terça-feira, 12 de abril de 2011

Bahia: Geddel minimiza possíveis perdas para o PSD

O alinhamento de um projeto único - elaborado por técnicos de todos os partidos para a capital baiana e para o interior - que possibilite o restabelecimento da força da oposição em 2012 e 2014 no estado esteve no centro do debate entre os deputados que compõem a minoria na Assembleia Legislativa e o atual vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima, ontem, na terceira rodada de conversas, realizada pela bancada oposicionista no Legislativo baiano.

A reunião a portas fechadas contou com a presença de onze parlamentares e do presidente estadual do PMDB, Lúcio Vieira Lima. Peemedebistas minimizaram o cenário de possíveis perdas de integrantes para o novo partido PSD. Os três deputados citados como os que devem deixar a sigla, Alan Sanches, Temoteo Brito e Ivana Bastos, não compareceram ao encontro

Questionado sobre as supostas baixas no partido, Geddel, considerado forte liderança do PMDB baiano, disse que a ausência dos deputados representa um sinal do suposto afastamento, mas antes de qualquer conclusão sobre o assunto se “espera uma manifestação oficial”.

“A notícia que tenho é que a executiva do partido já encaminhou um documento solicitando deles um posicionamento. A partir daí, à luz do que estabelece a legislação, o partido se posicionará”, afirmou. Ivana e Temoteo justificaram o não comparecimento ao fato de estarem em suas bases eleitorais e o deputado Alan se recupera de uma pequena cirurgia. 

Geddel criticou o adesismo e atribuiu a atual fase da política a uma “maré”. “Existe esse conceito que só se pode fazer política à sombra do poder, por isso você tem sempre adesistas - pessoas que não respeitam o resultado das urnas”, alfinetou. “Mas eu tenho experiência suficiente pra saber que política é igual ao movimento das marés. Ela enche e vaza, vaza e enche. É ter serenidade e ser fiel àquilo que você acredita”, enfatizou. 

O ex-ministro deixou claro que a intenção não será a de se construir “uma candidatura contra alguém”, mas a de elaborar um programa que sirva de alternativa para Salvador. “A sociedade está interessada cada vez mais na solução de seus problemas. O que eu vejo na prefeitura de Salvador, é que a partir do momento que o prefeito decidiu abandonar o PMDB, evidente que o ritmo gerencial caiu”, criticou. 

O peemedebista também considerou a chance de uma candidatura única, desde que se sustente a favor de um projeto. (Fernanda Chagas –TB)

Salvador: Pinheiro recua e admite apoiar Pelegrino

A declaração do senador Walter Pinheiro (PT) de que o candidato para a sucessão municipal podia não ser do PT em entrevista exclusiva à Tribuna, continua dando o que falar. Ontem, o assunto voltou a baila e foi destaque em entrevista do senador à Rádio Metrópole.

Dessa vez, no entanto, petista buscou minimizar os “estragos”, em especial entre os “companheiros” do PT. Segundo Pinheiro, suas colocações foram mal interpretadas. “Quis dizer que o correto é trabalhar por um candidato de consenso e não chegar impondo.

E o PT tem essa tranquilidade, mas Pelegrino (Nelson) é o meu candidato, sem dúvida”, recuou, complementando que “se tivesse pinçado a frase: Pinheiro defende que candidato do PT seja de consenso, Pelegrino não estaria com esse pânico antecipado’.

Ele fez questão de pontuar ainda que escolher de última hora dificulta o fechamento das frentes e da base aliada. “Isso me atrapalhou em 2008, não quero que o Pelegrino passe por isso. Eu disse a ele para ajustarmos o time primeiro. Se a gente não arrumar a casa, não tem como falar com os de fora. Se cada partido quiser lançar um candidato a prefeito, vai dificultar”, explicou o senador.

Com intuito de dar fim à polêmica o petista declarou que “é preciso trabalhar para que o candidato ao Palácio Thomé de Souza tenha uma frente do tamanho da que apoiou o governador Jaques Wagner para que tenham condições de eleger o deles.

Para isso, em sua opinião, tem que  conversar com todos os aliados. “Com Lídice (da Mata), do PSB; Daniel Almeida, do PCdoB, o pessoal do PP e todos os outros.

Afinal, tudo aponta para uma eleição difícil e temos uma cobrança muito grande pelo o que aconteceu neste último ano”. Ainda ao falar sobre o embate de 2012, Pinheiro disse não acreditar em um candidato único da oposição estadual.

“Acho difícil que o DEM e o PSDB se juntem por causa da sobrevivência de projetos no Estado. Se não disputar, o que vai acontecer com o DEM?”, questionou. Em seguida, Pinheiro revelou uma brincadeira feita nos bastidores após a criação do PSD (Partido Social Democrata). “Dizem que agora não é mais DEM, é Demolido”, disse aos risos.

Por fim, o senador descartou disputar a eleição municipal de 2012, mas deixou no ar uma possível candidatura ao governo do Estado em 2014.

“Aí são outros 500”, respondeu ao ser questionado se iria disputar o cargo de governador. Pinheiro disse ser ainda cedo para definir sobre esta candidatura. “Se for desse projeto, vamos ver se é a minha vez ou não. Se não for, tenho até 2018 para tocar a minha vida no Senado”, argumentou.(Fernanda Chagas -TB)

Artigo: A Líbia e o mundo do petróleo

O mundo do petróleo raramente está longe quando se trata de assuntos que envolvem o Oriente Médio e o norte da África. Esse mundo oferece um guia útil para entender as reações ocidentais diante dos levantes populares no mundo árabe. Argumenta-se que o petróleo não pode ser considerado um motivo para a intervenção na Líbia porque o Ocidente já tem acesso ao mesmo sob o regime de Kadafi. Isso é certo, mas irrelevante. Afinal, o mesmo poderia ser dito sobre o Iraque sob o regime de Saddam Hussein. O artigo é de Noam Chomsky.
No mês passado, no tribunal internacional sobre crimes durante a guerra civil em Serra Leoa, o julgamento do ex-presidente liberiano Charles Taylor chegou ao fim. O promotor geral, o professor de Direito estadunidense David Crane, informou ao jornal The Times, de Londres, que o caso estava incompleto: os promotores queriam processar Muammar Kadafi, que, disse Crane, era, em última instância, o responsável pela mutilação e/ou assassinato de 1,2 milhões de pessoas.

Mas isso não aconteceria, esclareceu. Os Estados Unidos, o Reino Unido e outros países interviram para bloquear essa decisão. Ao ser perguntado sobre o porquê disso, respondeu: Bem vindo ao mundo do petróleo!
Outra vítima recente de Kadafi foi sir Howard Davies, diretor da Escola de Economia de Londres, que renunciou depois de revelações sobre os laços da escola com o ditador líbio.

Em Cambridge, Massachusetts, o Monitor Group, uma empresa de consultoria fundada por professores de Harvard, foi bem paga por serviços tais como um livro para levar as palavras imortais de Kadafi ao público em conversão com famosos especialistas internacionais, junto com outros esforços para melhorar a imagem internacional da Líbia (de Kadafi).
O mundo do petróleo raramente está longe quando se trata de assuntos que envolvem esta região.

Por exemplo, quando as dimensões da derrota estadunidense no Iraque já não podiam ser escondidas, a retórica bonita foi substituída pelo anúncio honesto de objetivos políticos. Em novembro de 2007, a Casa Branca emitiu uma declaração de princípios que insistia em que o Iraque deve conceder acesso e privilégio indefinidos aos invasores estadunidenses.

Dois meses depois, o presidente George W. Bush informou ao Congresso que rechaçaria a legislação que limitasse o emprego permanente das forças armadas estadunidenses no Iraque ou o controle dos EUA dos recursos petroleiros do Iraque; demandas que os Estados Unidos teriam que abandonar um pouco depois diante da resistência iraquiana.

O mundo do petróleo oferece um guia útil para entender as reações ocidentais diante dos notáveis levantes pró-democráticos no mundo árabe. O ditador rico em petróleo, que é um cliente confiável, é tratado com rédea solta. Houve pouca reação quando a Arábia Saudita declarou no dia 5 de março: as leis e regulamentos no reino proíbem totalmente qualquer tipo de manifestações, marchas e atos, assim como a sua convocação, já que vão contra os princípios da Shariah, os costumes e as tradições sauditas. O reino mobilizou enormes forças de segurança que aplicaram rigorosamente a proibição.

No Kuwait, pequenas manifestações foram sufocadas. O punho de ferro golpeou a população no Bahrein, depois que forças militares encabeçadas pela Arábia Saudita interviram para garantir que a monarquia sunita minoritária não fosse ameaçada pelas reivindicações de reformas democráticas.

O Bahrein é sensível não só porque abriga a Quinta Frota dos Estados Unidos, mas também porque faz fronteira com áreas xiitas da Arábia Saudita, local de maior parte das reservas do reino. Os recursos energéticos primários do mundo se localizam perto do norte do Golfo Pérsico (ou Golfo Arábico, como costuma ser chamado pelos árabes), uma área em grande medida xiita, um potencial pesadelo para os planejadores ocidentais.

No Egito e na Tunísia, o levante popular conseguiu vitórias impressionantes, mas, como informou a Fundação Carnegie, os regimes permanecem e aparentemente estão decididos a frear o ímpeto pró-democracia gerado até agora. Uma mudança nas elites governantes e no sistema de governo segue sendo um objetivo distante, e que o Ocidente buscará mantê-lo assim.

A Líbia é um caso diferente, um Estado rico em petróleo dirigido por um ditador brutal que, não obstante, é pouco confiável: seria melhor ter um cliente digno de confiança. Quando iniciaram os protestos não violentos, Muammar Kadafi atuou rapidamente para sufocá-las.

No dia 22 de março, enquanto as forças de Kadafi convergiam para a capital rebelde de Bengasi, o principal assessor do presidente Barack Obama sobre Oriente Médio, Dennis Ross, advertiu que se ocorresse um massacre, todos culpariam os EUA por isso, uma consequência inaceitável.

E o Ocidente certamente não queria que o coronel Kadafi aumentasse seu poder e independência, sufocando a rebelião. Os EUA trabalharam então pela autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas de uma zona de exclusão aérea, que seria posta em prática por França, Inglaterra e os próprios EUA.

A intervenção evitou um provável massacre, mas foi interpretada pela coalizão como a autorização para o apoio direto aos rebeldes. Um cessar-fogo foi imposto às forças de Kadafi, mas se ajudou os rebeldes a avançar para o oeste. Em pouco tempo conquistaram as principais fontes da produção petroleira da Líbia, ao menos temporariamente.

No dia 28 de março, o jornal em língua árabe sediado em Londres Al-Quds Al-Arabi advertiu que a intervenção deixaria a Líbia com dois estados, um leste rico em petróleo e em mãos dos rebeldes e um oeste encabeçado por Kadafi e mergulhado na pobreza. Com o controle dos poços petrolíferos assegurados, poderíamos estar diante de um novo emirado petroleiro líbio, escassamente habitado, protegido pelo Ocidente e muito similar aos estados emirados do golfo. Ou a rebelião respaldada pelo Ocidente poderia seguir adiante até eliminar o irritante ditador.

Argumenta-se que o petróleo não pode ser um motivo para a intervenção porque o Ocidente já tem acesso ao mesmo sob o regime de Kadafi. Isso é certo, mas irrelevante. O mesmo poderia ser dito sobre o Iraque sob o regime de Saddam Hussein, ou sobre Irã e Cuba atualmente.

O que o Ocidente busca é o que Bush anunciou: o controle, ou ao menos clientes dignos de confiança e, no caso da Líbia, o acesso a enormes áreas inexploradas que se espera sejam ricas em petróleo. Documentos internos britânicos e estadunidenses insistem que o vírus do nacionalismo é o maior temor, já que poderia engendrar desobediência.

A intervenção está sendo realizada pelas três potências imperiais tradicionais (poderíamos lembrar – os líbios presumivelmente o fazem – que, depois da Primeira Guerra Mundial, a Itália foi responsável por um genocídio no leste da Líbia).

As potências ocidentais estão atuando em virtual isolamento. Os estados na região – Turquia e Egito – não querem participar, tampouco a África. Os ditadores do golfo se sentiriam felizes de ver Kadafi partir, mas, ainda empanturrados pelas armas avançadas que recebem para reciclar os petrodólares e assegurar a obediência, oferecem apenas uma participação simbólica. O mesmo se aplica em outros lugares: Índia, Brasil e, inclusive, Alemanha.

A primavera árabe tem raízes profundas. A região está em fermentação há muitos anos. A primeira da atual onda de protestos começou no ano passado no Saara Ocidental, a última colônia africana, invadido pelo Marrocos em 1975 e retido ilegalmente desde então, de maneira similar ao Timor Oriental e aos territórios ocupados por Israel.

Um protesto não violento em novembro passado foi sufocado por forças marroquinas. A França interveio para bloquear uma investigação do Conselho de Segurança sobre os crimes de seu cliente. Logo acendeu-se uma chama na Tunísia que, desde então, espalhou-se e tornou-se uma conflagração.
Fonte: Noam Chomsky - La Jornada

Por Reforma Política ampla, global e democrática

A palavra "reforma" tem um significado moderno, dinâmico e atual. O verbo "reformar" traz em seu arcabouço o ato de dar nova ordem, nova formula, ou seja, como os bons baianos falam: arrumar a casa. E isso não se faz sozinho nem em partes, é um processo conjunto e coletivo.
Este é o sentido prioritário da Reforma Política. Criar novas estruturas organizacionais, estabelecer novos critérios equitativos e preparar o país para os novos desafios que são impostos ao ambiente da disputa político partidária.

O atual sistema eleitoral e as organizações políticas do Brasil não estão dando conta das novas exigências e perspectivas da democracia brasileira. O país, de extensões continentais e realidades diversas, rico em culturas e valores, perpassou a frieza das Leis que tratam das diretrizes políticas e hoje, clama por novas diretrizes e normas.

Deste clamor, surge a chamada "Reforma Política", que não é nada mais do que o agrupamento de todas as modificações que devem ser feitas no sistema político, com o intuito de preservar e garantir cada vez mais, o crescimento e amadurecimento da democracia.

No debate sobre a Reforma Política estão inclusos temas como o sistema eleitoral e representação parlamentar, reeleição, tempo de mandato e unificação das eleições, financiamento público de campanhas eleitorais e financiamento partidários, fidelidade partidária, além de outros temas mais voltados ao eleitor, como voto na legenda e voto obrigatório, entre tantos outros temas que vão interferir diretamente na vida do país.

A reforma política é urgente e, ao mesmo tempo emergente. Não dá para pensar na execução da reforma de maneira pontual, lenta, amorfa. Ela exige dinamismo, rapidez na tomada de decisões, e principalmente compactuação para que os temas sejam discutidos conjuntamente.
Não dá, por exemplo, para separar o sistema eleitoral de coligação, financiamento, organização partidária, você pode focar no modelo, mas um assunto está ligado a outro. Lista fechada sem financiamento público é quase impossível. Pensar em coligação com voto distrital é impossível; com voto distrital não pode haver coligação.

O início dos trabalhos dos 41 parlamentares que compõe a Comissão Especial da Reforma Política foi marcado por uma decisão acertada. São mais de 100 projetos de lei, que estão em tramitação na Câmara e tratam das definições políticas do país. Começar pelas definições em torno do sistema eleitoral é a maneira mais certa, pois ele vai dar direcionamento para as outras definições. A depender do modelo que se adote, alguns temas correlatos ficam prejudicados.

Sobre o modelo mais adequado, a proposta que mais me parece consistente, a mais trabalhada, mais definida - com começo, meio e fim e formas de aplicação - é a lista pre-ordenada, com financiamento público integral das campanha.

Pelo modelo atual, quem não tem muito dinheiro já é excluído do processo eleitoral. Falo como quem acabou de sair de uma eleição e vivenciou de perto o drama da situação financeira das campanhas.

Seguindo por uma direção diametricamente oposta, a proposta mais difícil de ser explicada, e entendida entre os tantos modelos, é o chamado ´distritão´, que representa a negação dos partidos políticos, a personalização da disputa e o fortalecimento do papel do poder econômico no processo eleitoral.

A reforma política necessária tem outra cara. A cara do povo brasileiro. Com participação e protagonismo. Com isso, ela vai garantir a força e vida aos partidos. Por fim, a reforma, como nós almejamos, deve assegurar a possibilidade das coligações, alianças partidárias e a manutenção do voto proporcional.

Por tudo isso, em respeito à própria etimologia das palavras "Reforma" e "Política", e orgulhoso por fazer parte deste momento histórico de modificação das linhas da história política do país, que reafirmo que não pode existir reforma sem mudança estrutural e profunda do sistema que rege a vida política do nosso país. Temos que aproveitar para arrumar a casa e nos preparar para os desafios de um país desenvolvido e democrático. É assim que compreendo. É isso que defendo.
Fonte: Daniel Almeida, Deputado Federal (PCdoB)

Em crise com PV, Marina prega candidatura avulsa


SÃO PAULO - Em meio à crise que enfrenta em seu partido, o PV, a ex-senadora Marina Silva (AC) decidiu retomar a bandeira das candidaturas avulsas, em todas as instâncias do poder, da vereança à Presidência da República. Nos encontros com militantes do PV descontentes com a atual direção partidária, que adiou para 2012 as eleições internas previstas para este ano, ela tem mencionado que a reforma política deveria acabar com a exclusividade de candidaturas pelos partidos.
Foi o que ocorreu no sábado em São Paulo, durante um discurso sobre os problemas que enfrenta com a direção do PV, no poder há 12 anos. Disse que está cada vez mais difícil atrair bons quadros para os partidos que existem hoje, uma vez que seus dirigentes se preocupam apenas em ganhar eleições, em vez de discutir propostas políticas para o País.
Em entrevista à imprensa, Marina disse que graças à sua militância suprapartidária, como ambientalista, conhece diferentes segmentos da sociedade e bons analistas da realidade brasileira, capazes de dar boas contribuições à política. Muitos deles, porém, "não querem saber de partido, por causa de toda a degradação que foi acontecendo no sistema político".
A candidatura avulsa, segundo Marina, abriria uma alternativa de contribuição para essas pessoas. "Se a proposta for aprovada na reforma política, ela vai contribuir para o processo democrático, trazer sangue novo, oxigenar a política brasileira."
Fonte: Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo

Em dois dias, visita da presidenta à China rende negociações de 20 acordos

Em apenas dois dias, a visita da presidente Dilma Rousseff à China já rendeu negociações de aproximadamente 20 acordos no valor total de US$ 1 bilhão. A informação é do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.

Como exemplos, Pimentel mencionou o investimento de US$ 300 milhões na cidade de Barreiras, na Bahia, para implantar uma fábrica de processamento de soja. Segundo ele, também foram negociados investimentos no valor de US$ 300 milhões em uma planta de produção de equipamentos de informação em Goiás.
Para o diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimento do Itamaraty, Norton Rapesta, a nova posição do Brasil começou a surtir efeito. De acordo com ele, é possível começar a perceber uma mudança de postura por parte da China.

''A presidenta deu um recado claro e objetivo. E a gente já começa a ver uma mudança de postura da China. Já manifestaram a disposição, por exemplo, de identificar novos setores de investimento no Brasil'', afirmou Rapesta.

O desafio de Dilma e da equipe brasileira na viagem é conseguir diversificar as exportações brasileiras. Um dos primeiros resultados foi obtido por meio do Ministério da Agricultura. Nesta segunda-feira (11/4), o ministério confirmou que o governo da China autorizou três frigoríficos brasileiros a exportar carne de porco para o mercado chinês.

Também foi anunciado que a empresa chinesa Huawei vai investir cerca de US$ 300 milhões na construção de um centro de pesquisa e desenvolvimento em Campinas, no interior de São Paulo. Ontem, a visita da presidenta começou com o anúncio de um possível acordo que pode evitar o fechamento da fábrica da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) em Harbin, um dos pontos mais polêmicos da relação entre os dois países. A fábrica corria o risco de ficar ociosa e fechar as portas em breve.

Ainda nesta terça-feira (12/4), após um seminário com empresários, Dilma se reunirá com o presidente chinês, Hu Jintao, no Grande Palácio do Povo. Nesta quarta-feira (13/4), ela conversa com o presidente da Assembleia Popular Nacional, Wu Bangguo, e com o premiê chinês, Wen Jiabao. “A China adotou a estratégia de absorver, recriar e recompor”, disse o vice-ministro da Ciência e Tecnologia, Cao Jianlin.(Agência Brasil)

PPS vai ao STF tentar barrar troca-troca para o partido de Kassab

O PSD nem mesmo foi formalmente criado e já enfrenta sua primeira ação na Justiça. Na tentativa de barrar a migração de políticos para o partido recém-criado por Gilberto Kassab, o Partido Popular Socialista (PPS) entrará, nesta terça-feira, com Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF).

A legenda vai questionar uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), editada em 2007, que permite a saída de um filiado de um partido para a criação de uma nova legenda.

O PPS defende que, ao sair de uma legenda para criar outra, o político está cometendo infidelidade partidária, e que neste caso o mandato pertence ao partido. ''A resolução que diz que o filiado pode sair para formar novo partido é equivocada.

Ela está tornando letra morta a decisão do Supremo em garantir que o mandato é do partido'', observa o presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP). Ele afirma ainda que a criação do PSD está
''servindo como uma janela do adesismo e da traição''.

O PPS defende que a resolução do TSE bate de frente com o princípio da fidelidade partidária e constitui uma janela para o troca-troca partidário. A ação vai ser enviada ao Supremo um dia antes da fundação oficial do PSD, em Brasília, prevista para esta quarta-feira.
Entenda

A resolução 22.610, do TSE, regulamenta o princípio de fidelidade partidária. Segundo a norma, os mandatos pertencem aos partidos políticos, portanto, o político que muda de partido durante sua legislatura deve perder o mandato.

Entretanto, a resolução prevê excessões em quatro casos específicos: no caso de fusão ou incorporação de partidos, quando o programa partidário sobre alterações, quando há discriminação pessoal do político por parte da legenda ou se houver a criação de novo partido, como é o caso do PSD.

Fonte: Luisa Brasil - VB

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Quem é a oposição mesmo?

Schopenhauer no seu modo de insultar dizia que “quem quiser me superar poderá fazê-lo na largura, mas não na profundidade”, num tempo em que ao seu modo de pensar criara adversários que nos dias de hoje poderia perder seu posto. Isso é profundo quando se trata de analisar 08 anos e mais de 100 dias de um mesmo projeto em andamento de Brasil. Parece que a oposição perdeu o rumo das coisas e somente tem mecanismos para superar o que está colocado na ordem do dia da política na largura e dificilmente poderá cabalar a profundidade.

Na última semana ficou comprovado o adágio popular de que somente se estabelece quem tem competência na política no Brasil. O Governo do Lula criou condições e premissas tão profundas, que a oposição a Dilma não consegue reunir as armas necessárias ao bom combate. Aécio Neves no auge da sua competência comprovada conseguiu aproximar todos os holofotes para sua pessoa, num discurso que poderia representar os interesses políticos da oposição, mas não conseguiu ainda arregimentar soldados e oficiais para o campo dessa batalha que deve permear os meandros da política no próximo período.

Enquanto a tropa de choque de Dilma alinhada na retaguarda, nos francos e na vanguarda, avança montanha acima e montanha abaixo, destroçando fortalezas construídas ao longo dos anos pelas velhas raposas que deram certo no passado muito recente, os soldados da oposição parecem que estão gordos e lentos e não conseguem passar além da ciumeira e das intrigas internas dos partidos. Enquanto as brigas por direções partidárias e as defecções e perdas que estão a acontecer para o novo partido de Kassab, atingem em cheio o projeto que poderia ser coordenado por Aécio, a frase de Schopenhauer parece que carregada de veneno faz mais sentido.

O que é de fato uma oposição política? Em algumas situações históricas ela serve de colírio para os olhos da própria democracia. E em outras apenas para atrapalhar o que pode está dando certo num determinado período da história. Sem oposição um Governo poderá não enxergar seus erros, bem como o povo não ver os fatos como realmente eles são. Mas oposição feita por apenas um indivíduo pode ser chamada de oposição?

Genaldo de Melo

Líbia: uma guerra com nome e sobrenome

Um médico que cura só os amigos e não os inimigos é um participante na guerra ou um cúmplice. Uma organização que protege os civis só de um lado e não os do outro não é humanitária, mas sim beligerante. De modo que não há nada de histórico na Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU. Histórica teria sido uma resolução para proteger os civis em todas as guerras, incluindo uma zona de exclusão aérea sobre Gaza, Bahrein, Paquistão e Afeganistão. O que está ocorrendo agora na Líbia é uma intervenção na qual se apoia uma parte contra a outra. Isso tem um só nome: guerra.
Washington (IPS) – Fiquei profundamente impressionado quando era um menino de 11 anos ao ver que meu pai, que era médico, operava dia e noite para salvar as vidas de soldados alemães que tinham ocupado meu país, a Noruega. Eles tinham ficado gravemente feridos por um torpedo que alcançou seu navio quando tentavam desembarcar. Meu pai dizia que o dever supremo de um médico é o de salvar vidas, sem fazer distinção alguma.

Um médico que cura só os amigos e não os inimigos é um participante na guerra ou um cúmplice. Uma organização que protege os civis só de um lado e não os do outro não é humanitária, mas sim beligerante. De modo que não há nada de histórico na Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU. Histórica teria sido uma resolução para proteger os civis em todas as guerras, incluindo uma zona de exclusão aérea sobre Gaza, Bahrein, Paquistão e Afeganistão. Mas no mesmo no dia em que se aprovou a resolução 1973, em 17 de março de 2011, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi tema de manchetes de primeira página ao matar civis no Afeganistão, o que, pelo visto, é uma rotina diária.

O que está ocorrendo agora na Líbia é uma intervenção na qual se apoia uma parte contra a outra. Isso tem um só nome: guerra.

É verdade, o presidente Barack Obama é mais multilateral que George W. Bush. Mas o problema não é quanto são os que decidem, mas sim o que decidem. Também é verdade que a resolução do Conselho de Segurança excluiu a previsão feita por Fidel Castro em 21 de fevereiro de que a OTAN iria ocupar a Líbia.

A maioria e a não aplicação do veto foram claras. Mas o trio anglo-estadunidense-francês representa menos de 500 milhões de pessoas, enquanto que os cinco países que se abstiveram – Brasil, Rússia, China, Índia e Alemanha – constituem quase a metade da humanidade.

Quem ganhar o apoio dos países islâmicos dirigirá o mundo e a OTAN agora está em guerra com quatro deles. O fato de os Estados Unidos colocarem-se em um segundo plano é facilmente explicável. O país está na bancarrota e quer compartilhar os custos econômicos, militares e, sobretudo, políticos. Há objeções no Congresso estadunidense sobre o tema e alguns temem que possa se converter em um atoleiro pior que o do Afeganistão.

Certamente, ninguém deveria ficar simplesmente olhando um regime reprimir seu próprio povo, como fez Kadafi. Todo outro tipo de medida deveria ter sido usada, incluindo a derrubada de aviões por meio de mísseis transportados por navios de guerra. Mas como alguém disse ironicamente na Rádio Nacional Pública dos Estados Unidos “presidente Obama lançou mais mísseis de cruzeiro que todos os outros ganhadores do Prêmio Nobel da Paz juntos” e esses projéteis atingiram todo tipo de alvos existentes, quer estivessem voando, circulando em veículos terrestres ou caminhando.

Um precedente é a ação da OTAN contra a Sérvia, na qual foram usados “todos os meios necessários”, mas sem um mandato do Conselho de Segurança da ONU. Como na Líbia, na Sérvia e no Kosovo o Ocidente fez sua propaganda habitual. O inimigo é reduzido a uma pessoa a odiar, ou seja, a receita usada por Orwell em seu livro “1984”. Milosevic, Hussein, Osama bin Laden e agora Kadafi. Esse trabalho preparatório foi feito também contra Fidel Castro e Hugo Chávez, até agora sem ações posteriores. É um paradoxo que o Ocidente, que produziu a ideia de um contrato social que o povo pode reconsiderar – Rousseau contra Hobbes – concentre-se tanto em uma só pessoa e tão pouco no povo.

Mas as metas na Sérvia eram claras: bombardear as empresas estatais, não as privatizadas, abrir caminho às corporações transnacionais para o controle dos recursos naturais, conseguir instalar essa enorme base militar chamada Camp Bondsteel e apoiar um chamado exército de libertação (UCK) que ostentava antecedentes recorde em matéria horrores. As armas usadas contra a Sérvia incluíram bombas de fragmentação e urânio empobrecido, que é radioativo e causa câncer nesta e nas futuras gerações.

Não sabemos se isso se aplica na guerra contra a Líbia. Não está claro quem são os rebeldes, ainda que não haja dúvida de que se opõem, com razão, fortemente à ditadura de Kadafi. Mas o que é que eles querem mesmo? Supostamente permitirão os investimentos estrangeiros diretos no petróleo e a instalação de uma ou duas bases militares, tanto por gratidão quanto para solidificar a vitória. E os Estados Unidos teriam então, finalmente, o que têm buscado há longo tempo: uma base da OTAN na África.

Na Líbia, talvez haja milhões de pessoas que não gostam de Kadafi, mas há também aqueles que, em troca, gostam muito de algumas de suas realizações. O Ocidente corre o risco de se converter em vítima de sua própria doutrina de “um país, uma pessoa” e cometer mais um duradouro e trágico crime contra a humanidade.
Johan Galtung (professor de Estudos sobre a Paz, e reitor de Transcend, uma organização que promove a paz, o desenvolvimento e o meio ambiente)

Dilma, 100 dias: oposição admite estar perdida com o novo governo

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) conclamou semana passada, da tribuna do Senado, toda a oposição a se unir para promover um “choque de realidade” no país. A tarefa se revela ambiciosa diante do estado em que se encontram os principais partidos oposicionistas, PSDB e DEM.

Mais do que superar crises internas e o distanciamento entre eles, tucanos e “demos” avaliam que precisam renovar não só o discurso, mas a forma de agir. O diagnóstico é que o estilo discreto e cauteloso da presidente Dilma Rousseff desarmou a oposição. Após três meses de gestão, líderes de PSDB e DEM concluíram que a fórmula usada pela oposição no governo Lula não surtirá efeito com a sua sucessora.

Com o ex-presidente, as duas legendas se acostumaram a fazer uma oposição mais reativa do que ativa, surfando basicamente nos discursos polêmicos de Lula. Ele tinha uma agenda de eventos intensa, aparecendo em público quase diariamente, o que propiciava aos oposicionistas pautas suficientes para fazer o enfrentamento com o governo.

Com Dilma, a fonte secou. As poucas aparições públicas e os discursos comedidos e sem improviso, que estão virando a marca da presidente, reduziram a voz da oposição. Tida como um trator quando ministra, Dilma não mudou a essência de seu estilo. Mas a dura campanha presidencial e a vitória nas urnas, com a formação de uma base aliada ainda maior que a de Lula, lhe deram uma combinação de traquejo e segurança política.

Poucos nomes no meio político, sobretudo na oposição, imaginavam que Dilma seria capaz de demonstrar tal desenvoltura — pelo menos tão cedo. “Ela adotou discrição, o que dificulta o trabalho da oposição e funciona como uma blindagem para a presidente. O Lula dava mais ganchos para a oposição”, reconhece o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).

“Lula era 24 horas por dia no palanque. Já a Dilma tem um perfil menos eleitoreiro, o que faz com que esse embate da oposição com o governo tenha que mudar de características”, reforça o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA).

O presidente do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), também avalia que a atuação de Dilma — “mais discreta, reservada, que não se vulgariza, e não apela para a demagogia” — tem atrapalhado a atuação da oposição. Segundo Guerra, PSDB e DEM não estão esfacelados, mas diminuídos. “Agora temos que lidar com uma presidente que fala pouco. O Lula adubava nosso discurso.”

A ordem é fiscalizar
A preocupação da oposição é encontrar uma nova fórmula para recuperar espaço. Por ora, o entendimento, unânime, é que o caminho para sobreviver será fazer um trabalho sério de fiscalização do governo. Na tribuna do Senado, quarta-feira passada, esse foi um dos chamamentos de Aécio.

“Em relação ao governo, temos como obrigações básicas: fiscalizar com rigor, apontar o descumprimento de compromissos com a população, denunciar desvios, erros e omissões e cobrar ações que sejam realmente importantes para o país”, discursou o mineiro.

É nesse contexto que o DEM prevê lançar na próxima terça-feira, na liderança do partido na Câmara, um “promessômetro” da gestão Dilma. O painel mostrará as promessas feitas na campanha eleitoral e em que pé está a sua execução.

A iniciativa é inspirada no “impostômetro” de São Paulo, que mede a carga tributária e, alimenta os discursos da oposição. “A fiscalização mais rigorosa das ações do governo é o caminho para não deixar que esse estilo da Dilma amarre a oposição”, resume Álvaro Dias.

O passo adiante
Para o deputado federal Rui Falcão (PT-SP), a mudança no governo Dilma é tênue, mas existe. Segue uma linha de continuidade com alterações de rota, do mesmo modo que o segundo mandato de Lula não foi igual ao primeiro.

Depois da expansão do Bolsa Família como “vetor” de distribuição de renda e de aquecimento do mercado interno, o passo agora é o da erradicação da pobreza extrema, anunciada por Dilma em seu discurso de posse; de um programa de “água para todos” (saneamento básico) ao estilo do Luz para Todos, e da redução das desigualdades de gênero, com políticas públicas voltadas para as mulheres, após a primazia do combate às desigualdades regionais e sociais na era Lula.(Vermelho)

PT vive inquietação com saída temporária de Dutra

Há oito anos e 100 dias no poder, o PT passa por um drama complexo. Do ponto de vista político, o horizonte é calmo, com a popularidade da presidente Dilma Rousseff alta para o início de governo. O clima interno do partido, no entanto, não é tranquilo. De licença desde 22 de março, quando teve uma crise de hipertensão, José Eduardo Dutra (SE), presidente do partido, solicitou mais um período de afastamento - até a Semana Santa.
Como o assunto é tratado com muito cuidado dentro do PT e entre os amigos próximos de Dutra, as especulações são muitas.
Amigos, como o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PC do B), e o deputado Márcio Macêdo (PT-SE), que têm mantido contato com Dutra, afirmam que ele teve um estresse fortíssimo por causa da sobrecarga de trabalho. E que eles mesmos o aconselharam "a dar um tempo" até se recuperar. "Eu sugeri que ele desligasse o telefone, porque um político gasta parte de sua vida e de suas energias ao telefone", contou Déda.
O fato é que, com a ausência de Dutra, três movimentos estão em curso nos bastidores do PT. "A maioria tem confiança de que Dutra voltará ao comando do partido", afirmou o deputado André Vargas (PR), secretário de Comunicação. O grupo Mensagem ao Partido, que conta com o governador do RS, Tarso Genro, procura levar o secretário-geral, Elói Pietá, para o cargo de Dutra.(AE)

Água na fervura da disputa por cargos no segundo escalão do governo

Na tentativa de amansar o ímpeto da base aliada por vagas no segundo escalão, Dilma optou por adiar a definição dos titulares de estatais.

Logo nos primeiros dias de governo, a anunciada disputa por cargos entre PT e PMDB teve o ápice com a sucessão na Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Quase 100 dias depois do embate entre o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o líder peemedebista na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), a fundação continua em compasso de espera, sem definição e sob o comando incerto de Faustino Barbosa Filho.

Pelo menos outras oito estatais desperdiçaram os últimos 100 dias submersas pela falta de definição do Palácio do Planalto quanto aos cargos de direção. Em alguns casos, estiveram quase à deriva.

O Banco da Amazônia (Basa) e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) permanecem sob gestão praticamente interina. Há oito anos no BNB, Roberto Smith tenta seguir à frente da instituição, mas deve ser substituído por Miguel Cícero Lima, indicação do PT do Ceará. No Basa, a diretoria atual segue em banho-maria — embora uma troca geral já tenha sido acenada pelo Ministério da Fazenda.

Da mesma forma, companhias energéticas como a Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), a Eletrosul Centrais Elétricas e a Eletronorte continuam com as diretorias antigas, mesmo com indicativos fortes de mudanças.

Em 100 dias, nomes foram especulados para as três centrais, mas em nenhuma houve dança das cadeiras. Mesmo com o apagão em vários estados no início do ano, a Chesf continua presidida por Dilton Oliveira, indicação do PSB, feita pelo governador pernambucano, Eduardo Campos.

O cargo era cobiçado pelo secretário de Recursos Hídricos do estado, João Bosco Almeida, mas a troca não-efetivada. No restante da diretoria, compartilhada por PT e PMDB, não houve alteração.

Na Eletrosul, a tendência é de que Eurides Mescolotto permaneça no posto. A Presidência da companhia chegou a “pular de mãos” — o atual secretário executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Cláudio Vignatti, chegou a ser cotado. Com a acomodação dos principais nomes petistas de Santa Catarina na Esplanada, a disputa pela posição esfriou, mas segue em aberto.

Na Eletronorte, a Presidência era vista como prêmio de consolação para José Antônio Muniz Lopes, que perdeu o comando da Eletrobrás. Indicado por José Sarney (PMDB-AP), no entanto, ele permaneceu na diretoria de transmissão da estatal, dando sobrevida, ao menos temporária, a Josias Mattos de Araújo.

“Imexível”

Somente agora, 100 dias depois de a presidente Dilma Rousseff subir a rampa do Planalto e assinar a nomeação dos ministros, a situação das estatais ganha contornos. As principais pendências estão nos setores financeiro e energético. Tida inicialmente como “imexível”, a Caixa assistiu à troca de Maria Fernanda Coelho por Jorge Hereda.

Pelo menos uma vice, a de gestão de pessoas, permanece vaga. No Banco do Brasil, Ademir Bendini permaneceu na Presidência, mas alguns subordinados foram substituídos para dar lugar a indicações políticas, como o ex-senador Osmar Dias (PDT-PR), agora titular da Vice-Presidência de agronegócio.

Fonte: Ivan Iunes / Tiago Pariz -VB

Em seu primeiro desafio pós-eleitoral, PSDB aprofunda racha em São Paulo

Tucanos elegem secretário de Alckmin para comandar diretório paulistano do partido, mas vereadores, que em 2008 apoiaram Kassab, novamente impõem resistência ao grupo do governador; resultado aumenta divisão no campo contrário ao PT

Menos de seis meses após uma eleição presidencial marcada pela divisão do partido, o PSDB, principal sigla de oposição ao governo federal, deu neste domingo, 10, novas mostras de que não consegue se unir em torno de um projeto. Na capital de São Paulo, os tucanos fracassaram na tentativa de eleger uma chapa de consenso para comandar sua instância municipal e, assim, iniciaram divididos a caminhada pela sucessão do prefeito Gilberto Kassab.
O secretário estadual Julio Semeghini (Gestão Pública), com apoio do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi eleito para comandar o Diretório Municipal do PSDB, porém sem o apoio da bancada de vereadores da capital, considerada fundamental para o eventual sucesso de uma candidatura tucana a prefeito por conta de sua inserção nas áreas mais populosas da cidade.
A bancada não aceitou os termos do acordo proposto pelo grupo de secretários ligados a Alckmin para a composição da Executiva e decidiu abandonar o processo de votação, realizado ontem na Câmara Municipal de São Paulo. Os vereadores queriam ficar com a secretaria-geral do PSDB paulistano, cargo logo abaixo da presidência na hierarquia partidária e com alto poder deliberativo. Não conseguiram.
"Acho que o resultado final foi muito ruim porque os vereadores são a base do partido", afirmou Floriano Pesaro, um dos tucanos mais influentes da Câmara por conta de sua ligação com o ex-governador de São Paulo José Serra e com o atual, Alckmin. (Julia Duailibi-AE)

Marina ameaça ficar fora de palanques do PV

A ex-senadora Marina Silva (PV-AC) não está disposta a subir em palanques em 2012, para ajudar a eleger vereadores e prefeitos verdes, se o seu partido não realizar neste ano um processo interno de abertura democrática. Terceira colocada na eleição presidencial, com 19,6 milhões de votos, ela acha que não seria coerente retomar o discurso da campanha presidencial, que enfatizava uma nova forma de fazer política, comprometida com a ética e a sustentabilidade, se dentro de casa ela não encontra isso.
"Quero falar para a sociedade sobre coisas que estamos praticando. Não posso falar de uma nova fórmula política se dentro do PV temos uma velha fórmula, se a discussão é cerceada, se as pessoas não podem sequer se manifestar", disse ela no sábado à tarde, em São Paulo, ao participar de um encontro da militância verde, organizado pelo movimento Transição Democrática.
Ontem, no Rio, ele se encontrou com Fernando Gabeira e outros dirigentes estaduais do partido para discutir a questão da nova fórmula de fazer política. Segundo suas explicações, foi possível falar dessa fórmula na campanha presidencial porque havia recebido a promessa, da direção do partido, de que seriam realizadas mudanças em toda sua estrutura, com a realização de debates, convenções e eleições internas, tão logo findasse a corrida presidencial. "Na época era inteiramente coerente", disse. "Agora não é mais".(AE)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Na Câmara, propostas ampliam possibilidades de porte de arma

De 17 projetos na Comissão de Segurança, 11 ampliam uso de armas. Em toda a Câmara dos Deputados, tramitam 126 projetos sobre o tema.

Propostas de lei em andamento na Câmara dos Deputados ampliam as possibilidades de porte de arma no país. Somente na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Casa, das 17 propostas em andamento, 11 sugerem conceder porte de armas a categorias hoje proibidas por lei, como agentes de trânsito, por exemplo.
Em toda a Câmara dos Deputados, tramitam 126 projetos de lei que tratam do porte de arma.
Na avaliação de deputados e especialistas que atuam na área de segurança ouvidos pelo G1, a ampliação do porte de arma é prejudicial porque aumenta os riscos de desvio das armas para atividades criminosas, como a registrada nesta quinta-feira (7) no Rio, quando um jovem armado entrou numa escola, matou 12 crianças e depois se suicidou.
O Estatuto do Desarmamento, criado pela lei 10.826 de 2003, restringiu as possibilidades de porte de arma no Brasil. Estabeleceu ainda prazo, que já venceu, para recadastramento de armas lícitas. Algumas propostas na Câmara pedem a reabertura desse prazo.
No fim de fevereiro, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, chegou a afirmar que o governo federal estudava fazer uma nova campanha de desarmamento em breve.
Na Comissão de Segurança da Câmara, os 11 projetos alteram o Estatuto do Desarmamento e pedem ampliação do porte de arma para integrantes de entidades representativas de esportes de arma de fogo, para agentes de segurança do Ministério Público, agentes penitenciários fora do expediente, colecionadores, integrantes de entidades científicas, guardas municipais (independentemente do tamanho da cidade) e agentes de trânsito. Outro projeto autoriza policiais estaduais a terem arma de calibre restrito.
Todos os projetos da comissão tiveram relatores designados e aguardam pareceres para serem levados à votação.
O presidente da comissão, deputado Mendonça Prado (DEM-SE), afirma que a ampliação do porte de arma preocupa em razão da dificuldade de controle.
"Para mim, a discussão não é armamento ou desarmamento. A discussão é se o Estado é eficiente para controlar as armas legais e combater o uso das armas ilegais. A preocupação reside na ineficiência de as instituições controlarem", diz.
O coronel da reserva José Vicente da Silva, ex-secretário nacional de Segurança Pública, disse que um levantamento na Polícia do Rio de Janeiro mostra que 17% das armas apreendidas de criminosos estavam registradas em nome de profissionais da vigilância privada.
"Quanto mais armas se liberam para circular na rua, mais armas virão parar em mãos indevidas. Já temos o problema de polícia mal preparada. É necessário haver restrição. Observamos que a maior parte das armas que vão parar na mão dos criminosos nasceram legais e se tornaram ilegais", afirmou Silva.
Para o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência Urbana na Câmara dos Deputados, encerrada no fim do ano passado, situações como a registrada no Rio poderiam ter respostas mais rápidas caso o controle de armas fosse integrado no Brasil.
"Existem no Brasil dois sistemas de rastreamento que não se interligam. Um deles é o Sinarme, no qual o cidadão comum registra as armas. Mas as armas adquiridas por policiais são cadastradas no Sigma, do Exército. Policiais têm cotas para comprar armas a cada cinco anos, e essas armas se perdem ou são roubadas. E o Exército demora mais a passar as informações. Não tem sentido isso não ser unificado", disse Pimenta, que sugeriu a integração dos sistemas no relatório final da CPI.
Segundo ele, ao que tudo indica, o atirador do Rio pode ter utilizado arma de fabricação nacional, desviada de policiais.
"Pelo que vi em imagens, parece arma de profissional. Para coibir isso tem que ter um sistema confiável de controle. O aumento das possibilidades de porte de arma pode facilitar o que ocorreu no Rio", afirmou o deputado.
Conforme a polícia, o homem que matou alunos no Rio portava dois revólveres calibre 38 e equipamento para recarregar rapidamente a arma. Esse tipo de revólver tem capacidade para seis balas.

Segurança das escolas

Mendonça Prado, da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, disse que a Câmara precisa analisar a situação com cautela e observar "as lacunas de ordem jurídica que permitem que fatos como esse ocorram".
"Atualmente, na lei, não há nada que obrigue o ente federativo ou município a construir uma escola visando elementos de segurança", afirmou Prado, para quem deve haver uma lei nacional que defina os padrões de segurança pública nas escolas. Ele afirma, porém, que esses padrões devem ser discutidos com especialistas.

O caso

Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrou na manhã desta quinta (7) na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, e atirou contra alunos em salas de aula. Depois de matar 11 crianças, ele foi atingido por um policial e se suicidou.
Segundo autoridades, Oliveira é ex-aluno e, como era conhecido na escola, entrou sob o argumento de que que iria fazer uma palestra. A polícia diz que ele portava dois revólveres calibre 38.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ele falou com uma professora e seguiu para uma sala de aula. O sargento Márcio Alves, da Polícia Militar, fazia uma blitz perto da escola e diz foi chamado por um aluno baleado.
"Seguimos para a escola. Eu cheguei, já estavam ocorrendo os tiros, e, no segundo andar, eu encontrei o meliante saindo de uma sala. Ele apontou a arma em minha direção, foi baleado, caiu na escada e, em seguida, cometeu suicídio", disse o policial.
A escola foi isolada, e os feridos foram levados para hospitais. Os casos mais graves foram levados para o hospital estadual Albert Schweitzer, que fica no mesmo bairro o colégio.
O corpo de Wellington foi retirado por volta das 12h20, segundo os bombeiros. De acordo com a polícia, Wellington não tinha antecedentes criminais.(Mariana Oliveira - G1)

EUA, Finlândia e Alemanha tiveram casos de tiroteios em escola

Homem abriu fogo em escola em Realengo, no Rio, nesta quinta. Conheça outros casos pelo mundo.
 
Na manhã desta quinta-feira (7), um homem entrou numa escola do Rio de Janeiro e abriu fogo, matando 11 crianças. O atirador também morreu. Confira outros casos parecidos ocorridos no mundo:

Alemanha

Quinze pessoas - nove alunos, três professoras e três pedestres - de um colégio de Winnenden, perto de Stuttgart (sudoeste) morreram vítimas dos tiros de um ex-aluno, em março de 2009. O atirador, Tim Kretschmer, de 17 anos, suicidou-se em seguida. A polícia disse que o assassino se submeteu a tratamento para depressão por cinco meses.

Finlândia

Em setembro de 2008, Matti Juhani Saari, vestido de preto e usando óculos de esqui, entrou armado na Escola de Hotelaria de Kauhajoki e matou dez pessoas. A seguir, ele atirou em si mesmo e morreu mais tarde no hospital. Uma semana antes, ele havia sido interrogado pela polícia, depois de ter colocado um vídeo na internet em que aparecia atirando. Ele tinha 22 anos e estudava para ser chef de cozinha.
O caso ocorreu um ano após outro parecido no país, quando um adolescente atirou contra seus colegas e matou oito pessoas antes de atirar contra a própria cabeça, na cidade de Tuusula. Pekka-Eric Auvinen, autor do tiroteio, havia completado 18 anos em junho e cursava seu último ano de Filosofia e História nesse colégio de ensino médio.

Virgínia Tech

O estudante sul-coreano Seung-Hui Cho levou apenas nove minutos para disparar mais de 170 tiros e matar 32 pessoas, entre colegas e funcionários da universidade Virginia Tech, nos EUA, em abril de 2007. A polícia e a universidade foram criticadas pela demora em avisar os frequentadores do campus de que havia um atirador à solta, no que foi o pior ataque a tiros em escola da história americana.

Columbine

Na tarde de 20 de abril de 1999, os estudantes Eric Harris e Dylan Klebold detonaram bombas caseiras e abriram fogo no colégio Columbine, no subúrbio de Denver, Colorado (EUA), matando 13 pessoas (12 estudantes e um professor) e ferindo 23 outras antes de cometerem suicídio. Enquanto atiravam, eles riam e gritavam.
Harris e Klebold planejaram por meses detonar as bombas dentro da cafeteria do colégio na hora do almoço e depois atirar nos sobreviventes, segundo mostrou uma investigação policial. A maioria de suas bombas falhou, mas eles atiraram do mesmo jeito, matando pessoas deliberadamente dentro e fora da escola. (G1)

Bahia: Wagner lança Pelegrino como candidato do PT

 
Na tentiva de dar fim às muitas polêmicas instaladas em torno de quem será o candidato do PT para a Prefeitura de Salvador em 2012, o governador Jaques Wagner afirmou que, no que depender dele, o deputado Nelson Pelegrino será o candidato natural do partido para o embate.

A afirmação que movimentou o meio político baiano se deu em entrevista ao programa Que Venha o Povo ontem, após o apresentador Casemiro Neto questionar de que maneira o chefe do Executivo baiano pretendia "aparar as arestas" entre os prováveis candidatos, leia-se o senador Walter Pinheiro e Pelegrino, que nos últimos dias não têm economizado nas trocas de farpas quando o assunto é a sucessão municipal. Pelegrino, que não esconde de ninguém o desejo de ocupar o Palácio Thomé de Souza, sem dúvida, deve estar rindo à toa.

O governador minimizou, no entanto, as declarações de Pinheiro à Tribuna, que acabaram por surpreender até mesmo alas petistas. Wagner disse acreditar que o que o senador disse sobre as eleições foi no sentido de mostrar que o partido não irá impor um candidato. Vale lembrar, Pinheiro, em entrevista exclusiva a este jornal, ao defender a construção de um nome de consenso para as eleições de 2012, admitiu que esse nome pode ser definido de fora do PT.

"O PT é o maior partido da base do governo, portanto, tem uma tarefa enorme de dar o exemplo para fora, fazendo as coisas por dentro.

É importante que o nome possa ser escolhido num nível de conversa, de identificação, para depois encaixar esse nome, talvez com um de outro partido, senão a gente fica querendo impor um nome nosso aos outros partidos, dizendo que é o nosso que deve disputar 2012. Se a gente se fechar nas prévias para impor um nome aos outros partidos, nós vamos terminar quebrando a cara", disparou na ocasião.

Sobre a ambição do PP em também entrar na disputa, Wagner foi direto: "O PP pode até lançar candidato, mas o PT já tem o do partido". Em relação à reforma administrativa no governo, que irá criar novas pastas e 173 cargos comissionados, o governador fez questão de pontuar que "ele é o governador que menos criou cargos na Bahia. No que diz respeito à hegemonia conquistada no estado, o líder do Executivo disse que "as pessoas entenderam que o nosso caminho é melhor para a Bahia".

Wagner também comentou sobre o discurso que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez em plenário, em que criticou os cem primeiros dias do governo Dilma (Rousseff) e os dois mandatos do presidente Lula. Segundo o governador baiano, o tucano não foi nada criativo e caiu na mesmice ao criticar o PT sem observar o crescimento da sigla. Finalizou sua entrevista ao afirmar que, por este caminho, "Aécio não chegará a lugar nenhum".
Fonte: Fernanda Chagas - TB

Dilma diz que não fará “demagogia fácil” com movimentos sociais

 
Brasília - Ao receber hoje (7) cerca de 450 mulheres, do Movimento de Atingidos por Barragens, no Palácio do Planalto, a presidenta da República, Dilma Rousseff, disse que não faria “demagogia fácil”, com os movimentos sociais.
”Todo governo está atento às reivindicações. Não vou fazer a demagogia fácil de dizer que atenderemos tudo, mas vou fazer a promessa de que escutarei todas e farei todo o possível para aproximar o atendimento do 100%”, disse Dilma.
Na carta, entregue a presidenta pelas mulheres, consta o pedido de imediata suspensão dos trabalhos no Rio Xingu, no Pará.
“Somos um país que tem na energia a hidrelétrica uma das suas riquezas. Agora, é também certo que não pode haver contradição entre o uso da energia hidrelétrica e o interesse das populações, tanto do ponto de vista das condições de trabalho como das questões ambientais”, ponderou a presidenta.
Dilma voltou a citar o massacre ocorrido hoje, pela manhã, na escola, no bairro Realengo, região oeste do Rio de Janeiro.
“Hoje é um dia muito triste para nós. Este é um país que sempre teve uma relação de grande carinho cultural com as crianças. É inadmissível a violência em geral, mas a violência contra crianças é algo que coloca todos nós brasileiros e brasileiras numa situação de grande repúdio e grande sentimento”.
Fonte:  Luciana Lima - AB

Comissão de Reforma Política aprova cota de 50% para mulheres

A comissão de reforma política do Senado encerrou nesta quinta-feira (7) suas atividades ao aprovar a adoção de cotas para mulheres nas eleições. A proposta determina que 50% das vagas nas eleições proporcionais (deputados e vereadores) sejam destinadas às mulheres, com alternância entre um homem e uma mulher nas listas fechadas de candidatos --novo sistema eleitoral aprovado pela comissão.

A lei eleitoral atual diz que 30% das candidaturas proporcionais devem ser ocupadas por mulheres. No entanto, a Justiça Eleitoral flexibilizou a norma por conta da dificuldade dos partidos para cumpri-la.

No modelo das listas, os eleitores passam a votar nos partidos, e não mais nos candidatos.

Cabe às siglas elaborar listas com os nomes de candidatos que vão ocupar as vagas nas eleições proporcionais (deputados e vereadores), agora com a ressalva de que 50% das vagas devem ser destinadas às mulheres.

Se o percentual feminino não for cumprido, a proposta prevê que a lista seja indeferida pela Justiça Eleitoral.

"A Argentina alcançou 40% das vagas preenchidas por mulheres adotando o sistema de lista fechada. A mulher não é política porque a sociedade não lhe dá condições", disse a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM), uma das idealizadoras da proposta.

Os únicos senadores da comissão a votarem contra as cotas foram Itamar Franco (PPS-MG) e Roberto Requião (PMDB-PR), que consideram o modelo "discriminatório".

"Se tem a lista, por que não colocar tudo de mulher? Temos uma presidenta, mas isso já não está satisfazendo, elas querem mais cota", disse Itamar.

Requião disse que a implantação de cotas já restringe a participação feminina na política, o que por si só é um modelo de discriminação. "O sistema de cotas é altamente discriminatório. Por que 50% e não 80% [de mulheres na chapa]? Por que não poderíamos ter uma chapa integralmente de mulheres, se fosse esse o caso? Quero me posicionar contra a demagogia das cotas", disse.

"Acho que o grande problema chama-se recrutamento. Muitas vezes não se consegue preencher a cota mínima de 30% por gênero. E quase sempre é a mulher que não se inscreve para se candidatar", disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que apesar de sua declaração votou favoravelmente ao sistema de cotas.

Para a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), no entanto, não será difícil para os partidos encontrarem mulheres capacitadas para assumirem cargos eletivos na proporção estabelecida pelas cotas. "Se você levar em conta que hoje a mulher está mais ativa, mais destacada pela competência, na lista fechada você pode colocar ali muitas mulheres qualificadas. Não vejo demagogia".

Referendo

Além das cotas, a comissão aprovou a realização de referendo (consulta popular) para questionar a população sobre o sistema eleitoral de listas fechadas aprovado pelos senadores.

Se o plenário do Senado e a Câmara mantiverem o referendo, ele será realizado depois da conclusão da votação da reforma política no Congresso para que a população dê o aval para o novo sistema.

"Eu sou contra consultas populares, mas no caso do sistema eleitoral eu defendo porque até os especialistas têm dificuldades em explicar como é o seu funcionamento", disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Já o PT condenou a consulta. Para lideranças do partido, esta é uma forma dos setores conservadores tentarem barrar o avanço da reforma política. "A gente percebe uma articulação da oposição para reverter posteriormente o que aqui foi aprovado", disse a senadora Ana Rita Esgário (PT-ES).

O senador Wellington Dias (PT-PI) considerou uma verdadeira apelação a proposta do referendo para o sistema proporcional com lista fechada. "É como que, não conformados, depois de três escrutínios, não aceitar a maioria que optou pelo sistema proporcional com lista fechada", criticou.

Em quase um mês de trabalhos, a comissão aprovou 13 pontos que modificam o sistema político brasileiro.

As propostas serão encaminhadas na semana que vem para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Em seguida, seguem para análise da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e dos plenários do Senado e da Câmara --que paralelamente também discute outra proposta de reforma política para o país.

Veja quais propostas foram votadas pela Comissão de Reforma Política do Senado:

1. Mudança na data da posse de presidente, governadores e prefeitos: a partir de 2014, a posse de prefeitos e governadores seria no dia 10 de janeiro. A posse do presidente seria no dia 15 de janeiro.

2. Suplência de senador: os senadores indiciariam apenas um suplente, que não poderia ser seu parente. O suplente só poderia assumir o cargo em caso de saída temporária. Em caso de afastamento permanente, seria feita nova eleição

3. Candidatura avulsa: nas eleições para prefeitos e vereadores, políticos sem partido poderiam se candidatar

4. Financiamento público: o financiamento das campanhas eleitorais seria feito exclusivamente com dinheiro público

5. Voto em lista fechada nas eleições proporcionais: Cada partido formularia uma lista com os nomes dos seus candidatos, em ordem de prioridade

6. Fim da reeleição: Mandato de cinco anos para prefeitos, governadores e presidente, sem possibilidade de reeleição

7. Fim das coligaões: Fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais

8. Cota para mulheres: Cota de 50% de candidatura para mulheres nas eleições municipais.

9. Referendo: consulta popular sobre a mudança para lista fechada, um dos pontos mais polêmicos da proposta de reforma

10. Fidelidade partidária: mantém-se o entendimento de que o mandato pertence ao partido, e não ao político

11. Voto: o voto continua sendo obrigatório

12.Federação de partidos: foi rejeitada a proposta que permitia aos partidos formarem federações com a duração de, no mínimo, três anos
Fonte: Vermelho

Lista fechada nas eleições proporcionais opõe tucanos e petistas

Na guerra contra o PT para evitar a aprovação da lista fechada nas eleições proporcionais, o PSDB se movimenta a fim de aprovar no Congresso a convocação de um referendo e derrubar a intenção do governo em alterar o sistema eleitoral. Os tucanos apostam que a população rejeitará o modelo de voto com lista de postulantes definida pelos partidos, pois o brasileiro teria preferência em votar em candidatos e não em legendas, e o formato defendido pela base governista resultaria em uma eleição "sem povo".

Na última reunião da Comissão de Reforma Política do Senado, o PSDB conseguiu avançar na intenção. Por 12 x 5, os parlamentares aprovaram a convocação de referendo para que os eleitores decidam se o sistema eleitoral deve ficar como está ou passar por mudanças. Assim, apesar de o PT ter aprovado dispositivo que determina a instituição das listas fechadas no texto da reforma, caberá à população dar a palavra final. As decisões da comissão ainda dependem de aprovação na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário do Senado e da Câmara. Os deputados, aliás, discutem paralelamente outra proposta de reforma política.
Na tentativa de enfrentar a pressão dos petistas — que lutam pelo sistema de listas fechadas e pelo financiamento público de campanha — o PSDB decidiu se unir para que pontos da reforma tornem-se bandeiras do partido. Ontem, os tucanos promoveram seminário para debater a posição da legenda sobre os temas em discussão no Congresso. O presidente da sigla, deputado Sérgio Guerra (PE), afirmou que após o fim das discussões na Comissão de Reforma Política o PSDB promoverá reunião da executiva para discutir pontos de consenso.

Os tucanos pretendem levar temas como o voto distrital, o fim das coligações e a manutenção das listas abertas para o horário de televisão reservado ao partido, com a finalidade de atingir a população que votará no referendo. "Encerrado o trabalho da comissão, vamos eleger dentro das propostas quatro ou três itens que possam unir o partido. Serão teses do ponto de vista partidário, para colocar no programa", afirmou o senador Aécio Neves (PSDB-MG), após o seminário.

Carência
José Serra (PSDB-SP) pontuou que a luta envolvendo mudanças no sistema eleitoral não é uma disputa "governo e oposição", mas um "corte" do PT. O ex-governador de São Paulo defendeu o voto distrital em municípios com mais de 200 mil habitantes nas eleições de 2012. Aécio, no entanto, aponta a necessidade de um período de carência para que as novas regras vigorem. "Defendo a carência de uma eleição." O presidente da Comissão de Reforma Política, senador Francisco Dornelles (PP-RJ), apresentará sumário executivo com os temas aprovados para o grupo ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). A partir dos itens será elaborado o texto que será votado na CCJ e seguirá a plenário.

Na lista de itens do sumário executivo estará uma mudança aprovada ontem pela comissão que institui cotas de 50% para mulheres na lista de candidatos da eleição proporcional. Atualmente, a Justiça Eleitoral estipula que as chapas sejam compostas de 30% de candidatos do sexo feminino. As parlamentares que compõem a comissão comemoraram a aprovação. "A Argentina alcançou 40% das vagas preenchidas por mulheres adotando o sistema de lista fechada. A mulher não é política porque a sociedade não lhe dá condições", disse a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB – AM), uma das idealizadoras da proposta.

Outros senadores, contudo, ressaltaram a dificuldade de encontrar interessadas em concorrer e ressaltaram que muitas vezes os partidos recorrem a "candidatas laranja" para preencher a chapa. Os únicos da comissão a votarem contra as cotas foram Itamar Franco (PPS-MG) e Roberto Requião (PMDB-PR), que consideram o modelo "discriminatório".


ENTENDA O CASO

O glossário da reforma

Lista aberta
Atualmente, os partidos recebem candidaturas de filiados para as eleições proporcionais. As legendas não indicam ao eleitor qual é o melhor e os postulantes concorrem internamente e com candidatos de outras chapas. O eleitor escolhe o candidato para quem dará seu voto em uma "lista aberta".

Lista fechada
O partido definirá quem serão seus representantes na eleição proporcional. Na discussão da reforma, os parlamentares ainda não definiram critérios para a escolha dos filiados de uma legenda para compor a "lista fechada". Nesse sistema, o eleitor vota em uma espécie de pacote fechado de candidatos. Ao escolher um postulante, premia todos os outros que compõem a lista.

Cláusula de barreira
Para existir, um partido precisa comprovar que tem representação nacional. A atuação é medida pelo número de votos que a legenda conquista durante as eleições proporcionais federais. Mesmo as legendas nanicas precisam alcançar 5% do total de votos em pelo menos nove estados. O Congresso analisa proposta para tornar a cláusula mais rígida.

Financiamento público de campanha
Em vez de os candidatos e as legendas recorrerem à iniciativa privada para formar caixa de campanha, a União faria aporte no fundo partidário para que a disputa fosse bancada com dinheiro público. O objetivo é reduzir a influência do poder econômico nas eleições.

Voto distrital
O modelo é proposto para corrigir distorções que a distribuição populacional nas regiões do país provoca na eleição proporcional. Em vez de considerar o total de eleitores do país, estado ou cidade, as cadeiras em disputa seriam distribuídas em "distritos eleitorais", calculados para ter número equivalente de eleitores.

Fim das coligações
As legendas não poderão mais se coligar para aumentar o tempo de televisão. Parlamentares argumentam que a prática lesa o eleitor, pois muitas vezes candidatos com poucos votos que fazem parte de uma grande legenda conseguem se eleger "puxados" por votos alheios.
Fonte: Josie Jeronimo - CB