, expressou dúvidas em relação a deixar o país, pois disse que queria dividir o futuro com o povo".

"Essas conjecturas, argumentações e depoimentos obrigam ética, moral e judicialmente a apresentar essa ação, porque sem dúvida Neruda no exílio teria sido algo muito difícil para a ditadura", explicou Contreras.

Recentemente, a Fundação Pablo Neruda, que administra a obra do poeta, afirmou que "não existe evidência alguma, nem prova de nenhuma natureza que indiquem que Pablo Neruda tenha sido morto por uma causa diferente do câncer avançado que o afetava". (FMG)

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Diálogo de Shangri-la reflete situação complexa da segurança na Ásia-Pacífico

Foi encerrado em Singapura o 10º Diálogo de Shangri-la. O nível, o conteúdo e a influência do evento refletem a atual situação complexa da segurança na região Ásia-Pacífico e também a grande atenção do mundo à segurança asiática.
O mecanismo de Diálogo de Shangri-la foi criado em 2002. Após 9 anos, se tornou uma das conferências multilaterais de maior escala, e de nível mais alto sobre a segurança da Ásia-Pacífico, exercendo grande influência no mundo. Esta edição da conferência contou com a participação do ministro de defesa britânico e altos funcionários da França, Alemanha e Canada. Isso comprova que, além dos países da região, os da América do Norte e Europa estão cada vez mais atentos à segurança da Ásia–Pacífico. O nível dos participantes do evento foi o mais alto já registrado. Entre eles, o presidente do Timor-Leste, o primeiro-ministro da Malásia e o vice-premier russo. Tudo isso mostra que a região Ásia-Pacífico está se destacando na economia e política mundial, e que as relações de interesse entre o local e outras regiões do mundo estão se estreitando constantemente. O desenvolvimento e a segurança do território estão exercendo uma influência cada vez maior no mundo inteiro.

Os tópicos de discussão na conferência refletem os principais desafios enfrentados na área de segurança asiática. Alguns se referem a questões antigas, tais como, conceito e despesas militares, política de defesa, confiança energética, disputas de território e marítimas e segurança costeira. Outros, se referem a questões atuais de grande preocupação, como por exemplo, situação afegã, questão nuclear da Península Coreana, questão do Mar do Sul da China, luta contra piratas e tráfico internacional de drogas. Na verdade, essas questões são apenas uma parte dos desafios enfrentados pela segurança da Ásia-Pacífico. O envolvimento dos países de fora da região, mostra que os problemas são vários, urgentes e de difícil solução.

Nota-se que as relações de segurança da China e dos EUA na Ásia-Pacífico se tornaram fator importante que influencia a segurança da região. O Décimo Diálogo tratou como tópico especial a "Cooperação Internacional de Segurança da China", demonstrando que todos os países querem conhecer melhor e mais profundamente o conceito, política e direção do setor no país asiático.

Nesse sentido, a participação do ministro de Defesa chinês, Liang Guanglie, na conferência, chamou grande atenção. Outro participante de destaque foi o ministro de Defesa norte-americano, Robert Gates. No Diálogo, Gates afirmou que os EUA irão manter e reforçar sua presença militar na Ásia-Pacífico, além de cumprir suas promessas de segurança para os países da aliança. Liang Guanglie, mostrou a posição e as políticas chinesas e propôs quatro princípios de cooperação internacional de segurança. Pode-se dizer que o tratamento da China e dos EUA para suas divergências, a cooperação dos dois países e as contribuições conjuntas pela segurança regional são importantes fatos a serem avaliados pela comunidade internacional em relação à segurança da Ásia-Pacífico.

Fonte: Rádio Internacional da China
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Stiglitz: a austeridade condena a Europa e os EUA à estagnação

O Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, já em Fevereiro deste ano defendia que devido às medidas de austeridade as economias europeias iriam ser afectadas “pelos cortes públicos e pela subida das taxas de juro”.
Segundo noticia a Europapress.es, esta sexta-feira, durante a sua intervenção na reunião anual do Círculo de Economia em Sitges, Stiglitz alertou que "a estratégia de austeridade é uma estratégia que vai condenar os EUA e a Europa à estagnação, ao baixo crescimento e, por sua vez, o défice não poderá melhorar muito".

O economista admitiu que é compreensível a adopção de medidas de austeridade, devido ao tamanho dos défices públicos, mas argumentou que a austeridade dos governos não tem ajudado, levando a uma grande baixa no consumo interno, enfraquecendo o investimento e as exportações.

Stiglitz critica acção dos bancos centrais

Stiglitz teceu duras críticas aos bancos centrais, dizendo que "não são a fonte da sabedoria” e têm antes “fortes prioridades políticas". Uma situação mais presente na Europa do que nos EUA, sustentou.

Neste sentido, o economista criticou o resgate da Grécia: "Não se trata de um resgate, mas de uma protecção dos bancos europeus que têm emprestado muito, tornando-se credores desses países, e agora vêem-se ameaçados com uma possível reestruturação."

"A sequência dos resgates, o que faz é agravar o problema", advertiu, argumentando que desta forma transfere-se a dívida do sector privado para o Governo, que em caso de reestruturação deve responder.

Stiglitz afirmou que os EUA, por exemplo, deveriam levar a cabo reformas para reestruturar os impostos e os programas de despesas, o que poderia levar a um maior crescimento, uma maior procura associada a um défice menor.

Já no caso da União Europeia, Stiglitz apontou que a solução seria criar um fundo de solidariedade, mas sublinhou que a melhor opção é uma reestruturação bancária.

Fonte: Esquerda.net
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Dilma se emociona ao se declarar 'triste' com saída de Palocci

Presidente também se disse 'satisfeita' com substituta Gleisi Hoffmann. 'Gleisi é mais uma mulher firme e capaz a fazer parte do nosso time.'
A presidente Dilma Rousseff se disse "triste", e chegou a se emocionar, ao afirmar que tem "muitos motivos" para lamentar a saída do governo do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Ele deixou o cargo após denúncia de que aumentou o patrimônio em 20 vezes em quatro anos.

Na solenidade de posse no Palácio do Planalto da sucessora de Palocci, a senadora Gleisi Hoffmann, Dilma disse que "estaria mentindo" se dissesse que não estava triste. A presidente discursou após as falas de Palocci e de Gleisi Hoffmann.

"Tenho muitos motivos para lamentar a saída do ministro Antonio Palocci. Motivos de ordem política, pelo todo papel que ele desempenhou na minha campanha. Motivos de ordem administrativa pelo papel que tinha e teria no meu governo. De ordem pessoal, pela relação de amizade que construímos", declarou a presidente, que qualificou o ex-ministro como "um parceiro de lutas".

Dilma afirmou ter “certeza” que Gleisi Hoffmann terá sucesso na chefia da Casa Civil. “Tenho certeza que você será bem sucedida nessa importante função de governo. Sei disso porque a conheço muito bem. A agora ministra-chefe da Casa Civil se notabilizou pela competência de administradora e gestora”, afirmou.

A presidente disse que Gleisi enfrentará vários desafios como ministra da Casa Civil, na função de gestora dos projetos do governo. “Gleisi é mais uma mulher firme e capaz a fazer parte do nosso time. Prepare-se minha cara ministra Gleisi.

Nossos compromissos são ousados. Garantir rigidez fiscal, criar empregos, investir em educação, fortalecer classe média e assegurar que um país rico é um país sem miséria”, afirmou.

Dilma disse que Gleisi terá a tarefa de dialogar com a oposição, a quem chamou de "ruidosa" e "nem sempre justa". Segundo Dilma, o governo não ficará "paralisado" diante de pressões políticas.

"É do jogo democrático enfrentar a oposição, sempre ruidosa e nem sempre justa. Pressões políticas não vão inibir a ação do meu governo. Jamais ficaremos paralisados diante do embate político. Temos promessas a cumprir e vamos cumprir”, disse. (VB)

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Palocci pede para sair do Conselho de Administração da Petrobras

Ex-ministro da Casa Civil enviou ofício nesta quarta à estatal. Ele deve tirar alguns dias de descanso e se mudar para São Paulo.
O ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci enviou nesta quarta-feira (8) ofício à Petrobras pedindo desligamento do Conselho de Administração da estatal. Mais cedo nesta quarta, ele transferiu a chefia da Casa Civil à senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Os integrantes do Conselho de Administração da Petrobras têm mandato de um ano e são eleitos na Assembleia Geral Ordinária da estatal, que acontece uma vez por ano. Em caso de vacância, o conselho pode indicar um novo nome.

Palocci foi eleito membro do órgão em 28 de abril deste ano. Entre os oito conselheiros que compõem o órgão estão o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que preside o conselho, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

Segundo assessores próximos a Palocci, o ex-ministro deve se mudar para São Paulo e tirar '"uns dias de descanso" antes de assumir qualquer atividade profissional. Atualmente Palocci vive em uma casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, destinada ao chefe da Casa Civil. A mudança para SP deve começar ainda nesta semana. (VB)

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Para analistas estrangeiros, saída de Palocci dificulta ação do governo no Congresso

Com a substituição do ex-ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), o governo passará a enfrentar mais dificuldades no processo de articulação política com membros do Congresso Nacional, segundo...
Com a substituição do ex-ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), o governo passará a enfrentar mais dificuldades no processo de articulação política com membros do Congresso Nacional, segundo analistas políticos estrangeiros ouvidos pela BBC Brasil.

De acordo com os especialistas, a mudança, apesar disso, não deve indicar uma ruptura na atual política econômica da presidente Dilma Rousseff, nem provocar uma guinada ideológica no governo.

Christopher Garman, diretor de América Latina e analista de Brasil da consultoria com sede em Washington Eurasia Group, vislumbra maior dificuldade do governo em aprovar reformas como a tributária e a da Previdência. “Palocci era uma figura forte que defendia essas propostas. Com ele por perto, seria mais fácil a aprovação.”

Já o professor e diretor do Instituto Brasil da universidade King’s College, de Londres, Anthony Pereira, acredita que as dificuldades não se agravam nem diminuem de forma significativa com a ausência do então homem forte de Dilma.

“Seria difícil adotar essas reformas de qualquer maneira por conta dos diferentes grupos de pressão que atuam no Brasil. Provavelmente, a ministra terá menos habilidade para conduzi-las, mas até com Palocci já era difícil realizar todas as mudanças pretendidas pelos mercados e pelo setor empresarial.”

Garman acredita, no entanto, que apesar da provável continuidade em termos econômicos, é provável que se sinta um impacto negativo no médio prazo, devido ao que chama de surgimento de uma “agenda negativa”, por parte do Congresso.

“Nos próximos seis meses, o governo deve sofrer uma queda em sua aprovação, porque ao longo deste ano, deveremos ter um aumento da inflação com um crescimento econômico menor. E isso tenderá a acentuar dificuldades que o governo já vem tendo em sua base no Congresso”, afirma.

“Em um contexto de queda de aprovação, deve crescer a pressão por medidas que possam provocar mais gastos. Com um ministro forte ao lado da presidente, seria mais provável conseguir coibir essas práticas.”

Corrupção
Mesmo com o fato de Palocci já ter sido pivô de outro escândalo – ele deixou o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, por envolvimento em um escândalo de quebra de sigilo –, os analistas acreditam que a imagem brasileira no que diz respeito ao combate à corrupção não sai mais desgastada internacionalmente.

“Claro que a queda de um ministro por acusação de tráfico de influência não ajuda na imagem de combate à corrupção. Mas ao mesmo tempo existe um reconhecimento de que as instituições brasileiras estão mais transparentes”, afirma Garman.

“Você pode argumentar que houve indício formal de tráfico de influência, mas a pressão pública sofrida pelo ministro em ter uma consultoria política enquanto era deputado é um sinal saudável de maturidade dos órgãos fiscalizadores”, diz o analista.

“É um sinal que a tolerância com esse tipo de atividade está diminuindo. E foram práticas que não estavam ligadas ao governo, logo não há como acusar o governo de ter sido corrupto.”

Para Pereira, a crise que levou à demissão de Palocci é uma questão local que não tem necessariamente implicações internacionais.

“Ela envolve a necessidade de reforma política e a composição da aliança entre os diferentes partidos que sustentam o governo. A crise tem muito mais a ver com essas questões locais do que com a imagem do Brasil no exterior e a confiança do investidor no mercado brasileiro.”

Economia
Em termos econômicos, Peter Hakim, presidente-emérito do instituto de pesquisas Inter American Dialogue, com sede em Washington (EUA), afirma que “não deveremos ver grandes surpresas”.

“Não creio que a saída de Palocci vá mudar muito o tom dado por Dilma, que é o de manter o tipo de economia saudável que o Brasil conquistou em pouco mais de uma década”, disse o analista à BBC Brasil.

Antes de assumir a Casa Civil do governo Dilma, Palocci foi ministro da Fazenda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2006. Próximo dos mercados e considerado de perfil conservador, ele foi tido como principal fiador da política econômica de Lula.

“A fórmula de sucesso lançada por Lula, a de garantir que a economia siga crescendo, criar empregos e, ao mesmo tempo, aumentar o gasto com programas de combate à pobreza, mas sem destinar exorbitâncias a isso, vem sendo seguida por Dilma”, afirma Hakim.

Pereira também acredita que a nova ministra adotará uma linha semelhante à do antecessor.

“Creio que haverá continuidade. É verdade que Palocci foi associado a uma linha menos intervencionista e mais pró-mercado. Mas ainda há outros representantes dessa linha no governo”, afirma. (VB)

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CCJ do Senado proíbe “prefeito itinerante”

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou hoje (8) apenas uma das quatro propostas relacionadas à reforma política incluídas na pauta, sugeridas pela comissão especial criada para tratar do assunto. Os senadores acolheram o projeto que impede prefeitos e vice-prefeitos de transferir o domicílio eleitoral enquanto estiverem no exercício do mandato, uma iniciativa para coibir os “prefeitos itinerantes”.

Mais polêmicas, as outras três propostas – a que acaba com a reeleição, a que extingue as coligações partidárias nas eleições proporcionais e a que amplia para cinco anos o mandato para os cargos do Executivo – tiveram sua votação adiada. Essas proposições só devem ser votadas na próxima quarta-feira.

O relator do PLS 265/2011, José Pimentel (PT-CE), disse que a proibição de transferência eleitoral para prefeitos tem como objetivo impedir a burla à legislação, que proíbe a recondução ao cargo por mais de duas vezes. Alguns prefeitos mudam o domicílio eleitoral no último ano de mandato para buscar a eleição em outro município. Pimentel afirmou que a mudança é necessária para inibir a perpetuação no poder de clãs políticos. A proposta foi aprovada em caráter terminativo e seguirá diretamente para a Câmara. (Edson Sardinha - CF)

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Palocci: "Mundo jurídico não é igual ao político"

Ao deixar o Palácio do Planalto, após a cerimônia de posse de Gleisi Hoffmann, que passa a substituí-lo, o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci reconheceu que já não tinha mais condições políticas de permanecer no cargo. Mesmo a decisão do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de não abrir inquérito contra ele foi capaz de arrefecer a sua situação. "O mundo jurídico não trabalha no mesmo diapasão do mundo político", analisou Palocci.
Para o ministro, o desgaste provocado pelas denúncias sobre seu enriquecimento lhe tiraram as condições políticas de continuar exercendo o cargo, comandando a articulação política do governo. Assim, segundo ele "para ajudar o governo", Palocci preferiu sair.
No seu discurso de despedida, ele lembrou que, desde 2002, época da primeira vitória de Lula à Presidência, trabalhou para construir pontes e fortalecer o diálogo em meio a problemas. “Se vim para ajudar a promover o diálogo, saio agora para ajudar a preservá-lo”, afirmou Palocci. Conflitos na relação com a base aliada no Congresso ajudaram a agravar a situação de Palocci, mesmo depois do arquivamento da investigação criminal contra ele, por suspeita de tráfico de influência e enriquecimento ilícito.
Ao final da cerimônia, o ex-ministro reafirmou que sua permanência no cargo em momento de conflito poderia atrapalhar o governo. Palocci não disse a que se dedicará nos futuro, logo depois da quarentena de quatro meses em que receberá salários e ficará impedido de atuar na iniciativa privada. Ele disse aos jornalistas que não sente nenhum ressentimento. “Não carrego nenhuma mágoa, não carrego nenhum ressentimento, a política é assim”, resignou-se Palocci.
Antes de discursar, ele foi saudado com palmas de 35 segundos perante uma plateia que reunia petistas, ministros, líderes e parlamentares de partidos como PMDB, PR e PP. Palocci disse não querer transformar o momento em tristeza.
Tristeza
Apesar disso, a presidente Dilma foi enfática: “Estaria mentindo se dissesse que não estou triste. Tenho motivos para lamentar a saída de Antonio Palocci”, afirmou ela. Ao agradecer “de fundo do coração” por tudo o que o ministro fez por ela e pelo governo, Dilma embargou a voz e recebeu palmas da plateia.
A presidente lembrou que Palocci foi um dos três “artífices” da vitória nas eleições passadas, junto com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ex-presidente do PT José Eduardo Dutra. As alianças políticas foram costuradas pelo ex-chefe da Casa Civil.
Ao dar posse a Gleisi, a presidenta disse para ela se preparar para enfrentar o desafio de manter o crescimento econômico, controlar a inflação e distribuir renda. Dilma ainda fez acenos à base aliada no Congresso, ao agradecer nominalmente aos líderes governistas e lembrou que o Palácio estará preparada para governar e vencer as futuras pressões políticas.
“Jamais ficaremos paralisados diante de embates políticos”, afirmou a presidente. Ela ainda afirmou que a oposição deve entender que “o interesse nacional” deve se sobrepor às brigas partidárias circunstanciais.
Mais acenos
Ao discursar, a nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, fez mais acenos à base aliada no Congresso. Lembrou que o fato de Dilma ter escolhido uma senadora para o cargo demonstra o apreço pelo Legislativo. “A política dá sentido à técnia, e esta qualifica a política”, disse ela, a dois metros de seu marido, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que recebeu um elogio da esposa durante o discurso.
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse esperar que, na esteira da troca de Palocci, o governo promova outras mudanças para melhorar a articulação política e a relação com os partidos aliados. (Eduardo Militão - CF)

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Votação da reeleição

Fim da reeleição e mandato de cinco anos serão votados na próxima quarta Pedido de vista Pedido de vista é a solicitação feita pelo senador para examinar melhor determinado projeto, adiando, portanto, sua votação. Quem concede vista é o presidente da comissão onde a matéria está sendo examinada, por prazo improrrogável de até cinco dias. Caso a matéria tramite em regime de urgência, a vista concedida é de 24 horas, mas pode ser somente de meia hora se o projeto examinado envolve perigo para a segurança nacional. coletivo concedido pelo presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Eunício Oliveira (PMDB-CE), adiou para a próxima quarta-feira (15) a votação de duas propostas de emenda à Constituição: PEC 39/2011, que impede a reeleição de presidente da República, governadores e prefeitos; e PEC 38/2011, que aumenta para cinco anos o mandato dos chefes do Executivo.
As duas propostas foram aprovadas pela Comissão de Reforma Política. Quanto à PEC 39/2011, seus autores lembram que o impedimento à reeleição é uma "tradição republicana, que vigeu da Proclamação da República até 1997", quando foi aprovada emenda constitucional que deu aos chefes dos Executivos a possibilidade de um segundo mandato consecutivo.
Durante os debates na Comissão de Reforma Política, diversos senadores que já foram governadores defenderam a medida dizendo ser difícil a separação entre a atuação do administrador e a do candidato à reeleição. Para eles, o titular do mandato, "ao acumular a condição de candidato, compete na campanha eleitoral em condições extremamente favoráveis em comparação com os demais concorrentes", conforme se registrou na justificação da matéria.
Já a PEC 38/2011, além de aumentar para cinco anos o mandato de presidente, governador e prefeito, estabelece que o primeiro tome posse em 10 de janeiro e os dois últimos em 15 de janeiro, e não mais no primeiro dia do ano, como previsto nas regras em vigor.
De acordo com o texto, as novas normas passarão a valer para prefeitos eleitos em 2012 e para presidente e governadores eleitos em 2014.
O relator na CCJ, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), apresentou voto favorável às duas proposições. (Agência Senado)

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Bahia: Wagner avaliza escolha de Gleisi Hoffmann

A saída de Antonio Palocci da Casa Civil movimentou o meio político do país e na Bahia não foi diferente. Em entrevista ontem, ao Balanço Geral, da TV Itapoan, o governador Jaques Wagner (PT), que durante toda polêmica fez questão de se posicionar sobre o assunto, defendeu a escolha da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) para o lugar do “companheiro” Palocci.

Wagner considerou como de melhor qualidade a escolha da presidente Dilma Rousseff. “É uma mulher determinada, muito bem formada, competente”, pontuou.

Quando o assunto foram os motivos que teriam levado Palocci a se antecipar e pedir sua exoneração, o governador não hesitou em disparar que a divulgação do aumento da fortuna do então ministro da Casa Civil, que teria ficado 20 vezes mais rico em apenas quatro anos, foi determinante para sua saída.

“Essa revelação contaminou a figura de Palocci”, destacou. O chefe do Executivo estadual considerou ainda que a atuação política do ex-ministro, ‘que deveria cuidar mais da gestão”, também teria contribuído. “Quem fica na política não cuida da gestão”, afirmou.

Mais além, o deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB) disse que a demissão de Antonio Palocci foi a melhor alternativa encontrada pelo governo federal. Segundo o parlamentar, a permanência do ministro ficou insustentável.
“A saída de Palocci foi a melhor coisa a ser feita. Assim, evita que o Brasil conviva com um ambiente de permissividade e impunidade”, afirmou, ao dizer também que "a presidente Dilma demorou muito para tomar sua decisão". (Fernanda Chagas – TB)

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Ao assumir, Gleisi coloca gestão e coordenação de projetos à frente de articulação política

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Feira de Santana precisa de um aeroporto urgente

Fica extremamente difícil de compreender como uma cidade do porte de Feira de Santana, com um grande parque industrial em formação, considerada como um dos maiores centros comerciais do Norte/Nordeste, com uma população em torno de 600 mil habitantes, não tenha um aeroporto para atender suas necessidades básicas, de translado de passageiros e cargas comerciais. Parece difícil mesmo ter que aceitar tal fato, principalmente quando vemos que muitos municípios baianos, menores em infraestrutura e tudo o mais, tem o seu aeroporto.
Ora, um município considerado maior do que várias capitais brasileiras, não dispor de local apropriado para pouso de aviões de passageiros e comerciais, podemos considerar que existe alguma errada.
Ouço várias vozes defendendo a tese, como também outras que influenciam a opinião pública defendendo exatamente o contrário. Porém sou da opinião que o tamanho de Feira de Santana, a sua população e setor produtivo local, merece e deve dispor de tal aeroporto para pouso de aviões de médio e grande porte, pois não somos daqueles municípios que não estão nos indicadores, que enriquecem a economia do Estado. Ao contrário, dispomos de um Distrito Industrial (Subaé) capaz de causar impacto econômico, gerador de empregos e divisas, e que escoa grande quantidade de produtos para o setor exportador.
Além disso, dispomos de um comércio que consegue colocar a cidade entre os grandes centros comerciais do Norte/nordeste, porém tudo é feito anacronicamente através do setor de transporte rodoviário. O que acarreta vários problemas econômicos, e ainda se torna um grande ponto de estrangulamento para o turismo comercial.
Muitos atores importantes defendem a tese errônea de que não necessitamos de tal aeroporto, porque estamos bem próximos de Salvador, nossa capital. Ora, com a extensão territorial que potencializa o crescimento urbano e a própria economia, Feira de Santana anuncia a necessidade urgente de uma reestruturação do embargado Aeroporto João Durval, com a possibilidade de caso contrário, criarmos as condições para que os investidores e os parceiros externos procurem outros lugares, espaços territoriais capazes de terem condições de absorver matéria-prima, agregar valor a produtos, que possam ser escoados para o mercado externo.
Pensando desse modo, os atores responsáveis pela construção dos processos do desenvolvimento municipal, precisam urgente criar as condições necessárias para que nosso aeroporto funcione de fato. Afinal de contas de quem mesmo a responsabilidade de chamar a sociedade para esse debate?
Naturalmente esse papel cabe ao Poder Público local. Pois a responsabilidade para pensar nosso desenvolvimento foi dada ao mesmo, pelos cidadãos feirenses. Se não consegue fazer isso, ou é incompetência, ou lhe falta a vontade política necessária para tanto. Bastam chamar o setor produtivo, os representantes que temos nos parlamentos Municipal, Estadual e Federal e a Sociedade Civil como um todo, para discutir o assunto, e exigir de fato e de direito a quem compete a responsabilidade para que nosso aeroporto funcione.
Nos próximos anos vários eventos internacionais com caráter exigente de melhoramento da infraestrutura, acontecerão no Brasil, e Salvador sozinha não dará conta de atender as demandas, como por exemplo, de receber turistas e empresas, que se instalarão nas proximidades da mesma. Feira de Santana pode preparar-se para ser centro de treinamento de atletas e pouso de turistas das mais diversas partes do mundo. Sem pensar em um aeroporto, não podemos sequer cogitar tal possibilidade.
É vontade política, pautada num projeto que veja nossa cidade como um eixo de desenvolvimento sócio-econômico, que falta nos atores políticos. Um aeroporto será um eixo atrativo de novas indústrias de grande porte, na consolidação de um processo de atração de turismo de tipo comercial, na consolidação de uma cidade territorialmente capaz de crescimento social e econômico, e capaz de ser uma cidade mais humana, com geração de empregos e divisas para os cofres públicos planejar melhor nossa cidade.
Fica extremamente difícil mesmo compreender nas condições potenciais atuais, não querermos um aeroporto funcionando. Precisamos um pouco parar todos de ficar pensando o tempo todo nas eleições de 2012, pois ela é somente no ano que vem, e a necessidade de pensar nosso desenvolvimento é urgente, deve ser todos os dias.

Genaldo de Melo

Charge: Aroeira - O Dia

Entrevista com Noam Chomsky


Para sua segunda entrevista em menos de um ano com o professor Noam Chomsky (a primeira ocorreu em Cambridge, em setembro de 2010), Frank Barat pediu a renomados artistas e jornalistas que cada um lhe enviasse a pergunta que gostaria que fosse formulada a Noam.

Frank Barat: A prática política surpreende frequentemente pelo seu vocabulário político. Por exemplo, diz-se que a recente revolução no Oriente Médio se produz para exigir democracia. Podemos encontrar palavras mais adequadas? Não é, por acaso, a utilização das velhas e tão frequentemente traiçoeiras palavras uma maneira de absorver o impacto, no lugar de reuni-lo e seguir transmitindo? (Coordenador do Tribunal Russel sobre Palestina)


Noam Chomsky: Para começar, acredito que a palavra revolução é um pouco exagerada. Talvez possa converter-se em uma revolução, mas, no momento, é um apelo a uma reforma moderada. Há vários elementos, como o movimento de trabalhadores, que tentou seguir mais além, mas ainda está por se ver até onde chega. A questão é correta, mas também não é fácil de sair dela. Não ocorre somente com o termo democracia, mas também com cada palavra que tenha que ver com a discussão de assuntos políticos. Há dois significados. Um significado literal e um significado que se estabelece com respeito ao bem-estar político, à ideologia, à doutrina. Portanto, ou deixamos de falar ou tentamos utilizar as palavras de forma consciente. Como digo, isto não ocorre somente com a palavra democracia.
Tome uma palavra simples, como “pessoa”. Parece simples. Dê uma olhada. É muito interessante ver o que ocorre com essa palavra nos EUA. Os EUA garantem direitos pessoais que talvez cheguem mais longe que em qualquer outro país. Mas aprofunde-se neles. As emendas da constituição afirmam muito explicitamente que não se poderá privar nenhuma pessoa de seus direitos sem o devido processo legal. Isso volta a aparecer na 14° emenda, mas foi a 5° emenda que tratou de aplicar aos escravos libertos, sem êxito. Os tribunais vêm reduzindo e ampliando seu significado de forma crucial. Ampliaram o significado para incluir as corporações: entidades legais fictícias estabelecidas por um poder estatal. Portanto, concederam-lhes os direitos das pessoas, inclusive direitos que iam mais além dos das pessoas. Por outro lado, também reduziram seu alcance porque o lógico era pensar que o termo “pessoa” seria aplicado, igualmente, a essas criaturas que caminham em nossa volta fazendo os trabalhos sujos da sociedade e que não dispõem de documentação. Mas não foi assim, porque era necessário privar-lhes de seus direitos. Portanto, os tribunais, em sua infinita sabedoria, decidiram que não são pessoas. As únicas pessoas são aqueles que têm cidadania. Assim, as entidades corporativas não humanas, como o Barclays Bank, são pessoas, com direitos de grande alcance. Mas os seres humanos, a gente que varre as ruas, não são pessoas, não têm direitos e o mesmo ocorre com cada termo que seja examinado.
Tomemos agora a expressão “acordos de livre comércio”. Por exemplo: há um Acordo de Livre Comércio Norte-Americano: Canadá, Estados Unidos e México. O único termo exato que há aí é “norte-americano”. Não é realmente um “acordo”, se considera que os seres humanos formam parte de suas sociedades, porque a população dos três países estava contra o mesmo. Portanto, não é um acordo. Tampouco se trata de “livre comércio”, é protecionista em grau extremo, estabelece tremendas proteções aos direitos de monopólio nos preços das corporações farmacêuticas, etc. Uma grande parte de tudo isso não é um comércio em absoluto. Na realidade, o que chamamos “comércio” é uma espécie de piada.
Por exemplo, na antiga União Soviética, se certas peças eram fabricadas em Leningrado e eram enviadas à Varsóvia para que fossem montadas e depois fossem vendidas em Moscou, eu não chamaria a isto de comércio, ainda que cruzasse fronteiras nacionais. Eram interações dentro de uma economia de comando único. E ocorre exatamente o mesmo se a General Motors fabrica algumas peças na Índia, as envia ao México para que sejam empacotadas e as vende em Los Angeles. Isto seria comércio em ambos os sentidos. Na realidade, se busca a parte comercial, somente representa 50%. O que é bastante pouco. E grande parte do acordo tem a ver somente com direitos de investimento: garantir a General Motors, por exemplo, os direitos das companhias nacionais no México, coisa que os mexicanos não conseguem nos EUA. Tomem o termo que quiserem. Irão se deparar sempre com exatamente o mesmo. Portanto, sim, isso é um problema e temos que afrontá-lo tentando esclarecer de que modo utilizamos uma terminologia equivocada.

Chris Hedges: Julien Benda, em The Treason of Intellectuals defende que somente quando os intelectuais não perseguem objetivos práticos ou vantagens materiais é que podem servir como consciência e sanção. Você poderia abordar o tema da perda de filósofos, líderes religiosos, escritores, jornalistas, artistas e acadêmicos que em algum momento viveram suas vidas em oposição direta ao realismo das multidões e o que isto implicou para nossa vida moral e intelectual? (Jornalista estadunidense especializado na cobertura de conflitos)
Posso compreender os seus sentimentos e compartilhá-los, mas não sei que perda foi essa. Alguma vez isso foi certo? Que eu lembre não houve nenhuma época; o termo intelectual chegou a ser de uso comum em seu sentido moderno geral na época dos partidários de Dreyfus. Era uma pequena minoria. Uma minoria pequena e impopular. A massa de intelectuais apoiava o poder estatal. Durante a primeira guerra mundial e pouco depois, em cada um dos países, os intelectuais apoiavam apaixonadamente ao seu próprio estado e sua própria violência. Houve um punhado de exceções, como Bertrand Russel na Inglaterra ou Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht na Alemanha ou Eugene Debs nos Estados Unidos, mas todos eles foram para a prisão. Eram marginalizados e jogados na prisão. No círculo de John Dewey, os intelectuais liberais dos EUA que eram fervorosos partidários da guerra, houve um de seus membros, Randolph Warren, que se manteve aparte. Não lhe colocaram na prisão, EUA é um país bastante livre, mas lhe tiraram das revistas, ficou intelectualmente exilado, etc. Assim é como sempre ocorreu.
Dê uma olhada cuidadosa nos anos sessenta, um período de grande ativismo: os intelectuais apoiavam muito a Martin Luther King e o movimento pelos direitos civis sempre e quando se limitasse a atacar alguém. Enquanto o movimento pelos direitos civis perseguia xerifes racistas no Alabama, era extraordinário. Todo mundo o exaltava. Quando se ocupou de questões de classe, ele foi marginalizado e suprimido. As pessoas costumam esquecer que Martin Luther King foi assassinado quando tomava parte em uma greve dos trabalhadores do setor sanitário e que ia a caminho de Washington para ajudar a organizar o movimento popular dos pobres. Bem, isso supunha cruzar um limite, isso fazia sentir que ia por nós. Ia contra os privilégios e o norte, etc. Por isso os intelectuais desapareceram.
Com relação à guerra do Vietnã, ocorre exatamente o mesmo. Quase não houve nada entre os intelectuais conhecidos – houve desde cedo pessoas à margem da sociedade, jovens e demais -, mas entre os intelectuais com prestígio, praticamente nada. Já no final, após a ofensiva de Tet em 1968, quando a comunidade empresarial se voltou contra a guerra, então tu poderias ver aparecer pessoas dizendo “Sim, sempre estive contra a guerra”... Mas não há nem o menor indício disso, nada em absoluto.
Na realidade, há que recorrer à história mais antiga. Vamos à Grécia Clássica, quem bebeu a cicuta? Ao indivíduo se lhe acusou de corromper os jovens de Atenas com falsos deuses. Tomem os registros bíblicos. Não aparece o termo “intelectual”; mas há um termo que significa o que eles entendiam por intelectual, o de “profeta”. É uma má tradução de uma obscura palavra hebréia. Havia os chamados profetas, intelectuais, que formulavam a crítica política, condenavam o rei por provocar desastres, condenavam os crimes do rei, pediam misericórdia para os viúvos e os órfãos, etc. Bem, estas pessoas nós poderíamos chamar de intelectuais. Como os tratavam? Eram denunciados como pessoas que odiavam Israel. Essa é a frase exata que se utilizava. Essa é a origem da frase “auto-ódio judio” no período moderno. E os aprisionavam, deixavam-lhes no deserto, etc. Mas bem, haviam intelectuais que eram elogiados: os aduladores da corte. Séculos depois, chamaram-se de “falsos profetas”. Mas não neste preciso momento. Desde então, ocorre quase sempre a mesma história.
Há umas quantas exceções. No período atual, a principal exceção que conheço é a Turquia. É o único país onde eu sei que importantes artistas, acadêmicos, jornalistas e editores – uma gama muito ampla de intelectuais – não somente condenam os crimes do Estado, mas também se envolvem em constantes desobediências civis contra ele. Enfrentando e suportando frequentemente castigos muito duros. Dá-me vontade de rir quando chego à Europa e escuto as pessoas queixarem-se de que os turcos não são o suficientemente civilizados para se incorporar à sua avançada sociedade. Poderiam aprender várias lições com a Turquia. E isso é bastante incomum. Na realidade, é tão incomum que apenas se conhece, não é possível nem sugeri-lo. Mas, à parte da palavra “perdida”, creio que os comentários de Chris Hedges são exatos, mas eu não consigo perceber nenhuma perda.
Acredito que quase sempre aconteceu o mesmo. Desde cedo, o que varia é a forma com que se trata esses intelectuais. Digamos que pode ser que nos EUA sejam difamados ou algo assim, na antiga União Soviética, na Checoslováquia nos anos sessenta e nos setenta, podiam ser presos, como prenderam Havel. Se nessa época te encontravas nos domínios americanos, como El Salvador, o batalhão de elite treinado na escola especial de guerra dos EUA podia arrebentar-te a cabeça. Portanto, sim, dependendo do país, tratam-se as pessoas de forma diferente.

Amira Hass: Os levantes dos países árabes fizeram-lhe mudar ou revisar as suas antigas análises? Afetaram, e como, as suas ideias sobre, por exemplo, massas, esperança, Facebook, pobreza, intervenção ocidental, surpresa? (Jornalista israelense que vive na faixa de Gaza)
Amira e eu nos reunimos na Turquia há um par de meses, tivemos um par de horas para falar e nenhum de nós previu nada, talvez ela sim, mas se o previu não disse nada, certamente eu não previ nada, não estava sucedendo nada no mundo árabe, portanto, sim, mudei de opinião a esse respeito porque foi algo inesperado. Por outra parte, quando olhas para trás, não há diferença com o que ocorria antes, exceto que no passado os levantes eram violentamente reprimidos, e isso foi o que ocorreu em novembro, no início dos levantes, no Saara Ocidental que Marrocos invadiu há 25 anos, violando as resoluções das Nações Unidas e ocupando brutalmente.
Em novembro se produziu esse primeiro protesto não violento que as tropas marroquinas controlaram violentamente, que é algo que há 25 anos seguem fazendo; foi bastante grave como para que se apresentasse uma petição de investigação nas Nações Unidas, mas então a França foi e interveio. A França é o principal protetor de atrocidades e crimes na África Ocidental, são as velhas propriedades francesas, por isso bloquearam a investigação das Nações Unidas do que foi o primeiro protesto. O seguinte foi na Tunísia, de novo mais ou menos uma zona francesa, mas teve êxito, derrubaram o ditador. E depois veio o Egito, que é o mais importante devido a sua relevância no mundo árabe, que foi imensamente notável, uma imensa demonstração de valor, dedicação e compromisso. Tiveram êxito ao se desfazerem do ditador, ainda que o regime não tenha, todavia, mudado. Talvez mude, mas ainda segue aí, diferentes nomes, mas nada novo; esse levante, do 25 de janeiro, foi dirigido pelos jovens que se autodenominaram como o Movimento do 6 de abril.
Bem, o seis de abril se chama assim por uma razão, eles elegeram esse nome porque foi a data de uma ação importante de luta um par de anos antes, no complexo industrial têxtil de Mahalla, e que se acreditava que seria uma greve importante, levaram-se a cabo atividades de apoio e outras. Bem, foram reprimidos violentamente, isso foi em 6 de abril e essa foi uma da série de greves. Certo é que pouco depois da repressão do levante de 6 de abril, o presidente Obama foi ao Egito dar seu famoso discurso sobre a aproximação ao mundo muçulmano e os demais. Solicitou-se a ele em uma conferência de imprensa que dissesse algo sobre o governo autoritário do presidente Mubarak e disse que não, que Mubarak era um bom homem, que estava fazendo coisas boas mantendo a estabilidade e derrotando a greve de 6 de abril e que isso estava bem.
O mais chamativo é Barein. O que aí sucede está alarmando o Ocidente, em primeiro lugar porque Barein alberga a quinta frota americana, uma força militar importante na região. Segundo, porque é de maioria xiita e se chega até ali justamente através de uma estrada construída desde o leste de Arábia Saudita, que tem também uma população de maioria xiita, e sucede que é onde se encontra a maior parte do petróleo. Durante anos, os planejadores ocidentais se preocuparam pelos incidentes históricos e geográficos dali, porque a maior parte do petróleo mundial se encontra nas zonas xiitas, justamente ao redor desta parte do Golfo, Irã, sul do Iraque, leste da Arábia Saudita. Bem, se o levante de Bahrein se estende à Arábia Saudita, as potências ocidentais vão se ver realmente em dificuldades e de fato Obama modificou a retórica que utilizava oficialmente para falar dos levantes. Durante um tempo falou de mudança de regime, agora fala de alteração do regime. Não queremos que haja mudanças, é extraordinário poder contar com um ditador que nos faça o trabalho sujo.
Na atualidade, um fato bastante surpreendente sobre tudo isto é que..., dê uma olhada nos vazamentos de WikiLeaks, é muito interessante. Os mais conhecidos no Ocidente, as grandes manchetes, os vazamentos dos embaixadores que diziam que o mundo árabe nos apoia contra Irã... Mas havia algo que faltava nessas reações nos jornais, nos colunistas e outros, a saber: a opinião pública árabe, o que queriam dizer com isso de que os ditadores árabes nos apoiam? O que se passava com a opinião pública árabe? Não havia nada, não se informava nada. Nos EUA: zero, creio que há um informe na Inglaterra, de Jonathan Steele, e provavelmente nada na França, não sei. Mas sabe-se bem, e muitas agências prestigiosas publicaram, que os árabes que pensam que Irã é uma ameaça representam 10%.
A maioria, a imensa maioria, pensa que a maior ameaça vem dos EUA e Israel. No Egito, 90% dizem que os EUA é a maior ameaça, na realidade a política dos EUA é tão dura que eu acredito que no Egito quase 80% pensam que o regime seria melhor se Irã tivesse armas nucleares. Por toda a região, a maioria pensa assim. Voltando a John Berger e ao termo democracia, a valorização dos intelectuais ocidentais da democracia é tão profunda e está tão profundamente arraigada que a ninguém ocorre perguntar o que pensam os árabes; quando nos sentimos eufóricos de que os árabes nos apoiem, a resposta é que não nos interessam, enquanto estejam quietos e submetidos e controlados, enquanto há isso que chamamos de estabilidade, não importa o que pensam. Os ditadores nos apoiam e ponto, sentimo-nos eufóricos perante este tipo de vínculos, junto a uma boa quantia de questões... Mas, voltando ao comentário de Amira Hass, o sucedido deveria nos levar a pensar no que esteve sucedendo não somente no mundo árabe, mas em mais lugares e que muito frequentemente está motivado por uma razão essencial: a de terem sido submetidos com violência e assim ocorreu ao longo de todo um século.
Quero dizer que os britânicos estiveram reprimindo o movimento democrático no Irã há mais de um século. No Iraque, houve um levante xiita e, tão logo como os britânicos improvisaram o país após a primeira guerra mundial, reprimiram violentamente os grandes levantes; um dos primeiros usos da aviação foi para atacar os civis. Lloyd George escreveu em seu diário que isso foi algo grandioso porque tínhamos que nos reservar o direito de bombardear os “negros”. Continuou em 1953 quando os EUA e a Grã Bretanha se uniram para derrotar no Irã o governo parlamentarista. De 1936 a 1939, houve um levante árabe na Palestina contra os britânicos que foi violentamente combatido.
A primeira Intifada foi de novo um levante popular muito importante. Não foi violento em absoluto, mas sim, um verdadeiro movimento popular, com grupos de mulheres protestando contra a estrutura feudal, tentando destruí-la. Foi combatida sem piedade. Tão logo sucediam coisas como essas, elas eram combatidas. O que é incomum nesta ocasião é que na maioria dos países são suficientemente fortes como para poder sustentar-se. Não sabemos o que sucederá no Barein e Arábia Saudita. Na realidade, não sabemos o que vai suceder no Egito. O exército, que conservou até agora ao menos o controle e o alto comando militar, está profundamente embutido no velho regime opressor. Haviam se apoderado de grande parte da economia, eram os beneficiários da ditadura de Mubarak, não vão ceder facilmente, por isso nos resta ver o que vai suceder ali.

Ken Loach: Como superar o sectarismo na esquerda? (Cineasta britânico)
Não acredito que consigamos algum dia. Há uma forma de sectarismo que é bem vinda, a saber: a discrepância. Há muitas coisas pouco claras, deveríamos discutir, buscar diferentes opções e, além disso, ver o que quer expressar Ken com sectarismo e o que significa em geral; são uma série de iniciativas que algumas vezes tentam, e frequentemente conseguem, dividir os movimentos populares. As pessoas individuais ou os grupos políticos que têm sua própria agenda e querem se construir com o controle se convertem em pequenos Lênin. Não acredito que algum dia esse tipo de sectarismo seja eliminado. Pode-se marginalizá-lo, como por exemplo, durante os levantes do mundo árabe, ou seja, Egito, a Praça de Tahrir, eles foram surpreendentemente muito pouco sectários e havia muitos pontos de vista diferentes, mas havia unidade e um objetivo comum. Lamentavelmente, isso está começando a alterar-se.
Justamente ontem houve uma manifestação de mulheres para exigir seus direitos. Foram reprimidas. É uma sociedade muito sexista e atacaram as mulheres. Ok, isso é sectarismo. Agora, há também um sectarismo religioso em desenvolvimento, quero dizer que quando um objetivo comum já não serve para unir as pessoas em luta, então te deparas com o sectarismo. Essa é a forma de unir as pessoas. Por exemplo, no movimento de trabalhadores nos EUA. A força trabalhadora foi extremamente racista e não necessariamente só contra os negros; por exemplo, no final do século XIX, tratavam-se igualmente os irlandeses e os negros. Quero dizer que podias passear por Boston e ver cartazes que diziam “Nem cachorros nem irlandeses”, etc.
Éramos chamados de hunos, isso significa alguém que vem da Europa Oriental, um amargo racismo contra os bárbaros, contra os italianos, estendia-se até onde alcançava a vista. Mas quando começam as ondas de greves nos fins do século XIX e vão adquirindo importância, houve lugares como os centros mineiros do carvão e do aço no oeste da Pensilvânia, nos quais as pessoas tomaram as cidades e as governaram. Neste ponto, o sectarismo desapareceu, o racismo desapareceu e se uniram para tratar de conseguir algo. O mesmo ocorreu com a organização CIO na década de 1930, superou o racismo contra os negros e trabalharam juntos. Essa é a única forma que eu conheço de conseguir as coisas. O mesmo aconteceu no movimento pelos direitos civis. Se tiveres um objetivo comum e podes coordenar-te para tentar alcançá-lo, então se deixam de lado os esforços sectários, não é que desapareçam, há pessoas que seguem manobrando na periferia e talvez se os motivos e os compromissos se suavizam, elas podem começar a tentar fazê-lo com o todo, como começamos a ver no Egito, mas não conheço outra forma de consegui-lo.

Paul Laverty: Provavelmente não houve nunca uma época na qual tenha ocorrido tanta concentração da riqueza e de poder em tantas poucas mãos. Os poderosos utilizam sistemas sofisticados para manter este estado de coisas, mas talvez nós, na esquerda, utilizamos isto também como desculpa para ocultar nossas deficiências. O que você pensa que falhou em nosso esforço imaginativo para construir uma campanha de massas internacional que democratize os recursos e desafie o poder corporativo? Você pode imaginar uma época na qual possamos organizar com êxito nossas vidas e economias sobre uma base de cooperação ao invés de uma base competitiva? (Advogado e cineasta escocês)
Claro que posso imaginar e, na realidade, houve diversos experimentos com êxito, alguns deles justamente agora. Nenhum deles utópico, nenhum deles do tipo que eu ou você ou outros aspirariam, mas não foram insignificantes. Tomemos, por exemplo, o sistema de Mondragón, na Espanha, gerenciado pelos trabalhadores. É uma forma de cooperativa que teve muito êxito, com um êxito muito amplo.
Se olha ao redor dos EUA, há provavelmente centenas de empresas autogerenciadas, não são imensas, ainda que algumas, sim, são bastante grandes, mas estão tendo êxito. Tomemos justamente agora o Egito, uma das coisas mais interessantes que estão sucedendo no Egito é que o movimento dos trabalhadores, que se manteve militante durante anos (como mencionei antes, este levante não saiu do nada), em alguns dos centros industriais, como o caso de Mahalla, ao que tudo indica os trabalhadores tomaram a empresa e a estão dirigindo. Bem, se isso é verdade, esse poderia ser o começo de uma revolução, para voltar às palavras de Berger. Portanto, sim, é perfeitamente factível.
O comentário sobre a desigualdade é muito real. Não conheço as estatísticas detalhadas de outros países, mas nos EUA a desigualdade está justamente agora no nível mais alto de sua história desde a década de 1920. Mas isso é enganoso, porque a desigualdade nos EUA está muito concentrada, no alto temos exatamente 1% da população. Observe a distribuição dos ingressos, vai de forma muito aguda até o extremo superior e é, literalmente, a décima parte do 1% da população. Aí se dá uma riqueza extraordinária. De fato isso está impulsionando a desigualdade, se tomas essa parte, vês que é desigual, mas não pode se ocultar totalmente. Quem são? São os gestores de fundos de cobertura, os diretores executivos, os banqueiros, etc. Bem, algo muito grave esteve acontecendo.
Desde os anos setenta, a economia mudou de forma significativa, “financiarizou-se”. Voltando aos setenta, as instituições financeiras, os bancos, as empresas de investimento representavam uma pequena percentagem dos benefícios corporativos. Agora, em 2007, por exemplo, alcançaram 40%. Não beneficiam à economia, na realidade provavelmente a prejudicam, não têm utilidade social, mas são poderosas. Com poder econômico se controla o poder político. Por razões bastante óbvias. Por isso conseguiram um extenso poder político, por exemplo, as instituições financeiras que colocaram Obama no poder, é delas que procede a maior parte de seu financiamento.
Com poder político tens a oportunidade de modificar o sistema legislativo e isso é o que estiveram fazendo. Portanto, sobretudo desde os anos oitenta, modificaram-se as políticas fiscais, as políticas tributárias, para assegurar uma muito alta concentração da riqueza. Modificaram-se as normas da governança corporativa. Permitem, por exemplo, que o diretor executivo de uma corporação selecione a junta que vai determinar o seu salário. Bem, tu podes imaginar quais são as conseqüências de tudo isso. Na atualidade, lemos todos os dias nos portais dos jornais, lemos sobre os imensos bônus que são dados aos encarregados da gestão, daí é de onde sai.
Toda a regulação veio abaixo, com efeitos muito destacados. Isto se generaliza pelo resto do mundo. Estou falando dos EUA porque é o que melhor exemplo que conheço. Realmente, a regulação do New Deal impediu até os anos oitenta que surgisse uma crise financeira. Desde a década de 1980, crise após crise, várias durante os anos de Reagan, bastante graves, de fato Reagan deixou o poder com a pior crise financeira desde a depressão. O escândalo de Sayings & Loans, depois chegou Clinton, depois esta crise da moradia, malditos oitocentos bilhões de dinheiro desapareceram, a economia devastada. Bem, tudo isso é fruto de decisões políticas.
Enquanto isso, o custo das campanhas eleitorais segue incrementando-se e isso obriga as partes a irem profundamente aos bolsos dos setores corporativos onde está o dinheiro. Espera-se que as próximas eleições, em 2012, custem ao redor de 2 bilhões de dólares. Dê uma olhada na administração Obama e se dará conta que esteve incorporando executivos ao seu governo. São os que têm acesso ao financiamento das corporações que vão comprar as eleições. As eleições estão convertendo-se em uma mera farsa dirigida pela indústria das relações públicas. É um esforço de marketing, estão dizendo abertamente. Na realidade, Obama ganhou o prêmio da indústria da publicidade pela melhor campanha de marketing em 2008, sabe-se exatamente do que se trata o assunto. Bem, tudo isso é uma espécie de círculo vicioso. Aumenta a concentração da riqueza, incrementa o poder político, que atua para aumentar ainda mais a riqueza.
Por que não há reação? Agora, sim, está havendo reação, pela primeira vez, o que está sucedendo em Wisconsin é uma reação muito importante. Há dezenas de milhares de pessoas nas ruas, dia após dia, com muito apoio popular, talvez lhes apoiem as duas terceiras partes da população. Estão tentando defender os direitos dos trabalhadores, o direito à negociação coletiva, que está sob ataque. Refiro-me ao fato de que o mundo dos negócios compreende muito bem que a única barreira perante a sua total tirania corporativa é o movimento organizado de trabalhadores. Por isso há que destruí-lo. A história do movimento dos trabalhadores nos EUA foi extremamente violenta, mais que na Europa e ali se fizeram esforços e mais esforços para acabar com os sindicatos, mas seguem renascendo. Agora há um esforço importante contra, mas está se resistindo. Os grandes movimentos populares resistem.
Mas onde está a esquerda? É interessante o que está sucedendo agora com a esquerda. Depois da década de 1960, na qual houve um grande renascimento, não houve grande ativismo na esquerda. Há agora muito jovens mais ativistas que nos anos sessenta. Mas os problemas mudaram. Algumas vezes são denominados como pós-materialistas. São temas importantes, não os deprecio. Os direitos dos homossexuais, os direitos ambientalistas, os direitos das mulheres, são todos importantes, mas não chegam a preocupar as pessoas que estão sofrendo um desemprego em níveis de época de depressão. Não chegam aos 20% da população que necessita de bônus de ajuda alimentícia. Não houve este tipo de difusão e organização. Por isso, quando começaram há umas duas semanas os protestos em Wisconsin, não houve praticamente nenhuma iniciativa da esquerda. Bom, um par de personalidades bem conhecidas chegou para dar uma palavra, mas nada mais, não estava organizado por grupos de esquerda que deveriam estar no mesmo coração de tudo. Mas estão por aí e é melhor que se apresentem ou vamos ter problemas.
Ainda que o ativismo de esquerda seja importante, muito importante, está bastante divorciado da luta diária pela sobrevivência e uma vida decente da maioria da população e essa é uma brecha que deve ser superada de algum modo.

Alice Walker: Creio que é inevitável a solução de um único Estado ao impasse Palestina/Israel, e que é mais justa do que poderia ser a solução dos dois estados. Isto se deve ao fato de que não acredito que Israel deixe alguma vez de tentar ter sob seu controle os palestinos, sejam já cidadãos de Israel ou vivam nos territórios ocupados. Com a solução dos dois Estados haveria um estado israelita e um bantustão palestino. (Escritora estadunidense e autora do livro A Cor Púrpura)
Surpreendeu-me muito seu rechaço à ideia de um Estado como algo quase absurdo e gostaria de entender por que pensa assim. Não há nenhuma esperança de que israelitas e palestinos possam viver juntos como os brancos e negros após a caída do apartheid, na África do Sul?
É uma pergunta interessante. Ela é uma mulher maravilhosa, faz um bom trabalho, está realmente comprometida com a causa palestina, mas a pergunta diz algo sobre o recente movimento de solidariedade palestino. Quero dizer, se eu tivesse lhe feito a pergunta, digamos, por que pensa que é absurdo tentar defender direitos civis para os negros nos EUA? Ela teria se sentido desconcertada, dedicou grande parte de sua vida nisso. De fato, a única resposta possível seria: De que planeta você saiu? Isso é o que estive fazendo toda a minha vida.
É exatamente o mesmo aqui. Já faz setenta anos que estamos defendendo o que na recente ressurreição recebe o nome de um acordo para Um Estado. O acordo para Um Estado, que não é solução. Esse Acordo de Um Estado chama-se, frequentemente, de um acordo binacional e se se pensa nele, sim, terá de ser um acordo binacional. Isso foi o que eu estive fazendo quando era um jovem ativista nos anos quarenta, em oposição a um Estado judeu. E assim continuarei sempre. E é duro perder isso. Desde os últimos anos da década de 1960 escrevi toda uma série de livros, um número imenso de artigos, palestras constantemente, milhares delas, entrevistas, sempre ao redor do mesmo. Tentando trabalhar por um acordo binacional, em oposição a um Estado judeu.
Fiz toneladas de trabalhos sobre este tema, trabalho ativista, escrevendo, etc. Mas não é somente o slogan e acredito que é por isso que alguém como Alice Walker o desconhece. Não é somente um slogan, “vivamos juntos e felizes”. Trata-se de enfrentar seriamente o problema. Quando és sério sobre isso, pergunta-te “como podemos conseguir?” Bem, depende das circunstâncias, como todas as opções táticas. No período anterior a 1948, era simples, não queremos um Estado judeu, tenhamos um Estado binacional. De 1948 a 1967, dizias a ti mesmo que não era sensato eleger essa posição. Em 1967 abriu-se de novo a possibilidade. Houve uma oportunidade em 1967 de avançar para algum tipo de sistema federal para depois chegar a uma integração mais estreita, talvez um autêntico Estado laico binacional.
Em 1975, cristalizou o nacionalismo palestino e se introduziu na agenda, e a OLP ponderou um acordo de dois estados, com o imensamente doloroso consenso internacional dessa época para um acordo de dois estados na forma que todo o mundo conhece. De 1967 a 1975 era impossível defendê-lo diretamente e era um anátema, algo odiado, denunciado porque era ameaçador. Era ameaçador porque podia cumprir-se e isso prejudicaria a formação política. Portanto, enquanto se davam conta, denunciava-se e difamava-se. Desde 1975 podias ainda manter esta posição, mas tinhas de enfrentar a realidade, que teria que se alcançar por etapas. Há somente uma proposta que nunca escutei, a de que vivamos todos juntos em paz; a única proposta que conheço, começando com o consenso internacional, é a do acordo de dois Estados. Reduzirá o nível de violência, o ciclo de violência, abrirá possibilidades para uma interação mais estreita que já se produz em algum nível, inclusive nas circunstâncias atuais, comercial, cultural e outras formas de interação. Isso poderia levar a desgastar as fronteiras. Isso poderia levar a uma maior interação e talvez a algo como o velho conceito de Estado binacional.
Chamo agora de acordo porque não acredito que este seja o final do caminho. Não vejo razão particular alguma para render culto às fronteiras imperialistas. Assim que quando minha esposa e eu nos voltamos para quando éramos estudantes e íamos com a mochila pelo norte de Israel, e sucedia que cruzavas o Líbano, porque não há uma fronteira marcada, já se sabe, aparecia alguém nos gritando e nos dizendo para voltar. Por que deveria fazer uma fronteira ali? Foi imposto mediante a violência francesa e britânica. Tínhamos que avançar até uma maior integração de toda a região, não se fazia um acordo de um Estado se é que falamos da palavra. De qualquer forma, há uma série de coisas equivocadas com respeito aos Estados, por que deveríamos prestar culto às estruturas estatais? Teríamos de miná-las. Mas bem, em uma série de passos. Se alguém pode pensar em outra via para chegar até aí, então deveria nos contar. Podemos lhe escutar e falar sobre isso. Mas não sei de outra via. Portanto, tudo o que estive escrevendo e falando é demasiado complexo para colocá-lo em uma mensagem de twitter. Nesta época, isso significa que não existe. Tens de apoiar tanto o acordo para dois Estados como o acordo para um Estado. Tens de apoiar ambas as coisas, porque uma delas é o caminho para conseguir a outra. Se não fazes o primeiro movimento, não vai a lugar algum. Agora Alice Walker diz que Israel não aceitará um acordo de dois Estados. Tem razão. Tampouco vai aceitar o acordo de um Estado. Portanto, se esse argumento tem alguma força, sua proposta está fora de lugar, a minha também.
Por esse mesmo argumento, poder-se-ia tratar de demonstrar que o apartheid nunca teria fim. Que os nacionalistas brancos nunca aceitariam por fim ao apartheid, o que é verdade, então, Ok, renunciamos a luta contra o apartheid. Indonésia nunca renunciaria a Timor Leste, os generais diziam alto: “é uma província nossa e vamos mantê-la”. Isso tinha sido verdade se as ações tivessem se produzido no vazio. Mas não havia tal vazio, havia outros fatores implicados. Um dos fatores, que é importante, e de fato nestes casos é decisivo, é a política norte-americana. Bem, isso não está gravado em pedra. Quando a política dos EUA mudou sobre a Indonésia e Timor Leste, tomou-se literalmente uma frase do presidente Clinton para conseguir que os generais indonésios se fossem. Em um determinado momento ele disse: “Acabou-se”. E se retiraram.
No caso do apartheid, foi um pouco mais complicado. Cuba desempenhou um grande papel. Por exemplo, Cuba expulsou os sul-africanos de Namíbia e protegeu Angola. Isso teve um grande impacto. Mas foi quando mudou a política dos EUA, até 1990, quando esse movimento, o apartheid, veio abaixo. Agora, no caso de Israel, EUA é decisivo. Israel não pode fazer nada sem contar com o apoio dos EUA. Proporciona-lhe apoio democrático, militar, econômico e ideológico. Quando esse apoio se retira, fazem o que os EUA dizem. E assim sucedeu realmente uma e outra vez.
Portanto, se fosse verdade que se estivesse atuando em um vazio, nunca teriam aceitado algo que não fosse o que estão fazendo agora. Apoderando-se da prisão que é a Gaza, apoderando-se de todo o território que lhes dá vontade, já se sabe, e assim seguirão. Mas não estão atuando em um vazio. Há coisas que podemos fazer, como em outros casos, para mudar isso. E neste caos, penso que pode se considerar e, inclusive, traçar-se um plano para poder avançar em direção ao acordo de um Estado como um passo até algo inclusive melhor; há que seguir. Pelo que se pode ver, o único caminho para conseguir isso é apoiando o consenso internacional como primeiro passo. Um passo, um prelúdio para mais passos. Isso significa ações muito concretas. Não temos de organizar um seminário para discutir as possibilidades abstratas. Há passos muito concretos que podemos dar.
Por exemplo, retirar o exército israelense da Cisjordânia. Essa é uma proposta concreta e há toda uma série de medidas a adotar para levá-la a cabo. Por exemplo, a Anistia Internacional, que não é precisamente uma organização revolucionária, pediu um embargo de armas sobre Israel. Bem, se os EUA, Grã Bretanha, França e outros, se os povos podem pressionar os seus governos para que aceitem essa proposta e dizer que haverá um embargo de armas ao menos que retires o teu exército da Cisjordânia, isso teria efeito. Há outras ações que poderiam ser feitas. Se o exército sai da Cisjordânia, os colonos irão também com eles. Subirão nos caminhões que lhes facilitem e se transladarão desde suas casas subvencionadas na Cisjordânia para as suas casas subvencionadas em Israel. Da mesma forma como fizeram em Gaza, quando lhes foi dada a ordem. É provável que alguns fiquem, mas isso não importa, se querem seguir em um Estado palestino, isso é assunto seu. Portanto, há coisas muito concretas que podem ser feitas. Sei que não é questão de estalar os dedos e já está, mas não é pedir muito mais que o tipo de coisas que sucederam em outras partes quando a política das grandes potências mudou, sobretudo a dos EUA.

Frank Barat é coordenador do Tribunal Russel sobre Palestina e acaba de editar o livro de Noam Chomsky e Ilan Pappé Gaza in Crisis: Reflections on Israel’s War Against the Palestinians.

Fonte: Brasil de fato

Brasil sem miséria

É louvável a iniciativa do governo de ter um plano para combater a extrema miséria existente em nosso país. Afinal, uma das dez maiores economias do planeta mantém 16,2 milhões de brasileiros vivendo com menos de R$ 70 mensais. Situação que condena essa população a viver em condições subumanas e que envergonha o país.

O Plano Brasil sem Miséria tem a intenção, de acordo com o governo, de promover a transferência de renda, cidadania, acesso a infraestrutura, profissionalização e oportunidades de trabalho. Para isso serão destinados, anualmente, até 2014, R$ 20 bilhões.

O Plano, se realmente posto em prática, sinaliza a preocupação do governo em iniciar um processo de pagamento dessa dívida social. Mas, construir um Brasil sem miséria exige a adoção de políticas mais ousadas, profundas e abrangentes.

Exige não temer enfrentar os que monopolizam o poder econômico e político do país. Os R$ 20 bilhões que serão destinados a 16,2 milhões de pessoas, a quem falta tudo, são 2,2 vezes menos do que os lucros dos bancos que abastecem as contas bancárias dos que já possuem tudo. Em 2010, o lucro dos bancos foi de R$ 44,7 bilhões. Enfrentar os interesses dos bancos e distribuir essa riqueza concentrada é imprescindível para estancar e reverter o processo de crescente pauperização de largas camadas da população.

Um Brasil sem miséria exige respeito e valorização dos bens e serviços públicos, algo que a burguesia brasileira ignora. Embora a corrupção pública seja inerente ao Estado burguês, é inaceitável que prevaleça a impunidade com os que se apropriam indevidamente dos bens e recursos públicos. A corrupção de funcionários públicos, sejam do primeiro escalão do governo federal à Câmara de vereadores de Ibaretama (CE), deve ser – corruptos e corruptores – exemplarmente punida.

Da mesma forma, grupos empresariais que, com a conivência e em conluio com autoridades governamentais, roubam recursos públicos através do superfaturamento de obras e de falcatruas em concorrências publicas, devem sentar no banco dos réus e serem punidos. Fazem falta à educação, saúde, moradia e transporte da população paulista, os recursos que sumiram “misteriosamente” na construção do rodoanel, nos túneis do metrô, nas privatizações das empresas estatais.

Há fortes indícios de que essa prática será acentuada com as obras relacionadas à Copa do Mundo, em 2014, e às Olimpíadas, no Rio de Janeiro, em 2016. O que esperar de um Ricardo Teixeira, que acumula os cargos de presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL), se ele é internacionalmente reconhecido como uma pessoa ligada aos esquemas de corrupção do futebol mundial? Se a impunidade que lhe é assegurada, aqui no Brasil, pela subserviência que lhe presta um grupo de parlamentares federais, que formam a bancada da bola? O parlamento brasileiro daria uma enorme contribuição à moralidade do país e à autoestima do povo brasileiro se averiguasse o enriquecimento ilícito dos que se aproveitam do futebol, seja nos clubes, federações e confederação.

Recursos financeiros que poderiam agilizar e ampliar o combate à pobreza, não raras vezes saem dos cofres públicos para amordaçar a imprensa, torná-la conivente com administrações medíocres, fazê-la assumir o papel de oposição partidária e endeusar lideranças políticas incompetentes, ególatras ou bon vivants que dedicam mais tempo às baladas noturnas do que ao trabalho público. Jamais se elegeriam se a imprensa cumprisse seu dever de informar, de maneira isenta, a população. Mas este conluio entre mídia e poder público consome vultuosas somas de recursos públicos que fazem falta à população brasileira.

Combater a miséria nesse país exige dos governos federal, estadual ou municipal, deixarem de encarar os movimentos sociais, sindicais e mobilizações populares como casos de polícia. No Rio de Janeiro, o Corpo de Bombeiros que se mobilizou, juntamente com seus familiares, para reivindicar aumento salarial e melhores condições de trabalho, é duramente reprimido, tido pelo governador como vândalos e vários bombeiros são presos. O desperdício de dinheiro público em obras que se tornam verdadeiros “elefantes brancos”, como a Cidade da Música e as obras dos Jogos Panamericanos, seria melhor utilizado para atenderem as reivindicações dos bombeiros e dos professores, que ameaçam entrar em greve naquele Estado.

Em quase todos os estados brasileiros há professores em greves. Alguns, há mais de 30 dias. E há governos que, além de não atender às reivindicações, tratam o movimento grevista com total indiferença, como se ele não existisse. Passam a impressão de que estão satisfeitos com uma possível economia dos períodos sem aulas nas escolas. Caberá aos trabalhadores e trabalhadoras da educação encontrar novas formas de mobilizações para derrotar o imobilismo e a ineficiência dos governos que penalizam a educação.

Em São Paulo, enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ocupa espaços na mídia com sua tradicional empáfia, para se apresentar como portador da bandeira
da legalização da maconha, uma manifestação popular com o mesmo objetivo é tratada pelo governo tucano a cacetetes, balas de borracha, prisões e gás lacrimogêneo. Nada mais evidente de quem pode, aos olhos das autoridades e da burguesia, fazer política e dos que devem se contentar a serem apenas espectadores e aplaudir os “iluminados”.

Combater a miséria em nosso país exige fazer um acerto de contas com a secular estrutura fundiária, alicerce do poder econômico e político dos latifundiários, da pobreza da população rural, dos assassinatos de trabalhadores rurais e dos crimes ambientais. No Pará, 98% dos assassinatos de trabalhadores rurais estão impunes. A manutenção da concentração fundiária promove, de forma constante, os assassinatos e assegura a impunidade dos criminosos.

O combate à pobreza, sinalizado no Plano assinado pela presidenta Dilma, precisa ser aprofundado e exige reformas estruturais na economia e na política do pais. É evidente que não há unidade na base política do atual governo para enfrentar esses desafios. Caberá às mobilizações populares entrar em cena para obter as conquistas que assegurem a construção de um país socialmente justo democrático e igualitário. (Editorial - Brasil de Fato)

Palocci caiu! E agora, Dilma?

Por Altamiro Borges

A saída de Antonio Palocci, anunciada numa nota lacônica na tarde de ontem, já era esperada. A sua permanência no mais alto posto do governo, apesar da decisão do procurador-geral que o inocentou, era insustentável. A cada dia no Palácio Planalto, ele ajudava a “sangrar” a gestão de Dilma Rousseff que não completou nem seis meses de mandato.

O ex-ministro deve explicações à sociedade sobre o seu rápido enriquecimento – como “consultor de empresas”, ele elevou o seu patrimônio em 20 vezes em apenas quatro anos. Até agora, não há qualquer prova de atos ilícitos, mas ficou a macula de uma postura imoral. Nem a presidenta sabia dos seus “negócios”, afirmou Palocci na TV Globo.

O falso moralismo udenista

As denúncias contra o ex-ministro ocuparam as manchetes da imprensa por quase um mês, deixando na defensiva o governo. A mesma mídia, tão seletiva na hora de investigar o enriquecimento de ex-ministros de FHC ou de agiotas financeiros (vide Daniel Dantas), pautou a agenda política, ofuscando e paralisando as ações governamentais.

Da parte dos chefões da oposição demotucana e da sua mídia – mais sujos do que pau de galinheiro –, nunca houve qualquer compromisso com a ética na gestão pública. Ao bombardear o ex-ministro, eles visaram unicamente atingir a presidenta Dilma Rousseff. Sem programa e sem discurso, eles voltaram a apelar para o falso moralismo udenista.

Oposição frita “homem de confiança”

A violenta pressão inviabilizou a permanência de Palocci. Na prática, ele sempre foi vulnerável e a sua escolha como ministro todo-poderoso foi algo temerário. Insistir em mantê-lo só causaria mais prejuízos, paralisando e sangrando o governo. Agora, a oposição demotucana e sua mídia comemoram a sua queda. Mas a vida é cheia de contradições.

Palocci sempre foi o homem de confiança do deus-mercado e dos barões da mídia. Pouco antes das eleições, a revista Veja o elegeu como “fiador” do governo Dilma. Durante cinco meses, estabeleceu-se uma “lua de mel” entre a mídia e a presidenta. Mas o “namorico”, como ironizou Lula, durou pouco. O “fiador” virou a peça de desestabilização do governo. A oposição de direita e midiática preferiu fritar o seu homem de confiança no Palácio do Planalto.

Ironias da história

Numa ironia da história, porém, a crise gerada pelo ex-ministro pode se transformar em novas oportunidades. Sem Palocci, um político pragmático, centralizador e adepto da ortodoxia neoliberal, o governo Dilma pode se soltar mais e ter mais ousadia. O episódio mostrou que não dá para ter ilusões com direita demotucana e com sua mídia.
 

A crise européia e o “moinho satânico” do capitalismo global

  

A crise européia é não apenas uma crise da economia e da política nos países europeus, mas também – e principalmente - uma crise ideológica que decorre não apenas da falência política dos partidos socialistas em resistir à lógica dos mercados financeiros, mas também da incapacidade das pessoas comuns e dos movimentos sociais de jovens e adultos, homens e mulheres explorados e numa situação de deriva pessoal por conta dos desmonte do Estado social e espoliação de direitos pelo capital financeiro, em perceberem a natureza essencial da ofensiva do capital nas condições do capitalismo global. O artigo é de Giovanni Alves.

A crise financeira de 2008 expõe com candência inédita, por um lado, a profunda crise do capitalismo global e, por outro, a débâcle político-ideológico da esquerda socialista européia intimada a aplicar, em revezamento com a direita ideológica, os programas de ajustes ortodoxos do FMI na Grécia, Espanha e Portugal, países europeus que constituem os “elos mais fracos” da União Européia avassalada pelos mercados financeiros.

Aos poucos, o capital financeiro corrói o Estado social europeu, uma das mais proeminentes construções civilizatórias do capitalismo em sua fase de ascensão histórica. Com a crise estrutural do capital, a partir de meados da década de 1970, e a débâcle da URSS e o término da ameaça comunista no Continente Europeu, no começo da década de 1990, o “capitalismo social” e seu Welfare State, tão festejado pela social-democracia européia, torna-se um anacronismo histórico para o capital. Na verdade, a União Européia nasce, sob o signo paradoxal da ameaça global aos direitos da cidadania laboral. É o que percebemos nos últimos 10 anos, quando se ampliou a mancha cinzenta do desemprego de longa duração e a precariedade laboral, principalmente nos “elos mais fracos” do projeto social europeu. Com certeza, a situação do trabalho e dos direitos da cidadania laboral na Grécia, Espanha e Portugal deve piorar com a crise da dívida soberana nestes países e o programa de austeridade do FMI.

Vivemos o paradoxo glorioso do capital como contradição viva: nunca o capitalismo mundial esteve tão a vontade para aumentar a extração de mais-valia dos trabalhadores assalariados nos países capitalistas centrais, articulando, por um lado, aceleração de inovações tecnológicas e organizacionais sob o espírito do toyotismo; e por outro lado, a proliferação na produção, consumo e política, de sofisticados dispositivos de “captura” da subjetividade do homem que trabalha, capazes de exacerbar à exaustão, o poder da ideologia, com reflexos na capacidade de percepção e consciência de classe de milhões e milhões de homens e mulheres imersos na condição de proletariedade.

Deste modo, a crise européia é não apenas uma crise da economia e da política nos países europeus, mas também – e principalmente - uma crise ideológica que decorre não apenas da falência política dos partidos socialistas em resistir à lógica dos mercados financeiros, mas também da incapacidade das pessoas comuns e dos movimentos sociais de jovens e adultos, homens e mulheres explorados e numa situação de deriva pessoal por conta dos desmonte do Estado social e espoliação de direitos pelo capital financeiro, em perceberem a natureza essencial da ofensiva do capital nas condições do capitalismo global.

Ora, uma parcela considerável de intelectuais e publicistas europeus têm uma parcela de responsabilidade pela “cegueira ideológica” que crassa hoje na União Européia. Eles renunciaram há tempos, a uma visão critica do mundo, adotando como único horizonte possível, o capitalismo e a Democracia – inclusive aqueles que se dizem socialistas. Durante décadas, educaram a sociedade e a si mesmos, na crença de que a democracia e os direitos sociais seriam compatíveis com a ordem burguesa. O pavor do comunismo soviético e a rendição à máquina ideológica do pós-modernismo os levaram a renunciar a uma visão radical do mundo. Por exemplo, na academia européia – que tanto influencia o Brasil – mesmo em plena crise financeira, com aumento da desigualdade social e desmonte do Welfare State, abandonaram-se os conceitos de Trabalho, Capitalismo, Classes Sociais e Exploração. Na melhor das hipóteses, discutem desigualdades sociais e cidadania...

Há tempos o léxico de critica radical do capitalismo deixou de ser utilizado pela nata da renomada intelectualidade européia, a maior parte dela, socialista, satisfeita com os conceitos perenes de Cidadania, Direitos, Sociedade Contemporânea, Democracia, Gênero, Etnia, etc – isto é, conceitos e categoriais tão inócuas quanto estéreis para apreender a natureza essencial da ordem burguesa em processo e elaborar com rigor a crítica do capitalismo atual. Na verdade, para os pesquisadores da “classe média” intelectualizada européia, muitos deles socialistas “cor-de-rosa”, a esterilização da linguagem crítica permite-lhes pleno acesso aos fundos públicos (e privados) de pesquisa institucional.

É claro que esta “cegueira ideológica” que assola o Velho Continente decorre de um complexo processo histórico de derrota do movimento operário nas últimas décadas, nos seus vários flancos – político, ideológico e social: o esclerosamento dos partidos comunistas, ainda sob a “herança maldita” do stalinismo; a “direitização” orgânica dos partidos socialistas e sociais-democratas, que renunciaram efetivamente ao socialismo como projeto social e adotaram a idéia obtusa de “capitalismo social”; o débâcle da União Soviética e a crise do socialismo real, com a intensa campanha ideológica que celebrou a vitória do capitalismo liberal e do ideal de Democracia. A própria União Européia nasce sob o signo da celebração da globalização e suas promessas de desenvolvimento e cidadania. Last, but not least, a vigência da indústria cultural e das redes sociais de informação e comunicação que contribuíram – apesar de suas positividades no plano da mobilização social – para a intensificação da manipulação no consumo e na política visando reduzir o horizonte cognitivo de jovens e adultos, homens e mulheres à lógica do establishment, e, portanto, à lógica neoliberal do mercado, empregabilidade e competitividade.

Na medida em que se ampliou o mundo das mercadorias, exacerbou-se o fetichismo social, contribuindo, deste modo, para o “derretimento” de referenciais cognitivos que permitissem apreender o nome da “coisa” que se constituía efetivamente nas últimas décadas: o capitalismo financeiro com seu “moinho satânico” capaz de negar as promessas civilizatórias construídas na fase de ascensão histórica do capital.

Não deixa de ser sintomático que jovens de classe média indignados com a “falsa democracia” e o aumento da precariedade laboral em países como Portugal e Espanha, tenham levantado bandeiras inócuas, vazias de sentido, no plano conceitual, para expressar sua aguda insatisfação com a ordem burguesa. Por exemplo, no dia 5 de junho de 2011, dia de importante eleição parlamentar em Portugal, a faixa na manifestação de jovens acampados diante da célebre catedral de Santa Cruz em Coimbra (Portugal), onde está enterrado o Rei Afonso Henriques, fundador de Portugal, dizia: “Não somos contra o Sistema. O Sistema é que é Contra Nós”. Neste dia, a Direita (PSD-CDS) derrotou o Partido Socialista e elegeu a maioria absoluta do Parlamento, numa eleição com quase 50% de abstenção e votos brancos. Enfim, órfãos da palavra radical, os jovens indignados não conseguem construir, no plano do imaginário político, uma resposta científica e radical, à avassaladora condição de proletariedade que os condena a uma vida vazia de sentido.

Na verdade, o que se coloca como tarefa essencial para a esquerda radical européia - e talvez no mundo em geral - é ir além do mero jogo eleitoral e resgatar a capacidade de formar sujeitos históricos coletivos e individuais capazes da “negação da negação” por meio da democratização radical da sociedade. Esta não é a primeira - e muito menos será a última - crise financeira do capitalismo europeu. Portanto, torna-se urgente construir uma “hegemonia cultural” capaz de impor obstáculos à “captura” da subjetividade de homens e mulheres pelo capital. Para que isso ocorra torna-se necessário que partidos, sindicatos e movimentos sociais comprometidos com o ideal socialista, inovem, isto é, invistam, mais do que nunca, em estratégias criativas e originais de formação da classe e redes de subjetivação de classe, capazes de elaborar – no plano do imaginário social – novos elementos de utopia social ou utopia socialista. Não é fácil. É um processo contra-hegemônico longo que envolve redes sociais, partidos, sindicatos e movimentos sociais. Antes de mais nada, é preciso resgatar (e re-significar) os velhos conceitos e categorias adequadas à critica do capital no século XXI. Enfim, lutar contra a cegueira ideológica e afirmar a lucidez crítica, entendendo a nova dinâmica do capitalismo global com suas crises financeiras.

Ora, cada crise financeira que se manifesta na temporalidade histórica do capitalismo global desde meados da década de 1970 cumpre uma função heurística: expor com intensidade candente a nova dinâmica instável e incerta do capitalismo histórico imerso em candentes contradições orgânicas.

Na verdade, nos últimos trinta anos (1980-2010), apesar da expansão e intensificação da exploração da força de trabalho e o crescimento inédito do capital acumulado, graças à crescente extração de mais-valia relativa, a produção de valor continua irremediavelmente aquém das necessidades de acumulação do sistema produtor de mercadorias. É o que explica a financeirização da riqueza capitalista e a busca voraz dos “lucros fictícios” que conduzem a formação persistente de “bolhas especulativas” e recorrentes crises financeiras.

Apesar do crescimento exacerbado do capital acumulado, surgem cada vez mais, menos possibilidades de investimento produtivo de valor que conduza a uma rentabilidade adequada às necessidades do capital em sua etapa planetária. Talvez a voracidade das políticas de privatização e a expansão da lógica mercantil na vida social sejam estratégias cruciais de abertura de novos campos de produção e realização do valor num cenário de crise estrutural de valorização do capital.

Ora, esta é a dimensão paradoxal da crise estrutural de valorização. Mesmo com a intensificação da precarização do trabalho em escala global nas últimas décadas, com o crescimento absoluto da taxa de exploração da força de trabalho, a massa exacerbada de capital-dinheiro acumulada pelo sistema de capital concentrado, não encontra um nível de valorização – produção e realização - adequado ao patamar histórico de desenvolvimento do capitalismo tardio.

Deste modo, podemos caracterizar a crise estrutural do capitalismo como sendo (1) crise de formação (produção/realização) de valor, onde a crise capitalista aparece, cada vez mais, como sendo crise de abundância exacerbada de riqueza abstrata. Entretanto, além de ser crise de formação (produção/realização) de valor, ela é (2) crise de (de)formação do sujeito histórico de classe. A crise de (de)formação do sujeito de classe é uma determinação tendencial do processo de precarização estrutural do trabalho que, nesse caso, aparece como precarização do homem que trabalha.

Ora, a precarização do trabalho não se resume a mera precarização social do trabalho ou precarização dos direitos sociais e direitos do trabalho de homens e mulheres proletários, mas implica também a precarização-do-homem-que-trabalha como ser humano-genérico. A manipulação – ou “captura” da subjetividade do trabalho pelo capital – assume proporções inéditas, inclusive na corrosão político-organizativa dos intelectuais orgânicos da classe do proletariado. Com a disseminação intensa e ampliada de formas derivadas de valor na sociedade burguesa hipertardia, agudiza-se o fetichismo da mercadoria e as múltiplas formas de fetichismo social, que tendem a impregnar as relações humano-sociais, colocando obstáculos efetivos à formação da consciência de classe necessária e, portanto, à formação da classe social do proletariado.

Deste modo, o capitalismo global como capitalismo manipulatório nas condições da vigência plena do fetichismo da mercadoria, expõe uma contradição crucial entre, por um lado, a universalização da condição de proletariedade e, por outro lado, a obstaculização efetiva – social, política e ideológica - da consciência de classe de homens e mulheres que vivem da venda de sua força de trabalho.

Imerso em candentes contradições sociais, diante de uma dinâmica de acumulação de riqueza abstrata tão volátil, quanto incerta e insustentável, o capitalismo global explicita cada vez mais a sua incapacidade em realizar as promessas de bem-estar social e emprego decente para bilhões de homens e mulheres assalariados. Pelo contrário, diante da crise, o capital, em sua forma financeira e com sua personificação tecnoburocrática global (o FMI), como o deus Moloch, exige hoje sacrifícios perpétuos e irresgatáveis das gerações futuras.

Entretanto, ao invés de prenunciar a catástrofe final do capitalismo mundial, a crise estrutural do capital prenuncia, pelo contrário, uma nova dinâmica sócio-reprodutiva do sistema produtor de mercadorias baseado na produção critica de valor.

Apesar da crise estrutural, o sistema se expande, imerso em contradições candentes, conduzido hoje pelos pólos mais ativos e dinâmicos de acumulação de valor: os ditos “países emergentes”, como a China, Índia e Brasil, meras “fronteiras de expansão” da produção de valor à deriva. Enquanto o centro dinâmico capitalista – União Européia, EUA e Japão - “apodrece” com sua tara financeirizada (como atesta a crise financeira de 2008 que atingiu de modo voraz os EUA, Japão e União Européia), a periferia industrializada “emergente” alimenta a última esperança (ou ilusão) da acumulação de riqueza abstrata sob as condições de uma valorização problemática do capital em escala mundial (eis o segredo do milagre chinês).

Portanto, crise estrutural do capital não significa estagnação e colapso da economia capitalista mundial, mas sim, incapacidade do sistema produtor de mercadorias realizar suas promessas civilizatórias. Tornou-se lugar comum identificar crise com estagnação, mas, sob a ótica do capital, “crise” significa tão-somente riscos e oportunidades históricas para reestruturações sistêmicas visando a expansão alucinada da forma-valor. Ao mesmo tempo, “crise” significa riscos e oportunidades históricas para a formação da consciência de classe e, portanto, para a emergência da classe social de homens e mulheres que vivem da venda de sua força de trabalho e estão imersos na condição de proletariedade. Como diria Marx, Hic Rhodus, hic salta!

Fonte: Giovani Alves - Carta maior

Inácio Arruda defende aprovação do Código Florestal no Congresso

Aprovado recentemente na Câmara dos Deputados, o novo Código Florestal está gerando discussões no Congresso. O líder do PCdoB, o senador Inácio Arruda (CE) afirmou que defenderá a aprovação do novo código. Segundo ele, a votação na Câmara ocorreu após inúmeros debates em busca de consenso.

“O resultado da votação, com 410 votos — 86% do total de deputados federais — pela aprovação, mostrou o quanto as várias reivindicações de preservação do meio ambiente e de fomento à produção no campo foram atendidas pelo relatório do camarada Aldo Rebelo”.

Segundo o parlamentar comunista, o Senado aprofundará ainda mais os debates sobre o código em busca do aperfeiçoamento do projeto. O texto será discutido em mais de uma Comissão da Casa, o que possibilitará uma análise detida de seu conteúdo. O senador explicou que o código terá relatores nas comissões de Constituição e Justiça, Agricultura e Meio Ambiente.

“Estou certo de que as análises serão acompanhadas com interesse e receberão sugestões dos mais variados setores. Temos aqui vários parlamentares que estiveram à frente dos governos de seus estados e vivenciaram a necessidade de garantir a produção agrícola preservando o meio ambiente. Estamos buscando entendimentos para que o novo código garanta tranquilidade e segurança jurídica para o Brasil continuar a ser um grande produtor mundial, sabendo produzir de forma sustentável”.

O senador João Pedro (PT-AM) criticou nesta terça-feira (7) a emenda proposta pelo PMDB ao Código Florestal que permite atividade de agricultura e pecuária em algumas áreas de preservação permanente (APPs). Durante sessão solene sobre o Dia do Meio Ambiente, comemorado no último domingo (5), o senador disse que o Congresso deverá alterar o texto do código para garantir produção, mas também preservação.

“É preciso travar o debate no Senado, nas comissões, no plenário para melhorar o código que saiu da Câmara. A emenda permite atividade silvopastoril em APP. Não pode nessa faixa de APP permitir [a criação de] boi, permitir a agricultura. É um erro”, disse. “APP é para garantir a qualidade da água, a reprodução, a qualidade do solo, precisamos fazer o debate que não pode ser estéril, tem de ter uma base científica para possibilitar um acordo que orgulhe a todos nós”, completou.

Derrotado na Câmara, o deputado Sarney Filho (PV-MA), presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, disse que ainda espera uma alteração do texto do código no Senado. “A aprovação desse substitutivo é um retrocesso na questão da preservação ambiental e permite que as nossas florestas e os nossos biomas continuem sendo devastados", disse.

Os senadores esperam a leitura da matéria em plenário e o encaminhamento para as comissões. Serão analisados no total 69 artigos, além da emenda 164, de autoria do PMDB. “Se houver alguma proposta de mudança de algum artigo ou da emenda, naturalmente nos debruçaremos sobre ela e veremos o que pode ser aperfeiçoado. Mas tenho certeza que haverá concordância com a imensa maioria dos artigos elaborados pelo deputado Aldo, após mais de dois anos de discussão com trabalhadores, entidades de classe, especialistas e cientistas e a realização de mais de cem audiências públicas”, afirma Inácio Arruda. (V)

Charge de Frank - Vermelho

Dilma 'refunda' Governo ao trocar Palocci e repartir o poder político

Sem condições políticas de ficar no governo sob a suspeita de enriquecimento ilícito, Antonio Palocci pede demissão e abre espaço para Dilma Rousseff devolver "perfil técnico" à Casa Civil. Nova ministra, a senadora petista Gleisi Hoffmann, assume nesta quarta-feira (08/06). Espólio político deixado por Palocci será divido entre Dilma, vice Michel Temer, que é do PMDB, e Secretaria de Relações Institucionais, controlada pelo PT.

BRASÍLIA – Depois de 176 dias, o governo Dilma Rousseff será refundado nesta quarta-feira (08/06), com a substituição de Antonio Palocci, na chefia da Casa Civil, pela senadora Gleisi Hoffmann, do PT do Paraná. Figura central na lógica de funcionamento do governo, de jogo duro na relação com partidos aliados e com o Congresso, Palocci não suportou mais a perda de legitimidade como principal estrategista da presidenta, decorrente da notícia de seu enriquecimento, e pediu demissão nesta terça-feira (07/06).

Em nota à imprensa para informar que mandara carta de demissão à presidenta, Palocci reconheceu a fragilidade política em que estava, mesmo com a decisão da Procuradoria Geral da República de
arquivar pedido de inquérito contra ele. No texto, afirma que “a continuidade do embate político”, que nem a decisão da Procuradoria nem a entrevista que deu para se explicar conseguiram conter, prejudicaria atribuições dele no governo.

Também em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República informou que Dilma aceitou a demissão, “lamenta a perda de tão importante colaborador” e convidou Gleisi para comandar a Casa Civil. A senadora é esposa do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e vinha chamando a atenção da presidenta pela defesa do governo no Senado.

Segundo colaboradores, Palocci deixa o cargo convencido de que foi vítima de
“fogo amigo” de aliados do governo, por causa da postura mais rígida que vinha adotando, com respaldo do Dilma, nas negociações com partidos aliados, especialmente PT e PMDB.

Durante mais de quatro meses, a dupla Dilma-Palocci resistiu ao máximo as tentativas dos partidos de emplacar indicados políticos para cargos públicos; cortou repasses de dinheiro para obras incluídas no orçamento por deputados e senadores; buscou
contornar votações no Congresso, trabalhando mais com instrumentos exclusivos do Executivo, para não dar chance a aliado contrariado de reagir votando contra o governo.

O demissionário chefe da Casa Civil acreditava que, ao impor jogo duro ao Congresso, teria apoio dos veículos de comunicação, críticos à necessidade de um governo construir maioria parlamentar fazendo acordos de repartição de espaço com aliados.

Por isso, e por cultivar a idéia de que conseguia dialogar com bancos, empresários graúdos e outros setores distantes do PT, Palocci jamais imaginou que seria alvo de alguma denúncia dos veículos de comunicação. Muito menos que o conjunto da imprensa daria tanto espaço e destaque à revelação de que se tornara rico prestando consultoria para empresas privadas, informação que ele tem certeza de que foi passada ao jornal Folha de S. Paulo por um governista.

Não é a visão de Dilma, de acordo com um auxiliar próxima dela. A presidenta acredita que o disparo partiu de alguém ligado ao PSDB na secretaria de Finanças da prefeitura de São Paulo, comandada por Mauro Ricardo, ex-secretário do tucano José Serra. Dilma reconhece, no entanto, de acordo com o mesmo auxiliar, que a revelação serviu no mínimo para dar a aliados a chance de tirar proveito da situação.

Independentemente da origem da informação sobre o enriquecimento do ministro, o fato é que, desde que veio a público, Palocci começou a
perder legitimidade política, o que é fatal para um estrategista e operador, como era o caso dele. Em nenhum momento, uma instância partidária de PT e PMDB, por exemplo, manifestou apoio ou confiança ao ministro. Houve apenas comentários individuais de políticos.

Nem a própria presidenta chegou a tanto. Na única vez em que se pronunciou até agora sobre o assunto,
Dilma disse que Palocci daria todas as explicações necessárias, mas sem afirmar, com todas as letras, que confiava nele. Segundo um auxiliar da presidenta, foi uma fala calculada exatamente para deixar uma brecha para o caso de a saída de Palocci mostrar-se inevitável, como aconteceu.

Pouca afeita a conversas com parlamentares e partidos, atribuição que havia delegado a Palocci,
Dilma foi obrigada, desde o início do caso, a participar de almoços e reuniões com políticos numa frequência incomum em cinco meses de mandato. No dia da demissão de Palocci, almoçou com senadores do PTB. Antes da posse de Gleisi, vai fazer o mesmo com a bancada do PR.

Teve ainda de conviver com o fantasma do antecessor e mentor, o ex-presidente Lula, que viajou a Brasília para se reunir com aliados e tentar ajudar a contornar o imbóglio Palocci de algum modo.

Por coincidência, uma destas reuniões de Lula foi um almoço na casa de Gleisi Hoffmann, com a bancada de senadores do PT. Naquela ocasião, segundo apurou Carta Maior, Gleisi comentou que era mais difícil defender Palocci do que os envolvidos no suposto "mensalão", já que o primeiro foi acusado de enriquecer pessoalmente, enquanto a suspeita sobre os demais diz respeito a financiamento de um projeto político do PT.

Em entrevista coletiva que deu depois de ser convidada por Dilma e ter aceito o cargo, a senadora disse considerar “uma pena perder o ministro Palocci neste governo, pelas qualidade que ele tem”.

Formada em direito, ex-secretária no Paraná e no Mato Grosso do Sul e ex-diretora de Itaipu, Gleisi representa uma opção “técnica” de Dilma para comandar a Casa Civil. Com isso, o órgão voltará a ter uma atuação mais voltada a coordenar ações de governo, como no tempo em que a própria Dilma exercia essa função no governo Lula, em vez do perfil mais político que adquirira na gestão de Palocci.

“Ela [a presidenta] disse que meu perfil é um perfil que se adequa ao que ela pretende agora na Casa Civil, que é o acompanhamento dos projetos do governo”, afirmou Gleisi.

Com o esvaziamento político da Casa Civil, o poder será repartido – ao menos por ora – entre a própria Dilma, que nos últimos tempos têm se dedicado mais a conversas e articulações; o vice-presidente, Michel Temer, presidente licenciado do PMDB com grande ascendência sobre o partido; e a Secretaria de Relações Institucionais, controlada hoje pelo PT. (André Barrocal - CM)