quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dilma acredita que mercado interno vai proteger Brasil de crise internacional

São Paulo – A presidenta da República, Dilma Rousseff, afirmou nesta quarta-feira (10) que o mercado interno será o caminho para que o Brasil não sofra os efeitos da crise financeira internacional. Ela reiterou a leitura de que o país está bem preparado para enfrentar instabilidades e garantiu que a economia não entrará em recessão.

“Temos um pensamento. Vamos preservar nossas forças produtivas, nossos empregos e a renda de nossa população. Temos certeza que ao fazer isso vamos fazer o combate mais eficaz da crise”, defendeu Dilma durante a abertura do Encontro Nacional da Indústria da Construção, em São Paulo. Foi o ponto mais enfático do discurso da presidenta, em parte respondendo a preocupações manifestadas por empresários ao longo da cerimônia.

A presidenta deixou claro que tem mais convergências com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à economia do que desejariam alguns setores da sociedade e da imprensa. À época da crise anterior, em 2008, à frente da Casa Civil, Dilma foi uma das defensoras da linha econômica que via na força dos consumidores brasileiros a resposta a um cenário internacional afetado pela perda de poder de compra das nações mais ricas e pelo dólar desvalorizado. Políticas anticíclicas apresentadas na ocasião pelo Ministério da Fazenda foram reconhecidas mais tarde como o principal fator para que o país não sofresse tanto quanto o problema iniciado nos Estados Unidos. Nesta quarta, a presidenta lamentou que muitas nações tenham utilizado seus recursos para saldar a dívida de bancos em vez de favorecer a população, um ponto que também era enfatizado com frequência por Lula, em uma referência voltada especialmente à atuação da Casa Branca.

Nas últimas semanas, tem aumentado a apreensão de que os Estados Unidos mergulhem em nova recessão. O grande endividamento público e a incerteza sobre as medidas que serão acordadas entre republicanos e democratas têm se refletido no desempenho dos mercados financeiros, com oscilações que repetem os episódios de 2008. Enquanto isso, a Europa demonstra também estar mais enfraquecida, adotando cortes drásticos no orçamento, o que vem se refletindo em distúrbios sociais. 

Para a presidenta, a falta de comando político e de respostas claras por parte das nações do Norte faz com que a saída da crise seja mais longa que o imaginado – o ministro da Fazenda, Guido Mantega, estima que a recessão possa durar até três anos. Por isso, embora os motivos de fundo sejam basicamente os mesmos, Dilma vê um panorama menos animador atualmente.

Por outro lado, a análise no Palácio do Planalto é de que a situação é mais cômoda agora por conta dos indicadores econômicos brasileiros, mais sólidos que há três anos. “Por que? Temos mais força porque demonstramos para nós mesmos quando fomos o primeiro país a sair da crise. O último a entrar e o primeiro a sair. Também porque hoje temos mais experiências e mais instrumentos.”

No discurso, Dilma pontuou várias vezes que o Brasil deve saber transformar o risco representado pela crise em uma oportunidade. Ela considera que é preciso avançar na proteção da indústria e garantir a continuidade dos programas sociais, agora sintetizados no programa Brasil sem Miséria. “Muitos olharam incrédulos para nós, mas esse país é integrado por brasileiros e brasileiras que sabem afirmar que quando queremos somos capazes de resistir e enfrentar as maiores dificuldades.”

‘Não é crise. É que não te quero mais’

Manuel Castells
Sociólogo catalão
Adital
 
Quando milhares de [jovens] indignados, [que ocuparam as praças da Espanha], tiram de foco a "crise” e atacam diretamente o sistema que produz tantos desarranjos, estão sustentando algo importante. Querem dizer que é preciso ir à raiz dos problemas; olhar para suas causas. Porque se elas persistirem, continuarão produzindo as mesmas consequências.

Mas de que sistema falamos? Muitos diriam capitalismo, mais é algo pouco útil: há muitos capitalismos. Precisamos analisar o que vivemos como crise para entender que não se trata de uma patologia do sistema, mas do resultado deste capitalismo. Além disso, a crítica se estende à gestão política. E surge no contexto de uma Europa desequilibrada por um sistema financeiro destrutivo que provoca a crise do euro e suscita a desunião europeia.

Nas últimas décadas, constituiu-se um capitalismo global, dominado por instituições financeiras (os bancos são apenas uma parte) que vivem de produzir dívida e ganhar com ela. Para aumentar seus lucros, as instituições financeiras criam capital virtual por meio dos chamados "derivativos” [ou, basicamente, apostas na evolução futura de todo tipo de preço].

Emprestam umas às outras, aumentando o capital circulante e, portanto, os juros [e comissões] a receber. Em média, os bancos dispõem, nos Estados Unidos ou na Europa, de apenas 3% do capital que devem ao público. Se este percentual chega a 5%, são considerados solventes, [em boa saúde financeira]. Enquanto isso, 95% [do dinheiro dos depositantes] não está disponível: alimenta incessantemente operações que envolvem múltiplos credores e devedores, que estabelecem relações num mercado volátil, em grande parte desregulado.

Diz-se que umas transações compensam umas às outras e o risco se dilui. Para cobrir os riscos, há os seguros – mas as seguradoras também emprestam o capital que deveriam reservar para fazer frente a sinistros. Ainda assim, permanecem tranquilos, porque supõem que, em ultima instância, o Estado (ou seja, nós) vai salvá-los das dívidas – desde que sejam grandes o suficiente [para ameaçar toda a economia]… O efeito perverso deste sistema, operado por redes de computadores mediadas por modelos matemáticos sofisticados, é: quanto menos garantias tiverem, mais rentáveis (para as instituições financeiras e seus dirigentes) as operações serão. E aqui entra outro fator: o modelo consumista que busca o sentido da vida comprando-a em prestações...

Como o maior investimento das pessoas são suas próprias casas, o mercado hipotecário (alimentado por juros reais negativos) criou um paraíso artificial. Estimulou uma indústria imobiliária especulativa e desmesurada, predadora do meio ambiente, que se alimenta de trabalhadores imigrantes e dinheiro emprestado a baixo custo. Diante de tal facilidade, poucos empreendedores apostaram em inovações. Mesmo empresas de desenvolvimento tecnológico, grandes ou pequenas, passaram a buscar a autovalorização no mercado financeiro, ao invés de inovar.

O que importava não eram as habilidades e virtudes da empresa, mas seu valor no mercado de capitais. O que muitos "inovadores” desejavam, na verdade, é que sua empresa fosse comprada por uma maior. A chave desta pirâmide especulativa era o entrelaçamento de toda essa divida: os passivos se convertiam em ativos para garantir outros empréstimos. Quando os empréstimos não puderam mais ser pagos, começou a insolvência de empresas e pessoas. As quebras propagaram-se em cadeia, até chegar ao coração do sistema: as grandes seguradoras.

Diante do perigo do colapso de todo o sistema, os governos salvaram bancos e demais instituições financeiras.
Quando secou o credito às empresas, a crise financeira converteu-se em crise industrial e de emprego. Os governos assumiram o custo de evitar o desemprego em massa e tentar reanimar a economia moribunda. Como pagar a conta?

Aumentar os impostos não dá votos. Por isso, recorreram aos próprios mercados financeiros, aumentando sua já elevada dívida pública. Quanto mais especulativas eram as economias (Grécia, Irlanda, Portugal, Itália, Espanha) e quanto mais os governos pensavam apenas no curto prazo, maior eram o gasto público e o aumento da dívida. Como ela estava lastreada por uma moeda forte –o euro–, os mercados continuaram emprestando. Contavam com a força e o crédito da União Europeia. O resultado foi uma crise financeira de vários Estados, ameaçados de falência. Esta crise fiscal converteu-se, em seguida, numa nova crise financeira: porque colocou em perigo o euro e aumentou o risco de países suspeitos de futura insolvência.

Mas quem quebraria -se fossem à falência os países em condições financeiras mais precárias- seriam os bancos alemães e franceses. Para salvar tais bancos, seria preciso resgatar os países devedores. A condição foi impor cortes nos gastos dos Estados e a redução de empregos em empresas e no setor público. Muitos países –incluindo a Espanha– perderam sua soberania econômica. Assim, chegaram as ondas de demissões, o aumento do desemprego, a redução de salários e os cortes nos serviços sociais. Coexistem com lucros recordes para o setor financeiro.

Claro que alguns bancos perderam muito, e terão de sofrer intervenção do Estado – para serem, em seguida, reprivatizados. Por isso, os "indignados” afirmam que o sistema não está em crise. O capital financeiro continua ganhado, e transfere os prejuízos à sociedade e aos Estados. Assim se disciplinam os sindicatos e os cidadãos. Assim, a crise das finanças torna-se crise política.

Porque a outra característica-chave do sistema não é econômica, mas política. Trata-se da ruptura do vínculo entre cidadão e governantes. "Não nos representam”, dizem muitos. Os partidos vivem entre si e para si. A classe política tornou-se uma casta que compartilha o interesse comum de manter o poder dividido entre si mesma, através de um mercado político-midiático que se renova a cada quatro anos. Auto-absolvendo-se da corrupção e dos abusos, já que tem o poder de designar a cúpula do Poder Judiciário.

Protegido desta forma, o poder Político, pactua com os outros dois poderes: o Financeiro e o Midiático, que estão profundamente imbricados. Enquanto a dívida econômica puder ser rolada, e a comunicação controlada, as pessoas tocarão suas vidas passivamente. Esse é o sistema. Por isso, acreditavam-se invencíveis.

Até que a surgiu a comunicação autônoma e as pessoas, juntas, perderam o medo e se indignaram. Aonde vão? Cada um tem sua ideia, mas há temas em comuns. Que os bancos paguem a crise. Controle sobre os políticos. Internet livre. Uma economia da criatividade e um modo de vida sustentável. E, sobretudo, reinventar a democracia, a partir de valores como participação, transparência e prestação de contas aos cidadãos. Porque como dizia um cartaz dos indignados: "No es crisis, es que ya no te quiero”.

[Fonte: Publicado em espanhol em La Vanguardía. Tradução: Cauê Seigner Ameni. Publicado em Outras Palavras].

Bahia: Dilma anuncia na terça duas novas universidades no estado

A presidente Dilma Rousseff anunciará, na próxima terça-feira (16), a expansão da Rede Federal de Educação Superior e Profissional e Tecnológica. Segundo o senador Walter Pinheiro (PT), a Bahia será contemplada com duas novas universidades, a Federal do Oeste (UFOBA) e a Federal do Sul da Bahia (UFESBA). Os líderes baianos não escondem a satisfação. 

De acordo com o senador Walter Pinheiro (PT), o programa vai contemplar 32 novos campi de federais em todo o Brasil, além de 120 novas escolas técnicas. O Ministério da Educação (MEC) ainda está finalizando a proposta, com detalhamento do valor global do investimento e da localização das instituições.

Segundo Pinheiro, a expansão segue o projeto iniciado no governo Lula, que criou 14 universidades federais em todo o Brasil. Além de Porto Seguro, os municípios de Itabuna e Teixeira de Freitas também serão contemplados. O deputado federal, José Rocha (PR), por sua vez, disse que a Bahia, especialmente a bancada federal, alcançou uma grande vitória ontem.

A Universidade do Oeste terá sede em Barreiras e campi em Bom Jesus da Lapa, Luiz Eduardo Magalhães e Barra. José Rocha solicitou ao MEC que o município de Santa Maria da Vitória também seja incluído. A Universidade do Sul, com sede em Itabuna, terá campi em Porto Seguro e Teixeira de Freitas. Rocha e os demais deputados foram unânimes ao reivindicar que o município de Vitória da Conquista também seja atendido com uma universidade federal.

Fonte: Tribuna da Bahia

Pirotecnia da PF é questionada

Por Lílian Machado - Tribuna da Bahia

Após o meio político ter sido surpreendido com a prisão pela Polícia Federal, do ex-deputado e secretário-executivo do Ministério do Turismo, Colbert Martins, suspeito de envolvimento em desvios na pasta, muitas autoridades questionaram ontem a “espetacularização” e o uso de algemas nas prisões preventivas. Eles lembraram uma decisão do Supremo, que tenta refrear o abuso, quando ainda não há comprovação do crime. 

Na Assembleia Legislativa, os deputados assinaram uma nota de desagravo pela prisão do ex-parlamentar, que exerceu mandatos no legislativo estadual e na Câmara Federal. Segundo os deputados, “a ação investigatória atropelou as garantias e direitos assegurados pela Constituição da República”. A contestação também foi manifestada no alto escalão do governo federal.

O juiz federal titular da 1ª Vara da Seção Judiciária do Estado do Amapá, Anselmo Gonçalves da Silva, que determinou a prisão de Colbert e das outras 34 pessoas deixou o caso ontem. Na sessão de ontem na Assembleia, a indignação com a forma com que Colbert foi preso deu à tônica dos discursos.

O líder do bloco independente, Targino Machado (PSC) ocupou o grande expediente para falar “de forma emocionada” sobre o assunto. Conforme o deputado, a Polícia Federal descumpriu a súmula vinculante número 11 do STF ao algemar o político.

“Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência, e de fundado receio de fuga, de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcional idade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. Esse não foi o caso de Colbert”, afirmou.

O pronunciamento que silenciou o plenário da Casa foi acrescentado com os apartes de outros deputados que frisaram o mesmo questionamento.  O deputado Capitão Tadeu (PSB) reforçou que houve abuso nas recentes operações da Polícia Federal.

“Porque ela foi com o intuito de humilhá-lo. Já que ela usa as algemas então que ela apresente as provas na hora da prisão e nenhuma polícia está acima da lei”, enfatizou. O deputado Adolfo Menezes (PRB) foi mais além e disse que “a decisão da corte do Supremo está sendo desmoralizada”. “Ninguém é favorável à corrupção, mas essas prisões estão sendo feitas de forma arbitrária”, frisou.

Terrorismo dos EUA ameaça a humanidade

Por Miguel Urbano Rodrigues:

A humanidade enfrenta a mais grave crise de civilização da sua história. Ela difere de outras, anteriores, por ser global, afetando a totalidade do planeta. É uma crise política, social, militar, financeira, econômica energética, ambiental, cultural.

O homem realizou nos últimos dois séculos conquistas prodigiosas. Se fossem colocadas a serviço da humanidade, permitiriam erradicar da Terra a fome, o analfabetismo, as guerras, abrindo portas a uma era de paz e prosperidade.

Mas não é o que acontece. Uma minoria insignificante controla e consome os recursos naturais existentes e a esmagadora maioria vive na pobreza ou na miséria.

O fim da bipolar idade, após a desagregação da URSS, permitiu aos Estados Unidos adquirir uma superioridade militar, politica e econômica enorme que passou a usar como instrumento de um projeto de dominação universal. As principais potências da União Europeia, nomeadamente o Reino Unido, a Alemanha e a França tornaram-se cúmplices dessa perigosa politica.

O sistema de poder que tem o seu pólo em Washington, incapaz de encontrar solução para a crise do seu modelo, inseparável da desigualdade social, da sobre-exploraçao do trabalho e do esgotamento gradual dos mecanismos de acumulação, concebeu e aplica uma estratégia imperial de agressão a povos do chamado Terceiro Mundo.

Em guerras ditas de baixa intensidade, promovidas pelos EUA e seus aliados, morreram nos últimos sessenta anos mais de trinta milhões de pessoas. Algumas particularmente brutais, definidas como "preventivas", visaram o saque dos recursos naturais dos povos agredidos.

Reagan criou a expressão "o império do mal" para designar a URSS no final da guerra-fria. George Bush pai vulgarizou o conceito de "estados canalhas" para satanizar países cujos governos não se submetiam às exigências imperiais. Entre eles incluiu o Irã, a Coréia Popular, a Líbia e Cuba.

Em setembro de 2001, após ao atentados que destruíram o World Trade Center e demoliram uma ala do Pentágono, George W. Bush (o filho) utilizou o choque emocional provocado por esse trágico acontecimento para desenvolver uma estratégia que fez da "luta contra o terrorismo" a primeira prioridade da politica estadounidense.

Uma gigantesca campanha midiática foi desencadeada, com o apoio do Congresso, para criar condições favoráveis à implantação da política defendida pela extrema-direita. Segundo Bush e os neocon, "a segurança dos EUA" exigia medidas excepcionais na política internacional e na interna.

Os grandes jornais, as cadeias de televisão, as rádios, explorando a indignação popular e o medo, apoiaram iniciativas como o Patriot Act que suspendeu direitos e garantias constitucionais, legalizando a prática de crimes e arbitrariedades. A irracionalidade contaminou o mundo intelectual e até em universidades tradicionais professores progressistas foram despedidos e houve proibição de livros de autores celebres.

A campanha adquiriu rapidamente um carácter de caça às bruxas, com perseguições maciças a muçulmanos. Uma vaga de anti-islamismo varreu os EUA, com a cumplicidade da grande mídia. O Congresso legalizou a tortura.

No terreno internacional, o povo do Afeganistão foi a primeira vítima da "cruzada contra o terrorismo". Os EUA, a pretexto de que o governo do mullah Omar não lhe entregava Bin Laden - declarado inimigo número um de Washington - invadiu, bombardeou e ocupou aquele país.

Seguiu-se o Iraque após uma campanha de desinformação de âmbito mundial. O Governo de Bagdá foi acusado de acumular armas de extermínio massivo e de ameaçar portanto a segurança dos EUA e da Humanidade. A acusação era falsa, como se provou mais tarde, e os EUA não conseguiram obter o apoio do Conselho de Segurança. Mas, ignorando a posição da ONU, invadiram, vandalizaram e ocuparam o país. Inicialmente contaram somente com o apoio do Reino Unido.

Crimes monstruosos foram cometidos no Afeganistão e no Iraque pelas forças de ocupação. A tortura de prisioneiros no presídio de Abu Ghrabi assumiu proporções de escândalo mundial. Ficou provado que o alto comando do exército e o próprio secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, tinham autorizado esses atos de barbárie. Mas a Justiça norte-americana limitou-se a punir com penas leves meia dúzia de torcionários.

Simultaneamente, milhares de civis, acusados de "terroristas" - muitos nunca tinham sequer pegado numa arma - foram levados para a base de Guantánamo, em Cuba, e para cárceres da CIA instalados em países da Europa do Leste.

As Nações Unidas não somente ignoraram essas atrocidades como acabaram dando o seu aval à instalação de governos títeres em Kabul e Bagdá e ao envio para ali de tropas de muitos países. No caso do Afeganistão, a NATO, violando o seu próprio estatuto, participa ativamente, com 40.000 soldados, da agressão às populações. Dezenas de milhares de mercenários estão envolvidas nessas guerras.

Em ambos os casos, Washington sustenta que essas guerras preventivas representam uma contribuição dos EUA para a defesa da liberdade, da democracia, dos direitos humanos e da paz e foram inspiradas por princípios e valores éticos universais. O presidente Barack Obama, ao receber o Premio Nobel da Paz em Oslo, defendeu ambas, num discurso farisaico, como serviço prestado à humanidade. Isso no momento em que decidira enviar mais 30.000 soldados para a fogueira afegã.

Os fatos são esses. Apresentando-se como líder da luta mundial contra o terrorismo, o sistema de Poder dos EUA faz hoje do terrorismo de Estado um pilar da sua estratégia de dominação.

A criação de um exército permanente em África - o Africom –, os bombardeamentos da Somália e do Iémen, a participação na agressão ao povo da Líbia inserem-se nessa politica criminosa de desrespeito pela Carta da ONU.

Mas a ambição de poder absoluto de Washington é insaciável.

O Irã, por não capitular perante as exigências do sistema de Poder hegemonizado pelos EUA, é há anos alvo permanente da hostilidade dos EUA. Washington tem saudades do governo vassalo do Xá Pahlevi e cobiça as enormes reservas de gás e petróleo iranianas.

A campanha de calúnias, apoiada pela mídia, repete incansavelmente que o Irã enriquece urânio para produzir armas atômicas. A acusação é gratuita. A Agência Internacional de Segurança Atômica não conseguiu encontrar qualquer indício de que o país esteja a utilizar as suas instalações nucleares com fins militares. O presidente Ahmanidejah, alias, de acordo com o Brasil e a Turquia, numa demonstração de boa fé, propôs-se a enriquecer o urânio no exterior. Mas essa proposta logo foi recusada por Washington e pelos aliados europeus.

Sobre as armas nucleares de Israel, obviamente, nem uma palavra. Para os EUA, o Estado sionista e neo fascista, responsável por monstruosos crimes contra os povos do Líbano e da Palestina, é uma democracia exemplar e o seu melhor aliado no Médio Oriente.

O agravamento das sanções que visam estrangular economicamente o Irã é acompanhado de declarações provocatórias do presidente Obama e da secretaria de Estado Clinton, segundo as quais "todas as opções continuam em aberto", incluindo a militar. Periodicamente jornais influentes divulgam planos de hipotéticos bombardeamentos do Irão, ou pelos EUA ou por Israel, sem excluir o recurso a armas nucleares táticas. O objectivo é manter a tensão na guerra não declarada contra um país soberano.

Lamentavelmente, uma parcela importante do povo dos EUA assimila as calunia anti iranianas como verdades. A maioria dos estadunidenses desconhece a gravidade e complexidade da crise interna. A recente elevação do teto da dívida pública de mais de 14 trilhões de dólares para 16 trilhões - total superior ao PIB do pais – é, porém, reveladora da fragilidade do gigante que impõe ao mundo uma política de terrorismo de estado.

Entretanto, o discurso oficial, invocando os "pais da Pátria", insiste em apresentar os EUA como o grande defensor da democracia e das liberdades, vocacionado para salvar a humanidade

Sem o controle pelo grande capital da esmagadora maioria dos meios de comunicação social e dos áudio visuais pelo sistema de poder imperial, a manipulação da informação e a falsificação da História não seriam possíveis. Um instrumento importante nessa politica é a exportação da contra-cultura dos EUA, país - registe-se - onde coexiste com a cultura autêntica.

A televisão, o cinema, a imprensa escrita e, hoje, sobretudo a Internet cumprem um papel fundamental como difusores dessa contra cultura que nos países industrializados do Ocidente alterou profundamente nos últimos anos a vida cotidiana dos povos e a sua atitude perante a existência.

A construção do homem formatado principia na infância e exige uma ruptura com a utilização tradicional dos tempos livres. O convívio familiar e com os amigos é substituído por ocupações lúdicas frente à TV e ao computador, com prioridade para jogos violentos e filmes que difundem a contra cultura com prioridade para os que fazem a apologia das Forças Armadas dos EUA.

A contra cultura atua intensamente no terreno da música, da canção, das artes plásticas, da sexualidade. A contra música que empolga hoje multidões juvenis é a de estranhas personagens que gritam e gesticulam, exibindo roupas exóticas, berrantes em gigantescos palcos luminosos, numa atmosfera ensurdecedora, em rebeldia abstrata contra o vácuo.

O jornalismo degradou-se. Transmite a imagem de uma falsa objetividade para ocultar que a mídia a serviço da engrenagem do poder insiste, com poucas excepções, em justificar as guerras americanas como "cruzada anti-terrorista" em defesa da humanidade porque os EUA, nação predestinada, batalhariam por um mundo de justiça e paz.

É de justiça assinalar que um número crescente de cidadãos americanos denunciam essa estratégia de Poder, exigem o fim das guerras na Ásia e lutam em condições muito difíceis contra a estratégia criminosa do sistema de poder.

Nestes dias em que se multiplicam as ameaças ao Irã, é minha convicção de que a solidariedade atuante com o seu povo se tornou um dever humanista para os intelectuais progressistas.

Visitei o Irã há cinco anos. Percorri o pais de Chiraz ao Mar Cáspio. Escrevi sobre o que vi e senti. Tive a oportunidade de verificar que é falsa e caluniosa a imagem que os governos ocidentais difundem do país e da sua gente. Independentemente da minha discordância de aspectos da politica interna iraniana - nomeadamente os referentes à situação da mulher - encontrei um povo educado, hospitaleiro, generoso, amante da paz, orgulhoso de uma cultura e uma civilização milenares que contribuíram decisivamente para o progresso da humanidade.

Para mim o Irã encarna muito mais valores eternos da condição humana do que a sociedade norte- americana, cada vez mais robotizada.

Porto, Portugal, 10 de Agosto de 2011

* Escritor e jornalista português. Foi docente de Historia Contemporânea, deputado à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e membro do Parlamento Português.

A crise mundial do capitalismo e o Brasil

Editorial do jornal Brasil de Fato:

As informações que chegam todos os dias do hemisfério norte revelam que a crise do capitalismo que emergiu em 2008 não só não se debelou como continua se agravando cada vez mais. Ao contrário do que os jornalistas burgueses pregaram nos últimos dois anos, que o capital daria a volta por cima. Esses jornalistas são bem pagos para mentir e fazer análises sem nenhuma base com a realidade. Mas não têm o direito nem o mérito de fazer a economia de fato funcionar, mesmo como querem os capitalistas.

Os EUA enfrentam a pior crise desde 1930. Um déficit comercial de 500 bilhões de dólares por ano, um déficit de orçamento público federal de 700 bilhões de dólares. Todo esse buraco é bancado pela emissão de dólares, já que eles podem emitir a moeda como querem, sem nenhum controle internacional. A princípio, os governos dos Estados Unidos (Bush, Clinton e Obama) tentaram sair da crise com a fórmula clássica: produzir guerras contra outros povos e assim incentivar a indústria bélica e reativar a economia estadunidense.

Estão há dez anos em guerra com o Afeganistão, Iraque, Irã... Criaram e mataram o Bin Laden. Transformaram os árabes e o islamismo em inimigos da humanidade. Mataram mais de 600 mil civis, perderam milhares de seus soldados. Mas politicamente já perderam a guerra, pois a invasão não se sustenta e terão que sair de cabeça baixa. Tiveram um custo, nesses dez anos, de 3 a 5 trilhões de dólares. Que todos os povos do mundo pagaram, ao usar dólares em seus intercâmbios comerciais.
Mesmo assim, as contradições estão se agravando e a emissão irresponsável bateu no teto de 13 trilhões de dólares, sem equivalência em produção.

Na Europa, o crescimento econômico está parado desde 2008; as taxas de desemprego atingem 20% na média. E vários países já têm suas economias tecnicamente falidas, como a Grécia, Polônia, Portugal... e agora é a vez da Itália e Espanha. E a juventude começa a mexer-se, ainda que tarde.

Portanto, a crise do capitalismo no centro da hegemonia do capital financeiro e oligopolizado tente a se agravar. E, naturalmente, vai despejar parte de seus custos também para as economias periféricas e dependentes como a brasileira.

O caso brasileiro

A economia brasileira está crescendo. Porém em níveis medíocres de 3 a 4% ao ano. Isso é apenas suficiente para manter a economia ativa e gerar parte dos empregos necessários para os 2,5 milhões de jovens que entram no mercado de trabalho a cada ano.

A estrutura econômica como um todo vem sendo afetada pela crise capitalista há muito tempo. E talvez sua natureza e efeitos perversos estejam sendo mascarados pela continuidade do crescimento.

Os efeitos da crise aparecem agora, na pauta de exportações. Em 1990, cerca de 60% das exportações eram produtos manufaturados. Hoje, quase 80% das exportações são matérias primas agrícolas e minerais, sem nenhum valor agregado de mão-de-obra de nosso povo. Voltamos a ser uma economia primaria-exportadora. E nenhum país se desenvolveu, cresceu, resolveu os problemas econômicos de seu povo exportando matérias primas naturais. Nem mesmo os petroleiros.

Desindustrialização

Em 1980, a industria pesava 33% do PIB nacional, no ano passado caiu para apenas 16%. Nossa mão-de-obra em sua maioria se dedica a atividades de serviços, trabalhos informais, que não geram riqueza, apenas se apropriam de parte da mais-valia gerada por um grupo cada vez menor de trabalhadores.

Taxa de câmbio

Em todas as grandes economias, os governos tem controle absoluto da taxa de câmbio. E não o mercado. Só no Brasil é apenas o mercado que decide. E todos os especialistas denunciam que o câmbio está defasado entre 30 a 100%. Ou seja, os preços médios dos bens da economia brasileira comparados com os preços da economia americana, deveriam ter uma paridade de um dólar valendo no mínimo 2, 50 a 3 reais. Mas ele é pressionado para baixo artificialmente pela grande entrada de capitais financeiros que entram no Brasil para especular e para se proteger da crise.

Taxa de juros

O centro de acumulação capitalista agora é o capital financeiro, que acumula e se reproduz através das taxas de juros. E eles pressionam os governos para lhes garantir altas taxas de juros. O Brasil é a economia que mais paga juros. O governo garante o mínimo de 14% por ano, de juros da taxa Selic, a qualquer capitalista, enquanto o governo estadunidense garante apenas 0,2% ao ano.

E no comércio e indústria, os bancos chegam a cobrar, em média, 56% para empréstimos da produção e até 140% ao ano, nos empréstimos pessoais de cartão de credito. Isto não tem paralelo.

Plano Brasil Maior

O governo anunciou o Plano Brasil Maior. Ora, é apenas um plano político, para dar resposta para a oposição parlamentar e para a burguesia brasileira de que o governo está preocupado. Mas suas medidas são pífias. Porque apenas desoneraram os capitalistas de pagarem o INSS da folha, que representam ao redor de 8% dos custos. Ou seja, o Estado deixa de recolher para que os capitalistas aumentem suas taxas de lucros. E possam competir com os capitalistas da China. Mas isso não resolve o problema da estrutura de produção, de emprego e da indústria.

A única medida importante é o anúncio de que o governo fará esforços para que o BNDES aplique 500 bilhões de reais até 2014, em investimentos produtivos. Isso pode gerar mais emprego e crescimento econômico.

O governo não vai proteger a economia brasileira da crise internacional, nem vai resolver os problemas da dependência e da estrutura de produção negativa, se não mexer na taxa de câmbio e na taxa de juros. Será que as autoridades entenderão isso, antes que os trabalhadores tenham que pagar mais caro, por sua falta de coragem?

TEM UM CHIP DO TEA PARTY NA CABEÇA DE CADA DIRIGENTE EUROPEU NESSE MOMENTO

Em uma 4º feira de novas quedas nas bolsas da Europa e dos EUA, dirigentes europeus tentam acalmar os mercados bovinamente com promessas de novas rodadas de arrocho fiscal, que só farão aprofundar a crise e a recessão. Berlusconi promete antecipar cortes de isenções fiscais, escalpelar aposentadorias e liberar privatizações em massa até dia 18. Na Espanha, viúvas já perderam bonificação anual em algumas províncias. O preço do transporte sofreu uma alta de 50% , as pesquisas indicam vitória da direita na sucessão de Zapatero e o premiê continua a falar em ‘ajuste'. Acossado por dúvidas sobre a saúde de bancos franceses, com carteiras atreladas a títulos públicos, Sarkozy equilibra-se na ponta dos pés, empina o nariz gaulês e bate forte no peito: cortar, cortar, cortar.  Espanha e Itália tem que colocar algo como  US$ 375 bilhões em títulos públicos até dezembro junto a investidores ariscos.  Fundos de investimento ferozes e capitais deliquentes, desses que saem quebrando tudo pela frente --famílias, países, nações-- querem 'garantias' de austeridade que se traduzam em juros maiores. A esses Cameron não ameaça com cacete & canhão de água.  Infectados por um vírus que os impede de contrastar a lógica financista, os dirigentes europeus cumprem sem ganir, nem mugir, o roteiro do matadouro. E empurram o mundo para o abismo da recessão. O Tea Party está inscrustrado como um chip na cabeça de cada um deles nesse momento.  Nouriel Roubini já havia antecipado: deixada à própria lógica, essa crise se desdobra em outra. Começou como crise imobiliária nos EUA; virou uma crise financeira; atingiu sua fase fiscal com Estados que se arrebentaram no socorro trilionário a bancos e especuladores. Agora vive o cume político que paralisa países e incendeia populações acuadas. A solução é renegociar a digestão do imenso débito egresso da desregulação do sistema financeiro. Dilatar prazos e reduzir  juros para sobrar espaço ao crescimento, sem o qual não há saída. A persistir a lógica atual , as chamas de Londres serão lembradas como a faísca de um incêndio maior. (Leia mais sobre Londres nesta pág).
(Carta Maior; 5º feira, 11/08/ 2011)

Ousadia no enfrentamento da crise

Editorial do Vermelho

O pessimismo que domina os mercados de capitais nestes dias, derretendo o valor das ações e semeando instabilidade – motivado pelos dados desanimadores da economia estadunidense e o agravamento da crise da dívida na Europa e também nos EUA –, indica que a economia mundial está a caminho de uma nova recessão. O Brasil, como se pode notar pelo comportamento da Bovespa, que acumula perdas de 15,1% no ano até esta quarta (10), não está imune, ao contrário do que imaginam alguns analistas.

A situação é “delicada”, conforme admitiu a presidente Dilma durante reunião do Conselho Político. Resta saber o que se pretende fazer para prevenir e neutralizar os prováveis impactos das turbulências que emanam da maior economia capitalista do planeta, cujos desequilíbrios são a grande fonte da crise. As coisas não estão claras neste sentido, as pressões são contraditórias e as autoridades não parecem estar falando a mesma língua.

A presidente incitou a população a continuar consumindo, repetindo o apelo de Lula em 2008 e dando a entender que a equação do problema passa pelo fortalecimento do mercado interno. Dilma reitera que não quer sacrificar o crescimento da economia e da oferta de emprego. Já a oposição neoliberal, com o respaldo da mídia capitalista, levanta a bandeira do ajuste fiscal, clamando por mais cortes nas despesas públicas.

Membros proeminentes da equipe econômica, apegados a uma orientação conservadora de viés neoliberal, criticam os aumentos salariais obtidos com muita luta pelos trabalhadores e bradam contra projetos que elevam as despesas públicas, quando estes contemplam os interesses dos assalariados. Ao mesmo tempo, apoiam projetos polêmicos de renúncia fiscal em benefício de alguns ramos da indústria, inclusive as multinacionais do automóvel.

Falar mal dos sindicatos, responsabilizando os salários pela instabilidade monetária, e persistir na linha do arrocho fiscal são coisas que nada têm a ver com a necessidade de fortalecimento do mercado interno ressaltada por Dilma. As iniciativas até agora anunciadas pela equipe econômica, como o Plano Brasil Maior (PBM), a elevação do teto do Simples e as medidas implementadas para conter a valorização do real, são tímidas e insuficientes. Além disto, o PBM contém uma ameaça ao financiamento da Previdência Social que os trabalhadores consideram simplesmente inaceitável.

Prevalece a impressão de que o governo evita colocar o dedo na ferida ou, em outras palavras, carece de ousadia para mexer no dogmático tripé da política macroeconômica: os juros altos, o câmbio flutuante e o superávit primário, que conspiram contra o crescimento, obstruindo a expansão dos investimentos internos, e provocam a chamada desindustrialização.

É difícil, senão impossível, prever todos os desdobramentos da crise, mas o cenário que se projeta no horizonte dos próximos anos é pintado com as cores da instabilidade, acirramento da competição e do protecionismo, consumo deprimido, baixo crescimento e provavelmente recessão nos Estados Unidos e na Europa. A promessa do Federal Reserve de manter a taxa básica de juros negativa (entre 0 a 0,25% a.a.) até 2013 é sintomática.

O momento exige ousadia, conforme observou o líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, Osmar Júnior. Ousadia para reduzir significativamente a taxa de juros; mudar a política cambial, acabando com o câmbio flutuante e administrando as cotações, em vez de criticar a justa política adotada pela China neste sentido; controlar o fluxo de capitais, freando a especulação; taxar fortemente a remessa de lucros das transnacionais, principal causa do déficit em conta corrente, e reduzir o superávit primário, utilizando a economia hoje destinada ao pagamento de juros para a ampliação dos investimentos públicos.

Se o governo caminhar nesta direção, certamente enfrentará a oposição da oligarquia financeira e das viúvas do neoliberalismo. Mas contará com o apoio do povo, dos movimentos sociais e dos partidos e organizações progressistas. Pesquisa recente feita pelo Ibope mostra que 63% dos brasileiros se opõem à política monetária conduzida pelo Banco Central, que há anos mantém o Brasil na vergonhosa e injustificável posição de campeão mundial dos juros altos. Um claro sinal de que a maioria da sociedade anseia por mudanças na orientação macroeconômica.

A caça às bruxas na Rede Globo

Por Marco Aurélio Mello, em blog DoLaDoDeLá:

Uma fonte na TV Globo conta que desde sexta-feira começou uma caça às bruxas na emissora. Eles querem saber quem foi que vazou para o Rodrigo Vianna o plano de desqualificar o novo ministro da defesa, Celso Amorim. Como era sigiloso e envolveu não mais do que 20 profissionais de três capitais, eles consideram que fazer o mapeamento e achar o "traidor" é questão de tempo.

Só que eles ignoram que este tipo de segredo é de polichinelo, não dá para ser guardado numa redação. Por uma razão simples: um editor tem sempre outro editor com quem troca confidências. Repórteres, mesmo que tenham sido poucos e confiáveis os acionados, sempre comentam com os cinegrafistas - afinal têm uma amizade muito longa. E, não raro, há alguém que ouve, um auxiliar, um motorista... Portanto, esqueçam, será impossível descobrir de onde partiu a notícia que caiu como uma bomba no colo dos gestores.

Dizem até que o Código de Princípios que estava planejado para ser divulgado depois de um Seminário, com pompa e circunstância, foi antecipado. Os principais apresentadores do Jornal Nacional, Wiliam Bonner e Fátima Bernardes teriam sido convocados para trabalhar no fim de semana, fato raríssimo. Tudo para tentar apagar o incêndio de proporções desastrosas.

Sinal de que há sim um grupo lá dentro muito insatisfeito com o comando do jornalismo. Na Avenida Chucri Zaidan, por exemplo, onde fica a sede da emissora em São Paulo, o clima é de tensão e medo. O vazamento é tratado como crime e ao traidor está reservada a forca, o esfolamento - como na pintura de Michelângelo na Capela Sistina - com consequente exibição de vísceras em praça pública. Ninguém mandou tratar jornalismo como se fosse mercadoria. Jornalismo é informação, sem viés ideológico, sem interesse econômico e político. Simples assim!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A IMPORTANTE DECISÃO DOS TRABALHADORES/AS RURAIS DE ARAÇÁS


Os trabalhadores/as rurais do município de Araçás, na região do Litoral Norte da Bahia, estiveram reunidos em Assembléia Geral extraordinária no último dia 09 de agosto para deliberarem sobre temas importantes referentes à organização do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais daquele município. Participaram da atividade cerca de 200 trabalhadores/as filiados ao Sindicato, bem como diversas lideranças locais e de fora do município.

Na atividade os trabalhadores/as de forma unânime decidirão por afastar a atual Diretoria Executiva da Entidade, considerando que a mesma não estava mais representando os interesses da categoria, bem como vinha desenvolvendo ações que não correspondiam com os objetivos estratégicos dos trabalhadores/as rurais de Araçás. Do mesmo modo organizados, ao final da Assembléia todos fizeram uma grande passeata até a sede da Entidade, e de modo consciente entregaram aquele espaço dos trabalhadores/as a nova coordenação da Entidade, sob a liderança de Josenice Xavier.

Presentes na Assembléia estiveram Jean Carlos Machado, respectivamente Secretário de Formação e Organização Sindical da FETAG-BA e Secretário de Finanças da CTB-Bahia, Milton Sales, da Coordenação Regional da CTB de Feira de Santana, Rozete Evangelista, Assessora Regional da FETAG-BA, Renilda Santos e Edifrâncio Oliveira, ambos coordenadores da Delegacia Sindical da FETAG-BA de Feira de Santana, Recôncavo e Litoral Norte.

Segundo Jean Carlos da FETAG-BA “Os trabalhadores/as rurais de Araçás deram uma importante demonstração de força política para defender os interesses que lhes cabem, bem como também demonstraram coerência e competência para organizados decidirem sobre os rumos do Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Araçás, pois ele não deve ter donos, mas sim lideranças vinculadas com a defesa da categoria”.

Por Genaldo de Melo

Massacre na Noruega: adolescente faz relato arrepiante e diz que seguirá na política

Aos 18 anos de idade, ela respirou fundo e se preparou para morrer. Com pouca habilidade para nadar, a norueguesa Emma Martinovic pulou em um lago gelado, certa de que provavelmente afundaria antes de pisar na terra novamente. Mas o risco não foi apenas uma aventura ou uma brincadeira perigosa. A adolescente tentava fugir de Anders Behring Breivik, o homem que matou a tiros os participantes de um acampamento juvenil de verão do Partido Trabalhista norueguês, na ilha de Utoeya, no ultimo 22 de julho.
Arquivo pessoal

A estudante Emma Martinovic durante um evento do Partido Trabalhista da Noruega


Dos 69 mortos no ataque, 14 eram amigos próximos de Emma. Seis deles foram baleados na frente da estudante. Ela nadou para escapar da ilha e, embora tenha tido dificuldades para se salvar, ainda ajudou uma amiga e um menino desconhecido a fugir. Emma foi atingida no braço antes de ser resgatada pela tripulação de um barco. De todas as perdas e dificuldades que enfrentou, nada a impactou mais do que a lembrança do sorriso do terrorista enquanto atirava nas pessoas. Em entrevista ao Opera Mundi, Emma contou como se amparou na família e nos amigos para tomar fôlego entre uma braçada e outra naquele dia. Apesar do terror, ela diz se sentiu obrigada a continuar viva.

Como você percebeu que estava em meio a um tiroteio?
Eu meus amigos ouvimos o barulho e nos escondemos atrás de um morro. Não tínhamos como ver muita coisa de lá. Então começaram a chegar mensagens nos celulares, com perguntas sobre como era o atirador e se ele estava sozinho. Depois nos avisaram que era um homem vestido como policial e que ele estava vindo em nossa direção.
 
Primeiro eu rezei, mas tentei ao mesmo tempo acalmar os outros ao meu redor. Em seguida, enviei uma mensagem para o líder do movimento juvenil trabalhista. Ele disse que estava a salvo e eu perguntei o que deveria fazer, já que éramos quatro encurralados em um rochedo. A resposta foi simples e direta: “Nade!” 

Não havia outra alternativa?
Era muito difícil achar um lugar para nos esconder. Fugir a nado pareceu mesmo a melhor opção. Quando pisei na água, vi um corpo boiando, com o rosto para baixo. Eu o puxei até a terra e vi que era um amigo -- havia um buraco na cabeça dele. Mas não tive tempo de reagir emocionalmente. Dei um beijo nele e voltei para o lago. Antes, ainda mandei mensagens de despedida para minha família e meu melhor amigo, Robin.

Você duvidou que poderia se salvar?
Não nado bem e parecia claro que acabaria afundando. Me senti preparada para morrer afogada. A morte estava muito próxima.

É difícil dizer de onde tirei forças. Provavelmente das pessoas que eu queria ver de novo. Cada vez que tirava a cabeça da água, pensava: "um fôlego para minha mãe, um para o meu pai, um para os meus amigos". Em um determinado momento, olhei para trás e vi o sorriso satisfeito no rosto do atirador. Ele apontou a arma na nossa direção e começou a disparar, rindo. Nunca irei me esquecer dessa cena. Foi naquele instante que nadei ainda mais depressa.

Quem te acompanhou na água?
Várias pessoas, mas me lembro em especial de um garotinho. Eu disse que ele era um excelente nadador e ele respondeu: "Meu pai está morto". Pedi que ele não pensasse naquilo e se concentrasse em nadar. O menino parecia confuso e disse: "Pensei que a polícia deveria ser boa conosco."

O assassino não queria deixar ninguém vivo. Um dos meus amigos estava prestes a pular na água, mas acabou sendo atingido, na minha frente. Vi a cabeça dele explodir. O terrorista atirava nos que estavam na terra e também naqueles que tentavam nadar. Um garoto que nadava próximo a mim foi baleado e o sangue dele se espalhou imediatamente na água.

Acho que alguns morreram afogados. Uma amiga minha gritou: "Emma, não consigo fazer mais nada". Voltei e pedi que mantivesse o ritmo, que respirasse por ela e por mim, pois logo estaríamos a salvo. Deixei que ela se agarrasse aos meus ombros e nadasse usando apenas as pernas. Nós estávamos em pânico. Eu mesma cheguei a quase desistir no meio do caminho. No fim, o garoto que perdeu o pai, minha amiga e eu fomos resgatados pelo mesmo bote. 

No seu blog você diz que foi atingida por uma bala. Como foi isso?
Minha amiga gritou atrás de mim: "Emma, você está sangrando!". Olhei para baixo e vi o sangue jorrando do meu braço esquerdo. Só naquele instante eu entendi porque doía tanto, mas não quis parar. Ainda era possível ouvir tiros, gritos e a risada, a inconfundível risada do desgraçado. Ele gritava e dizia que não escaparíamos.

Você frequentava o acampamento em Utoeya há quanto tempo?
Foi minha primeira vez. Todos os anos minha família viaja para a Bósnia e para Montenegro, mas esse ano eu quis ir para Utoeya e voltei mais cedo das férias.

Lá tinha todos os atrativos de um acampamento de verão tradicional. Durante cinco dias, nós jogamos futebol e vôlei, dançamos, vimos shows de música, organizamos festas. Esse tipo de coisa. O diferencial eram as atividades com ênfase na política. Havia barracas onde os jovens podiam escolher o assunto em que queriam se aprofundar, como política internacional, relações partidárias etc. Eu sempre gostei muito de política e queria fazer algo pela Noruega.

O massacre mudou seus planos profissionais?
De forma alguma. É importante que cada um de nós continue a atuar da forma que quiser. Assim o monstro não vai achar que conseguiu vencer nossa política pacífica.

Já na vida pessoal, tudo mudou. Tenho medo de tudo o que me cerca. Tenho de medo de barulho, fico olhando para trás sem parar e nunca saio sozinha. Meu melhor amigo está sempre comigo. Ele nunca me deixa só. As pessoas me perguntam coisas sobre Utoeya a todo instante e, quando não consigo responder, é meu amigo quem responde por mim. Mas, mesmo com ele, eu continuo assustada. Estou sempre preparada para correr e nem mesmo sei o porquê.

O que você sabe sobre o atirador?
Sei que ele foi preso e que escreveu um manifesto de ódio. Mas eu não posso lê-lo. Não tenho condições de saber como ele planejou nos matar. Jamais vou perdoá-lo, mas não sinto nada por ele. A sensação é de vazio ao pensar naquela pessoa. Na verdade, chego a sentir ódio por dez segundos, só por causa das pessoas que ele tirou de mim. Mas depois esse sentimento ruim vai embora e não sobra nada mesmo. 

Fonte: Ernani Lemos e Juliana Yonezawa | Londres (Opera Mundi)

Mídia e espionagem nos governos tucanos

Por Marco Aurélio Weissheimer, no blog RS Urgente:

As revelações sobre episódios de espionagem política patrocinados por governos tucanos em São Paulo e no Rio Grande do Sul lançam um pouco de luz em uma zona sombria da relação entre poder político, aparato policial e mídia que não fica devendo nada ao escândalo Murdoch.


Em setembro de 2010, o governo Yeda Crusius (PSDB) foi alvo de novas denúncias envolvendo o uso do aparato de segurança do Estado para espionar jornalistas, adversários políticos e outras autoridades. As denúncias surgiram a partir da prisão do sargento César Rodrigues de Carvalho, da Brigada Militar, que estava lotado na Casa Militar do governo tucano, onde trabalhava como segurança da então governadora, entre outras funções. O Sargento foi preso acusado de extorquir proprietários de máquinas caça-níqueis e de obstaculizar as investigações sobre o caso. Amílcar Macedo, promotor que conduziu o caso, revelou mais tarde que o sargento também tinha a atribuição de executar serviços especiais de espionagem.

A lista de espionados era longa, incluindo políticos, filhos de políticos, jornalistas (entre os quais estou incluído), delegados, oficiais de polícia e das forças armadas, uma desembargadora, entre outros. Segundo as investigações da promotoria, o sargento fazia, pelo menos, dois tipos de investigações: uma para levantar dados sobre a vida do investigado e outra para saber se a pessoa estava sendo investigada por alguma instituição.

Agora, em agosto de 2011, a revista IstoÉ publicou reportagem afirmando que os governos tucanos em São Paulo desenvolveram uma prática similar a essa atribuída ao governo Yeda Crusius. Intitulada “Central tucana de dossiês”, a matéria de Pedro Marcondes de Moura afirma que “mais de 50 mil documentos encontrados no Arquivo Público de São Paulo mostram como a polícia civil se infiltrou e investigou partidos políticos, movimentos sociais e sindicatos em pleno governo de Mário Covas”. A reportagem afirma:

“Agentes infiltrados em movimentos sociais, centenas de dossiês sobre partidos políticos, relatórios minuciosos com os discursos de oradores em eventos políticos e sindicais. Tudo executado por policiais, a mando de seus chefes. Estas atividades, típicas da truculenta ditadura militar brasileira, ocorreram no Estado de São Paulo em plena democracia, há pouco mais de dez anos. Cerca de 50 mil documentos, até então secretos e que agora estão disponíveis no Arquivo Público do Estado, mostram como os quatro governadores paulistas, eleitos pelas urnas entre 1983 e 1999, serviram-se de “espiões” pagos com o dinheiro dos contribuintes para monitorar opositores. Amparados e estimulados por seus superiores, funcionários do Departamento de Comunicação Social (DCS) da Polícia Civil realizavam a espionagem estatal”.

Entre os alvos dessas operações na administração do PSDB, diz ainda a matéria, aparecem principalmente lideranças do PT e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). “Há dezenas de dossiês com informações sobre as duas entidades e seus principais expoentes. Já as investigações a respeito dos tucanos e seus aliados foram suspensas a partir de 1995, quando Covas assumiu o governo de São Paulo”.

Há algumas semelhanças gritantes entre as denúncias que surgem agora envolvendo governos do PSDB em São Paulo e aquelas feitas ao governo de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul. Os dois casos envolvem o uso do aparato de segurança do Estado para espionar adversários políticos, contando com o silêncio e, possivelmente, a cumplicidade de setores da mídia. O desenrolar das investigações e dos processos em curso no Rio Grande do Sul talvez possam inspirar algum procedimento semelhante em São Paulo.

Acusado de espionagem era informante da RBS

Em maio deste ano, o juiz Fernando Alberto Corrêa Henning, da 3ª Vara Criminal de Canoas, recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra o sargento da Brigada Militar, o ex-chefe de gabinete de Yeda Crusius, Ricardo Luís Lied, e Frederico Bretschneider Filho (tenente-coronel da reserva e ex-assessor de gabinete da ex-governadora) por acesso ilegal ao Sistema de Consultas Integradas da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

A acusação feita pelo Ministério Público e aceita pela Justiça atualizou denúncias feitas pelo ex-ouvidor da Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul, Adão Paiani, que deixou o governo Yeda fazendo justamente essa acusação: uma estrutura de espionagem política ilegal havia sido montada no Palácio Piratini. Ao longo das investigações, essa estrutura apresentou ramificações midiáticas um tanto obscuras, envolvendo a RBS, o maior grupo de comunicação da região sul do país.

O sargento César Rodrigues de Carvalho era informante de jornalistas do Grupo RBS. O fato foi admitido pela própria empresa em uma nota publicada no dia 10 de setembro de 2010 no jornal Zero Hora. “O nome do sargento até agora não havia sido mencionado nas reportagens dos veículos da RBS em respeito ao princípio constitucional de proteção do sigilo de fonte”, disse a nota. Ainda segundo a RBS, “as informações se referiam a passagens por presídios, situação de criminosos foragidos e o tipo de crime em que estavam envolvidos, incluindo, em alguns casos, fotos”
.
No mesmo período, um email foi enviado a vários jornalistas do Estado afirmando que o sargento “prestava serviços a jornalistas no acesso a dados”, em especial para a RBS. Segundo o jornalista Vitor Vieira, do site Vide Versus, jornalistas do grupo teriam recebido dez senhas de acesso ao Sistema de Consultas Integradas. Esse sistema, cabe lembrar, é de uso exclusivo das forças de segurança do Estado, não se destinando a servir como fonte privilegiada para jornalistas. Protegidas pelo sigilo que cerca o processo, há muitas informações sobre esse caso que ainda não vieram a público. Os veículos da RBS, como era de se esperar, não tocaram mais no tema da relação entre seus jornalistas e o sargento acusado de espionagem política e outros crimes.

As revelações sobre episódios de espionagem política patrocinados por governos tucanos em São Paulo e no Rio Grande do Sul lançam um pouco de luz em uma zona sombria da relação entre poder político, aparato policial e mídia que não fica devendo nada ao escândalo Murdoch.

Dilma usa crise mundial para apoiar e tentar seduzir microempresas

Depois de lançar pacote para grandes e médias indústrias enfrentarem crise econômica mundial, Dilma Rousseff anuncia apoio fiscal a microempresariado. Incentivo também tem motivação política. “[Setor] Constitui a base do tecido social que permite que nós caminhemos cada vez mais para nos tornarmos um país de classe média”, diz Dilma, que vai criar ministério específico. No Congresso, PT assume Frente da Micro Empresa.

BRASÍLIA – O governo ainda não sabe ao certo qual será o tamanho da crise econômica mundial, mas acredita que ela já está numa fase “crônica”, vai durar ao menos dois anos e, por isso, anunciou nesta terça-feira (09/08) novas medidas para tentar proteger empresas e o mercado interno. Depois de um pacote para grandes e médias indústrias, volta-se agora às micros e pequenas empresas e microempreendedores, que terão redução de impostos.

O benefício virá com a alteração de um tributo chamado Supersimples. Nele, as pequenas empresas entregam um percentual do faturamento ao setor público que considera, assim, que todos os tributos estão quitados.

Até agora, só participava do sistema quem faturava até R$ 2,4 milhões por ano. O limite subiu para R$ 3,6 milhões. Empresas que estavam fora por pouca diferença poderão aderir. E aquelas que estavam abaixo, mas perto, e seguravam seus preços para manter o benefício, ganham margem para aumentá-los para lucrar mais. Segundo o ministério da Fazenda, 4 milhões de empresas estão no sistema.

Existe um sistema igual válido para microempreendedores indivuais, firmas com apenas um funcionário, que sofrerá o mesmo tipo de mudança. O limite de faturamento para permancer no sistema, que era de R$ 36 mil, passará a R$ 60 mil.

O governo topou as mudanças porque as micros e pequenas empresas são as maioras geradoras de emprego. E a criação de vagas está na origem do crescimento atual brasileiro, segundo o governo.

"Estamos numa fase crônica da crise", disse nesta terça-feira (09/08) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que mais uma vez defendeu a adoção de medidas que protejam o mercado interno para que o país atravesse turbulências que, para ele, vão durar pelo menos dois anos.

Aliança política
Mas o governo também teve motivação política, explicitada pela presidenta Dilma Rousseff, ao decidir-se pelo incentivo aos microempresários. “O empresariado que dirige pequenas empresas constitui a base do tecido social que permite que nós caminhemos cada vez mais para nos tornarmos um país de classe média”, disse Dilma, ao anunciar as novas regras.

Cativar a classe média é um dos objetivos político-eleitorais do governo Dilma, que nesta segunda-feira (08/08) realizou seminário para tentar entender como é a nova classe média e como o peso que ela adquiriu impõe mudanças na construção de políticas públicas.

Para o governo e o PT, as micros e pequenas empresas são um canal de contato com a parte da nova classe média. Não por acaso, Dilma mandou ao Congresso projeto que cria o ministério da microempresa, cuja titular deverá ser pessoa da confiança dela, o atual secretário-executivo do ministério do Desenvolvimento, Alessandro Teixeira. Ex-diretor do departamento de microempresa do ministério, ele compôs a equipe de campanha de Dilma na eleição do ano passado.

No front legislativo, o PT movimentou-se para aproximar-se do microempresariado ao tomar a bandeira de defesa do segmento simbolizada pela Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa. Durante muito tempo controlada por um deputado do PP gaúcho que, hoje, é ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, a Frente é dirigida por outro deputado gaúcho, mas do PT, Pepe Vargas.

Na própria cerimônia em que a mudança no Supersimples foi alterado, Dilma fez questão de dividir a paternidade da iniciativa com a Frente.

BA: Chapa 01 vence eleições da APLB-Sindicato

Mesmo com a contagem de votos ainda em andamento, a Chapa 1 – Avançar com Experiência, Renovação e Unidade, que concorre às eleições da APLB-Sindicato, garantiu expressiva vitória nas urnas, já que no início da noite de segunda-feira (8) possuía mais de 20 mil votos de frente, tornando nula qualquer tipo de virada.


A esmagadora e incontestável vitória, que contou com o voto da categoria de todo o Estado, deveu-se, sobretudo, à unidade dos trabalhadores em educação, à democracia sindical e à atuação autônoma e classista proposta pela Chapa 1, ligada à CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. Uma chapa plural, composta por professores, funcionários, coordenadores pedagógicos e demais funcionários da educação pública da Bahia. Uma chapa formada por quem fez e continuará fazendo história e garantindo vitórias cada vez mais expressivas. Uma chapa que, também, constituirá uma diretoria repleta de caras e ideias novas, oxigenadas.

As eleições, realizadas nos dias 4 e 5 de agosto, ocorreram sem maiores problemas nos quatro cantos do Estado. Na capital, onde mais de 70 urnas circularam, também não houve dificuldades mais sérias, embora integrantes da Chapa 2 tenham buscado inviabilizar ou atrasar a saída de diversas urnas, numa tentativa desesperada e frustrada de criar um fato político que desabonasse o processo eleitoral e afastasse o eleitorado das urnas e do seu objetivo maior.

Aliás, estratégias nada convencionais foram utilizadas pela chapa derrotada para inviabilizar as eleições. Recorreram até às práticas do período militar. Enquanto o seu representante recebia documentos da Comissão Eleitoral, outro membro solicitava intervenção do Ministério Público no processo eleitoral. E isso piora! Já na véspera das eleições, enquanto a Comissão fazia os últimos acertos com as representações das duas chapas, um dos integrantes da Chapa 2 solicitava, na Justiça do Trabalho, intervenção do sindicato, suspensão das eleições e nomeação de uma junta temporária. A justiça e a categoria deram um NÃO à Chapa 2.

Para Pascoal Carneiro, secretário-geral da CTB Nacional, que acompanhou todo o processo de disputa, a expectativa é de que ao final do processo de apuração a Chapa 1 conquiste cerca de 75% dos votos. "A categoria sabe o que quer. Sabe que precisa avançar na luta. E pra avançar, entendeu que a melhor opção era garantir a turma classista na direção do seu sindicato. A APLB continuará na vanguarda do movimento sindical baiano", concluiu.

Por Vermelho, com informações da Ascom/APLB - Sindicato

A Globo e Celso Amorim

Jaime Sautchuk *

 
Causou estranheza o estardalhaço feito pela Rede Globo, suas emissoras de rádio, jornais, revistas e páginas na internet do chamado sistema Globo sobre sua linha editorial “independente”, na semana passada.

O extemporâneo documento tinha, porém, bons motivos por parte da vênus platinada. Circulavam na internet notas com notícias vazadas da Globo sobre a própria Globo, mais propriamente sobre o jornalismo praticado pelos órgãos de comunicação da família Marinho.

Esse jeito de fazer jornalismo é corriqueiro na casa, mas este caso chamou mais atenção. Foi uma ordem da direção global para que seus jornalistas providenciassem matérias contra a indicação do embaixador Celso Amorim para o cargo de ministro da Defesa.

A pauta elaborada pela direção de jornalismo do grupo era de criar matérias dando conta de que a indicação de Amorim estaria causando reação nos meios militares. As matérias teriam que dizer que Amorim não era bem-visto nas casernas e que isto traria problema à presidente Dilma Rousseff.

É o estilo do Dr. Godinho, personagem de Eça de Queiroz, como dono de jornal, no romance O Crime do Padre Amaro, quejá citei aqui em outra ocasião. Ferrenho anticlerical, ele determinava: “contra o clero, havendo denúncias, publiquemo-las; não havendo, inventemo-las”.

O mais grave, entretanto, é que o caso da Globo não é apenas com Celso Amorim. É com toda uma ala do Itamaraty, muito forte no Instituto Rio Branco, que forma nossos diplomatas, que defende a chamada política externa independente. A vênus prefere os que seguem os ditames de Washington.

Mesmo durante a ditadura militar, fielmente apoiada pelo sistema Globo, houve certos estremecimentos nesse campo. O principal foi durante o governo do general Ernesto Geisel (1974/79), em que o ministro das Relações Exteriores era Azeredo na Silveira.

Silveira deu corda toda ao embaixador Ítalo Zappa, então chefe do Departamento da África do Itamaraty, que implantou a chamada política pan-africana. Era a simples aproximação com aquele continente, com ações práticas.

O Brasil foi, por exemplo, o primeiro país a reconhecer a independência de Angola. E apoiava os movimentos anti-apartheid na África do Sul e na antiga Rodésia. Zappa foi, também, o principal promotor da aproximação brasileira com a Ásia, em especial com a China.

A Globo ficava tiririca, pois, afinal, apoiou os mais de vinte golpes de estado promovidos pelos EUA e aliados europeus na África, nas décadas de 1960 e 70. E apoiava a invasão estadunidense do Vietnã, que Zappa levou o Itamaraty a uma postura equidistante e, depois, de reconhecimento do governo socialista daquele país.

A política externa dos governos de Luis Inácio Lula da Silva mudou o rumo das coisas nesse campo. A diversificação de parceiros comerciais desatrelou por completo o Brasil dos EUA. E a postura política, em especial na Ásia, Norte da África e Oriente Médio deu ao Brasil um lugar de destaque na diplomacia mundial.

Quem abriu essas portas, quem devolveu o norte soberano à nossa diplomacia foi Celso Amorim. Há analistas mundo afora que dizem, inclusive, que se não fosse a aproximação de Brasília com Teerã, muito provavelmente o Irã já teria sido invadido, como o Iraque e o Afeganistão.

O documento divulgado pela Globo revela que o grupo maioral da comunicação social brasileira percebeu que não é mais soberano. Além de outros grupos fortes, a rede de internautas também adquiriu força capaz de fazer os arautos do Jardim Botânico virem se explicar de público.

Mas, se o sistema Globo já percebeu essa mudança, talvez não tenha percebido outras, de igual relevância. Uma delas, a mais importante no caso, é a de que também os militares brasileiros não são mais os mesmos. Nas três forças armadas do Brasil de hoje, soberania nacional é palavra de ordem. E Celso Amorim é sinônimo dessa postura.

Mais do que isso, a experiência do novo ministro da Defesa no campo militar é enorme. Afinal, o tema é parte inerente às relações internacionais. Nem o Itamaraty, nem os comandos militares vêem com bons olhos, por exemplo, a presença de tropas dos EUA na Colômbia, bisbilhotando as fronteiras daquele país com a Venezuela, Peru e Brasil.

Uma das reivindicações primordiais do Exército, Marinha e Aeronáutica é de que o governo de Dilma siga firme no reequipamento das forças armadas, com foco especial nas áreas de fronteiras. E esse foi tema do discurso de posse de Amorim no ministério.

Quanto à Globo, fica só comprovado, uma vez mais, que dali não sai muita lição de bom jornalismo.

* Trabalhou nos principais órgãos da imprensa, Estado de SP, Globo, Folha de S.Paulo e Veja. E na imprensa de resistência, Opinião e Movimento. Atuou na BBC de Londres, dirigiu duas emissoras da RBS.

A vida desmente os “Princípios Editoriais” da Globo

No momento em que o programa Fantástico divulgava os “Princípios Editoriais das Organizações Globo”, que consistem num conjunto de regras para a prática do jornalismo nas redações sob o comando da família Marinho (entre elas noticiários de TV, o jornal O Globo e a revista Época), o jornalista Rodrigo Vianna fazia uma denúncia extremamente grave que compromete a qualidade e a ética do jornalismo praticado na TV Globo.

Rodrigo recebera informação de fonte fidedigna de que a orientação a ser adotada para com o novo ministro da Defesa, Celso Amorim, era a de dar apenas notícias negativas e só divulgar a tese de que sua escolha gera “turbulência” entre os militares.

A denúncia coloca sob suspeita as declarações de “boa intenção” dos “Princípios Editoriais” e confirma as práticas manipuladoras das Organizações Globo, uma rede nacional de televisão que nasceu em 1965 sob as bênçãos da ditadura militar de 1964.

O item “manipulação jornalística” na folha corrida da Globo é extenso e vale lembrar alguns deles. Em 1982, ela foi pivô de uma tentativa de fraude para impedir a vitória de Leonel Brizola para o governo do Rio de Janeiro, tendo sido parte fundamental no rumoroso “caso Proconsult”, que envolvia a manipulação da contagem dos votos naquela eleição.

Em 1984, o vexame foi tentar esconder a campanha pelas “Diretas Já” com o esforço patético de noticiar o comício que ocorreu na Praça da Sé, em São Paulo, no dia 25 de janeiro daquele ano (que reuniu mais de 300 mil pessoas), como comemoração do aniversário da cidade! "A cidade de São Paulo festeja os 430 anos de fundação", proclamou o Jornal Nacional...

No final da década de 1980, a manipulação ajudou a derrotar Lula e eleger Fernando Collor de Mello para a presidência da República. O truque consistiu em editar de forma favorável ao candidato da direita o debate ocorrido na emissora em 14 de dezembro de 1989. Era o “antiLula” em andamento, que permaneceu nos anos seguintes pautando o noticiário da emissora, chegando a nossos dias.

E que se manifestou, mais tarde, na tentativa de emporcalhar a campanha de Lula, em 2006, num conluio entre jornalistas da Globo e policiais em busca de notoriedade no episódio dos “aloprados”. A farsa, que envolvia a foto manipulada de pacotes de dinheiro, para aumentar sua dimensão visual, foi prontamente denunciada e desmontada por jornalistas que não se coadunam com a manipulação do noticiário.

Na eleição de 2010, a tomada de partido claramente a favor do tucano José Serra ficou nítida na entrevista feita com Dilma Rousseff no Jornal Nacional, no início da campanha eleitoral, durante a qual William Bonner chegou a perder a compostura ante uma candidata que não se curvava às pressões e alegações do “sábio” da telinha.

São apenas alguns episódios de uma extensa lista de manipulações e desrespeito ao direito público à informação cometidos por esse padrão de jornalismo de baixa qualidade exposto claramente, no final de 2005, quando um grupo de professores de comunicação visitou a redação do Jornal Nacional e assistiu, estarrecido, à maneira como as notícias são escolhidas para publicação. O critério usado por William Bonner, editor-chefe do Jornal Nacional, era escolher as notícias que ele considerava ao alcance do entendimento de “Homer”, o apelido desrespeitoso dado ao espectador médio da Globo. Homer é o imbecilizado, preguiçoso e pouco inteligente pai da família Simpsons, um desenho animado norte-americano. E sua escolha como parâmetro indica a avaliação preconceituosa e depreciativa que a direção do jornalismo da Globo faz de seus espectadores.

O desrespeito à verdade e o uso de versões favoráveis aos interesses não confessados dos próprios veículos transparece ainda em “reportagens”, como a publicação requentada de denúncias falsas contra a Agência Nacional do Petróleo (ANP) pela revista Época, há duas semanas. Motivo da republicação mentirosa, ofensiva e desrespeitosa: foi uma retaliação (revanche?) da revista por não ter sido incluída pela ANP na campanha publicitária que comemorou os altos índices de não adulteração dos combustíveis alcançados pela fiscalização da agência, e que beneficia os consumidores.

Este passado (e presente) jornalístico desmente os “Princípios Editoriais” anunciados pela Globo, cuja leitura atenta não autoriza a conclusão de que as coisas possam mudar. Esta declaração de boas intenções proclama a necessidade de “isenção, correção e agilidade” como base do bom jornalismo, mas ela é desmentida em alguns pontos vitais. Por exemplo, repetindo o guru máximo desse tipo de jornalismo, o decadente e fragilizado Rupert Murdoch, assegura que “pessoas públicas – celebridades, artistas, políticos, autoridades religiosas, servidores públicos em cargos de direção, atletas e líderes empresariais, entre outros – por definição, abdicam em larga medida de seu direito à privacidade”, uma pretensão que só encontra amparo na dos donos da mídia, e não na legislação. Além disso, defende o “uso de microcâmeras e gravadores escondidos” como legítimo, desde que seja “o único método capaz de registrar condutas ilícitas, criminosas ou contrárias ao interesse público”.

É sempre bom lembrar, neste particular, que nem os tribunais acatam “provas” obtidas de forma ilegal como escutas clandestinas e métodos semelhantes. Outro ponto: a Globo se declara apartidária, independente e laica, e defensora intransigente da democracia, da livre iniciativa e da liberdade de expressão. E embute, neste ponto, a rejeição de qualquer regulamentação da mídia ao dizer ser imperioso defender o “modelo de jornalismo de que trata este documento” contra “qualquer tentativa de controle estatal ou paraestatal”.

É uma declaração que pode indicar o motivo que levou a Globo a adotar seus “Princípios Editoriais”. Num mundo em que crescem as exigências democráticas de regulamentação da mídia, em que mesmo Rupert Murdoch, o magnata que levou sua escandalização ao paroxismo, está fragilizado e assiste à ruína de seu poder, há um sabor de autodefesa no movimento feito pela Globo. Que conflita com a exigência de democratização dos meios de comunicação: a regulamentação da mídia não é uma tarefa que cabe aos próprios veículos ou a seus proprietários. Ela é uma tarefa que cabe à sociedade e implica o reconhecimento por jornalistas e os donos da mídia de que também devem submeter-se às leis, da mesma maneira que todos os demais cidadãos.
Fonte: Editorial do Vermelho

terça-feira, 9 de agosto de 2011

ADPREV “RENOVA IPIRÁ”

No último dia 06 de agosto, o Escritório da  Advocacia Previdenciária e Outras Assessorias (ADPREV), coordenado pelo competente advogado da área previdenciária Noildo Gomes inaugurou sua mais nova sede no município de Ipirá. No evento que contou com a participação de cerca de 200 pessoas de várias regiões da Bahia estiveram presentes várias lideranças políticas e pessoas que se destacam nas mais variadas áreas. A equipe que ficará responsável pelo escritório local é formada pelos advogados Nadilson Gomes, Jerônimo Azevedo e Edmilson Azevedo.

Presentes ao evento estavam Genaldo de Melo e Rozete Evangelista do Diretório Municipal do PCdoB de Feira de Santana, Arismário Sena, coordenador da Delegacia Sindical da APLB-Sindicato da região de Ipirá e presidente do PCdoB no município, Zeca Mendes, assessor do Pólo Sindical do MSTTR na Chapada Diamantina, Sr. Ademir, presidente do Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Serra Preta, Auzenete Duarte, assessora do Sindicato dos Médicos para Feira de Santana, Zé Augusto, empresário e membro do Grupo “Renova Ipirá”, Iaiá, presidente do Sindicato dos Servidores/as Públicos de Ipirá, Ivo Barreto, da ADPREV de Ipirá, Mari, coordenadora da CIRETRAN de Ipirá, Genilson do Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Palmeiras, Álvaro da Polícia Rodoviária Federal, Felipe Vieira, vereador de Anguera, Rogério, professor da Rede Estadual e Municipal em Salvador, Welber, professor da FTC e da UNEB, Normando Gomes, empresário do setor de transportes, bem como Rener, coordenador do movimento político “RENOVA IPIRÁ”.

Segundo Noildo “a iniciativa reveste-se de importância para esse grupo que coordenará o escritório local, primeiro porque era um sonho antigo, tanto de Noildo como de Nadilson Gomes, segundo porque no município não existe um espaço jurídico para fazer a defesa dos direitos previdenciários das pessoas mais carentes. Além disso, criamos o escritório não apenas com a finalidade de ganhar dinheiro, mas também de desenvolver o trabalho social que a população de Ipirá tanto precisa”.

Alinhado ao grupo que coordena o “Movimento Renova Ipirá”, o Escritório da ADPREV também se coloca como um instrumento político para que o município possa constituir de modo participativo um projeto para o povo de Ipirá, já que o atual grupo político que está no comando do município não tem de fato representado os interesses maiores daquela gente. O novo escritório da ADPREV tem essa filosofia profissional de ajudar o povo do município a ser referência na região.

Fonte: ASCOM/ADPREV

O imperialismo não é invencível

O ataque que as tropas de ocupação do imperialismo estadunidense e da Otan no Afeganistão sofreram no último sábado (6) representou um duro golpe para a estratégia imperialista, expondo as suas contradições . Ao longo do ano em curso, os agressores têm realizado bombardeios sistemáticos em localidades que identificam como “redutos do inimigo”. São operações especiais para caçar combatentes do Taliban, mas invariavelmente a população civil é atingida, provocando reações dentro do próprio governo títere de Hamid Karzai.

Desta vez, o grupo de elite denominado Seal, o mesmo que assassinou Osama Bin Laden, foi atingido pelas forças da resistência, resultando na morte de 31 soldados estadunidenses e sete oficiais do governo afegão. Foi a maior perda de vidas norte-americanas no Afeganistão num único incidente desde que a guerra começou há dez anos.

O imperialismo norte-americano e seus aliados da Otan - organização que ampliou o escopo da sua ação agressiva com a adoção no ano passado de uma nova doutrina estratégica - anunciou para efeitos propagandísticos um plano de retirada do país centro-asiático. O fato, porém, é que o Afeganistão continua ocupado por cerca de 133.000 soldados da Otan, a maioria deles membros das Forças Armadas dos EUA.

O presidente Barack Obama enalteceu o “heroísmo” dos soldados mortos dizendo que morreram em nome da segurança dos Estados Unidos e que o país continuará levando adiante a “guerra ao terrorismo”. A mídia monopolista internacional e a brasileira colonizada noticiaram a derrubada do helicóptero da Otan/EUA como um ato terrorista. Na verdade, foi um confronto, um episódio de guerra que, tal como outros tantos ocorridos ao longo de 2011, é revelador de que os agressores estão sofrendo sucessivos reveses e o número de baixas só tem aumentado.

Em 7 de outubro próximo, a ocupação do Afeganistão completará dez anos. As forças imperialistas vão iniciar a segunda década dessa inglória guerra sem conquistar nenhum dos propalados objetivos de promover a paz e a segurança internacional. É duvidoso que o reconhecimento do heroísmo dos caídos nessa guerra em nome da segurança dos EUA e dos países da Otan convençam as populações estadunidense e européia de sua legitimidade.

Os tempos atuais não são propícios a esse tipo de violência, embora esta seja cada vez mais típica dos métodos de exercício da “governabilidade” mundial pelas potências imperialistas. Muito ao contrário, o país centro-asiático está sendo o cenário de uma vergonhosa derrota dos militaristas e agressores estadunidenses e europeus. Desde o processo de descolonização que se intensificou e praticamente se completou durante a segunda metade do século 20, elevou-se a consciência dos povos para defender a soberania e a autodeterminação. As guerras imperialistas são um anacronismo, como é o próprio imperialismo. Inexoravelmente elas despertam a resistência dos povos. Estão certas as forças políticas e os movbimentos sociais que dizem que o imperialismo não é invencível e será derrotado. (Editorial Vermelho)