sexta-feira, 11 de março de 2011

Serra Preta realiza evento em homenagem ao Dia da Mulher

No último dia 08 de março o Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Serra Preta comemorou na comunidade de Curral do Morro, o Dia Internacional das Mulheres, com a realização do Seminário de Desenvolvimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais. Da atividade participaram cerca de 300 trabalhadoras rurais de diversas comunidades do Município. Presentes estiveram o presidente da FETAG-BA, Claúdio Bastos, Rozete Evangelista, assessora regional desta entidade, Genaldo de Melo, representando a CTB-Bahia, Noido Gomes, da APLB-Sindicato, Felipe Vieira, vereador do PRB de Anguera, Edmilson Azevedo, vereador do PT de Serra Preta e Braquistone Magno, presidente do PCdoB de Serra Preta. O evento foi coordenado por Ademir Duarte, presidente do Sindicato local. Para Claúdio Bastos “um evento de mulheres em Serra Preta, como este, consolida o papel do Sindicato na defesa da mulher perante a sociedade local e demonstra a sua capacidade de representação política”.

Genaldo de Melo
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A FETAG-BA realiza mutirão de planejamento no Oeste da Bahia

A FETAG-BA entre os dias 28 de fevereiro e 03 de março deste ano, através das Delegacias Sindicais do Oeste e de Barreiras, numa parceria com a CTB-Bahia, realizou um mutirão itinerante de assessoria no processo de planejamento anual nos Sindicatos de Trabalhadores/as Rurais dos municípios de Sítio do Mato, Paratinga e Cristopólis. A assessoria dos eventos foi feita por Genaldo de Melo, assessor de ambas as entidades de caráter estadual, com a colaboração de Marcondes Saraiva, assessor regional da FETAG-BA e Vereador do PCdoB do município de Santana.

No município de Sítio do Mato, o Seminário foi coordenado pelo presidente do Sindicato local, Luciano de Sítio do Mato. Em Paratinga o evento foi coordenado por Gerson Francisco, que dirige a entidade; e em Cristopólis, a atividade foi organizada e coordenada por Ademildes Costa, presidente da instituição local.

Em todas as atividades locais, os eventos contaram com a participação do conjunto de dirigentes sindicais, com o compromisso de melhorar a gestão tanto das entidades sindicais, como melhorar as ações e o trabalho de base, de forma planejada e com foco nos resultados para cumprirem a missão dos sindicatos de trabalhadores/as rurais.

Para o presidente da FETAG-BA, Cláudio Bastos,"durante todo esse período de trabalho, pela primeira vez os STTR's da região Oeste compreenderam a importância de planejar suas ações de modo estratégico, como a FETAG-BA vem fazendo nos últimos anos". As atividades foram ações específicas em busca de melhores resultados do trabalho sindical nos municípios e nos Espaços Menos Densamente Povoados, resultado de preocupações da FETAG-BA e da CTB-Bahia.

Genaldo de Melo

Ministério de Dilma é proporcional, mas PT ocupa quase 50%

A proporcionalidade do ministério Dilma ocorre apesar da chamada "tendência monopolista" do PT. O comportamento da legenda é confirmado pelos números. Comparado a outros partidos presidenciais, o PT é o que mais ocupa ministérios. Enquanto no primeiro gabinete de Sarney, o PMDB estava 17% sobrerrepresentado em relação aos parceiros, e o PSDB esteve 40%, no primeiro ministério de FHC, o PT, no governo Dilma, está 77% acima de uma situação de igualdade em relação as siglas que compõem a base.

O PMDB reclamou, o PSB não ficou muito contente, mas o primeiro ministério da presidente Dilma Rousseff é tão proporcional ao peso das bancadas dos partidos aliados na Câmara dos Deputados quanto foi o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Esse é o resultado dos cálculos feitos, a pedido do Valor, pelo cientista político Octavio Amorim, da Escola de Pós-Graduação em Economia, da Fundação Getúlio Vargas do Rio.

O índice de proporcionalidade do ministério Dilma - 0,61 - é exatamente o mesmo da média dos quatro gabinetes formados por Lula em seu segundo mandato. Cada gabinete representa uma formação ministerial, marcada pela inclusão ou saída de um partido do governo.

A distribuição mais ou menos equânime de ministérios entre os parceiros da coalizão é tida como um dos principais indicadores de governabilidade, ao lado do tamanho da base parlamentar aliada.

Entre janeiro e abril de 1992, ano de seu impeachment, Fernando Collor de Mello tinha um ministério cujo índice de proporcionalidade era de 0,30. Associado à falta de sustentação parlamentar - Collor contava com o apoio de apenas 26,3% da Câmara - isso refletia um presidente isolado, vulnerável, cercado de ministros sem filiação partidária e mais propenso a ser derrubado. "O governo Collor não era apenas minoritário, mas também muito mal constituído. Não à toa as consequências foram desastrosas", afirma Amorim.

Dilma, além de contar com ampla base parlamentar saída das urnas, maior que a obtida por Lula, seguiu o padrão forjado pelo antecessor, depois de erros e acertos. Em relação ao último gabinete de Lula, cuja taxa foi de 0,56, o ministério de Dilma é até um pouco mais proporcional - um aumento considerado normal e cíclico, como ressalta Amorim.

Desde a redemocratização, as duas maiores quedas de proporcionalidade estão relacionadas a fins de governo em que o presidente não teve direito a um novo mandato. Foi o caso de Itamar Franco e de Fernando Henrique Cardoso.

É o "fim de festa", quando cada partido está buscando seu caminho diante das possibilidades de realinhamento numa nova eleição.

A alta popularidade de Lula, no entanto, criou uma exceção. Diante da perspectiva de um governo de continuidade, com Dilma Rousseff, a queda foi muito menos acentuada. Enquanto a diferença entre o penúltimo (0,60) e o último (0,56) gabinetes de Lula foi de apenas 0,04, o de Itamar Franco foi de 0,26 (com a saída do PTB) e o de Fernando Henrique registrou 0,31. O então PFL, maior aliado do PSDB, abandonou o governo tucano, num cisma que já antecipava as dificuldades dos parceiros em permanecer no poder.

Collor é outra exceção, pois inverteu, duplamente, os movimentos mais comuns. A proporcionalidade de seu ministério começou em queda acentuada em relação à de Sarney e terminou em ascensão. Era uma tentativa desesperada e tardia - ao atrair PSDB, PTB e PL - de consertar a montagem de seu governo.

Para Amorim, a formação do ministério de Dilma foi bem feita. "O governo foi bem montado, nada indica que haverá riscos. Ele é muito parecido com o segundo gabinete de Lula. Faz sentido, pois é um governo de continuidade", afirma.

A proporcionalidade do ministério Dilma ocorre apesar da chamada "tendência monopolista" do PT. O comportamento da legenda é confirmado pelos números. Comparado a outros partidos presidenciais, o PT é o que mais ocupa ministérios. Enquanto no primeiro gabinete de Sarney, o PMDB estava 17% sobrerrepresentado em relação aos parceiros, e o PSDB esteve 40%, no primeiro ministério de FHC, o PT, no governo Dilma, está 77% acima de uma situação de igualdade em relação ao peso das siglas que compõem a base.

A bancada do PT na Câmara, de 88 deputados, corresponde a 27% da base aliada de 326 parlamentares, mas o partido ocupa 48% dos 37 ministérios. O PMDB contribui com 24%, mas detém 17% das pastas.

Amorim afirma que a maior presença do PT no governo reflete alguns traços característicos do partido, como a existência de várias facções que precisam ser atendidas e o fato de ser uma organização muito forte, disciplinada, e que tem presença também fora do Congresso, com vários tentáculos na sociedade civil - no sindicalismo, nos movimentos sociais, no funcionalismo, entre os intelectuais, na igreja etc.

A tendência monopolista do PT, contudo, tem sido posta à prova desde a chegada do partido ao poder em 2003. Em janeiro de 2004, Lula - depois de ter se recusado a seguir, após a vitória na eleição, a sugestão de seu futuro chefe da Casa Civil, José Dirceu - resolveu finalmente incluir o PMDB no governo, o que marcou o início de seu segundo gabinete.

Mas "trouxe mal" os pemedebistas para a coalizão, lembra o cientista político. Ao oferecer ao PMDB apenas dois ministérios, Lula gerou mais insatisfação do que contentamento ao novo parceiro. Ciente de seu peso para o sucesso do governo, o PMDB passou a cobrar pelo apoio e a reivindicar ainda mais espaço.

Geralmente, além da indicação de ministros, as moedas mais utilizadas em troca de apoio são as emendas parlamentares e os cargos de segundo e terceiro escalões. Ou mesmo pagamentos em espécie.

Estaria aí uma das explicações para a origem do escândalo do mensalão. Resistente em ceder ministérios, Lula teria trocado a estratégia de negociar o apoio no atacado e foi para o pior lado do varejo.

"Jamais saberemos o que foi exatamente o mensalão. As informações não são sólidas. Mas o descontentamento da base tem a ver indiretamente com o episódio", diz Amorim. Só depois do escândalo, Lula rendeu-se à cartilha de FHC, ou ao "livro-texto do presidencialismo de coalizão", segundo expressão cunhada pelo cientista político inglês Timothy Power. Fernando Henrique, além de ter costurado uma base ampla, a contentou com uma distribuição proporcional, cujo índice, de 0,70, no primeiro gabinete do segundo mandato, é o maior até hoje.

Amorim reconhece que o indicador de proporcionalidade tem limitações pois se baseia apenas no número de ministérios e não na importância deles. Mas argumenta que a adoção de outro critério, como o orçamento, também não captaria o peso de pastas como Casa Civil e Relações Exteriores, que formam a linha de frente do governo, mas têm baixa dotação orçamentária.

O pesquisador considera que a boa distribuição de ministérios aos aliados é uma questão prioritária. Talvez mais que a formação de coalizões supermajoritárias, que se transformaram numa obsessão. Governos minoritários, em sua opinião, não deveriam ser descartados.

"É uma experiência que vale a pena ser tentada. Há quem defenda que Lula não deveria ter chamado o PMDB, em 2004. Poderia ter continuado sem uma maioria folgada no Parlamento. Negociaria ponto a ponto com a oposição, em bases programáticas, como fez na reforma da Previdência, em 2003", diz.

Uma das evidências de que problemas de governabilidade são inevitáveis - formando-se ou não um ampla base de apoio - é que, hoje, o centro gravitacional do conflito teria se deslocado dos embates entre oposição e o governo para confrontos no interior da base.

Não é à toa, lembra Amorim, que a indisciplina do PDT - numa votação do salário mínimo em que o governo venceu por boa margem - tenha recebido mais atenção do Palácio do Planalto do que os movimentos da enfraquecida oposição.

Fonte: Valor Econômico

Políticos iniciam briga por 2012

Apesar de faltar mais de um ano para as eleições municipais, cresce o interesse dos políticos de variadas agremiações baianas pela disputa da prefeitura da terceira maior capital do país. Além dos petistas,
peemedebistas, democratas, socialistas, comunistas e verdes que já demonstraram publicamente a cobiça pelo Palácio Thomé de Souza, o PR, do ex-senador César Borges, já confirmou que pode ser mais um partido a entrar na briga por 2012, tendo como possíveis postulantes os deputados federais Maurício Trindade e João Carlos Bacelar.

No cordão dos pretendentes ainda é cogitado para a disputa o nome da primeira-dama do Estado, Fátima Mendonça, filiada ao PV, que não tem autorização judicial para integrar a corrida. O certo é que, passada a folia de Momo, os partidos já começam a pensar nas estratégias eleitorais para o próximo ano. Muitos pré-candidatos já sinalizaram muita disposição para discutir o assunto. O PT, por exemplo, já tem debatido a questão em mesa-redonda com os partidos que formam a aliança no estado.
Na ala do PR, o recado já foi dado pelo deputado estadual Elmar Nascimento, membro da executiva do partido na Bahia. Questionado a respeito do assunto, o deputado Maurício Trindade não descartou.
 “A eleição ainda está muito longe, mas pensamos sobre isso”, confirmou. O parlamentar atribui o “terceiro maior tempo de televisão” e o fato de “ter um trabalho forte nas comunidades carentes da capital baiana” como argumentos que fortalecem o partido para a disputa.
Outros nomes têm sido ratificados na disputa pelo Palácio Thomé de Souza. O vice-prefeito, Edvaldo Brito (PTB), que tem se distanciado politicamente do prefeito João Henrique (PP), já constrói o próprio caminho a fim de entrar no páreo. Ele teria aproveitado a folia para usar de sua performance mais popular entre os foliões.
Na ala do PCdoB, o assunto também tem sido discutido. A vereadora Olívia Santana, que no Carnaval chegou a ser sondada sobre o assunto, confessou que o tema eleições 2012 tem sido questão de interesse dentro do partido. “Mas estou fora.
 Serei candidata a vereadora. Nesse debate interno, os nomes mais citados são do próprio Daniel Almeida (deputado federal) e o da deputada (federal) Alice Portugal”, afirmou.
Entre os peemedebistas, a disputa por 2012 deve ser uma das prioridades no debate interno deste ano. Citados como supostos prefeituráveis aparecem o ex-ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, o ex-secretário Fábio Mota e o deputado estadual Alan Sanches.
No DEM, os nomes mais citados são o do ex-deputado José Carlos Aleluia e do deputado federal ACM Neto. Entretanto, consta que Neto estaria a articular uma união com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), de olho nas eleições presidenciais de 2014.

PP desconversa sobre sucessão

O ingresso do prefeito João Henrique no PP provocou especulações em torno de um protagonismo da sigla para o próximo pleito, tendo o novo chefe da Casa Civil, João Leão, como o mais citado. No entanto, comandantes do partido negam o fato. “Ninguém está entrando nessa seara. A premissa não é  disputar.
Queremos é contribuir com a administração da cidade”, descartou o secretário geral, Jabes Ribeiro. Já o PT tem liderado uma frente de conversas entre os partidos que compõem a aliança com o governo, já com o olhar nas eleições.
Segundo o presidente Jonas Paulo, o foco é “construir um só projeto” em pelo menos 20 municípios com cerca de 50 mil habitantes. Entre os pré-candidatos aparecem o deputado federal Nelson Pellegrino e o senador Walter Pinheiro. (lilian Machado -TB)

Ato marca filiação de João Henrique ao PP

Enquanto a maioria dos partidos rascunha as eleições de 2012, o prefeito João Henrique traça agora um novo caminho político-administrativo no ninho que oficialmente irá abrigá-lo a partir do próximo sábado.
O ato que marcará a filiação do alcaide ao PP, do ministro das Cidades, Mário Negromonte, acontece a partir das 10h, no auditório do Hotel Mercure, Rua Fonte do Boi, no Rio Vermelho. A previsão é de que o evento seja concorrido, com a presença de deputados estaduais, federais, prefeitos e autoridades do partido.
Ontem, o secretário geral do partido, Jabes Ribeiro, disse que o clima é de mobilização para o evento. “Estamos convidando todos os nossos companheiros a estarem presentes e evidentemente também aqueles que integram os partidos da base aliada ao governo estadual, na medida em que entendemos que se trata da filiação do prefeito de uma grande capital”, destacou.
Segundo ele, o PP ingressa na administração municipal com o objetivo somente de contribuir e melhorar a situação da cidade. O membro da executiva estadual também fez questão de lembrar que o ingresso do prefeito não foi feito de forma isolada. (LM)

Maioria no PSB apoia fusão com novo partido de Kassab

A maioria dos deputados e senadores do PSB apoia a fusão do partido com a nova legenda que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pretende criar. A Folha ouviu 32 dos 34 congressistas da sigla e 29 deles, ou 90%, defendem a fusão rápida ou veem com simpatia a ideia. Apenas três são contrários.
O principal argumento dos favoráveis é que a articulação fortalecerá o PSB e dará mais condições para que o presidente nacional da sigla, o governador Eduardo Campos (PE), dispute a Presidência da República. “É muito importante a vinda dele [Kassab]. A gente vai se estruturar mais na região Sudeste”, afirma o deputado Gonzaga Patriota (PE). “Nenhum partido sobrevive sem ambição de poder”, diz Ribamar Alves (MA).
Dos 29 favoráveis, 21 defendem abertamente a ida de Kassab para o PSB. Outros oito congressistas, mesmo declarando estarem em “dúvida”, demonstram simpatia ao democrata. “O que eu posso dizer é que um prefeito da cidade do porte de São Paulo amplia qualquer partido”, afirma a senadora Lídice da Mata (BA).
A diferença de identidade entre Kassab, hoje em um partido de direita (DEM), e o PSB, um partido com ideais socialistas, é a principal preocupação dos três parlamentares que são contra a fusão. A ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina ameaça, inclusive, deixar o partido caso a ideia se concretize.
“Pela incompatibilidade, incoerência que isso representaria. Eu seria uma estranha no ninho”, explica. Favorável à ida do prefeito para o PSB, o senador Rodrigo Rollemberg (DF) minimiza a diferença entre as bandeiras partidárias. “Os eleitores do Brasil hoje são de centro. O importante é se o político é bom administrador, não se o partido é de direita ou de esquerda.” (TB)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Manuela d'Ávila não vê mistério nas polêmicas sobre direitos humanos

A gaúcha Manuela d’Ávila é a primeira comunista a assumir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Credenciada por uma reeleição com quase meio milhão de votos e, pela segunda vez seguida, sendo a deputada mais votada do Rio Grande do Sul, a parlamentar terá assuntos polêmicos para administrar, incluindo projetos relacionados aos direitos dos homossexuais e à instalação da Comissão da Verdade, que investigará crimes da época em que o Brasil vivia sob o comando dos militares.

Além disso, receberá questões ligadas ao Plano Nacional de Direitos Humanos, um dos principais alvos de críticas durante a campanha presidencial da então candidata Dilma Rousseff.

O comando da comissão, no entanto, não é o único desafio que Manuela terá de enfrentar. Workaholic assumida, a integrante do PCdoB lidera a Frente da Liberdade da Internet, comanda a bancada gaúcha na Casa e, mesmo afirmando que a prioridade são as atividades parlamentares, aspira ocupar a cadeira de prefeita de Porto Alegre nas eleições municipais do próximo ano.

“Sou uma mulher comum, que tem sonhos, como qualquer outra pessoa. Mas não entrei na política por um objetivo pessoal. Desde que disputei a prefeitura, em 2008, desenvolvi um sentimento forte de ajudar o estado lá, em questões regionais, mas vivo um momento de cada vez. Agora, sou deputada federal”, afirma a jovem de 29 anos, apontada, desde o primeiro mandato, como musa do Congresso. O assunto, porém, tira Manuela do sério. A atuação na legislatura passada e a corroboração dos eleitores nas urnas conferem à gaúcha status de uma das deputadas mais influentes da Casa.

Em entrevista ao Correio Braziliense, ela fala sobre a estratégia para garantir uma tramitação menos complicada a projetos polêmicos, sobre a dificuldade em discutir determinados assuntos no Congresso e sobre a relação entre o grande volume de trabalho e os planos futuros.

Correio Braziliense: A senhora vai presidir uma das comissões mais complicadas desta legislatura.Manuela d´Ávila: Por que complicada?

Correio Braziliense: Porque há temas espinhosos lá. O deputado Jean Wyllys (PSol-RJ) falou sobre o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que garante o direito dos homossexuais ao casamento civil. A presidente Dilma Rousseff já mostrou que fará força para que a Comissão da Verdade seja aprovada. Há ainda o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH). Não são temas polêmicos?MA: Primeiro, temos de separar o que são polêmicas de um grupo pequeno de parlamentares e polêmicas na sociedade. Por exemplo, o tema da união civil entre homossexuais estabelece uma polêmica com um setor da Câmara que é legitimamente organizado. No entanto, esse grupo não dialoga com a maior parte da população brasileira, que, na minha opinião, não é homofóbica. Tenho convicção de que, se consultarmos cada um dos 513 deputados, a maioria se posicionará favorável ou dirá que não vê problema em duas pessoas do mesmo sexo viverem juntas. Então, qual é a dimensão real dessa polêmica? Alguns grupos ou pessoas ganham destaque maior do que realmente têm, de fato, aqui na Câmara e passam uma imagem de que a Casa é mais conservadora do que é de fato.

Correio Braziliense: Mas vários desses temas entraram na pauta das últimas eleições, inclusive na campanha da então candidata Dilma Rousseff, e muitos políticos recuaram ou deram uma amenizada no discurso. A senhora acha que será fácil discutir esses projetos com parlamentares?MA: Só acho que temos de saber exatamente qual é a real dimensão da polêmica, mesmo na sociedade. Quando alguns grupos organizados de alguns segmentos se posicionaram fortemente contra os direitos dos homossexuais na campanha, a sociedade brasileira reagiu. Por isso, não julgo o nosso povo tão conservador como esse segmento. Isso não significa que essa parte mais conservadora não tenha uma dimensão, um peso aqui dentro do Congresso.

Correio Braziliense: Quais serão suas estratégias, então, para que esses projetos tenham trâmites menos complicados?
MA: Acho que teremos dificuldades porque as regras no Congresso permitem que minorias obstruam o trâmite. Embora não caiba só a mim, como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, a estratégia é envolver a sociedade. Precisamos fazer com que o povo entenda o que estamos discutindo. Não dá para só um segmento minoritário organizado mobilizar as bases contra determinados temas. A sociedade também precisa perceber e se mobilizar. Essa é a única estratégia que pode fazer avançar temas como os que envolvem relações homossexuais.

Correio Braziliense: Há outros projetos que a senhora imagina que vão causar tanta olêmica como os que tratam dos direitos dos homossexuais e dos crimes cometidos na época da ditadura?MA: Esses dois assuntos, realmente, devem ser os mais polêmicos. Há também o Plano Nacional de Direitos Humanos, mas que deve chegar em forma de projetos fatiados.

Correio Braziliense: A senhora presidirá a Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara, lidera a bancada gaúcha de deputados, integra outras frentes e tem planos de concorrer à prefeitura de Porto Alegre. Dá tempo de fazer tudo isso?MA: Mas o que é tudo isso? Eu coordeno a bancada de deputados do meu estado até maio. É uma dinâmica de trabalho bem enxuta porque não é um órgão, é algo que acontece de acordo com a demanda concreta. Em relação às frentes, abri mão e dividi com outros colegas várias frentes que presidi. A dos Esportes deve ser comandada pelo deputado Acelino Popó. A Frente pela Libertação Sexual o Jean Wyllys assumiu. Então, justamente por achar que é impossível fazer tudo e dar conta de tudo, já dividi esse trabalho. A frente que estou construindo é a da Liberdade da Internet. Se dá tempo? Acho que dá. Quando temos dedicação intensa ao trabalho, como tenho, acho que sim. Se é ideal? Não é. Mas, na vida, batemos escanteio e corremos para cabecear a bola.

Correio Braziliense: E 2012?
MA: Bom, 2012 é 2012. Não estou envolvida nisso agora. Estou envolvida no meu trabalho parlamentar, que, até maio, é coordenar a bancada gaúcha e, até o fim do ano, presidir a comissão. Felizmente, um ano acontece de cada vez.

Fonte: Correio Braziliense

Dalai Lama anuncia que abandonará funções políticas

AFP
Líder tibetano anunciou que transmitirá funções a uma pessoa eleita
O líder espiritual do Tibete, Dalai Lama, anunciou nesta quinta-feira que abandonará suas responsabilidades políticas à frente do governo tibetano no exílio, que ficarão a cargo de um político eleito.
Durante pronunciamento que marcou os 52 anos do levante do Tibete contra a China, o líder espiritual anunciou que dará início ao processo de deixar suas funções políticas em uma sessão do Parlamento tibetano no exílio, que começa na próxima segunda-feira.
No final da próxima semana, o Parlamento elegerá um novo primeiro-ministro. O governo tibetano no exílio tem sede na cidade de Dharamsala, no norte da Índia.
"Desde os anos 1960, eu tenho repetidamente afirmado que os tibetanos precisam de um líder, eleito livremente pelo povo tibetano, para quem eu possa transmitir o poder", disse o Dalai Lama.
"Agora, nós claramente chegamos à época para colocar isto em prática", afirmou.
O Dalai Lama negou que, com esta decisão, esteja se esquivando de responsabilidade, ou que esteja desanimado com a luta pela independência do Tibete. Segundo ele, a medida visa "beneficiar os tibetanos no longo prazo".
"Os tibetanos depositaram tanta fé e confiança em mim que, como um deles, eu estou comprometido em representar o meu papel na justa causa do Tibete", afirmou.

Campanha pela autonomia

Nascido em 1935, o 14º Dalai Lama foi considerado a reencarnação de Buda com apenas dois anos de idade, tendo sido entronado em 1940.
Vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1989, o Dalai Lama viaja pelo mundo defendendo a autonomia do Tibete, que é controlado pela China sob o status de “região autônoma”.
Uma porta-voz do Ministério do Exterior chinês afirmou que o anúncio visa "enganar a comunidade internacional". A China, que não reconhece o governo tibetano exilado, considera o líder tibetano um militante separatista.
O repórter da BBC em Nova Déli Mark Dummett afirma que o anúncio do Dalai Lama não é uma grande surpresa. Segundo ele, o líder espiritual vem gradualmente transferindo poder ao governo tibetano no exílio.
Dummett afirma que a tarefa de substituir o Dalai Lama em suas funções políticas não será tarefa fácil, já que nenhuma outra figura pública da região chegou perto de ter uma autoridade semelhante à do líder espiritual.
Fonte: BBC Brasil

Genoíno nomeado para assessorar Jobim

Foi publicada nesta quinta-feira, 10, no Diário Oficial da União, a nomeação do ex-deputado do PT, José Genoino, para o cargo de assessor especial do ministro da Defesa, Nelson Jobim. Genoino, que não se reelegeu em outubro passado, é ex-guerrilheiro do PCdoB no Araguaia, e um dos réus na ação do Supremo Tribunal Federal, que investiga o esquema do Mensalão.

Genoino recebe atualmente R$ 20.300 como aposentadoria por sua atuação parlamentar. A remuneração do DAS-5, função para a qual foi nomeado, é de R$ 8.988. A soma dos dois valores chega a R$ 29.288 – que sofrerá um corte pelo teto. Assim, Genoino receberá R$ 26.723,13. (AE)

As mulheres não são homens

A cultura patriarcal tem uma dimensão particularmente perversa: a de criar a ideia na opinião pública que as mulheres são oprimidas e, como tal, vítimas indefesas e silenciosas. Este estereótipo torna possível ignorar ou desvalorizar as lutas de resistência e a capacidade de inovação política das mulheres.

No passado dia 8 de março celebrou-se o Dia Internacional da
Mulher. Os dias ou anos internacionais não são, em geral, celebrações.
São, pelo contrário, modos de assinalar que há pouco para celebrar e
muito para denunciar e transformar. Não há natureza humana assexuada;
há homens e mulheres. Falar de natureza humana sem falar na diferença
sexual é ocultar que a “metade” das mulheres vale menos que a dos
homens. Sob formas que variam consoante o tempo e o lugar, as
mulheres têm sido consideradas como seres cuja humanidade é
problemática (mais perigosa ou menos capaz) quando comparada com a
dos homens. À dominação sexual que este preconceito gera chamamos
patriarcado e ao senso comum que o alimenta e reproduz, cultura
patriarcal.

A persistência histórica desta cultura é tão forte que mesmo
nas regiões do mundo em que ela foi oficialmente superada pela
consagração constitucional da igualdade sexual, as práticas quotidianas
das instituições e das relações sociais continuam a reproduzir o
preconceito e a desigualdade. Ser feminista hoje significa reconhecer que
tal discriminação existe e é injusta e desejar activamente que ela seja
eliminada. Nas actuais condições históricas, falar de natureza humana
como se ela fosse sexualmente indiferente, seja no plano filosófico seja no
plano político, é pactuar com o patriarcado.

A cultura patriarcal vem de longe e atravessa tanto a cultura
ocidental como as culturas africanas, indígenas e islâmicas. Para
Aristóteles, a mulher é um homem mutilado e para São Tomás de Aquino,
sendo o homem o elemento activo da procriação, o nascimento de uma
mulher é sinal da debilidade do procriador. Esta cultura, ancorada por
vezes em textos sagrados (Bíblia e Corão), tem estado sempre ao serviço
da economia política dominante que, nos tempos modernos, tem sido o
capitalismo e o colonialismo. Em Three Guineas (1938), em resposta a um pedido de apoio financeiro para o esforço de guerra, Virginia Woolf
recusa, lembrando a secundarização das mulheres na nação, e afirma
provocatoriamente: “Como mulher, não tenho país. Como mulher, não
quero ter país. Como mulher, o meu país é o mundo inteiro”.

Durante a ditadura portuguesa, as Novas Cartas Portuguesas publicadas em 1972 por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, denunciavam o patriarcado como parte da estrutura fascista que
sustentava a guerra colonial em África. "Angola é nossa" era o correlato de
"as mulheres são nossas (de nós, homens)" e no sexo delas se defendia a
honra deles. O livro foi imediatamente apreendido porque justamente
percebido como um libelo contra a guerra colonial e as autoras só não
foram julgadas porque entretanto ocorreu a Revolução dos Cravos em 25
de Abril de 1974.

A violência que a opressão sexual implica ocorre sob duas formas,
hardcore e softcore. A versão hardcore é o catálogo da vergonha e do
horror do mundo. Em Portugal, morreram 43 mulheres em 2010, vítimas
de violência doméstica. Na Cidade Juarez (México) foram assassinadas nos
últimos anos 427 mulheres, todas jovens e pobres, trabalhadoras nas
fábricas do capitalismo selvagem, as maquiladoras, um crime organizado
hoje conhecido por femicídio. Em vários países de África, continua a
praticar-se a mutilação genital. Na Arábia Saudita, até há pouco, as
mulheres nem sequer tinham certificado de nascimento. No Irão, a vida de
uma mulher vale metade da do homem num acidente de viação; em
tribunal, o testemunho de um homem vale tanto quanto o de duas
mulheres; a mulher pode ser apedrejada até à morte em caso de
adultério, prática, aliás, proibida na maioria dos países de cultura islâmica.

A versão softcore é insidiosa e silenciosa e ocorre no seio das famílias,
instituições e comunidades, não porque as mulheres sejam inferiores mas,
pelo contrário, porque são consideradas superiores no seu espírito de
abnegação e na sua disponibilidade para ajudar em tempos difíceis.
Porque é uma disposição natural. não há sequer que lhes perguntar se
aceitam os encargos ou sob que condições. Em Portugal, por exemplo, os
cortes nas despesas sociais do Estado actualmente em curso vitimizam em
particular as mulheres. As mulheres são as principais provedoras do
cuidado a dependentes (crianças, velhos, doentes, pessoas com
deficiência). Se, com o encerramento dos hospitais psiquiátricos, os
doentes mentais são devolvidos às famílias, o cuidado fica a cargo das
mulheres. A impossibilidade de conciliar o trabalho remunerado com o
trabalho doméstico faz com que Portugal tenha um dos valores mais
baixos de fecundidade do mundo. Cuidar dos vivos torna-se incompatível
com desejar mais vivos.

Mas a cultura patriarcal tem, em certos contextos, uma outra
dimensão particularmente perversa: a de criar a ideia na opinião pública
que as mulheres são oprimidas e, como tal, vítimas indefesas e silenciosas.

Este estereótipo torna possível ignorar ou desvalorizar as lutas de
resistência e a capacidade de inovação política das mulheres. É assim que
se ignora o papel fundamental das mulheres na revolução do Egipto ou na
luta contra a pilhagem da terra na Índia; a acção política das mulheres que
lideram os municípios em tantas pequenas cidades africanas e a sua luta
contra o machismo dos lideres partidários que bloqueiam o acesso das
mulheres ao poder político nacional; a luta incessante e cheia de riscos
pela punição dos criminosos levada a cabo pelas mães das jovens
assassinadas em Cidade Juarez; as conquistas das mulheres indígenas e
islâmicas na luta pela igualdade e pelo respeito da diferença,
transformando por dentro as culturas a que pertencem; as práticas
inovadoras de defesa da agricultura familiar e das sementes tradicionais
das mulheres do Quénia e de tantos outros países de África; a resposta
das mulheres palestinianas quando perguntadas por auto-convencidas
feministas europeias sobre o uso de contraceptivos: “na Palestina, ter
filhos é lutar contra a limpeza étnica que Israel impõe ao nosso povo”. (Boaventura de Souza Santos - Carta Maior)

Esvaziado por carnaval, Congresso só retoma votações na terça

Atividades desta semana se resumem a debates e trabalhos nas comissões. Na próxima semana, comissões da reforma política começam a funcionar.

Deputados durante votação no plenário da Câmara em fevereiro (Foto: Fábio Pozzebom / Agência Brasil)Deputados durante votação no plenário da Câmara
em fevereiro (Foto: Fábio Pozzebom / Ag. Brasil)
 
A semana do carnaval esvaziou o Congresso, e, com isso, as sessões deliberativas do Senado e da Câmara serão retomadas somente na próxima terça (15).

Nestas quinta (10) e sexta (11), as atividades previstas nas duas casas são debates e trabalho de comissões.
No Senado, a pauta da primeira sessão deliberativa após o fim do carnaval prevê a votação do projeto de lei que estabelece um conjunto de punições para os casos de violação de sigilo fiscal de contribuintes cometido por servidor público. O projeto já foi aprovado na Câmara no dia 1º de março.

Segundo o texto aprovado pela Câmara, a pena vale para o servidor que “permitir ou facilitar, mediante atribuição, fornecimento, empréstimo de senha ou qualquer outra forma, acesso de pessoas não autorizadas a informações protegidas por sigilo fiscal”.

Pela norma, o servidor público flagrado cometendo irregularidades pode ser demitido, destituído de cargo em comissão ou até ter cassada a disponibilidade ou aposentadoria.

Na Câmara, não havia, até esta segunda-feira (7), pauta definida para votações no plenário para a semana que se inicia no dia 14.

Reforma política

O Senado inicia na próxima terça (15) a discussão dos temas que vão integrar o futuro projeto de reforma política. No mesmo dia, na Câmara, os deputados empossam os vice-presidentes da comissão que vai analisar as propostas de reforma política. Os deputados definirão ainda o roteiro de trabalho da comissão especial.

O primeiro debate da comissão de reforma política do Senado, marcado para a próxima terça (15), será sobre a suplência de senadores.

Pelas regras atuais, cada senador é eleito com dois suplentes, muitas vezes parentes do candidato e sem qualquer militância política. Atualmente, 10 das 81 vagas do Senado são ocupadas por suplentes.

Os casos previstos para a posse de um suplente são o do afastamento do titular para exercer cargo de ministro, secretário de estado ou de capital ou chefe de missão diplomática temporária, ou para assumir mandato de presidente, governador, prefeito ou vice-prefeito. O suplente também assume a vaga em caso de renúncia, morte ou cassação do titular. (G1)

Tesouro repassará R$ 1,8 bilhão ao FPM nesta quinta-feira

O presidente da CNM esclareceu que foram dois meses de arrecadação atípica. “Agora voltou a normalidade”, segundo ele, e o primeiro repasse deste mês segue a tendência dos primeiros depósitos dos meses de março de 2009 e 2010.


Tesouro repassará R$ 1,8 bilhão ao FPM nesta quinta-feira
Brasília – A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) deve depositar amanhã (10) R$ 1,813 bilhão no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), referente ao primeiro decêndio do mês, conforme anunciou hoje (9) o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski.

Ele disse que o valor é líquido, já descontada a parcela de R$ 453 milhões que vai para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Mesmo assim, o repasse é 25,7% maior que a parcela do primeiro decêndio de março do ano passado.

Ziulkoski ressaltou, porém, que o repasse é 51% menor em relação à transferência referente aos primeiros dez dias de fevereiro. Mas lembrou que janeiro e fevereiro tiveram as melhores arrecadações dos últimos anos, em virtude dos recolhimentos recordes do Imposto de Renda nos meses de dezembro de 2010 e janeiro deste ano.

O presidente da CNM esclareceu que foram dois meses de arrecadação atípica. “Agora voltou a normalidade”, segundo ele, e o primeiro repasse deste mês segue a tendência dos primeiros depósitos dos meses de março de 2009 e 2010.

A previsão da STN, acrescentou, é de um montante de R$ 3,877 bilhões para o FPM em março. Se a estimativa se concretizar, ele calcula que o aumento em relação a março de 2010 ficará em torno de 8%, já descontada a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). (VB)

Dez nomes se mantiveram em todo governo Lula e seguem com Dilma Rousseff

Autarquia federal pertencente à estrutura do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teve três ministros desde que Lula recebeu pela primeira vez a faixa presidencial.


Entra presidente, sai presidente, mudam os ministros e eles continuam no mesmo cargo. Na estrutura do Executivo, há nomes que sobreviveram às reformas do primeiro e do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e ainda figuram na lista de comandantes de pastas e autarquias do governo da presidente Dilma Rousseff.

Na Esplanada dos Ministérios, há pelo menos 10 sobreviventes do primeiro e do segundo escalão que acompanharam Lula na primeira gestão e permanecem firmes e fortes no mesmo cargo. Alguns deles se tornaram intocáveis por conseguir aliar o perfil técnico à blindagem política necessária aos postos.

O presidente do Banco do Nordeste, Roberto Smith, é um exemplo da longevidade que a gestão técnica e a bênção de fortes aliados dos presidentes pode proporcionar. Ele assumiu o banco em fevereiro de 2003 e teve o aval de sua permanência à frente da instituição este ano, depois de indicação dos irmãos Cid e Ciro Gomes — governador do Ceará e ex-ministro da Integração Nacional, respectivamente. Outra intocável dos bancos públicos é Maria Fernanda Ramos Coelho. Funcionária de carreira, preside a Caixa Econômica Federal desde o primeiro mandato de Lula.

Autarquia federal pertencente à estrutura do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teve três ministros desde que Lula recebeu pela primeira vez a faixa presidencial.

O Incra, no entanto, continua com o mesmo presidente há mais de oito anos. Quando Rolf Hackbart tomou posse, Miguel Rosseto era o ministro da pasta. Em 2006, Guilherme Cassel assumiu o comando do ministério, mas Hackbart permaneceu no cargo.

Passados o primeiro e o segundo mandato de Lula, o economista gaúcho permanece à frente do instituto no governo Dilma. Entre os sobreviventes de 2003 também está Eduardo Pereira Nunes, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nunes é funcionário de carreira do IBGE desde 1980 (veja quadro ao lado).

Enem

Na Esplanada montada por Dilma, 15 ministros e funcionários com status de ministro foram herdados do governo Lula. Mas alguns, além de atravessarem as duas gestões do petista, também conservaram o mesmo cargo na montagem ministerial da presidente. Fernando Haddad foi nomeado ministro da Educação em 2005, encerrou o primeiro mandato de Lula na mesma função, conservou o cargo nos quatro anos seguintes e foi mantido no posto pela nova presidente.

Apesar da repercussão negativa da sucessão de erros da pasta na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Haddad integra a lista de intocáveis da herança do ex-presidente Lula. Apesar de não ter perfil eminentemente técnico e não integrar nenhum grupo expressivo do PT de São Paulo, o ministro da Educação é considerado homem de confiança de Lula.

Outro que já adquiriu usucapião da pasta é o ministro do Esporte, Orlando Silva. À frente da instituição desde 2006, após a saída de Agnelo Queiroz — atual governador do Distrito Federal —, o ministro entrou na cota do PCdoB e já enfrentou crises que atingiram diretamente seu nome, como o escândalo do cartão corporativo, mas permaneceu no cargo. Em 2008, Orlando Silva foi acusado de usar o cartão corporativo para pagar indevidamente diárias de hotel e, até mesmo, tapiocas. Um dos mais firmes da lista é Guido Mantega, titular do Ministério da Fazenda desde 2006.

O economista iniciou a gestão Lula como ministro do Planejamento, mas ainda no primeiro mandato do petista foi para a Fazenda e de lá não mais saiu. Nome forte na estrutura do governo, é considerado uma referência de estabilidade para manter a imagem do país junto a investidores estrangeiros.

Na Petrobras, os petistas Sérgio Gabrielli e Guilherme Estrella são nomes considerados imexíveis na estrutura da estatal. Gabrielli iniciou o governo Lula como diretor de Relações com Investidores na empresa de petróleo e ainda no primeiro mandato já presidia a Petrobras.

O petista histórico Guilherme Estrella está no comando da diretoria de Exploração e Produção, uma das maiores da estatal, desde o início do governo Lula.

Entre as “inspiradoras”

A presidente Dilma Rousseff é considerada uma das 100 mulheres mais “inspiradoras” da atualidade. O ranking, elaborado pelo jornal britânico The Guardian, foi publicado em homenagem ao Dia das Mulheres.

As escolhidas estão divididas em categorias e Dilma divide espaço com personalidades como a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e a ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher no grupo político.

Apesar da homenagem à presidente, o jornal pontua que durante a campanha presidencial Dilma se omitiu sobre assuntos relacionados aos direitos das mulheres, como o aborto. A presidente é apresentada na publicação como “uma guerrilheira socialista que resistiu à prisão e à tortura”. Na categoria música, a cantora Lady Gaga integra a lista das 100 mais inspiradoras.

Homenagem

Para marcar presença no Dia Internacional da Mulher, Dilma divulgou nota em que ressalta a importância da Lei Maria da Penha e afirma que o público feminino é uma das vítimas da miséria. “Quanto mais pobre a família, maior a chance de que ela seja chefiada por uma mulher. Estou convencida de que uma política bem-sucedida de eliminação da miséria deve ser focada na mulher e na criança.”

Depois de quatro dias de descanso na Barreira do Inferno, base da Aeronáutica do Rio Grande do Norte, a presidente voltou ontem a Brasília. Dilma passou o feriado de carnaval em companhia da filha Paula e do neto Gabriel. A presidente embarcou ontem carregando um buquê de flores, presente da Federação das Mulheres do Rio Grande do Norte.

Fonte: Josie Jeronimo - VB

PT resiste em fazer parte da base municipal em Salvador

Apesar de o governador Jaques Wagner (PT) ter dado sinais claros de uma possível aliança com o prefeito João Henrique (PP) durante a folia de Momo e dos recados enviados pelo comando do PP, partido da base aliada ao governo estadual, os petistas rechaçam a ideia de ingressarem na administração municipal.
Durante o Carnaval, o novo chefe da Casa Civil, o deputado federal João Leão (PP), assegurou que a sigla tentará conquistar o apoio do PT ao prefeito de Salvador e ainda poderá ceder espaços para o partido dentro da gestão. Entretanto, nem a possibilidade de maior poder dentro do Executivo municipal parece “encher os olhos” dos petistas.
Segundo o presidente do PT baiano, Jonas Paulo, a legenda não tem nenhum interesse na prefeitura.  “A tarefa do PT em Salvador hoje é garantir a estabilidade para que esse governo possa pelo menos cumprir o mandato, mas o nosso principal compromisso agora é o de construir as bases para mudança política na cidade”, enfatizou. Ao rejeitar qualquer movimento de adesão à atual gestão de Salvador, Jonas criticou os métodos da administração, classificada por ele como “esgotada”.
“E que por isso deverá ser substituída nas eleições por um outro projeto popular, democrático e com sintonia com os princípios que orientam o nosso projeto de mudança no plano estadual e federal”, acrescentou. Conforme o dirigente estadual do PT, durante a folia, ele, o líder da bancada baiana, deputado federal, Nelson Pelegrino (PT) e o senador Walter Pinheiro (PT) sentaram-se com o governador Jaques Wagner (PT) e deixaram clara a parceria restritamente institucional com o prefeito.
“Temos sim compromisso com a cidade, como o de acompanhar e direcionar as obras federais e estaduais para que Salvador não seja penalizada, mas quem tem verdadeira responsabilidade com esse governo é quem o integra”, disse como recado direcionado aos progressistas.
Segundo ele, o PT tem cumprido suas intenções de discutir projetos para 2012 com todos os aliados. “Queremos mudança”. Além de Salvador, o partido avança no sentido de pleitear o poder de mais 20 municípios de maior destaque no Estado. “O PT lidera uma coalizão e está conversando com todos os aliados. Queremos construir o máximo de unidade”, frisou.  
   
Na folia de Momo, tanto o presidente do PP, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, quanto o chefe da Casa Civil, que será oficializado na função nos próximos dias, João Leão, exaltaram o interesse de ter o PT mais próximo do Palácio Thomé de Souza.
Conforme Leão, não há pretensão do PP em promover alterações no secretariado municipal para abrigar integrantes da sigla, entretanto haverá lugar para os aliados, em especial o PT: “Nós podemos abrir o secretariado para os partidos da base aliada”, ressaltou.

Marta Rodrigues ratifica posição

Essa possibilidade é também descartada pela presidente do PT municipal, vereadora Marta Rodrigues. “A instância municipal do PT vai ficar onde o povo a colocou nas últimas eleições para prefeito: na oposição. Tivemos a chance de ganhar, chegamos a ir para o segundo turno, com o então deputado Walter Pinheiro, mas o povo escolheu o projeto que já existia, nos colocando automaticamente como grupo opositor ao atual”, disse.
 
Como justificativa de não adesão à base do prefeito, a dirigente do PT municipal lembrou as dificuldades da administração. Segundo ela, “Leão tem o direito de falar o que quiser, mas nós somos oposição. Queremos uma cidade melhor e vamos continuar buscando defender os interesses dos munícipes de Salvador”, enfatizou.  (Lilian Machado-TB)

Dilma chama seis centrais sindicais para conversa


Dilma Rousseff quer saber se o sindicalismo que a apoiou na campanha deseja ajudá-la ou se quer apenas ser um estorvo para atrapalhar o governo dela. Segundo o Josias de Souza, da Folha, depois de moer as centrais sindicais no lufa-lufa do salário mínimo, Dilma convidou-as para conversar.
O encontro ocorrerá nesta sexta (11). Cuida da organização da reunião o ministro petista Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da República). Durante o feriadão de Carnaval, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, dissera que havia sido convidado por Dilma.
Paulinho dera a entender que apenas a sua central iria ao Planalto. Lorota. Dilma mandou chamar meia dúzia de centrais. A de Paulinho quase ficou de fora. Dilma traz o deputado atravessado na traquéia.
Companheiro de partido do ministro Carlos Lupi (Trabalho) Paulinho associou-se à oposição na votação do mínimo de R$ 545. Cogitou-se excluir a Força Sindical da reunião. Aventou-se também a hipótese de condicionar a presença da central à ausência de Paulinho. Como o propósito de Dilma é o de desenvenenar as relações com o sindicalismo, decidiu-se incluir Paulinho no rol dos convidados.
Assim, vão ao Planalto os mandachuvas das seguintes centrais: CUT, Força Sindical, UGT, CGTB, CTB e NCST. O encontro ocorre no instante em que o governo se prepara para arrancar do Congresso o reajuste da tabela do Imposto de Renda em de 4,5%.
No gogó, as centrais querem mais. Pediam 10%. Reduziram para 6,76%. Agora, dependendo da entidade, fala-se em algo entre 5% e 6%. O IR é apenas um dos tópicos que distanciam os sindicalistas do Planalto. As centrais reivindicam também o aumento das aposentadorias acima do salário mínimo. (TB)

Justiça condena Paulinho da Força sindical por improbidade

A Justiça Federal de Ourinhos (SP) condenou o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT), e mais nove pessoas por improbidade administrativa. Segundo denúncia do Ministério Público Federal, eles teriam obtido R$ 3 milhões do Banco da Terra, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, para assentar 72 famílias numa fazenda de 302 hectares, um projeto considerado inviável técnica e economicamente.
A Procuradoria afirma que, com o dinheiro, em cujo conselho tinha assento a Força Sindical, em 2001, Paulinho; seu assessor João Pedro de Moura; o então prefeito de Piraju, Maurício de Oliveira Pinterich (PSDB), que acumulava a presidência da Amvapa (Associação dos Municípios do Vale do Paranapanema); com a colaboração dos peritos Milton Camolesi de Almeida e Anísio Silva, que superavaliaram o terreno, adquiriram dos irmãos Joaquim Fernandes Zuniga e Affonso Fernandes Zuniga a Fazenda Ceres por R$ 2,3 milhões, o equivalente a R$ 3.105,62 por hectare.
No processo, informa a denúncia, a fazenda foi avaliada por um perito judicial em R$ 2.008,26 o hectare, num total de R$ 1.320.925. A perícia teria provado que cerca de 50% dos 302 alqueires da fazenda se encontram em uma área de preservação permanente, que não pode ser explorada, e que apenas 17,10% das terras eram cultiváveis, ainda sim com restrições de uso, pois o terreno era ondulado e também ocupado por uma pedreira.
A Justiça Federal, entretanto, recusou o pedido da Procuradoria para que Paulinho fosse condenado à perda da função pública e tivesse os direitos políticos suspensos. Para o juiz Batista Machado, tal pena “não se torna proporcional”, pois o deputado atuou no negócio como presidente da Força Sindical e não como parlamentar. (TB)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Dilma diz que Lupi fica no cargo

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (3) que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, do PDT, é de sua “inteira confiança” e permanece no cargo. O PDT, embora integre a base aliada do governo, não votou com o Planalto na aprovação do salário mínimo e, ontem (2), o líder do partido na Câmara, Giovanni Queiroz, não foi convidado para a reunião de lideranças com Dilma.
“O ministro Lupi é da minha inteira confiança. O PDT estará no Ministério do Trabalho. Agora, eventuais problemas dentro da base serão resolvidos pelo próprio partido e, não, pelo governo. O ministro Lupi é de confiança e, hoje, o recebi em um despacho normal”, disse Dilma, referindo-se à reunião que teve com o ministro no início da manhã.
Ontem, depois do encontro de Dilma com os líderes de partidos aliados, o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, explicou a ausência do PDT afirmando que foram convidados apenas os líderes que estão 100% alinhados com a posição do governo.
Dilma respondeu sobre a permanência de Lupi em entrevista a jornalistas após receber o primeiro-ministro e ministro da Defesa do Timor Leste, Xanana Gusmão. (Yara Aquino-AB)

Brasil já é a 7ª maior economia do mundo, diz Mantega

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse nesta quinta-feira que, segundo dados preliminares, a economia brasileira ultrapassou a da França e do Reino Unido em paridade de poder de compra e é agora a 7ª maior economia mundial. Antes, o país ocupava a 9ª posição na comparação em paridade de poder de compra.


O resultado é o desdobramento do desenvolvimento desigual e mostra a importância do crescimento nacional para a projeção do país no exterior. Ao longo do governo Lula, o Brasil cresceu a taxas bem maiores do que Inglaterra e França. A diferença foi ampliada pela crise, que castigou mais as potências capitalistas e em especial a Europa do que os países ditos emergentes.

G20
O PIB brasileiro cresceu 7,5% em 2010, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os países do G20, foi o quinto melhor desempenho. O país ficou atrás da China, Índia, Argentina e Turquia.

Segundo Mantega, o crescimento de 2010 não sinaliza um superaquecimento da economia, mesmo porque a base de comparação é muita baixa. Em 2009 o PIB retrocedeu 0,6%, de forma que o valor da produção no ano passado recuperou o nível de 2008, ano em que se verificou um ritmo de expansão. Além disto, os dados mostram que já há um desaquecimento no último trimestre.

Investimento


Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 3,675 trilhões em 2010. "Isso mostra a capacidade produtiva da economia brasileira, o potencial que vem sendo realizado nesses últimos anos. Mostramos nossa capacidade de crescer cada vez mais", afirmou.

O ministro disse ainda que o avanço significativo do investimento mostra a qualidade do crescimento brasileiro, já que está havendo expansão na capacidade produtiva brasileira.


”Isso nos habilita a continuar o crescimento nos próximos anos e crescimento equilibrado com mais oferta de produto, afastando problemas de abastecimento e de inflação", completou.

Desaceleração
O percentual do PIB é o maior desde 1986, quando houve a mesma alta. No entanto, a metodologia da série foi modificada em 1996. Em 2009, o PIB havia apresentado retração de 0,6% – a primeira na atividade econômica desde 1992.

Com o crescimento mais arrefecido na parte final do ano, o PIB subiu 0,7% no quarto trimestre de 2010, em relação aos três meses imediatamente anteriores. Na comparação com o período de outubro a dezembro de 2009, a economia registrou alta de 5,0%.

Revisão
O IBGE revisou os dados dos trimestres do ano passado que já haviam sido divulgados. No primeiro trimestre, a economia avançou 2,2% ante os três meses imediatamente anteriores – anteriormente tinha apresentando expansão de 2,3%.

No segundo trimestre, a revisão também apontou um percentual menor, de 1,8% para 1,6%. Já no terceiro trimestre, o crescimento passou de 0,5% para 0,4%. Nos últimos três meses do ano o PIB avançou apenas 0,7%, sinalizando desaceleração, tendência que deve ser reforçada pelo corte nos gastos públicos e alta dos juros. (Vermelho)

Na despedida, deputados não reeleitos elevam gastos da Câmara em 175%

Sem assento na Câmara, perderam também boa parte da visibilidade política e do patrocínio público para a divulgação, em seus estados, do trabalho realizado em Brasília.


Os deputados federais que deixaram o cargo no mês passado apresentaram uma conta salgada aos cofres públicos. Ao todo, 102 agora ex-parlamentares inflaram os gastos com a “cota para exercício da atividade”, a antiga verba indenizatória, nos últimos dois meses de mandato: dezembro de 2010 e janeiro deste ano.

Apenas com esses ressarcimentos, a Câmara desembolsou R$ 5,6 milhões — R$ 2,4 milhões a mais do que esses mesmos 102 ex-deputados receberam no período correspondente a 2009/2010, o que representa uma variação de 175%. A maior parte das despesas refere-se à divulgação de balanços dos respectivos mandatos.

Pastor Manoel Ferreira (PR-RJ), Cássio Taniguchi (DEM-PR) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) foram os que mais aumentaram o percentual de gastos com a proximidade do término do mandato. Comparando-se os últimos dois meses na Câmara ao mesmo período de 2009/2010, as despesas do trio apresentaram uma variação no uso da cota de 1.712%, 1.129% e 209%, respectivamente.

Conforme antecipado pelo Correio em dezembro, os investimentos em publicidade do mandato de pelo menos 50 então deputados dobraram. A fatura elevada, segundo os agora ex-parlamentares, justifica-se pelo fato de, na época, estarem deixando o Parlamento.

Sem assento na Câmara, perderam também boa parte da visibilidade política e do patrocínio público para a divulgação, em seus estados, do trabalho realizado em Brasília.

“Aproveitei aquilo que ainda tinha de verba indenizatória para divulgar tudo o que fiz como deputado. A Caixa Econômica Federal e os Correios fazem publicações que custam bilhões de reais ao governo. Deveriam ver o quanto o Executivo gasta em publicidade e o quanto nós gastamos.

Nossas despesas são até baixas”, compara Ernandes Amorim (PTB-RO), cujos ressarcimentos aumentaram R$ 65,6 mil (variação de 73%). O ex-deputado alega ter utilizado o dinheiro com publicidade em veículos impressos, rádio e tevê.

Além da divulgação parlamentar, há despesas com telefone, aluguel de carros e aviões, entre outras modalidades. A dois meses de deixar o mandato, o tucano Gustavo Fruet, por exemplo, consumiu R$ 25,8 mil apenas em serviços postais. Já o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) utilizou quase R$ 10 mil com aluguéis de veículos, enquanto o petebista Ernandes Amorim contratou consultorias no valor de R$ 49 mil.

Reuniões políticas

Ao turbinar o consumo da cota parlamentar em R$ 58,5 mil, o ex-deputado Pedro Wilson (PT-GO) alegou ter “desenvolvido trabalhos” no interior de Goiás, incluindo reuniões políticas. “Uma das reclamações que mais ouvi durante a campanha eleitoral do ano passado foi que eu não divulgava as minhas realizações como deputado.

Quisemos, então, fazer uma prestação de contas, viajando pelo estado. Também tínhamos um projeto para tocar, a campanha da presidente Dilma Rousseff e a formação de alianças”, justifica Wilson, que dobrou os gastos e empregou R$ 58,2 mil a mais nos dois últimos meses do mandato, em comparação com dezembro de 2009 e janeiro de 2010.

Além dos ex-parlamentares que apresentaram crescimento expressivo no consumo de dinheiro público no período analisado, há muitos que não tiveram uma variação tão grande, porque as respectivas despesas já eram elevadas.

Fazem parte desse grupo José Mendonça Bezerra (DEM-PE) e Humberto Souto (PPS-MG). Há um ano, Souto havia utilizado R$ 78 mil da cota. Agora, foram R$ 105 mil. Campeão no uso desses recursos, Bezerra gastou R$ 127 mil entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010 e, recentemente, R$ 157 mil.

Serviços

A cota para exercício de atividade parlamentar a que cada deputado tem direito varia de R$ 23 mil a R$ 35,5 mil, dependendo do estado de origem — em geral, quanto maior a distância do domicílio eleitoral em relação ao DF, maior o valor.

Esses recursos podem ser utilizados para passagens aéreas, frete de veículos e aeronaves, combustíveis, cota postal e telefônica, consultoria, divulgação do mandato, aluguel de escritórios políticos, entre outros serviços. Os deputados desembolsam os valores e, posteriormente, são ressarcidos pela Câmara.

Fonte: Ivan Iunes / Leandro Kleber - VB

Políticos se dividem entre a folia e o descanso

Em tempos de Carnaval, os palcos da festa, em especial os camarotes, se transformam em palanque eleitoral para a classe política baiana. Vitrine que a coloca mais perto do público, a folia de Momo costuma reunir integrantes do meio, tanto na instância do Executivo, quanto do Legislativo de todas as coligações e cores partidárias. Mesmo 2011 não sendo ano eleitoral como foi o de 2010, os compromissos carnavalescos de alguns políticos, a maioria de olho em 2012, devem se repetir no mesmo embalo do ano passado. Outros, no entanto, vão optar pelo descanso nas casas de campo ou de praia, ou simplesmente viajar para outras regiões do país.
Os chefes do Executivo estadual e municipal, o governador Jaques Wagner (PT) e o prefeito João Henrique (PP), vão se dividir entre o calor da festa e o repouso ao lado de seus familiares. O governador vai cumprir algumas tarefas administrativas e também curtir a festa. Hoje e amanhã, Wagner visitará os estandes montados pelo Estado, como as unidades de saúde e a Central de Segurança, durante o dia. Já à noite, o gestor vai cair na folia e distribuir simpatia pelos camarotes privados ao lado de sua esposa, a primeira-dama Fátima Mendonça.
No domingo, ele visitará os praticáveis de imprensa e concederá uma entrevista coletiva para fazer sua avaliação do evento. Já na segunda e na terça-feira, o governador vai preferir o descanso em local não divulgado. Isso, se o ex-presidente Luiz Inácio Lula não aparecer. Caso isso aconteça, ele terá que recepcioná-lo. O grande amigo do “galego” em sua última passagem pelo Estado prometeu que iria se preparar para pular bastante no Carnaval baiano.
Já o prefeito João Henrique vai prestigiar a festa por dois dias somente. Além de ter dirigido o início da folia ao entregar a chave da cidade ao Rei Momo ontem, o alcaide só retorna ao cenário da festa no domingo, quando irá aparecer no camarote da Prefeitura ao lado da família, assessores e secretários.
Outros políticos não vão perder a oportunidade de estarem perto do público. Esse é o caso do deputado federal ACM Neto (DEM). O democrata vai brincar quase todos os dias da festa – à noite nos camarotes privados do circuito Dodô (Barra-Ondina).
 Já no domingo, segunda e terça, ele deve apreciar o desfile dos blocos no circuito tradicional Osmar (Campo Grande), no camarote da Rede Bahia, ao lado de seu pai, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães Junior (DEM) e familiares. O deputado Antonio Imbassahy (PSDB) fica dois dias na cidade, curtindo a passagem dos trios nos camarotes de Daniela Mercury e do Expresso 222-Gilberto Gil na Barra. Depois deve se recolher com a família.
 Contrariando a ordem de cair na folia, o presidente do PMDB, deputado federal Lúcio Vieira Lima, disse que vai “trabalhar e curti na fazenda em Itapetinga. Vou aproveitar para conversar com as pessoas, visitar as bases nos municípios vizinhos, Macarani, Itaranti”, afirmou.

Ritmos vão do axé ao gospel

     O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PDT), vai intercalar a “brincadeira” com o lazer distante da movimentação. No domingo, ele vai com a família para o camarote do governador e nos outros dias deve descansar no Litoral Norte. Nilo deve se concentrar para administrar dias mais quentes na Casa, quando deve reger votações de projetos de bastante discussão no Parlamento, a exemplo da proposição que aumenta o salário dos servidores estaduais. Aliás, no Legislativo estadual, a maioria reservou o período do Carnaval para ficar bem longe de Salvador.
 O líder do governo, deputado Zé Neto (PT), por exemplo, vai curtir com a família e com os amigos a Ilha de Itaparica. Já o presidente da Câmara de Salvador, vereador Pedro Godinho (PMDB), optou pela distância da folia momesca. O vereador preferiu a tranquilidade para voltar com mais força ao batente, quando deve conduzir votações polêmicas na Casa.
Quem está interinamente no comando da Câmara é o vereador Paulo Magalhães Júnior, que curte a festa. Outros devem ter participação mais ativa, a exemplo do vereador Heber Santana (PSC) que vai participar do bloco evangélico Sal da Terra. Formado na sua maioria por membros da Igreja Batista Missionária da Independência, o grupo com cerca de mil integrantes irá percorrer as ruas do circuito Batatinha (Pelourinho) e Dodô (Barra).(Lilian Machado - TB)