terça-feira, 19 de julho de 2011

Impasse nos EUA revela decomposição da ordem mundial imperialista

As bolsas de valores viveram mais um dia de cão na segunda-feira, 18, com baixas generalizadas na Ásia, Europa, EUA e Brasil. O Ibovespa, que acumula perdas superiores a 14% ao longo do ano, caiu 1,08%, estacionando em críticos 58.837 pontos. O mau humor nos mercados de capitais reflete a preocupação dos investidores com a crise da dívida na Europa e, em especial, nos Estados Unidos, onde o impasse sobre uma nova elevação do teto da dívida pública pode desembocar numa moratória.

O Congresso estadunidense tem até 2 de agosto para acatar ou não o pleito da Casa Branca de aumentar o limite de endividamento, hoje em US$ 14,29 trilhões. Embora não possa ser descartado, o calote ainda não parece a perspectiva mais provável. Mas, seja lá qual for o desfecho do imbróglio, a confusão entre Obama e os republicanos serviu para evidenciar as fragilidades dos fundamentos que sustentam atual ordem econômica internacional, ancorada no padrão dólar e na hegemonia (econômica, política e militar) dos EUA.

O pensamento dominante, inclusive em muitos círculos de esquerda, alimentou durante muito tempo o falso consenso de que o mundo não devia se preocupar com a dívida crescente do império. Afinal, Tio Sam tem o privilégio de imprimir a moeda universal e isto também garante, segundo alguns economistas, o poder de determinar o ritmo e a direção do fluxo de capitais por este vasto mundo.

O recurso à impressão de dólares foi amplamente utilizado, sem prévia consulta a outras nações. Mas tudo que se conseguiu, até agora, foi o acirramento da chamada guerra cambial e o recrudescimento da inflação das commodities. Investimentos produtivos e empregos continuam em baixa nos Estados Unidos e o capital continuou fluindo em outras direções, opostas ao desejo do banco central, por um motivo simples e secular: a maximização dos lucros. A circulação do dinheiro, conforme já alertava Karl Marx, não deve ser confundida com a circulação do capital. Embora não pareça, são duas coisas distintas.

Alega-se ainda que a relação entre dívida e PIB nos EUA, hoje em torno de 100% (ou seja, a maior economia do mundo deve o equivalente a um ano de toda sua produção interna), não é lá essas coisas. O governo japonês, por exemplo, deve mais que 200% do valor anual da produção e não se fala em crise da dívida nipônica. Citava-se também a Itália, que já está apertando os cintos. A verdade é que este tipo de comparação não faz muito sentido.

A quantidade, conforme sugere a dialética, também produz qualidade. Sozinhos, os EUA devem mais que 17 nações europeias que compartilham a moeda comum (euro), os PIBs somados das 160 menores economias do planeta ou cerca de sete vezes o PIB do Brasil, dono da oitava maior economia do planeta. E isto não é tudo.

Diferentemente do que se verifica no Japão, a dívida pública americana é em larga medida (cerca de 70%) uma dívida externa, o que reflete a carência de poupança interna e o crescente parasitismo do American way of life (o outrora invejado estilo de vida americano). É por esta e outras que a hipótese de um calote da Casa Branca pode provocar um novo terremoto na economia mundial, de escala maior do que a crise propagada a partir de 2008.

A China, maior credor, fez questão de externar oficialmente sua preocupação com a hipótese de inadimplência na semana passada. O país acumula uma montanha de títulos emitidos pela Casa Branca, num valor estimado em US$ 1,1 trilhão. É seguido pelo Japão, com US$ 907 bilhões, e Reino Unido (US$ 333 bilhões). O Brasil é o quarto maior credor, com 63% de suas reservas (US$ 207 bilhões), aplicadas em papéis do governo estadunidense. Um risco, não?

A dívida pública, no caso impropriamente denominada de dívida interna, não é o único nem o maior problema. O endividamento total dos EUA, público e privado, é quase quatro vezes maior e não devemos esquecer que foi o pano de fundo da Grande Recessão iniciada em dezembro de 2007 e ainda não debelada. Equivalia em 2009, segundo dados do FMI, a cerca de US$ 49 trilhões, ou 4/5 do PIB mundial. Reflete, em boa medida, o passivo externo do império.

O problema é bem maior do que as aparências indicam. A montanha de débitos não é mais do que o reflexo dos desequilíbrios insustentáveis subjacentes à atual ordem econômica internacional. A dívida imperial é melhor compreendida quando associada às formas de acumulação e reprodução do capital em escala global, a reprodução imperialista do capital, característica desses nossos tempos.

O impasse no Parlamento teve o mérito de colocar o problema sob os holofotes da grande mídia. A ameaça de calote expõe ao mundo a incapacidade do governo estadunidense andar com as próprias pernas ou viver com os próprios meios. Em outras palavras, denuncia um parasitismo sem par. Um corte profundo nas despesas militares poderia ser uma solução, mas isto não é cogitado no país imperialista, que se julga dono do mundo e em conjunto entorno mantém mais de 800 bases militares. O principal alvo dos cortes no gasto público que está sendo consesuado entre os dois poderes em litígio é a classe trabalhadora.

A crise provoca pânico generalizado e é apresentada como um sério risco para a economia mundial. Todos receiam seus efeitos e querem exorcizá-la. Mas os povos não têm muito o que temer. Trata-se de uma crise do capitalismo em sua atual etapa e tempo, a crise da ordem imperialista hegemonizada pelos EUA.   

A única solução viável, que mais dia menos dia vai acabar se impondo, é a transição para uma nova ordem mundial. A hegemonia do dólar e dos EUA está em franca decomposição, mas ainda veremos e amargaremos muitas crises e conflitos antes que se conclua o doloroso trabalho da parteira da história. A classe trabalhadora e seus representantes devem perceber no arrastar da crise uma oportunidade para apresentar a sua alternativa: o socialismo. A outra, que já se insinua com mais força na história, é a barbárie.
Editorial do Vermelho

A Grécia é vítima do capitalismo

A Grécia, berço da democracia escravista, parece encaminhada a figurar entre os países chamados a cavar a já próxima sepultura da democracia capitalista.

Por Manuel Yepe*

“Para compreender o que o futuro prepara para o povo da Grécia, você debe imaginar que um intruso chega a sua casa, lhe aponta uma arma à cabeça e exige que lhe entregue seu salário, suas poupanças, seu carro, seu aparelho de televisão e sua geladeira”.

É assim que o escritor e jornalista estadunidense Zoltan Zigedy vê a situação da Grécia em seu sítio da internet “ZZ´s Blog” onde, sob o título “Capitalism Mugs Greece. Who is Next?” (O capitalismo estrangula a Grécia. Quem será o próximo?), explica que o povo grego não se beneficiou em nada com os orgíacos lucros da banca internacional, nem estimulou sua conduta irresponsável e, a pesar de tudo, agora se esforça para pagar o preço dos danos causadores do colapso do sistema capitalista mundial.

“E se a invasão , o roubo armado e a extorsão são crimes, a Grécia é sem dúvidas a vítima de um crime. E a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional são os criminosos … com os líderes e parlamentares do Pasok tratando de legitimar o crime”.

Alimentado por uma forte injeção de fundos públicos, o setor financeiro do mundo capitalista desenvolvido, que não foi condenado nem castigado por suas ações que conduziram ao desastre que se pretendia reparar, retornou com força à especulação e agora ataca as dívidas soberanas de países como Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, os mais vulneráveis na Europa, forçando-os à conversão da dívida privada em dívida pública.

Con poucas exceções, estes países se viram obrigados a contrair maiores dívidas para estimular o crescimento econômico diante da severa queda do investimento e da demanda geral, em nível global. As economias capitalistas ficaram sem outra opção que não a de seguir afundando.

A fórmula para a recuperação em casos de recessão - que os economistas capitalistas apresentavam como lei universal - partia de que o déficit e os gastos geradores de dívidas promoviam o crescimento e a inflação que, por sua vez, incrementavam as receitas de impostos e barateavam a dívida permitindo que a dívida pública fosse reduzida em relação ao produto econômico.

Hoje, segundo Zigedy, dois fatores mudaram esta dinâmica. Primeiro, a dominação quase total da ideología neoliberal foi conformando uma opinião de grande temor a qualquer grau de dívida pública. Em segundo lugar, durante décadas, as mudanças na economia global levaram a uma nova dinâmica que manipula ey explora a dívida até limites nunca antes vistos. Com muitos dos países capitalistas ricos trasladando suas industrias manufatureiras a áreas de baixos salários, as atividades financeiras -administração, manipulação e expansão do capital - assumiram um maior papel nessas economias.
Novas técnicas, instrumentos e instituições evoluíram para acumulação de valor excedente – lucros - em mãos de uns poucos comprometidos com o jugo financiero.

A combinação destes dois elementos - um subjetivo e outro objetivo - tem situado a Grécia numa espiral da morte. Com um desemprego em acelerado incremento que já ultrapassa 16%, os impuestos que não são pagos, salarios e benefícios cortados, um número crescente de famílias sem habitação e com seus serviços sociais limitados, os trabajadores gregos encaram um futuro de grave decadência.

O povo grego conhece pouco dos exóticos instrumentos urdidos nos centros financeiros internacionais para gerar as maciças quantidades de capital fantasma que avivam o crescimento do rapace sistema e só indiretamente estão familiarizados com as arrogantes e irresponsáveis ações de gigantescos bancos internacionis como Bear Stearns, Lehmann Brothers e Goldman Sachs.

Zoltan Zigedy recomenda a seus compatriotas que vejam a semelhança que tem o assalto ao povo grego com a situação que a cidadania dos Estados Unidos enfrenta. “A resistência popular em Wisconsin, Ohio e outros estados devia inspirar-nos e reconhecer que o que temos pela frente é uma luta difícil, muito difícil, sem deixar-nos seduzir nesta luta por falsos aliados políticos como o partido democrata, homólogo nos Estados Unidos do Pasok grego”.

Está fora de dúvida que para toda a humanidade o colapso do sistema capitalista mundial não será nada fácil, porque ninguém duvida de que fará todo o possível para retardar a debacle descargando sobre o resto do mundo, inclusive de seus aliados, os prejuízos conjunturais.

*Jornalista cubano, especialista em Política Internacional

Fonte: Cubadebate

A orfandade centroamericana

Sub-continente geografricamente a metade do caminho entre a América do Norte e a América do Sul, ao lado do Caribe, a América Central, mais do que nunca, encontra dificuldades para afirmar sua identidade na era da globalização neoliberal. À forte polarização internacional e marginalização das zonas mais frágeis do sistema capitalista, se somaram a recessão prolongada nos EUA e no México, principais sócios econômicos e referências políticas tradicionais.

A rebelião de países da região – governos sandinistas na Nicarágua, movimentos guerrilheiros – não produziram espaços de autonomia, ao contrário, deixaram sequelas ainda mais graves. Na Nicarágua, Daniel Ortega retornou ao governo, com uma orientação bastante mais moderada, na Guatemala as forças guerrilheiras e os movimentos indígenas não conseguiram transferir a força acumulada para forças políticas institucionais. El Salvador foi o país que melhor conseguiu adequar-se ao novo marco internacional – a passagem da bipolaridade à hegemonia imperial norteamericana.

Terminada a guerra fria, os movimentos guerrilheiros centroamericanos buscaram se reciclar para os processos políticos institucionais. Em El Salvador, a Frente Farabundo Marti – que congregava a todos os movimentos da luta armada – se transformou em um partido politico, que rapidamente conseguiu eleger vários prefeitos – inclusive na capital – e uma bancada importante no Congresso. No entanto, só nas eleições de 2009, ao lançar o nome de um jornalista muito conhecido em nível nacional – Mauricio Funes -, sempre opositor nas suas posições como candidato à presidência, conseguiram triunfar.

A situação herdada já era muito grave, antes da crise econômica internacional. Mais de 50% do fluxo comercial do país se dá com os EUA, revelando a enorme dependência do mercado norteamericano. Cerca de 1/3 da população salvadorenha – cerca de 3 milhões de pessoas – vive nos EUA, remetendo parte dos seus ganhos a El Salvador, o que constitui, 18% do PIB, como primeira fonte de ingresso do país.

Os governos neoliberais que dirigiram o país nas duas décadas posteriores ao final da guerra interna promoveram uma concentraram de renda ainda maior da existente antes dos conflitos armados. A balança comercial do país é permanentemente deficitária, El Salvador importa grande parte dos alimentos que consome. Dois de cada dez trabalhadores não tem emprego forma e cobertura social. Quando Funes assumiu, a economia salvadorenha havia sofrido um retrocesso de cerca de 4%. Perderam-se, entre 2008 e 2009, em torno de 40 mil empregos formais, além dos impactos no extenso setor informal da economia.

Imediatamente o governo elevou os recursos para as políticas socais de 24 para 134 milhões de dólares, como expressão da centralidade das políticas sociais que o governo assumiu. Foi criada a Secretaria de Inclusão Social – dirigida pela brasileira Vanda Pignato, que desenvolve um extraordinário trabalho de criatividade na área social, a começar pelas inovadoras Cidades Mulheres -, que desenvolve programas sociais que se constituem em eixos prioritarios do mandato de Funes: Proteção Social Univerisal, Pacotes escolares, Alimentação escolar, Bônus em educação e saúde, Bolsas educativas, Pensão básica universal e Programa de atenção temporária à renda.

Como resultado da aplicação das políticas sociais, nos seus dois primeiros anos o governo de Funes conseguiu resultados muito positivos: extensão da cobertura pré-natal para 98,7% dos casos; controle sobre o crescimento e a nutrição das crianças superior a 90%; taxa de matrícula escolar superior a 98%; numero de partos atendidos aumentou em 13,3%; repetição escolar diminuiu em 8%.

Atacando obstáculos estruturais à democratização de El Salvador, o governo distribuiu, em dois anos, 18 mil títulos de posse de terra, dentre os quais 35,5% foram para mulheres, secularmente excluídas do direito de propriedade. O programa de atendimento aos veteranos de guerra distribuiu bolsas e desenvolve um programa de nutrição e saúde.

Mas mesmo El Salvador, com um governo democrático e popular, sofre as consequências da crise econômica internacional e vive – como toda a região – em uma espécie de limbo: nem são atendidos pelos EUA e pelo México, em crise, nem estão disponíveis para integrar-se a processos sulamericanos, porque assinaram Tratados de Livre Comércio com os EUA. Cabe aos Brasil e aos países que integram os processos de integração regional, desenvolver propostas que atendam as necessidades centrais da área centroamericana, com El Salvador no seu centro.

Por EmirSader

VEJA: O MÉTODO MURDOCH

Rupert Murdoch comparece ao Parlamento britânico nesta 3º feira para prestar contas sobre um império construído à base de grampos, dossiês, subornos, chantagens, conluio policial e destruição de reputações a serviço do preconceito e do ódio conservador. Oito jornalistas do News of the World já foram detidos; a cúpula da polícia inglesa caiu por conivência com os delitos; o primeiro-ministro David Cameron está encurralado diante das evidencias de um intercurso obsceno entre os interesses do seu governo e os do conglomerado midiático News Corporation. Por fim, o autor das primeiras denúncias contra o método Murdoch de jornalismo foi encontrado morto, nesta 2º feira, em seu apartamento, em Londres.O Parlamento britânico prestaria um inestimável serviço à liberdade de imprensa se fosse além das circunstancias policiais suscitadas pelo escândalo que já atravessou o Atlântico e argui as relações entre a Fox News de Murdoch e a extrema direita encastelada no Tea Party nos EUA. É necessário dar voz às questões que o conservadorismo em geral, e a mídia  brasileira, em particular, quer tangenciar: o ovo que gerou a serpente chama-se oligopólio midiático. A ausência de um ordenamento regulatório que assegure o discernimento da sociedade com base no equilíbrio e na pluralidade de opiniões, consolidou a excrescência de um método que tomou de assalto o  jornalismo para fazer dele uma arma contra a democracia.
(Carta Maior; 3º feira 19/07/ 2011)
 

Desenvolvimento, dependência e distribuição de renda

Dada a atual configuração da inserção do Brasil no comércio mundial, os recursos naturais passaram a figurar como vetor principal de competitividade externa. 

Por Guilherme Delgado - Brasil de Fato

A economia brasileira, a julgar pelos investimentos que vem crescendo mais rapidamente na última década, deverá se expandir no quadriênio do governo Dilma puxada por três demandas estratégicas principais – os programas de energia do PAC (petróleo e hidroeletricidade), os Planos de Safra Anuais da Agricultura, e os investimentos em infraestrutura ligados à Copa do Mundo/olimpíadas. Esses três “setores” seriam como que responsáveis por alavancar o conjunto do sistema econômico, crescendo á frente dos demais, mediante aplicação de investimentos que supostamente estariam elevando a produção e a produtividade do trabalho no conjunto da economia. Esta é a aposta dos ‘desenvolvimentistas’ do governo, para o que contam com um cenário externo favorável, que confirme essas demandas. Crises externas mais graves cortariam esse ciclo de crescimento, pelas razões adiante expostas.

Por outro lado, as bases materiais sobre as quais se apoiam as apostas do desenvolvimento dependem fortemente do ingresso de capital estrangeiro para financiar mega projetos de inversão e de demanda externa por “commodities”. Essa demanda externa (exportação de mercadorias) cumpre o papel de solvência parcial à remuneração do conjunto do capital estrangeiro operante ou em trânsito no país.
Se atentarmos para a estrutura econômica dos setores que já crescem à frente dos demais há alguns anos, veremos que há certo denominador comum presente na produção do petróleo, da hidroeletricidade, do agronegócio e também da mineração. Todos esses ramos produtivos operam com base em monopólio de recursos naturais, que nas suas dotações originais independem de investimentos ou de aplicação do trabalho humano para produzi-los.

Dada a atual configuração da inserção do Brasil no comércio mundial, os recursos naturais passaram a figurar como vetor principal de competitividade externa. O pressuposto dessa competitividade, baseada em estoques finitos de recursos naturais, é preocupante por varias razões. As matérias primas aí produzidas apresentam baixa agregação de trabalho humano; há forte pressão por super-exploração dos recursos naturais em curto prazo; e a inovação técnica de ponta no sistema industrial fica relativamente relegada a segundo plano, (exceto no caso do petróleo – pré-sal), porque os ganhos de produtividade do subsistema exportador estão muito mais ligados às chamadas vantagens comparativas naturais.

Temos uma armadilha grave nesse quadro estratégico. Competitividade externa de “commodities” agrícolas e minerais, apoiada no argumento da produtividade da terra e das jazidas minerais disponíveis, sustenta um processo de acumulação de capital no conjunto da economia fortemente dependente de capital estrangeiro. A resultante inevitável é superexploração de jazidas e terra novas e ou intensificação do pacote técnico agroquímico nas zonas já exploradas, para obter maior fatia no mercado externo de produtos primários. Esse arranjo não é sustentável em médio prazo, econômica e ecologicamente. Os tais ganhos de produtividade exportados em minerais, petróleo, carnes, grãos, etanol etc. tendem a se extinguir no tempo com a dilapidação paulatina dos recursos naturais não renováveis.

O perfil distributivo deste modelo não é menos perverso. Os ganhos de produtividade na fase expansiva das “commodities” viram renda da terra e do capital, capturadas privadamente pelos proprietários de terras, jazidas e do capital; mas os custos sociais e ambientais da superexploração desses recursos e do trabalho precarizado aí envolvido são da sociedade como um todo. Compensações se tornam necessárias, mas não seria remédio suficiente para suprir a renda da força de trabalho e os custos sociais degradantes do trabalho e do meio ambiente.

Este quadro econômico de produção e repartição do excedente econômico evidentemente não se compra com democracia política e social. Não está claro que o governo atual tenha clareza de sua não sustentabilidade em médio prazo. O sistema tributário e a política social provavelmente teriam que extrair e redistribuir uma parcela muito grade da renda da terra e do capital para suprir necessidades básicas; e ainda que o fizessem não resolveriam o problema de fundo. Mas como fazê-lo se esse sistema estiver sob controle político dos donos da riqueza?

Organização humanitária pede às Farc e ao ELN abertura ao diálogo e respeito aos direitos humanos

Camila Queiroz
Jornalista da ADITAL
Adital
 
Em carta divulgada hoje (18), a organização humanitária ‘Colombianas e Colombianos pela Paz’ propôs às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e ao Exército de Liberação Nacional (ELN) "reiniciar de imediato e de forma fluida por meio do intercâmbio epistolar, a discussão sobre diversas temáticas de transcendência nacional”, como forma de dirimir o conflito armado que se arrasta há décadas na Colômbia.

A publicação da mensagem foi motivada por graves violações aos direitos humanos no país. "Circunstâncias produzidas em consequência do conflito armado geram profundos questionamentos sobre o presente e o futuro que se nos avizinha e nos obrigam a realizar um chamado ético sobre infrações cometidas ao direito humanitário e sobre a necessidade de proteger os direitos fundamentais da população civil”, afirmam.

Os ativistas chamam a atenção para as declarações do Escritório da Alta Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que recentemente denunciou ações bélicas, por parte dos guerrilheiros, em que foram cometidas sérias violações aos direitos humanos.

Frente a isso, Colombianas e Colombianos pela Paz solicita aos guerrilheiros a aplicação, urgente, do direito humanitário, por meio do estabelecimento de normas e mecanismos específicos de regulação ou limitação bélica "para impedir que ocorram novos fatos violatórios e se degrade ainda mais o conflito, rechaçando e condenando claramente todas as práticas inadmissíveis, contrárias aos mais elementares princípios humanitários”.

Além do mais, pedem para ratificar o pacto que as duas organizações guerrilheiras firmaram no final do ano de 2009 para abolir ações que atinjam comunidades do departamento de Arauca. A carta sugere a expansão desse acordo para toda a Colômbia.

Por fim, convocam os guerrilheiros a demonstrar que é possível ter esperança de "não apenas humanizar a guerra, senão alcançar uma interlocução para avançar em sua superação definitiva”.

Colombianas e Colombianos pela Paz expressou ainda "esperança” com as recentes declarações dos grupos guerrilheiros, em que se mostraram dispostos a dialogar sobre uma agenda nacional relativa aos principais problemas sociais (terras, políticas econômicas, sociais e ambientais, direitos políticos e civis etc); valorizar cenários de diálogo "para construir uma saída política”, como a Unasul (União das Nações Sul- Americanas); e respeitar os princípios do Direito Internacional Humanitário.

"Desejamos que por meio desse diálogo epistolar se debatam e assumam decisões conjuntas, respostas e iniciativas que o país necessita e demanda, com a esperança de que estejamos à altura dos desafios que sua dura realidade e história nos põem no presente; e que tantos esforços e sacrifícios pela vida digna das colombianas e colombianos tenham sentido hoje e para as gerações do futuro”, arrematam.

Sobre a organização

Colombianas e Colombianos pela Paz atua em negociações com as Farc para obter liberações de detidos, tendo conseguido dezenas delas desde janeiro de 2008.
No último dia 13, segundo informações da TeleSul, a ativista Piedad Córdoba Ruiz, que encabeça a organização, anunciou para o dia 3 de agosto uma provável nova liberação por parte das Forças Armadas Revolucionárias.

Merval, Murdoch e o "contra-poder"

Por José Dirceu, em seu blog:

O jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras, Merval Pereira, resolveu colocar a carapuça. Como o seu forte não é a política, para não dizer outra coisa, assumiu abertamente neste final de semana, em seu artigo “Obsessão”, que a mídia - depois de ofender Lula com uma série de adjetivos e tentar me desqualificar, e depois que os jornais perderam a centralidade na formação da opinião pública – continua sendo um “contra poder”, citando um conhecido jornalista espanhol, José Luis Cebrian, diretor do El País.



A questão é exatamente essa: a fusão do controle da opinião pública com o poder, a busca desenfreada da mídia em agir sobre os governos, substituindo o Parlamento e os partidos. Os jornais têm procurado desmoralizá-los de todas as formas. Assim, quando Merval fala em “contra poder”, ele sabe do que está falando. E quando coloca a carapuça no caso Murdoch, sabe mais.

No Brasil, a mídia – em particular, as Organizações Globo - atua a pretexto de combater a corrupção no estilo do velho udenismo, para mudar as políticas dos governos eleitos de forma legítima e democrática. No entanto, quando não alcançam seus objetivos, tentam derrubar os governos e o fazem abertamente.

Ação política

Não se trata somente de métodos ilegais na busca de informações, como estamos assistindo na Grã Bretanha e, tudo indica, em todo império de Murdoch. Mas nos referimos à ação política - pública e secreta - dos donos de jornais e de seus principais articulistas, que operam e articulam ações políticas de oposição contra governos, pressionam os poderes da República, particularmente os do judiciário.

Isso, sem falar em seus métodos ilegais, como a violação do sigilo e segredo de justiça; o acesso a informações de investigações e a inquéritos, por meio de policiais a serviço desses jornais; a busca de informações junto a servidores públicos e funcionários de empresas privadas, por lei proibidos de prestar essas informações, resguardadas pelo sigilo bancário, fiscal e, o mais violado, telefônico.

Mas a violência maior que a mídia pratica é a política, como agora fica evidente no papel da cadeia Fox de Murdoch, a favor do Partido Republicano dos Estados Unidos, e cuja ação e operação nos Estados Unidos também começam a ser investigada pelas autoridades federais norte-americanas.

O outro lado da moeda

A atuação e a ação dos jornais, rádios e TVs, além da manipulação da informação - abertamente a favor de determinados partidos e lideranças -, resumem o outro lado das atividades ilegais do grupo Murdoch, que Merval procura esconder atrás da acusação de que queremos controlar a mídia ao propor sua regulação.

Essa mesma regulação temida por Merval existe na Grã Bretanha e nos Estados Unidos - daí a facilidade com que as autoridades locais passaram a investigar o grupo Murdoch, sem que fossem acusadas de querer controlar a imprensa ou de violar a liberdade de expressão. Pelo contrário, a intervenção da polícia e da Justiça foi exigida em nome da manutenção da credibilidade da regulação e das fiscalização dos códigos de conduta e de ética do jornalismo na Grã Bretanha.

As agências do capital

A última semana foi dominada mediaticamente pela descida da notação de Portugal efetuada pela Agência Moody´s, um corte de “quatro níveis” colocando a dívida nacional na categoria de “lixo”, a que se seguiu um “coro” de protestos e indignação.

Por Pedro Carvalho*

Não só ao nível interno, mas também ao nível de responsáveis políticos de outros estados-membros da União Europeia e das próprias instâncias comunitárias, designadamente em diversas declarações do presidente da Comissão Europeia (Durão Barroso), do presidente do Conselho Europeu (Rompuy) e do ainda presidente do Banco Central Europeu (Trichet).

E foram muitos os responsáveis políticos do PSD, PS e CDS-PP e muitos mais comentadores de serviço da opinião publicada e mediatizada, nomeadamente economistas, a vir pôr em causa a credibilidade e seriedade das notações dadas pelas agências de notação de risco, a afirmar que estas estão subordinadas a interesses privados e outros mais geoestratégicos, nomeadamente de ligação ao capital financeiro dos Estados Unidos, apercebendo-se no fundo, sem chamarem as coisas pelos verdadeiros nomes, das rivalidades interimperialistas, da guerra muito mais que cambial entre as zonas de influência do dólar e do euro. E a indignação chegou tão «alto» que por breves momentos até o Afonso Henriques tomou conta do site da Moody´s, por cortesia dos hackers nacionais.

E Portugal e a Europa ficaram cheios de "cristãos-novos" e os federalistas mais convictos, omitidos pela supremacia alemã, tornaram ao sonho da unificação política da Europa, uma moeda, um Estado, um governo econômico, ao mesmo tempo que se avançava com necessidades de códigos de conduta e se retomava a velha proposta de agência de notação de risco europeia, discurso aliás repetido em cada episódio de crise financeira e sempre conveniente para depois da onda tudo ficar na mesma, pois na era do imperialismo o capital financeiro reina supremo com a colaboração e rendição dos estados, de acordo com a sua dimensão e papel no sistema capitalista mundial. E as agências de notação de risco são instrumentos preciosos ao serviço da exploração e da manutenção do «reinado» financeiro.

Este discurso foi o mesmo, com os matizes necessários de um e de outro lado do Atlântico, quando as agências de notação de risco deram a notação máxima (o famoso AAA) a empresas que faliram por fraudes, contabilidades criativas ou problemas de solvabilidade, como foi os casos dos escândalos da Enron em 2001, da Parmalat em 2003 ou queda da Lehman Brothers em 2008. Foi o mesmo discurso quando estas agências deram notação AAA a créditos que valiam “lixo”, ajudando nas operações a estruturar veículos de dívida (os famosos CDO), ou melhor dizendo, de encobrimento de riscos de crédito, que teve na origem visível a denominada crise do sub-prime em 2007, notações enganadoras que levaram a que inúmeros fundos de pensões tivessem perdas de milhares de milhões de euros/dólares afetando milhares de pensionistas.

Em Portugal, foram os mesmos responsáveis que com tom de (falsa) surpresa mostraram indignação, pois para além de terem dito "mata", com o memorando da troika, disseram logo esfola, antecipando as medidas de austeridade acordadas e até propondo novas medidas, algumas ao arrepio das promessas eleitorais, com mais privatizações e o “saque” ao subsídio de Natal, quando a aplicação do PEC I, II e III, já tinha no fundo “saqueado” de fato o subsídio de férias. Os mesmos, que não indo mais longe que o início do ano, tinham um outro discurso, acrítico ao comportamento das agências e dos credores externos, pois viam nas notações destas agências uma forma de justificar os planos de austeridade — os PECs e as medidas que vieram a ser contempladas do memorando da troika. E agora são os mesmos que em nome do orgulho nacional, já lançam o discurso que temos que mostrar a essas agências que vamos cumprir o acordo, pedindo mais sacrifícios, mais austeridade, aos mesmos de sempre, quem trabalha, expropriando para continuar a pagar aos credores, aos “jogadores” do casino financeiro, ao mesmo tempo que se continua a injetar milhares de milhões na banca. Quer seja em Portugal ou na Grécia, os empréstimos da FMI/UE serviram para pagar juros e "engordar" bancos.

Mas o que são estas agências de notação de risco de crédito? São agências que servem e se servem da progressiva financeirização da economia, do capital. Assumem o seu papel, na desregulamentação sempre em crescendo dos mercados financeiros, na criação de instrumentos financeiros complexos e na liberalização do capital desde o início da década de 80 do século passado. Assumem o seu papel na explosão do crédito que hoje alimenta artificialmente o sistema capitalista mundial, sempre expropriando a sua periferia. Agências que servem também a hegemonia americana, do dólar, obviamente com o conluio da tríade (Japão e Alemanha), avaliando sempre bem a dívida e os ativos das empresas norte-americanas, não tivessem as duas principais agências — a Moody’s e a Standard&Poor’s, a sua base nos Estados Unidos. Estas agências, de natureza privada, nomeadamente as «três irmãs» — Moody’s, Standard&Poor’s e a Fitch, controlam 95% do mercado mundial de notação de risco e estão espalhadas por todo o mundo, com uma ativa política de fusões & aquisições, que promoveu a concentração e centralização do capital neste sector, que levou ao oligopólio existente.

Estas agências vivem da credibilidade concedida pelos próprios estados e organizações internacionais, que lhes concederam um papel fundamental na validação da emissão de dívida, com consequências na respectiva remuneração — os juros. Estados que por instrumentos legais protegem estas agências de ser responsabilizadas legalmente pelas consequências das notações que emitem.

Estas agências servem os interesses dos seus acionistas, maioritariamente sociedades financeiras e fundos de investimento e de arbitragem, que especulam também à conta das notações que executam, que ganham com a baixa dos mercados financeiros e apostam no incumprimento da dívida. De acordo com a bolsa de Nova Iorque, os acionistas de dimensão relevante que são fundos representam 67% do total no caso da Moody´s e 61% no caso da Standard&Poors. 12% de cada uma delas está nas mãos do denominado Capital World Investors, parte do Capital Group, um fundo discreto que gere ativos financeiros no valor superior a 740 mil milhões de euros, ou seja quase cinco vezes o PIB português, com participações em empresas e ativos de quase 40 países e obviamente investindo centenas de milhões de euros em dívida soberana. Este tipo de fundos tem uma influência nas políticas empresariais das suas participadas e muitas vezes de rapina, vendendo áreas de negócio para gerar fluxos de caixa, para investimentos.

Estas agências vivem das notações que vendem aos seus clientes e dos serviços conexos de consultadoria, na emissão ou estruturação de emissão de dívidas, ou seja, na aquisição destes serviços, está no fundo a comprar-se notação que se quer! Este risco moral junta-se a estratégias agressivas de obtenção de quota de mercado. A influência das notações pode prejudicar severamente uma entidade emissora de dívida, o que leva a cenários de dar notações baixa a entidades não clientes, sobre a chantagem de se o forem terão as notações que querem.

Estas são as agências do capital, que estão onde está a dívida, estão onde está o FMI, sempre pondo a austeridade não só ao serviço da centralização das mais-valias existentes mas na contínua exploração do trabalho. Ao mesmo tempo instrumento e retrato do capitalismo contemporâneo, onde há muito o circuito do capital está reduzido ao dinheiro a gerar mais dinheiro, com o capital de natureza cada vez mais fictícia.


* Pedro Carvalho é economista

Fonte: odiario.info

Deputado do PR anuncia criação de novo partido

O deputado federal Diego Andrade (PR-MG) anunciou nesta segunda-feira (18), por meio de nota, que participa da criação do PDN (Partido do Desenvolvimento Nacional). Segundo Andrade, a sigla está sendo criada por "trabalhadores em transportes, lideranças e trabalhadores rurais, líderes de ONGs e líderes transportadores".

O deputado informou que o deixará o PR assim que a criação do PDN for oficializada. A nova sigla já foi registrada em um cartório de Brasília.

Andrade informou que a partir de agora passa a cumprir as providências para legalizar o partido no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O PDN nasce depois de divergências internas no PR. O grupo de Andrade, liderado por seu tio, o também deputado Clésio Andrade (PR-MG), estaria insatisfeito com a falta de espaço na legenda, que hoje, está sob o controle do secretário-geral, deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), acusado de atos de corrupção na atual crise que envolve o Ministério dos Transportes. Costa Neto é também réu no processo do chamado mensalão. Na legislatura passada renunciou ao mandato para escapar da cassação.

Há negociações em curso para que o futuro PDN se una ao PRTB, partido que elegeu dois deputados federais em 2010.

O grupo afirma que só recua caso a atual crise nos Transportes resulte em efetiva perda de poder de Costa Neto na máquina partidária do PR.

Com agências

segunda-feira, 18 de julho de 2011

À caça das chechenas “imorais”

Kadírov (foto, à direita), reeleito em seu cargo em março deste ano, se propôs a conseguir o ‘renascimento espiritual e moral’ da Chechênia com ajuda de uma milícia especial. As mulheres constituem o principal objeto de seus ataques.

Por Cynthia Eisenberg - Revista Fórum

Na primavera de 2007, Vladímir Putin designou Ramzán Kadírov, filho do antigo presidente checheno Ajmat Kadírov (assassinado em um atentado pelas mãos dos rebeldes chechenos) como novo presidente da Chechênia. À frente de um país destruído por duas guerras separatistas (que entre 1994 e 2001 acabaram com 20% da população chechena) Kadírov, reeleito em seu cargo em março deste ano, se propôs a conseguir o ‘renascimento espiritual e moral’ da Chechênia com ajuda de uma milícia especial.

Organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional acusam esta ‘polícia da moral’ de violar repetidamente os direitos humanos, alegando uma campanha para prevenir o terrorismo. As mulheres constituem o principal objeto de seus ataques, que incluem perseguição, agressões e inclusive morte.

Ramzán Kadírov à frente do governo checheno está levando a cabo um processo de re-islamização da república chechena que ocorre em detrimento dos direitos das mulheres. Há muita repressão sobre a população e elas são as principais vítimas, já que são o setor mais frágil dessa sociedade’, explica Marta Ter, membro da ONG catalã ‘Liga dos Direitos dos Pobres’, e responsável junto à pedagoga Silvia Puente pela campanha ‘Chechênia, rompamos o silêncio!’.

O retorno à tradição, proclamado por Kadírov, reforça a desigualdade das mulheres na sociedade chechena. Às práticas tradicionais como o roubo de namoradas, pela qual um homem caso seja rechaçado por uma mulher pode sequestrá-la e violá-la e casar-se com ela para lavar sua honra, se somam atualmente a obrigatoriedade do uso do véu e a validação pelo estado da poligamia e dos assassinatos de mulheres por questões de honra.

Em várias entrevistas Kadírov declarou que as mulheres são inferiores aos homens, devem obedecer-lhes e cobrir seus corpos para não tentá-los. O informe “You Dress According to Their Rules: Enforcement of an Islamic Dress Code for Women in Chechnya” (Você se veste de acordo com as regras deles: Imposição de um Código de Vestimenta Islâmico para as mulheres na Chechênia) documentou atos de violência e ameaças contra as mulheres e meninas com o fim de intimidá-las e fazer com que cubram o cabelo e o corpo. Paralelamente, em março deste ano, um informe do Human Rights denunciou os ataques dos guardiões da moral que são recorrentes nas ruas de Grozny, capital da Chechênia, disparando com pistolas de paintball contra as mulheres que resistiam a cobrir suas cabeças. Em relação a estes fatos, Kadírov assegurou pela televisão estatal que não conhecia os responsáveis por esses ataques, mas que quando os encontrasse expressaria sua gratidão por colaborarem com a recuperação moral do país.

O líder, apoiado por vários membros do governo, se pronunciou também a favor da legalização da poligamia com a desculpa para elevar a taxa de natalidade e contribuir desta maneira ao renascimento checheno. O mesmo manifestou aos meios que se encontra na busca de uma segunda esposa: "É melhor para uma mulher ser a segunda ou terceira esposa que see assassinada por sua 'má conduta'", declarou em uma entrevista que concedeu à Rossiiskaia Gazeta.

A má conduta ou "perda da moral" a que se refere Kadírov justificaria, a seu entender, os assassinatos de mulheres. Em fins de novembro de 2010, sete mulheres foram assassinadas com tiros na cabeça em Grozny; o presidente atribuiu as mortes a questões de honra, afirmando que a perda da moral de ditas mulheres foi o fato que obrigou os homens de suas famílias a assassiná-las, dizem, ainda, que ‘na Chechênia temos esses costumes. Qualquer menino, até o menor deles, se sua irmã levasse uma vida imoral, pensaria em matá-la’.

Paralelamente crescem as suspeitas da implicância do governo nos assassinatos de mulheres e homens, jornalistas e ativistas de direitos humanos contrários à política de Kadírov. O Centro de Direitos Humanos Memorial denunciou repetidamente a relação do líder coma morte da ativista de direitos humanos Zarema Sadulayeva e seu esposo, e das jornalistas Natalia Estemirova e Anna Politkovskaya, entre outros. De sua parte, a Anistia Internacional solicitou o fim da impunidade e o esclarecimento destes assassinatos.

O medo e a falta de difusão sobre a violação dos direitos humanos parecem ser os inimigos principais do povo checheno, especialmente das mulheres. Para Marta Ter "é difícil encontrar uma pessoa na Chechênia que queira falar sobre a situação ou encontrar material sobre o tema. É necessário denunciar o que ocorre e divulgá-lo porque o que cai em silêncio simplesmente não existe".


Código Florestal deve integrar agricultura e preservação ambiental

IHU - Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos
Adital
Entrevista com Ricardo Rodrigues

Antes de aprovar um novo Código Florestal, é preciso reavaliar o Código vigente e atualizá-lo com o conhecimento científico adquirido nos últimos anos. Essa é a proposta defendida pela Academia Brasileira de Ciência – ABC e pela Sociedade Brasileira de Progresso da Ciência – SBPC. "Sugerimos, em encontro no Senado e na Câmara, que o Código em vigor seja reescrito incorporando o conhecimento científico existente, pois não podemos pensar a questão ambiental separada da questão agrícola”, disse o biólogo e membro da ABC e SBPC à IHU On-Line por telefone.
Ricardo Rodrigues integra o grupo de pesquisadores responsáveis pelo estudo O Código Florestal e a Ciência – Contribuições para o Diálogo, organizado pela SBPC e pela ABC. Recentemente, ele e outros cientistas apresentaram sugestões de alterações ao Código Florestal aos senadores da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). Segundo ele, o encontro foi positivo e a perspectiva é que o texto do Código Florestal seja alterado e aprovado até dezembro.
Na entrevista a seguir, Rodrigues diz que o novo texto do Código Florestal apresenta equívocos e não soluciona os problemas do Código atual. Entre as limitações da nova proposta, ele aponta a redução da mata ciliar de 30 para 15 metros. Segundo ele, o conhecimento científico disponível hoje já é enfático em relação à questão. "O conhecimento científico mostra que 30 metros é extensão mínima para o cumprimento do papel da mata ciliar. Com certeza a redução de 15 metros proposta no novo Código Florestal baseia-se em nada”.
Ricardo Ribeiro Rodrigues é graduado em Ciências Biológicas e doutor em Biologia Vegetal pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Atualmente é docente na Universidade de São Paulo – USP e coordena o Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da instituição.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Qual é a proposta da Academia Brasileira de Ciência e da Sociedade Brasileira de Progresso da Ciência para o novo texto do Código Florestal?

Ricardo Rodrigues – Defendemos que o atual Código Florestal tem problemas e precisa ser atualizado em termos de conhecimento científico para depois pensarmos na criação de um novo Código Florestal.
Acreditamos que é possível construir uma política ambiental brasileira ou um novo Código Florestal sustentado no conhecimento científico disponível. Sugerimos, em encontro no Senado e na Câmara, que Código em vigor seja reescrito incorporando o conhecimento científico existente, pois não podemos pensar a questão ambiental separada da questão agrícola.
Aqueles que defendem a criação de um novo Código Florestal justificam que não existem florestas remanescentes no Brasil para o cumprimento da Reserva Legal dentro da perspectiva do Código vigente. Portanto, como não tem floresta para o cumprimento da Reserva Legal, a proposta é mudar o Código. Entretanto, em nenhuma das análises foi incorporada uma reflexão sobre as áreas que já foram inadequadamente disponibilizadas para agricultura. Com a evolução da tecnologia no campo, muitos territórios acabaram se transformando em áreas marginais e foram abandonados e agora querem revertê-los com uma nova ocupação dentro do conceito da Reserva Legal.

IHU On-Line – Quais são os principais equívocos do novo texto do Código Florestal?

Ricardo Rodrigues – Uma das propostas do novo Código é reduzir a área das matas ciliares de 30 para 15 metros. Se existe uma faixa de Área de Preservação Permanente – APP de 30 metros, mas só se recupera 15m, o que se faz com o restante? Essa aérea ficará abandonada? O conhecimento científico mostra que 30 metros é extensão mínima para o cumprimento do papel da mata ciliar. Com certeza a redução de 15 metros proposta no novo Código Florestal baseia-se em nada.
Outro equívoco é tentar compensar as degradações da Reserva Legal dentro do bioma. Quando se faz compensação do bioma, compensa-se uma formação ambiental muito diferente daquela que foi degradada, pois dentro do mesmo bioma existem vários ecossistemas. Quando se degrada uma área da Reserva Legal, é preciso recuperá-la e conservá-la. Através do conhecimento científico, mostramos que essas compensações têm um limite espacial de distância que precisa ser respeitado.

IHU On-Line – O senhor esteve reunido com os senadores da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle e da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária para falar sobre os impactos do Código Florestal. Como foi o encontro?

Ricardo Rodrigues – Foi muito positivo. Estava desanimado com a aprovação do Código Florestal na Câmara, mas fiquei animado com a recepção dos senadores em relação às nossas propostas. Conseguimos expor nossa posição; apontamos os itens do Código Florestal que precisam ser alterados e fundamentados no conhecimento existente e, principalmente, defendemos que é preciso integrar a questão ambiental com a agricultura. Não existe essa dicotomia, que foi colocada no texto do novo Código Florestal, de que a questão ambiental briga com a questão agrícola. Elas são complementares.
Para se ter uma ideia, as usinas de cana-de-açúcar são altamente impactantes em termos ambientais e não respeitam o Código Florestal atual, no que diz respeito à Reversa Legal, e as áreas de preservação. Ou seja, elas estão irregulares em termos ambientais. Mas quando se faz um diagnóstico ambiental e agrícola destas propriedades, percebe-se que a taxa de ocupação agrícola com cana-de-açúcar é em torno de 70%, enquanto a ocupação de áreas de preservação permanente fica em torno de 8%. Portanto, falta no Brasil um planejamento ambiental e agrícola da atividade de produção.
Outro grande problema ambiental do país é a pecuária: 2/3 da área agrícola é utilizada com pecuária de baixa produtividade. Nesse sentido, é preciso aumentar a produtividade da pecuária, o que permitirá a redução de área com pecuária, a qual poderá ser utilizada para a expansão da agricultura de grãos ou de cana-de-açúcar, por exemplo. Até 2030 o Brasil precisará de 15 milhões de hectares para a expansão agrícola. Ou seja, a solução da agricultura está na própria agricultura.
Alguns argumentam que o café, o arroz e o maracujá estão em áreas de restrição ambiental, mas estas são situações isoladas em relação ao todo. Para esses casos, podem-se pensar alternativas específicas, pois existem algumas soluções técnicas que permitem diminuir o impacto ambiental destas culturas. É besteira mudar um Código inteiro por causa de situações que representam 5% da atividade agrícola brasileira.

IHU On-Line – Como os agricultores reagem diante da possibilidade de preservar as APPs?

Ricardo Rodrigues – Quando se propõe aumento de tecnificação da agricultura, eles aceitam preservar as APPs. Eles não conseguem cumprir as regras do Código Florestal por causa da baixa produtividade agrícola.

IHU On-Line – Como é possível recuperar os 61 milhões de hectares de terra que estão degradadas?

Ricardo Rodrigues – É possível recuperá-las através da agricultura. Existem práticas agrícolas que permitem esta recuperação. Terras de baixa aptidão agrícola devem ter realocação de uso e podem ser destinadas à Reserva Legal.

IHU On-Line – Vocês apresentaram aos senadores novas tecnologias para o mapeamento e estudo sobre os recursos naturais brasileiros. Que tecnologias são essas?

Ricardo Rodrigues – Hoje, dispomos de um pacote tecnológico de imagens de radares e de novos programas de computador que permitem o planejamento agrícola ambiental de forma muito mais efetiva do que 40 anos atrás, quando o Código Florestal foi aprovado. Atualmente, temos imagens de alta resolução que permitem monitorar metro a metro a produção agrícola.

IHU On-Line – Qual sua expectativa em relação à aprovação ou não do novo Código a partir deste encontro com os senadores?

Ricardo Rodrigues – Segundo os senadores, a decisão final será da presidente. Até dezembro serão realizadas novas discussões, votações, e certamente o texto voltará para a Câmara com alterações. A expectativa dos senadores é que até dezembro o Código seja aprovado. Saí deste encontro com a perspectiva de que vamos conseguir fazer um planejamento agrícola e ambiental com conhecimento científico.

Fatos em foco

Esta semana, professores da rede estadual do Rio de Janeiro chegaram a ocupar a sede da Secretaria de Educação para pressionar as negociações
 
Da redação Brasil deFato
 
Ideologia genocida

Centenas de judeus ultraortodoxos protestaram no início do mês em frente à Suprema Corte de Jerusalém contra o interrogatório de dois rabinos que apoiaram um livro que incita violência contra não-judeus. A obra, publicada em 2009 e depois proibida em Israel, afirma que bebês e filhos dos inimigos de Israel podem ser mortos sob certas condições desde que “seja claro que eles vão crescer para nos ameaçar" e que os não judeus seriam “pessoas de pouca compaixão por natureza”.

Justiça contra o trabalhador

No Mato Grosso do Sul, uma decisão da juíza Marli Lopes Nogueira, da 20ª Vara do Trabalho do Distrito Federal (DF), provocou repúdio de organizações sociais. Oitocentos e dezessete trabalhadores, entre eles 275 indígenas, seguiram em condições análogas a escravidão numa fazenda de cana de açúcar em Naviraí. Do contrário, deveriam pedir desligamento da usina Infinity Agrícola, abrindo mão de seus direitos. Além disso, a juíza proibiu que a usina seja relacionada na lista suja do trabalho escravo.

Terra Indígena Marãiwatsede

O governo do Mato Grosso sancionou, no final do mês de junho, uma lei que autoriza o estado a trocar a Terra Indígena Marãiwatsede com a Funai pelo Parque Estadual do Araguaia. O Cimi alerta que a medida é inconstitucional e fere o direito assegurado ao povo Xavante a seu território tradicional, homologado desde 1998. Para a entidade, a lei do governo estadual é uma manobra para regularizar a ocupação ilegal dos não-índios. Hoje, os xavantes ocupam apenas 10% de seu território.

Professores no Rio

Esta semana, professores da rede estadual do Rio de Janeiro chegaram a ocupar a sede da Secretaria de Educação para pressionar as negociações. Em greve desde o dia 7 de junho, os professores que ganham cerca de R$ 600 por 16 horas querem o descongelamento do plano de carreira de funcionários administrativos, 26% de reajuste emergencial e incorporação imediata da gratificação Nova Escola, prevista para terminar de ser paga só em 2015.

Um não ao prêmio empresarial

A professora Amanda Gurgel, nacionalmente conhecida por peitar deputados da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, lançou o blogdaamanda.com.br para continuar expondo às péssimas condições para se aprender e lecionar nas escolas públicas do país. Amanda também recusou o prêmio “educador de valor” da associação Pensamento Nacional de Bases Empresariais, que já premiou Fundação Bradesco, Fundação Victor Civita e Canal Futura. Segundo ela, sua luta é muito diferente dessas instituições.

Violência policial

No final do mês de junho o quilombola Diogo de Oliveira Flozina foi assassinado por policiais na cidade de Caravelas, litoral sul da Bahia.  A denúncia é dos moradores locais que não quiseram se identificar. O caso ocorreu no Quilombo de Volta Miúda. A vítima tinha 27 anos e era pai de dois filhos. A comunidade acusa policiais e empresas produtoras de eucaliptos de fazerem ameaças. De acordo com relatos, o jovem quilombola teve sua casa invadida e foi morto por três policiais à paisana.

Bueiros

Em um protesto bem humorado, moradores do Rio de Janeiro colaram adesivos em bueiros da concessionária Light para chamar a atenção dos pedestres sobre o perigo das explosões. No início deste mês, quatro bueiros explodiram em um só dia na região central do Rio, deixando duas pessoas feridas. Em uma vistoria, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RJ) constatou que sete dos 21 bueiros analisados poderiam explodir a qualquer momento.

Bueiros 2

As explosões motivaram até mesmo a criação de um jogo no Facebook, o "Desafio Rio Boom-eiro". Na tela do aplicativo aparece o convite "Caminhe pela Cidade Maravilhosa sem voar pelos ares". No jogo, o internauta controla um carioca que caminha pela "Rua Bueiros Aires" atento aos bueiros que explodem a qualquer momento, e a pontuação avalia apenas a distância que o jogador percorre sem ser atingido por um bueiro em chamas ou cair em um sem tampa.

Vale conferir

Para quem ainda não leu, está disponível na Agência Brasil de Fato a entrevista exclusiva com o crítico literário Antonio Candido, publicada na edição 435 do Brasil de Fato. Na página o leitor também pode conferir o especial "A Hora da Causa Gay", que reúne matérias sobre temas como união estável entre pessoas do mesmo sexo, religiosidade e preconceito.

Fruet: mais um tucano abandona o ninho

Por Altamiro Borges

Na semana passada, mais um tucano de alta plumagem abandonou o ninho. O ex-deputado paranaense Gustavo Fruet anunciou sua desfiliação do PSDB. Ele justificou a decisão pela falta de espaço no partido. “O PSDB fechou todas as portas para mim”, disse. O ex-tucano informou que decidirá até agosto em qual partido se filiará, mas há boatos de que ingressará no PDT.

Gustavo Fruet, de 47 anos, cumpriu três mandatos na Câmara Federal. Ele ganhou notoriedade a partir de 2005, quando foi um dos sub-relatores da CPI dos Correios e fez discursos raivosos contra o governo Lula. Com o declínio da oposição demotucana, o seu espaço no PSDB encolheu. Beto Richa, o truculento governador do Paraná, cortou as suas asinhas para a disputa da prefeitura de Curitiba.

“É uma perda muito grande”

Em carta aberta à sociedade, o ex-deputado bateu duro no oportunismo político do PSDB e questionou a “ética” dos tucanos. “A cada eleição prevalece o pragmatismo e os interesses locais. Por vezes, escusos e nem sempre transparentes! A estes não me submeto, ainda que seja levado pelas circunstâncias a trilhar um novo caminho, que sei que não será fácil”, argumentou.

A saída de Fruet abalou os tucanos. “É uma perda grande”, choramingou o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE). Aécio Neves, o matreiro senador mineiro que luta para viabilizar sua candidatura presidencial, até ligou para o ex-correligionário na tentativa de evitar o baque. “Lamento muito, mas respeito a decisão dele. Espero que estejamos juntos novamente no futuro”, lamuriou.

“Uma nau sem rumo”

Com o apoio da mídia, que alardeia os escândalos de corrupção no governo Dilma, a oposição demotucana tenta se reerguer. Mas não está nada fácil. Sem programa e sem discurso – já que o bordão da ética, partindo de políticos mais sujos do que pau de galinheiro, não convence –, a direita continua sendo abalada por deserções. O DEM está sumindo e o PSDB não consegue superar sua crise.

Em recente artigo na Folha, Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia na Universidade de São Paulo (USP), destrinchou a atual crise dos tucanos. Para ele, o PSDB é uma nau sem rumo, sem projeto político. Reproduzo trechos da sua instigante análise:

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O conglomerado tucano foi e é uma trinca de partidos. O maior deles é o PSDB. Dos três, só ele pode concorrer à Presidência da República. Já o DEM foi nosso maior partido, elegendo 105 deputados federais em 1998. Mas minguou para 43, em 2010. Largou o nome de PFL, sangra com a saída do prefeito de São Paulo, seu maior líder eleito. Pouco lhe resta, salvo fundir-se com o PSDB... O PPS subsistirá, mas, como vários partidos, a sua vocação é ser coadjuvante.

Mas o eixo está no PSDB. Restam-lhe, hoje, três presidenciáveis... Vejamos os três nomes. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, conta com a fama de pessoa calma e tranqüila, mas já teve sua chance em 2006 e, talvez porque partiu para a agressão verbal ao então presidente Lula, conseguiu perder votos no segundo turno em relação ao primeiro, feito raro e que reduz sua cotação nacional. José Serra, ex-governador paulista, concorreu duas vezes à presidência e perdeu.

Restaria o príncipe encantado que, desde a pré-campanha de 2010 aparecia como o nome do futuro, fadado a resgatar a morte do avô, diplomado mas que morreu antes de assumir a presidência, Tancredo Neves. Dizem que Serra lhe teria prometido a candidatura em 2014, qualquer que fosse o resultado do pleito do ano passado. Mas na noite do segundo turno, ao sair o resultado das eleições, Serra se absteve de cumprimentar correligionários que não fossem paulistas.

Mais recente, o episódio em que Aécio Neves se recusou a prestar o teste do bafômetro deixa certa preocupação sobre sua maturidade para a Presidência. É provavelmente o melhor articulador dentro do partido, seu nome mais simpático e encantador, provém de um Estado que está há tempos fora do Planalto (até porque Dilma é mais gaúcha do que mineira) - mas deu à sociedade um exemplo negativo, em termos de conduta pessoal.

Este rápido percurso pelos nomes não substitui, porém, o que realmente conta: o projeto que o partido defenderá. Nenhum partido brasileiro, como se sabe, se diz de direita. O DEM, tentando não ser esvaziado por Kassab e sobreviver ao PSDB, outro dia ousou dizer-se "conservador". Mas talvez não tenha como ser um partido liberal, o que, aliás, não se confunde com conservador. O PSDB fará haraquiri se for conservador, e terá dificuldade em ser apenas liberal. Mas é fato que foi indo para a direita.

Sua criação já mostrava algo estranho. Os partidos social-democratas, na Europa, nasceram dos sindicatos. Mas aqui não houve amor entre o mundo sindical e o PSDB. Significativo da dificuldade de se dizer "social-democrata" é um artigo na Folha, por sinal brilhante, em que Gustavo Franco definia, no começo do ano, a "social-democracia" em que acreditava: nada sobre o mundo do trabalho, tudo sobre economia, finanças e gestão. Estava mais para um liberalismo consistente do que para a social-democracia. Disso, o resultado é que a social-democracia brasileira acabou sendo o PT no governo.

O PSDB tem três anos para galvanizar o país. Sorte dele que sua crise se dê agora; imaginem se estivéssemos já em 2014. Qual será seu projeto, é difícil saber. O partido parece se dividir entre um projeto que seria o de Serra, ou melhor, o de Bresser Pereira: desenvolvimento econômico, com projeto nacional e bons resultados sociais; e outro, que retomaria a linha privatizante de FHC, o projeto que o "Economist" queria que Serra adotasse, mas sabia que ele não assumiria. Ora, dos dois projetos, o segundo parece ter completado seu papel, enquanto o primeiro foi e é executado, bem, pelo PT.

Que discurso resta, então, ao partido tucano? Retomar a herança do governo Fernando Henrique parece pouco promissor. Concorrer com o PT em seu terreno é perda de tempo. Mas, em suma, o problema da oposição hoje não é o número de deputados, é o que ela quer fazer do Brasil. E, no fundo, deveria ser este o problema, não da oposição, mas de todos nós. Não importa tanto se um partido é grande e viável, ou não. Isso muda. O que importa é que o Brasil se beneficie das melhores propostas.

Em Congresso da UNE, estudantes soltam a voz

Terminou neste domingo (17) em Goiânia, o 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Um evento altamente representativo, em cuja preparação, ao longo do primeiro semestre letivo, milhões de estudantes foram de alguma forma mobilizados em reuniões e assembleias nas quais debateram os principais problemas que afligem a Universidade e a educação de uma maneira geral no Brasil. Cerca de 1 milhão de estudantes escolheram em eleições diretas os delegados que se reuniram em Goiânia desde a última quarta-feira (13).

O estudante Daniel Iliescu, que liderou a chapa Transformar o Sonho em Realidade — encabeçada pela União da Juventude Socialista — foi eleito com uma consagradora maioria de 75% dos delegados votantes, fruto de uma ampla coalizão que englobou as mais representativas correntes do movimento estudantil universitário.

O novo líder declarou que “a União Nacional dos Estudantes é um dos símbolos mais fortes da democracia no Brasil”. Efetivamente, a UNE se consagrou como um dos intérpretes mais credenciados dos anseios de liberdade não só da juventude mas do próprio movimento democrático e popular como um todo. Há décadas a UNE aceitou e enfrentou o desafio de lutar pelas bandeiras mais caras ao povo brasileiro: democracia, soberania nacional, paz mundial, reformas estruturais e sobretudo pela educação universal, pública e gratuita. Das fileiras da UNE saíram militantes e quadros das principais organizações da esquerda brasileira. Nas ruas e nos combates da luta armada sobressaíram inúmeros líderes estudantis, heróis do povo brasileiro, como Honestino Guimarães e Helenira Resende.

A UNE cumpriu papel importante também na consolidação da democracia no País, no período da Nova República e da eleição e realização da Assembleia Constituinte. E foi uma organização social importante no respaldo ao governo do presidente Lula, o que foi reconhecido pelo ex-mandatário no congresso encerrado ontem.

Hoje, a UNE está diante de novos desafios. Nas palavras do presidente eleito da entidade, o principal destes “é o desafio de ajudar o Brasil a percorrer os caminhos e as lutas para tornar-se uma nação mais justa e desenvolvida; o movimento estudantil brasileiro está muito amadurecido e se prepara para vôos maiores; queremos muito ajudar o país a dar passos largos e ousados, em especial, na área da Educação.

Iliescu sintetiza as principais lutas da entidade no atual momento: “A UNE defende um projeto de desenvolvimento democrático e autossustentável, soberano e solidário, com distribuição de renda, valorização do trabalho e da produção para um povo e uma juventude mais feliz. Entendemos que nosso papel é pressionar os governos e dialogar com a sociedade para que o país avance”.

O 52º Congresso da UNE aprovou resoluções que podem impactar positivamente o desenvolvimento nacional. Como bandeiras prioritárias os estudantes reunidos em Goiânia decidiram lutar pelo investimento na educação de 10% do PIB e pela atribuição de 50% do Fundo Social do pré-sal à educação. Os estudantes decidiram intensificar a luta para erradicar o analfabetismo e ampliar o acesso e a qualidade do ensino superior.

Fiel às suas tradições de politização das lutas, a UNE decidiu apoiar a criação da Comissão da Verdade, ressaltou a importância do Plano Nacional de Educação (PNE) e se manifestou a favor da realização de reformas estruturais democráticas no país.

Chama a atenção positivamente a resolução política do 52º Congresso, que destaca as mudanças progressistas que o País vive desde a eleição do ex-presidente Lula e no governo da presidente Dilma, mas é crítico a “medidas que contrastam com as necessidades do povo brasileiro”, destacadamente a “política econômica conservadora”, assim como aos “entraves e políticas que só jogam contra os interesses do país e do povo”.

Mais do que nunca o Brasil necessita do concurso da UNE, como das demais organizações do movimento social. Para além das lutas estritamente educacionais, que de per si têm dimensão estratégica para o desenvolvimento do país e a emancipação social do povo, o momento requer a realização de um grande debate e mobilização nacionais.

Na ordem do dia está colocada objetivamente a discussão sobre o Projeto Nacional, em que o pensamento avançado da sociedade, no qual figura com méritos o dos estudantes e do conjunto da comunidade universitária, é chamado a formular propostas à altura das necessidades da nação e do povo brasileiro.

O momento em que se ouviu a sonora voz dos estudantes brasileiros corresponde ao de uma retomada das lutas da juventude em todo o mundo. É o que se observa na “Primavera” árabe, em manifestações na Europa e no Chile, onde os estudantes se encontram nas ruas há três meses, combatendo por seus direitos, democracia e justiça social, interpretando simultaneamente os sentimentos da esmagadora maioria da sociedade. (Editorial Vermelho)

TODOS OS HOMENS DE MURDOCH: O CONTROLE DA SOCIEDADE PELA MÍDIA

Com a detenção da ex-editora do News of the World,  Rebekah Brooks, neste domingo --solta depois sob fiança--  oito jornalistas  do grupo Murdoch passaram pela prisão de Londres.Todos são acusados  de crime de corrupção e interceptação de comunicações de um amplo universo de mais  de 4 mil pessoas, incluindo-se celebridades, políticos e cidadãos comuns. Neste domingo, ainda, nada menos que o  chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard), Paul Stephenson, renunciou ao cargo, após admitir que havia contratado o antigo sub-editor do News Of the World, Neil Wallis, como consultor da Scotland Yard.  Wallis, foi preso sob  suspeita de participar de esquema de suborno de policiais em troca de informações confidenciais para o  tabloide de Murdoch. Outro braço-direito  de Murdoch, Andy Coulson, ex-diretor do News of the World,  trabalhara como homem  de comunicação de David Cameron, antes que este assumisse o cargo de primeiro ministro inglês. Nos EUA, o FBI começa esta semana  a investigar denúncias de espionagens  realizadas por veículos do grupo  Murdoch,  que possui a rede Fox News, o Wall Street Jounal e a Business Week. As  investigações poderão desnudar as ligações políticas e operacionais entre a extrema direita republicana e o canal Fox News, dirigido pelo ex-assessor de imprensa de Nixon e Bush (pai), Roger Ailes. Nos anos 70, Ailes  foi o autor de um estudo sugestivamente intitulado: ‘ Como Colocar o Partido Republicano na Mídia'. Na presidência da Fox, Ailes notabilizou-se por demonstrar na prática ‘como colocar o Tea Party na agenda da mídia'.  Esse  jornalismo que se distingue por combater idéias  e defender interesses  destruindo reputações e alvejando biografias, tem a sua contrapartida em termos de agenda econômica. Nos EUA, atualmente,  ela é representada pelo  extremismo orçamentário republicano, cuja  intenção é imobilizar Obama impondo-lhe um calendário de cortes em gastos  sociais em plena campanha presidencial de 2012. A mídia brasileira, de um modo geral, adotou uma abordagem minimalista dos desdobramentos que  o escândalo  do ‘News of  the World' coloca no tocante  às relações entre o dinheiro, a democracia e o direito à  informação.  Em uma palavra, a regulação da mídia, tema incomodo que perpassa todo o escândalo Murdoch, mas silenciado entre nós. Bernardo Kuscinski , um dos pioneiros da crítica da mídia no país, em comentário sobre  um artigo do historiador Timothy Ash, publicado no Estadão deste domingo, diz o seguinte : " Ash aponta para a profundidade e a gravidade do que se passa na democracia inglesa, refém de Murdoch e da grande midia; a elite britânica e todas as pessoas de perfil público viviam em estado de medo, (que Ash)  compara ao medo vivido na Rússia. É a grande mídia agindo como organização criminosa.Há algo de parecido no comportamento de VEJA".
(Carta Maior; 2º feira 18/07/ 2011)

A luta para resgatar a Primavera Árabe


Seis meses após a primavera árabe derrubar o seu primeiro ditador, as principais praças do Cairo e de Túnis foram novamente palco de protestos, gás lacrimogêneo e fúria contra a resistência à mudança demonstrada pelas autoridades interinas nestes países. Na Síria, ativistas disseram que pelo menos 19 pessoas foram mortas na última repressão contra os protestos que têm convulsionado o país há mais de quatro meses. Pelo menos sete pessoas morreram no Iêmen em meio a um limbo político que parece não estar perto de uma solução

As revoluções históricas que abalaram o mundo árabe ao longo deste ano estavam correndo o risco de colapsar quando, na noite de sexta-feira, os manifestantes voltaram às ruas para professar a sua repulsa à forma como o movimento está sendo bloqueado por regimes antigos e novos.

Seis meses após a primavera árabe derrubar o seu primeiro ditador, as principais praças do Cairo e de Túnis foram novamente palco de protestos, gás lacrimogêneo e fúria contra a resistência à mudança demonstrada pelas autoridades interinas nestes países. Na Síria, ativistas disseram que pelo menos 19 pessoas foram mortas na última repressão contra os protestos que têm convulsionado o país há mais de quatro meses. Pelo menos sete pessoas morreram no Iêmen em meio a um limbo político que parece não estar perto de uma solução. E na Jordânia um forte esquema de segurança policial acompanhou manifestações pró e anti-reforma que acabaram se tornando violentas.

As cenas serviram como um lembrete de que, após a euforia da primavera árabe, poucos avanços concretos na direção das reformas pretendidas ocorreram. As eleições na Tunísia e no Egito foram adiadas. As propostas de reforma no Iêmen e na Síria têm sido rejeitadas como inadequadas.

Egito
Milhares de manifestantes foram para praças públicas de todo o país, em uma "sexta-feira de advertência final" para a junta militar, em meio a temores de que a revolução que derrubou Hosni Mubarak está sendo traída por forças conservadoras.

Manifestações e greves de fome foram registradas desde Alexandria, na costa do Mediterrâneo, até Luxor no sul e Suez, no leste, com o foco principal, mais uma vez na praça Tahrir, no Cairo, onde um grande acampamento já dura mais de uma semana e não mostra sinais de acabar.

Os manifestantes acusam o Conselho Supremo das Forças Armadas (SCAF), que assumiu o poder após a queda de Mubarak e prometeu abrir caminho para um governo civil democraticamente eleito no final deste ano, de sufocar as demandas revolucionárias, trabalhando para proteger os elementos do velho regime de uma mudança política.

"Como muitos têm dito no Facebook, a relação entre o população e o SCAF é o mesmo que o relacionamento entre uma mulher e um marido que ela sabe que está sendo infiel", disse Alaa El Shady Din, um manifestante na praça Tahrir.

"Ela tolera a infidelidade em um primeiro momento, em um esforço para não destruir a família e machucar as crianças, mas logo percebe que o marido não se importa nem um pouco com a família", acrescentou.

"No começo nós mentimos para nós mesmos, nós queríamos acreditar que eles estavam conosco. Mas agora as ruas estão acordando e dizendo ao conselho “nós somos os governantes e vocês seguem as nossas ordens; não o contrário. Nós somos a maldita linha vermelha e vocês não devem atravessá-la”.

Assim como a maioria dos manifestantes, El Din estava furioso esta semana por um comunicado do porta-voz da SCAF, Mohsen El-Fangari, que alertou contra aqueles que procuram "perturbar a ordem pública" e adotou um tom que lembrou Mubarak em seus discursos finais à nação. A pressão está aumentando sobre o primeiro-ministro interino, Essam Sharaf, que parece incapaz ou não quer forçar mudanças políticas significativas em face da intransigência dos generais. Muitos de seus apoiadores originais começam agora a pedir sua saída.

Tunísia
Alguém que estivesse visitando a capital da Tunísia pela primeira vez não diria que uma revolta popular ocorrera ali nos últimos seis meses. Policiais armados com cassetetes, gás lacrimogêneo e cães reprimiam uma pequena multidão de manifestantes que se reuniu para expressar um sentimento amplamente difundido na cidade: que a revolução foi construída em cima da areia e acabou bloqueada por um governo que tem feito pouco para implementar as exigências dos revolucionários.

A sede do governo central (Qasbah) foi cercada por rolos de arame farpado e veículos blindados, enquanto os manifestantes com bandeiras tunisinas gritavam "paz, paz". Então o problema começou. A primeira granada de gás vomitou uma espessa fumaça branca e foi rapidamente seguida por muitas outras. Os manifestantes correram para se esconder nas sombras da noite em meio a uma espessa nuvem de fumaça branca.

Dois homens se lançaram ao chão, de joelhos e com o peito nu, enfrentando a polícia. Um terceiro aparou uma boma de gás que passou girando e jogou-a de volta contra os policiais. Assim que a fumaça se dispersou, os manifestantes retornaram com o reforço de algumas centenas de pessoas. Alguns começaram a atirar pequenas pedras contra a polícia.

"As pessoas que me torturaram ainda estão lá", disse Malek Khudaira apontando para o ministério onde foi mantido por 10 dias durante o levante que derrubou o ex-ditador Zine al-Abidine Ben Ali.

"Como eu posso sentir que há mudanças ou que houve uma revolução total, se tudo está a mesma coisa; eu vejo os torturadores andando nas ruas todos os dias."

Por horas, seguiu-se um jogo de ataque e contra-ataque entre manifestantes e policiais. Os manifestantes marchavam e a polícia lançava bombas de gás no meio deles. Um homem de calça preta, camisa branca e óculos de sol estava de frente para a polícia quando um projétil atingiu sua barriga. Ele caiu onde estava e foi socorrido por outros manifestantes.

Os organizadores da manifestação chamaram-na de “Qasbah 3". A número 1 foi o levante que derrubou Ben Ali e forçou-o a fugir. A número 2 foi a mobilização que derrubou o primeiro governo provisório, um mês depois.

Síria
Ativistas relataram pelo menos 19 mortes em toda a Síria e dezenas de feridos quando as pessoas se reuniam para suas orações semanais, que têm sido usadas como um ponto de mobilização para a dissidência há mais de quatro meses.

Pesados conflitos foram relatados em pontos da capital, segundo relatos e contas amplamente divergentes de ativistas e da mídia estatal. Pelo menos sete manifestantes foram mortos a tiros em bairros de Damasco, em mobilizações que reuniram algumas das maiores multidões já registradas desde que os protestos iniciaram.

As forças de segurança têm usado cassetetes e gás lacrimogêneo em Damasco para reprimtir os protestos no coração do poder do regime. Dezenas de pessoas ficaram feridas nas cidades de Aleppo, Deraa, Idleb e Homs.

As autoridades sírias novamente culparam grupos armados pela violência - uma referência indireta aos ativistas islâmicos acusados de tentar inflamar o “caos sectário”. No entanto, ativistas disseram que manifestantes desarmados foram novamente atacados por soldados que dispararam rajadas contra a multidão.

Os atos de violência tem sido imprevisíveis, mudando de local o tempo todo. Em Homs, um morador do bairro abastado de Inshaat disse que as forças de segurança pareciam estar tentando evitar mortes. "Eles foram atirando, mas pareciam estar visando as pernas e não as cabeças".

Dois dos maiores protestos ocorreram em Hama e Deir Ezzor, num dia em que ativistas estimaram que até 1 milhão de pessoas podem ter desafiado abertamente o regime em todo o país.

Jordânia
Dez pessoas, a maioria delas jornalistas, ficaram feridas em Fridaywhen quando a polícia jordaniana intervir em confrontos entre manifestantes pró-reforma e partidários do governo em Amã.

Centenas de manifestantes pedindo mudanças políticas e um fim à corrupção se reuniram no centro da capital. Não ficou claro se eles iriam ignorar os avisos oficiais contra a realização de concentrações do tipos das realizadas no Egito e no Bahrein.

A Jordânia vive tumultos esporádicos desde janeiro, mas apenas em pequena escala. As demandas da oposição - apoiada por grupos de jovens, organizações da sociedade civil e os islâmicos - são para mudanças no quadro da monarquia Hachemita. O rei Abdullah assumiu o compromisso de implementar reformas que permitiriam a formação de futuros governos com base em uma maioria parlamentar eleita, mas não fixou data para cumprir a promessa.

O slogan "o povo quer a reforma do regime" esteve em flagrante contraste com as demandas e revoltas em outros países que pediram a "derrubada" dos governantes.

O protesto em Amã foi realizado com uma forte presença de forças de segurança, com a polícia e forças especiais cercando a área, disse o site Amom News.

Atos em defesa da reforma e contra a "corrupção desenfreada" também atraíram centenas de manifestantes nas cidades do sul de Tafileh, Maan e Karak, e em Irbid e Jerash, no norte.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer